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domingo, 31 de março de 2019

A partilha de África

A catástrofe liricamente apelidada de "revolução dos cravos" teve antecedentes remotos: a sua origem longínqua situou-se em 1941, quando Roosevelt e a superfinança americana se conluiaram com Staline. 

Num artigo publicado em O Dia (23/3/1980), duma série sobre os Rockefellers, Lourdes Simões de Carvalho transcreveu a carta que Roosevelt endereçou em 1941 ao Kremlin - carta que Le Figaro, de Paris, revelou a 7 de Fevereiro de 1951:
«Quanto à África, será preciso dar à Espanha e a Portugal compensações pela renúncia dos seus territórios para que haja um melhor equilíbrio mundial. Os Estados Unidos instalar-se-ão aí por direito de conquista e reclamarão inevitavelmente alguns pontos vitais para a zona de tutela americana. Será mais que justo. 
Queira transmitir a Staline, meu caro senhor Zabrusky, que para o bem geral e para o aniquilamento do Reich ceder-lhe-emos as colónias africanas se ele refrear a sua propaganda na América e cessar a interferência nos meios laborais».
Acrescentou depois a citada articulista:
«Em 1973, esta promessa solene continuava por cumprir. Falha tanto mais embaraçosa para a parte faltosa quanto os soviéticos tinham honrado a sua.  
Portugal, três décadas depois da cedência de Roosevelt à URSS das suas possessões africanas, interpunha-se ainda como um escolho inamovível na viabilização do contrato e lutava sozinho conta o condomínio russo-americano e respectivos mecanismos de conquista e anexação.  
Os Rockefellers eram especialistas, na América do Sul, a manobrarem através de militares a quem a pala do boné delimita o horizonte das suas abstracções. 
No dia 25 de Abril de 1974, capitães convictos de salvarem o povo das garras dos exploradores, apoiados por comunistas primários, estudantes analfabetos e intelectuais muito eruditos sobre o imperialismo dos EUA investiram contra a última barreira existente na Europa a esse mesmo imperialismo.  
Ao largo, na costa, uma esquadra americana velava pronta a intervir em favor dos revoltosos marxistas para que as promessas de Roosevelt fossem honradas. A África foi partilhada de harmonia com o esquema habitual: ideologia redentora primeiro; depois, financiamentos saneadores e divisão equitativa dos lucros entre os parceiros sociais. 
O agente de confiança de Nelson Rockefeller, Frank Carlucci, posando como embaixador dos EUA em Lisboa, com o seu homólogo da KGB, Kalinine, sob travesti semelhante, destacados para consolidar mais esta etapa, desempenharam-se com discrição e eficácia desta missão especial.  
Os expoentes máximos do Round Table Business, organismo Rockefeller que agrupa os 178 maiores capitalistas do mundo, consideram hoje Portugal como uma das melhores coutadas europeias, tendo o caminho facilitado pela desertificação dos empresários nacionais, liquidados e afastados da competição pela aguerrida matilha comunista. Chase, Morgan, Ford, Rothschild e o Kremlin tinham vencido juntos mais um lance».
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sábado, 23 de junho de 2018

Isto é um assalto – Filha de Camilo Mortágua no Parlamento

Mariana Mortágua, filha do membro da LUAR Camilo Mortágua, substituiu, em 2013, a deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago. A filiação é relevante porque várias ideias defendidas pela deputada e pelo seu partido já foram postas em prática pelo pai, com resultados desastrosos, designadamente na ocupação e gestão da Herdade da Torre Bela.

QUEM É CAMILO MORTÁGUA?

Nasceu em Oliveira de Azeméis, a 29 de Janeiro de 1934. Sem inclinação para os estudos, como o próprio reconhece nas suas memórias, pegaram-lhe a alcunha de Batata. Aos 12 anos segue com os pais e as duas irmãs para Lisboa. Em 1951, emigra para a Venezuela.

Na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, integra o grupo de revolucionários que, sob o comando de Henrique Galvão, toma de assalto o paquete Santa Maria. Durante o acto, o oficial Nascimento Costa é assassinado pelos assaltantes.


A tomada do navio, que transportava 600 turistas em viagem para Miami e mais de 300 tripulantes, foi preparada na Venezuela pelo Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL). Era um organismo híbrido que nasceu da fusão entre o grupo de Galvão e um grupo de exilados espanhóis, dirigido por Jorge de Soutomayor, ex-combatente comunista na Guerra Civil de Espanha.

Aviões americanos acompanharam os movimentos do Santa Maria, que ostentava no castelo da proa a faixa “Santa Liberdade”, pintada à mão. Entretanto, enquanto decorriam as negociações, o corpo do piloto assassinado apodrecia no seu caixão, na capela do paquete.

Antes do assalto ao Santa Maria, o DRIL, que estava classificado pela CIA como “organização terrorista”, promovera atentados em várias cidades de Espanha. A bomba que o grupo fez explodir em 1960 na estação de Amara, em San Sebastián, matou uma criança de 2 anos, Begoña Urroz.

O crime foi atribuído por largo tempo à ETA, mas dados históricos revelados nos últimos meses em Espanha demonstram a autoria do DRIL. Era com esta gente que Mortágua e os outros democratas queriam combater as ditaduras ibéricas e apear do poder Salazar e Franco.

A 10 de Novembro de 1961, desvia à mão armada com Palma Inácio e mais uns tantos criminosos um avião da TAP, no voo Casablanca-Lisboa. Foi assim um pioneiro do terrorismo aéreo, com o objectivo singelo de sobrevoar Lisboa e outras cidades portuguesas a baixa altitude para lançar milhares de folhetos subversivos.

Se quisermos descobrir um rasgo verdadeiramente inovador nos oposicionistas ao Estado Novo, forçoso será recorrer à aeronáutica: o primeiro desvio de um avião comercial em todo o mundo. Os terroristas islâmicos regulam com atraso em relação aos nossos antifascistas, sempre na vanguarda.

O ASSALTO AO BANCO DE PORTUGAL

A 15 de Maio de 1967, Camilo Mortágua, Palma Inácio, António Barracosa e Luís Benvindo assaltam a filial do Banco de Portugal na Figueira da Foz. O golpe é comummente atribuído à LUAR, acrónimo de Liga de Unidade e Acção Revolucionária, mas tal não corresponde por inteiro à verdade.

Na data do assalto, a LUAR ainda não existia. Foi criada à pressa no mês seguinte, como reconheceu Emídio Guerreiro, um dos fundadores, “para dar uma cobertura política e credível ao assalto do banco” (‘Diário de Notícias’, 6/9/1999, pág. 15) e assim evitar e extradição para Portugal dos criminosos, que entretanto se haviam refugiado em França

Em consequência do golpe, Palma Inácio foi monetariamente crismado de “Palma Massas”. E havia fundadas razões para isso. A operação rendeu cerca de 30 mil contos, uma fortuna para a época, equivalente a 9 milhões de euros de hoje, ainda que boa parte das notas tenha sido depois recuperada pela PIDE.

“Logo que se apanharam com o dinheiro, acabou o romantismo revolucionário”, acusou depois Emídio Guerreiro, em entrevista a O DIABO (22/9/1992, pág. 8). É o costume. O dinheiro sobe sempre à cabeça das pessoas. Deviam ter lido Marx e Kautsky antes de começarem a roubar.

A TORRE BELA

A Herdade da Torre Bela, com 1700 hectares, a maior área de terra agrícola murada do País, pertencia ao duque de Lafões. A 23 de Abril de 1975, foi ocupada pelo “povo trabalhador” aos gritos de “a terra a quem a trabalha”.

Para comandar aquela tropa mista de camponeses, delinquentes e bêbados, aterrou na herdade ribatejana o revolucionário Camilo Mortágua, já grávido de ideias bloquistas.

O processo ficou documentado no filme “Torre Bela”, de Thomas Harlan (filho do cineasta Veit Harlan, com ligações ao regime nacional-socialista). Militante da extrema-esquerda, o alemão quis filmar a utopia socialista, mas dormia no quarto do duque. Era o único que tinha casa de banho privativa.

As imagens são divertidas e esclarecedoras: Mortágua e Wilson, outro ladrão de bancos, a doutrinar as massas sobre “latifundiários” e “cooperativas”; Zeca Afonso, Vitorino e o padre Fanhais, este também membro da LUAR, a cantar o Grândola de megafone, diante do povo aparvalhado; o inesquecível diálogo entre Wilson e o camponês avesso à “comprativa” [sic] sobre a enxada que “passa a ser de todos”; a inenarrável reunião em que o oficial do MFA incita à ocupação do palácio: “primeiro vocês ocupam e depois a lei há-de vir”; e os camponeses a experimentar as roupas dos patrões, remexendo-lhes as gavetas com um misto de culpa, curiosidade e desejo.

O filme é um documento notável de cinema directo, uma comédia do absurdo sobre a “reforma agrária”, processo de espoliação que nos custou os olhos da cara. Ainda há dias o Estado português foi condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem a pagar mais 1,5 milhões de euros de indemnização a famílias expropriadas.

Os desvarios de Abril não começaram com o BPN ou as PPP (Parcerias Público-Privadas). Tiveram início logo após a revolução, com as ocupações de terras e as nacionalizações selváticas, que ainda agora figuram – de forma mais velada – entre os objectivos do Bloco de Esquerda, da menina Mortágua.

E DEPOIS DO ADEUS

Após a frustrada experiência na Torre Bela, os mais destacados membros da LUAR, como Mortágua e Palma Inácio, achegaram-se mais e mais aos partidos dominantes. Alguns membros da organização não gostaram. Um deles, Belmiro Martins, exprimiu o seu descontentamento ao jornal ‘Tal & Qual’ (5/9/1997, pág. 6): “Vejo que os chefes da LUAR se passam de armas e bagagens para o Poder […] Senti-me traído […] Decidi então que passaria a roubar para mim.”

Decidiu e cumpriu. Estabeleceu-se por conta própria no ramo dos furtos, secção de ourivesarias. Parece que assaltou mais de cem lojas. Afirma-se com orgulho o “maior assaltante de ourivesarias de todos os tempos”. Foi preso em 1977 e condenado, tendo cumprido 17 anos de cadeia. Foi libertado em 1994, mas logo se entusiasmou por outras montras a reluzir de ouro. De novo preso em 1997, saiu finalmente em 2006, quando oficiava de sacristão na cadeia de Pinheiro da Cruz.

Belmiro Martins chegou a integrar os órgãos sociais do Fórum Prisões, associação presidida pelo advogado de Otelo no caso das FP-25 de Abril, Romeu Francês, antigo militante do MRPP, que depois seria condenado em processos de burla, falsificação de documentos, abuso de confiança e fraude fiscal, que acabariam por ditar a sua expulsão da Ordem dos Advogados.

MORTÁGUA, HOJE

Um homem com a folha de serviços de Mortágua não podia deixar de ser homenageado pelo novo regime. A justiça democrática tarda, mas não falta. A 10 de Junho de 2005 foi-lhe atribuída a condecoração de Grande Oficial da Ordem da Liberdade, por Jorge Sampaio, então Presidente da República.

Camilo Mortágua, hoje com 81 anos, está estabelecido no Alvito, em pleno Alentejo, como empresário. É hoje um “agrário”, nome pejorativo que os revolucionários de antanho colavam na região aos proprietários de terras agrícolas.

Mariana Mortágua nasceu em 1986. Licenciada em Economia, é mestra pelo ISCTE (‘where else?’) com uma dissertação sobre “O Papel da Caixa Geral de Depósitos na Recente Crise Económica (2007-11)”.  Militante do Bloco de Esquerda, a filha de Camilo Mortágua publicou dois livros a meias com Francisco Louçã.

Em 2012 editou “A Dívida(dura) – Portugal na crise do Euro” (Bertrand, 2012, 240 págs.) A obra foi apresentada na FNAC do Chiado por Marcelo Rebelo de Sousa, para escândalo dos bloquistas mais pedregosos. Em Abril de 2013 lançou “Isto é um assalto: a história da dívida em banda desenhada” (Bertrand, 2013, 184 págs.), com ilustrações de Nuno Saraiva.

A contracapa informa que o livro ”descreve o assalto que Portugal está a sofrer”. Reconheça-se, antes de mais, a legitimidade do título. Em matéria de assaltos, os Mortáguas são especialistas. O roubo que Portugal está a sofrer começou logo após a revolução, com o papá Camilo e outros que tais, imbuídos de um ideário que Mariana não rejeita. Limita-se a defendê-lo com outros termos e balelas, que aprendeu no ISCTE e na Rua da Palma.

No pai e na filha, a mesma necessidade de lutar contra a “ditadura” (seja a de Salazar ou a da dívida), o mesmo ódio ao “adversário” (seja lá ele quem for), a mesma receita de nacionalizações (começa-se com herdades, depois bancos, energia, água, transportes e tudo o que aparecer à frente), o mesmo desrespeito à propriedade alheia e quase uma relação de amor e ódio com o “grande capital financeiro”: o pai assaltava bancos, a filha faz teses de mestrado sobre a Caixa Geral de Depósitos.

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sábado, 17 de janeiro de 2015

A Ordem Mundial Andrógena - Parte 3

3ª Parte dum artigo com começou aqui.

Foi durante este ponto baixo da vida de Steinem que Clive S. Gray fez a sua aparição e abriu-lhe as portas da oportunidade. Steinem havia inicialmente conhecido Gray na Índia, Nova Delhi, “onde ele estava a trabalhar ostensivamente numa dissertação de doutoramento em torno do sistema de ensino superior Indiano.” (141). Na verdade, Gray encontrava-se a trabalhar para a CIA, “buscando potenciais agentes para o movimento estudantil” (142).

Gray pediu a Steinem que liderasse o Independent Service for Information durante o Vienna Youth Festival (ISI), que Wilford descreve como “um gigantesco empreendimento estudantil financiado pela CIA iniciado em 1957, com o objectivo de salvar jovens do Terceiro Mundo das garras dos propagandistas comunistas.” (141).

Gray e os outros fundadores do ISI eram antigos oficias da NSA que ansiavam influenciar as jovens e impressionáveis mentes dos participantes do Vienna World Festival of Youth and Students, um evento planeado por um dos chefes do KGB e antigo estudante Alexander Sheljepin (141-142). Segundo Wilford, a proposta de Gray era demasiado boa para Steinem recusar:
A sugestão apelou imediatamente a Steinem, não só porque significava um trabalho remunerado mas também porque oferecia uma saída para o idealismo político que havia renascido dentro dela devido às suas experiências Indianas; poucos depois do chamamento de Gray, ela encontrou-se em New York com outro antigo presidente do NSA transformado em oficial do CIA, Harry Lunn (que, como quase todos os outros jovens homens que haviam entrado em contacto com ela, rapidamente apaixonou-se por ela). 
Depois disto, ela viajou para Cambridge, sítio onde foi entrevistada por dois antigos vice-presidentes para Assuntos Internacionais do NSA, Len Bebchick e Paul E. Sigmund, Jr., bem como com um advogado de Boston chamado George Abrams
Por volta de Janeiro de 1959, ela haVia ocupado a posição de Directora para a Independent Service for Information, com escritórios em Harward Yard, e um salário de $100 por semana, mais $5 per diem visto "as rendas em Cambridge eram muito elevadas" (um subsídio generosa estabelecido pelo apaixonado Lunn). (142)
Steinem não era uma agente involuntária ou uma pessoa mal informada mas sim alguém bem ciente do facto da CIA estar a controlar a sua vida. Wilford elabora:
Em relação à própria Steinem, ela tornou-se mais alerta quando começou a fazer perguntas em relação ao financiamento do ISI; agentes do CIA à paisana explicaram-lhe que os financiadores de Boston e as fundações que aparentemente subsidiavam o empreendimento eram, na verdade, caminhos através dos quais chegavam financiamentos oficiais secretos.(142)
Nas semanas antecedentes ao festival, Steinem e o seu staff do ISI enviaram panfletos e fichas técnicas aos estudantes que planeavam estar presente no evento (143). A ajudar Steinem estava o executivo da Time, Inc., C.D. Jackson, o mestre da guerra psicológica "que secretamente se ofereceu para coordenar uma gigantesca propaganda anti-festival em prol da CIA, envolvendo a Radio Free Europe, repórteres da Time, e ministros Austríacos" (143). Quando a CBS cancelou os planos para um documentário de uma hora sobre o festival, Jackson veio em socorro de Steinem, tentando convencer o presidente da CBS Frank Stanton a reconsiderar (143). Jackson foi muito bem sucedido em gerar apoio para os esforços do ISI no festival (143-144).

Muitos pesquisadores esquerdistas caracterizaram a CIA como uma colecção de arqui-conservadores que inclinações fascistas. No entanto, o relacionamento da CIA com Steinem revela uma imagem totalmente diferente. Falando para o Washington Post em relação à sua relação com a CIA, Steinem declarou:

Segundo a minha experiência, a Agência [CIA] era totalmente diferente da sua imagem; ela era liberal, pacífica e honrada. (147)

Falando do Vienna Youth Festival, Steinem disse ao New York Times:

Fiquei feliz em encontrar muitos esquerdistas no governo desses dias, e eles eram pessoas perspicazes e preocupavam-se o suficiente para fazer com que Americanos com os mais variados pontos de vista políticos viessem ao festival (147).

Aparentemente, Steinem viu poucas diferenças entre a sua mensagem radical e as crenças mantidas por muitos dentro das fileiras da CIA.

Embora ela fosse anti-Soviética, a CIA não era necessariamente contra as ideias radicais e revolucionárias. A colaboração íntima com Steinem claramente ilustra este ponto. O facto de Steinem buscar destruir o casamento tradicional bem como a família nuclear não parecia alarmar a CIA. A Agência não se parecia importar com o facto das pessoas se radicalizarem, desde que a Agência controlasse a campanha de radicalização e seleccionasse a doutrina revolucionária que seria propagada.

A CIA pode até ter desenvolvido um pedigree radical que até incluía ideias Marxistas. Este pedigree teve início com o precursor da CIA, o Office of Strategic Services (OSS). O General William “Wild Bill” Donovan, o chefe do OSS, não se opunha à contratação de comunistas (Smith 9), justificamdo esse ideia invocando a ameaça dos poderes do Eixo (9). Uma vitória Aliada, contendia Donovan, tinha que ser obtida a todo o custo.

Para Donovan, preocupações em torno duma subversão comunista tinham que se subordinar ao objectivo maior de vencer a Segunda Guerra Mundial. Donovan chegou a dizer a um assistente do OSS que "Eu seria capaz de colocar Estaline na folha de pagamentos da OSS se isso nos ajudasse a vencer Hitler" (9). O resultado deste tipo de pensamento foi que a OSSA era "muito tolerante em relação às ideias da esquerda política"  (9). Posições estratégicas e sensíveis durante o tempo de guerra não se encontravam fora do radar para comunistas e Marxistas. O autor Richard Harris Smith elabora:
Um ex-Comunista duma safra mais antiga correctamente declarou: "No Office of Strategic Services… a contratação de pró-Comunistas era aprovado por pessoas ao mais alto nível, desde que eles fossem adequados para um trabalho específico." A OSS frequentemente aceitava os serviços de entusiastas Marxistas desde que eles não fizessem tentativas de ocultar as suas afiliações políticas. (9)
Donovan não só deu pouca importância às afiliações políticas dos empregados do OSS, como buscou de modo activo comunistas para recrutamento e como forma de lhes dar emprego. A dada altura, o Federal Bureau of Investigation (FBI) "presenteou triunfantemente o general com dossiers em torno de três empregados do OSS com afiliações ao Partido Comunista, e exigiu a sua expulsão da organização" (9). Em resposta às evidências apresentadas pelo FBI, Donovan declarou:

Eu sei que eles são Comunistas. É por isso mesmo que eu os contratei

Depois da Segunda Grande Guerra, a OSS passou a ser a CIA.

Dado o seu pedigree revolucionário e radical, não é surpreendente que a Agência tenha contratado Steinem, uma feminista radical que caracterizava a moralidade e o tradicionalismo como maquinações da opressão masculina. Embora tanto o CIA e Steinem fossem contra a União Soviética, eles não eram necessariamente contra o Marxismo. Tal como a CIA a quem ela servia,  abraçou as ideias e os conceitos Marxistas. Steinem chegou a admitir que a sua oposição à cruzada comunista do Senador Republicano Joseph McCarthy levou a que ela adoptasse  o Marxismo (Mitchell 130). O Marxismo Cultural era um elemento importante da campanha de engenharia social  levada a cabo pelos Rockefellers, pela CIA, e por Steinem.

A escolha de aliados por parte de Steinem é especialmente irónica à luz da misoginia endémica presente no Establishment. Por exemplo, os Rockefellers dificilmente podem ser caracterizados como pessoas particularmente simpatéticas com o sofrimento da mulher moderna. Se as palavras de Nicholas Rockefeller ditas a Russo foram realmente proferidas, então torna-se dolorosamente aparente que os motivos da oligarquia dinástica de financiar a ascenção do feminismo foram puramente pragmáticas.

Mais ainda, o feminismo nasceu dum útero com uma perspectiva misógina, uma realidade paradoxal enfatizada pelas inspirações Gnósticas do movimento. Não podemos esquecer que, segundo a criatologia Gnóstica,  a raça humana tem que agradecer a um Aeon feminino (Sofia) pelo seu dilema colectivo. A consciência defeituosa que que supostamente preside sobre o intrinsecamente corrompido cosmos físico emanou do seu ser. Tal criatologia dificilmente é lisonjeira para as mulheres.

Esta misoginia é explicitamente expressada pela revisão Gnóstica de Cristo no pseudepigráfico Evangelho de Tomás:
Simão Pedro disse a todos os outros discípulos: "Deixem Maria Madalena ir embora do meio de nós porque as mulheres não são merecedores de vida." Jesus disse: "Reparem, eu irei orientá-la de modo a que eu a possa transformar num homem; de modo a que ela, também, ao se tornar num homem se possa tornar num espírito vivificador semelhante a vocês machos. Porque todas as mulheres que se transformarem em homens irão entrar no Reino dos Céus.
Portanto, o feminismo originou-se numa heresia misoginia. Não é surpreendente que esta ideologia inerentemente misândrica partilhe tanto com a ordem misógina que ela ostensivamente se opõe. Em última análise, a hegemonia buscada pelos interesses oligárquicos do Establishment não se centram em nenhum dos géneros.

A androginia estipula não só a destruição da masculinidade, mas também da feminidade. Desta forma, a misândria e a misoginia são perspectivas meramente provisórias em seguimento para a androginia.

Nenhuma das duas dá ênfase à dinâmica operacional complementar servida pela outra. Em vez disso, ambas buscam a supremacia. A tensão dialéctica entre as duas tem como propósito minar gradualmente o género como determinante definidor da identidade humana.

Uma vez que a identidade encontra-se indissoluvelmente associada ao género, ela tem que ser destruída. Afinal de contas, servos não precisam de identidades pessoais.

A ordem mundial que está a ser consagrada pelas elites depravadas não será populada nem por machos nem por fêmeas. Essencialmente, se a elite depravada materializar a sua visão escatológica do mundo, ele será populada por uma nova raça desumana. 

Fontes citadas




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Ordem Mundial Andrógena - Parte 2

Continuação dum artigo iniciado aqui.

Apesar das objecções juvenis, é um facto médico inevitável que relações sexuais depravadas fazem-se acompanhar por certos riscos de saúde. No topo destas formas depravadas de relação sexual encontra-se o sexo anal, práctica exercida prolificamente no meio social homossexual e em certos quadrantes heterossexuais pouco convencionais. Independentemente da forma ruidosa como estes enclaves possam colocar objecções, o facto é que até muitas autoridades médicas seculares concordam que o sexo anal é prejudicial. Uma dessas autoridades é Robert I. Krasner, Professor Emérito no Departamento de Biologia no Providence College. Ele escreve:
Alguns comportamentos sexuais são considerados mais prejudicais e mais arriscados que outros. O sexo anal é o mais perigoso uma vez que o revestimento do  ânus está mais sujeito a rompimentos e lesões que o revestimento da vagina, o que permite que o vírus da SIDA, e outros micróbios, tenham uma passagem mais facilitada para o sangue. (416)
Claro que pesquisas objectivas raramente dissuadem aqueles que acreditam a realidade se irá re-ajustar como forma de acomodar o hedonismo. Esta mentalidade é exemplificada pela auto-declarada "professora do sexo" Debby Herbenick, que promove o sexo anal como "forma de se explorar e realizar as fantasias com o amante"  (11).

À luz dos óbvios riscos médicos inerentes a tal forma de relação sexual, tal promoção revela uma recusa infantil de comungar com a verdade segundo os seus próprios termos. Ao contornarem estes factos inconvenientes em relação a prácticas [sexuais] perigosas, os revolucionários conjuram uma disjunção fictícia entre o género e o sexo. O propósito final é o de racionalizar a rejeição da imutável ordem natural , e consagrar os seus próprios apetites.

A sustentar o divórcio entre o sexo e o género encontra-se uma pervasiva visão disteleológica. Através desta lente interpretativa, a biologia passa a ser um mero acidente do tempo. O facto de alguém ser macho ou fêmea é consequência de forças cegas e sem finalidade a se imporem a elas mesmas sobre máquinas compostas de carne. Ironicamente, os defensores de tal perspectiva dão a sua aprovação à teoria da evolução, que é irredutivelmente teleológica.

Independentemente do quanto que o evolucionista possa levantar objecções, o facto é que o processo evolutivo progride rumo a um telos. Tal progressão pressupõe a orientação dum agente racional. É terrivelmente complicado invocar forças cegas e sem propósito ao mesmo tempo que se postula um sistema com design intricado. Portanto, mesmo que a biologia seja o resultado duma evolução, as classificações biológicas de macho e fêmea dificilmente se qualificariam como acidentes.

Mais ainda, este retrato disteleológico do universo não tem qualquer significado, para além de ser auto-refutante. Aquele que alega que a existência não tem propósito ["meaningless"] tem primeiro que assumir que a sua proclamação disteleológica tem algum sentido. Se o universo realmente não tivesse algum tipo de significado, então ninguém poderia expressar tal ponto de vista de modo significativo.

Claramente, o universo tem um significado porque de outra forma até as argumentações disteleológicas não poderiam ser coerentemente transmitidas. Esta contradição interna da perspectiva disteleológica desmentem os verdadeiros motivos da pessoa que a invoca. Esses motivos são articulados de forma bastante cândida por parte de Aldous Huxley:
Eu tinha motivos para querer que o mundo não tivesse significado. Para mim, e sem dúvida para a maioria dos meus contemporâneos, a filosofia da insignificância era essencialmente um instrumento de libertação. A libertação que desejávamos era ao mesmo tempo a libertação dum sistema de moralidade. Nós éramos contra a moralidade porque ela interferia com a nossa liberdade sexual. Nós colocávamos objecções ao sistema político e económico porque o mesmo era injusto. Os defensores destes sistemas alegam que de alguma forma eles incorporavam o significado - significado Cristão, insistiram eles - do mundo. Havia um método  admirável de confundir estas pessoas e ao mesmo tempo justificar a nossa revolta política e erótica. Era negar que o mundo tivesse algum tipo de propósito. (270)
Os objectivos da "revolta política e erótica" são feitos ostensivamente sustentáveis através da “filosofia da insignificância.” A divisão entre o sexo e o género depende também de tal disteleologia. Essencialmente, "filosofia da insignificância" esconde os objectivos revolucionários. As variadas organizações feministas e lgbti que se encontram actualmente a re-esculpir a civilização Ocidental nutrem objectivos revolucionários semelhantes. Isto ressalva mais uma contradição endémica da dicotomia sexo/género.

A alegação de que o género é uma construção social é auto-refutante visto que ela é, essencialmente, o produto de movimentos (em particular as variadas organizações feministas e lgbti) que estão eles mesmos a avançar com o seu conjunto de construções sociais. Logo, a alegação é ela mesma uma construção social. Uma vez que as construções sociais são vistas, na melhor das hipóteses, como mutáveis, e na pior das hipóteses, falsas, somos levados a concluir que a caracterização do género como construção social é feita insustentável através do seu próprio critério de aceitabilidade.

Ao assumirmos que o género é uma construção social estamos a cometer a Falácia Genética ao pressupor a sua falsidade com base nisso. Ressalvar o possível ponto de origem duma crença não torna essa crença falsa. Podemos alegar que avisar as pessoas para evitar falar com estranhos é uma construção social, mas muito poucas pessoas iriam considerar ignorar tal admoestação paternal só porque a mesma se possa ter originado através da práctica social ou cultural. De facto, as categorias de género podem ter surgido através de prácticas culturais e sociais porque a dada altura a sociedade ou a cultura reconheceram certas verdades imutáveis. Uma dessas verdades imutáveis é que a natureza e a biologia não se re-ajustarão como forma de acomodar os desejos daqueles que tencionam redefinir os parâmetros da sanidade sexual.

Muitas pessoas de todo o espectro político já ressalvam o papel do feminismo como agente destrutivo para mudanças sociais. Fontes tão diversas como o comentarista de rádio direitista Rush Limbaugh e a dissidente feminista Camille Paglia já comentaram as formas através das quais o movimento feminista - em particular a segunda vaga feminista que teve início nos anos 60 - causou uma deserção da sanidade sexual e a erosão da estabilidade social. Poucos, no entanto, escreveram ou falaram das origens do  feminismo juntos das esferas ocultas da politica e dos serviços secretos.

O facto do feminismo moderno ter sido cultivado no invisível mundo das elites depravadas e dos serviços secretos criminalizados não pode ser rejeitado como fantasia paranóica. O Americano Aaron Russo, famoso e falecido produtor de filmes, pode ter aprendido uma porção da história oculta do feminismo durante uma entrevista com que ele teve com Nicholas Rockefeller, membro da infame dinastia Rockefeller. Alguns desmistificadores e cépticos patológicos afirmaram que Nicholas Rockefeller nada mais era que uma invenção da imaginação de Russo, no entanto, Nicholas Rockefeller é uma pessoa real, tal como evidenciado pela seguinte biografia disponibilizada pela  Bloomberg’s Businessweek:
O sr Nicholas Rockefeller tem sido Director da companhia desde 1999. O sr Rockefeller é um advogado na firma legal Troop Meisinger Steuber Pasich Reddick & Tobey, LLP, e tem estado com a firma desde 1997; antes disso, ele esteve envolvido durante 10 anos na práctica privada de Direito. O sr Rockefeller é também o Managing Principal do Rockvest Development Group e a sua afiliada, o Rockefeller International Fund, que susupervisionas investimentos em valores mobiliários negociados publicamente e empresas privadas, para além de manter uma carteira de activos de capital de risco. 
O sr Rockefeller é também Presidente da Rockefeller Asia, uma empresa de serviços financeiros. Ele é também Membro do Conselho Consultivo do RAND Center for Asia Pacific Policy. O sr Rockefeller é membro das barras legais da Califórnia e de Washington, D.C., e tem um J.D. da Yale Law School
O sr Rockefeller é o administrador do SHMNM Investment Trust, que é actualmente accionista da Companhia e que foi estabelecida nos termos dum acordo entre accionistas entre o sr Nicholas Matzorkis e a Kushner-Locke Company. O sr Rockefeller foi eleito director da Companhia, como director designado através da confiança de termos dum acordo entre os accionistas.(“Company Overview of RAND Center for Asia Pacific Policy: Nicholas Rockefeller”)
Para além de provar que Nicholas Rockefeller não é ficção, a biografia da Businessweek dá também aos leitores a ideia do estatuto e da posição que este membro particular da dinastia Rockefeller ocupa junto dos círculos da elite. Nicholas Rockefeller não é um homem de negócios de baixo estatuto ou alguém que é alimentado por último; tal como muitos membros da dinastia Rockefeller, Nicholas é alguém com voz de peso.

Segundo Russo, o Movimento de Emancipação das Mulheres surgiu como tópico durante uma das suas visitas à residência de Nicholas Rockefeller. Alegadamente, Nicholas perguntou a Russo "Qual é o propósito do Movimento das Mulheres?" (“Reflections and Warnings – An Interview with Aaron Russo”). Russo deu a resposta amplamente propagada, declarando que a Emancipação das Mulheres centrava-se "no facto das mulheres terem o direito a trabalhar, receber o mesmo que os homens, da mesma forma que elas ganharam o direito ao voto" (ibid). Russo alegou que Nicholas Rockefeller começou a rir e chamou a Russo de "idiota" (ibid).

Rockefeller disse então a Russo que a dinastia Rockefeller havia financiado a Emancipação das Mulheres com dois objectivos em mente (ibid). O primeiro objectivo era, segundo Russo, trazer as mulheres para o mercado de trabalho de modo a que uma maior percentagem a população pudesse ser tributada (ibid). O segundo objectivo, afirmou Russo, era o de desintegrar a família nuclear de modo a que as crianças começassem a olhar para o Estado como a sua família (ibid).

A comunidade dos Serviços Secretos parece ter desempenhado uma papel significativo na campanha de engenharia social que Rockefeller descreveu a Russo. Durante muitos anos. a dinastia Rockefeller tem estado imersa no mundo dos Serviços Secretos. Durante a Guerra Fria,foram estabelecidos laços íntimos entre a Fundação Rockefeller e os círculos dos Serviços Secretos Americanos. O autor Frances Stonor Saunders partilha alguns detalhes deste casamento profano: 
A convergência entre os milhares de milhões dos Rockefellers e o governo Americano excedeu até a que existia com a Fundação Ford. John Foster Dulles e mais tarde Dean Rusk passaram ambos de presidentes da Fundação Rockefeller para secretários de Estado. Outros nomes pesados da Guerra Fria tais como John J. McCloy e Robert A. Lovett emergiram de modo proeminente como pessoas de confiança dos Rockefellers. 
A posição central de Nelson Rockefeller nesta fundação garantia um relacionamento próximo com os círculos dos Serviços Secretos: ele havia sido o responsável por toda actividade dos Serviços Secretos na América Latina durante a Segunda Grande Guerra. Mais tarde, o seu sócio no Brasil, o Coronel J.C. King, tornou-se chefe da CIA em operações clandestinas no hemisfério Ocidental. 
Quando Nelson Rockefeller foi nomeado por Eisenhower para o National Security Council em 1954, a sua função era a de aprovar as várias operações secretas. Se por acaso ele precisasse de informação adicional em torno das actividades da CIA, ele pura e simplesmente poderia perguntar ao seu antigo e bom amigo Allen Dulles por um briefing directo. Uma das mais controversas destas operações foi o programa de pesquisa em torno do controle mental levado a cabo durante os anos 50 pela CIA com o nome de MK-ULTRA (ou "Candidato Machuriano"). Esta pesquisa recebeu financiamento por parte da Fundação Rockefeller. 
Operando o seu próprio departamento de Serviços Secretos durante a guerra, Nelson Rockefeller havia estado ausente das fileiras da OSS [Serviços Secretos Americanos], e de facto havia formado uma inimizade para toda a vida com William Donovan. Mas não havia qualquer tipo de preconceito contra os veteranos da OSS, que foram recrutados em massa pela Fundação Rockefeller. No ano de 1950, o antigo membro da OSS Charles B. Fahs tornou-se chefe da divisão de humanidades da fundação. O seu assistente era outro veterano a OSS, Chadbourne Gilpatric, que chegou à fundação directamente da CIA. (120-21)
A Central Intelligence Agency (CIA) não desempenhou um papel menor na ascenção duma das mais importantes vozes da segunda vaga do feminismo, Gloria Steinem. Steinem cruzou-se com a CIA durante o Outono de 1958, por uma altura em que a sua trajectória dificilmente sugeria algum tipo de grandiosidade.

Steinem havia regressado recentemente duma viagem de bolsa de estudos para a India (Wilford 141). Durante a sua estadia na Índia, Steinem “havia feito amizade com Indira Gandhi e a viúva do humanista revolucionário M.N. Roy (141).

A sua exposição à grandiosidade não havia, no entanto, resultado numa elevação social. Segundo o autor Hugh Wilford, Steinem “estava a ter dificuldade em encontrar um emprego gratificante” (141). Steinem “viu-se reduzida a dormir no chão dos apartamentos de amigos ao mesmo tempo que buscava um emprego em New York” (141).


(Continua na 3ª Parte)



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A Ordem Mundial Andrógena

Por Paul e Phillip Collins

O 144º Congress of Correction, que foi levado a cabo entre 15 e 20 de Agosto, em Salt Lake City, apresentou um workshop em torno do Prison Rape Elimination Act (PREA) e as suas ramificações para os presos que se identificam como lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e interssexuais (lgbti). O consenso entre os presentes durante este workshop foi o de que os presos com estas orientações particulares se encontravam em risco acrescido de vitimização sexual.

Durante o workshop ninguém levantou a possibilidade dos presos lgbti estarem eles mesmos a levar a cabo esta vitimização. Esta omissão revelou a implícita parcialidade em favor daqueles que abraçaram orientações sexuais inconvencionais. Talvez esta omissão seja, de alguma forma, atribuível à perspectiva global daqueles que se reuniram para o workshop.

A oradora principal foi Bernadette Brown, que, para além de ser uma Senior Program Specialist para o National Council on Crime and Delinquency, é uma lésbica assumida. Durante a apresentação, Brown corajosamente declarou, "O género é uma construção social".

Esta alegação radical, que depende duma alegada disjunção entre o sexo e género, certamente que não é nova. Durante os últimos anos, ela tem sido largamente popularizada por feministas politicamente e socialmente activas. Reconhecendo as igualmente vantajosas implicações da dicotomia sexo/género para o seu próprio movimento social, várias organizações em torno dos direitos dos lgbti adoptaram-na também como análise racional central para a sua plataforma.

Subjacente à alegação encontra-se a tácita promoção de que a androginia é normativa. Por sua vez, a promoção da androginia pode ser rastreada para trás no tempo até a mais pervasiva de todas as heresias: Gnosticismo. O pseudepigráfico Evangelho de Tomás exemplifica este ponto de vista normativo da androginia. No Ditado 11, a revisão Gnóstica de Cristo retrata a androginia como uma união salvadora:
Jesus disse-lhes: "Quando vocês fizerem dos dois, um, e quando fizerem do interior o mesmo que o exterior e o exterior como o interior, o superior como o inferior, e quando fizerem do macho e da fêmea um só, de modo a que o macho não seja macho e a fêmea não seja fêmea, quando fizerem olhos no lugar dum olho, a mão no lugar da mão, um pé no lugar dum pé, uma imagem no lugar duma imagem, então entrarão [no reino].”
Tal como todos os movimentos revolucionários que povoam a modernidade, o feminismo ajusta-se àquilo que Eric Voegelin chamou de religião política Gnóstica. O Gnosticismo ensinava que no princípio, existia uma singularidade espiritual (a “Pleroma”) dentro da qual a divindade funcionava como potência óptima. Esta unidade pura foi dividida em pluralidade devido ao erro dum intermediário deificado conhecido como Sofia (“Sabedoria”).

Emanando do próprio ser da Sofia estava uma consciência defeituosa que eventualmente assumiu a apelação Bíblica de YHWH, que os Gnósticos blasfemamente caricaturaram de “Arconte da Arrogância.” Este misoteísmo era atribuível à caracterização do estatuto ontológico do mal por parte dos Gnósticos. Com o mal não mais atribuído à vontade, a corrupção foi projectada para tudo o que era externo ao Gnóstico. Esta projecção incluía o mundo externo, que invariavelmente se tornou no recipiente de desprezo explícito ou implícito.

Visto que eles acreditavam que o mal possuía substância e forma, os Gnósticos encontravam-se pré-dispostos em favor de algumas variações do dualismo Docistista e Maniqueísta. Esta diminuição da condição humana, que o Cristianismo Bíblico identifica como a Queda dos pais da humanidade [Adão e Eva], foi associada com o próprio acto da criação. Afinal de contas, se o mal possuía forma e substância, só um Deus maligno iria associar a pureza do espírito com a corrupção da matéria.

A exoneração de Deus implicava uma bifurcação arbitrária dos Seus papéis como Criador e como Pai em duas divindades distintas. Deus Pai era docetisticamente caracterizado como totalmente transmudano, onticamente distante da ordem criada. Deus o Criador era caracterizado como um guardião genuíno a presidir sobre a prisão cósmica do mundo material. Portanto, os Gnósticos desprezavam o Deus Bíblico devido ao Seu papel criatológico.

A esfera palpável era um horrível acidente, resultante da divisão pré-cósmica da Pleroma. Como fragmentos corrompidos emanando da essência divina, os limites ontológicos do mundo material eram vistos com uma atitude cosmológica docetistica. Através desta lente interpretativa, o estatuto existencial  da personificação física era   equivalente a uma prisão.

Esta é a base da visão normativa da androginia. Uma vez que a possessão de órgãos sexuais é um traço definidor da personificação física, o Gnosticismo expressou um desprezo tácito pelas categorias genéticas de macho e fêmea. A partir deste pessimismo antropológico nasceu um pessimismo cosmológico mais abrangente.  A esfera temporal-espacial foi considerada uma colónia penal governada pelos agentes demoníacos do tempo e do espaço. A humanidade foi supostamente empurrada para esta prisão cósmica através do acto da criação.

Preso pelas leis físicas da natureza e pela moralidade objectiva codificada como a Lei Mosaica, o pneuma (espirito) do homem deu por si separado do pneuma divino e em perpétuo estado de alienação. Este estado só poderia ser superado através duma acção baseada na gnosis (isto é, sabedoria directa, reveladora da unidade humana com o divino) A Gnosis era considerada superior à pistis (fé).

A concepção Gnóstica da unidade com Deus não pode ser confundida com a concepção ortodoxa Cristã, que é ddestiladaem 2 Pedro 1:4. Nessa passagem, Pedro declara que os Cristãos desfrutam da promessa de se tornarem "participantes da natureza divina". O que Pedro estava a descrever era a theosis, a transformação do todo o ser do Cristão que coloca a sua imagem à Imagem do Cristo Ressurrecto. Em contradição,o Gnosticismo ensinava de facto que o ser humano era parte e parcela de Deus. Como tal, o homem era ontologicamente equivalente a Deus.

Portanto, a promessa de gnosis era a promessa da transfiguração do ser humano para um ser divino, ou apotheosis. No Grego original, o prefixo apo- transmite denotações espaciais tais como "longe", "fora" e "à parte". Este termos indicam uma distinção ou separação. E claro que theos significa “Deus”. Portanto, a apoteose significa uma transfiguração que ocorre totalmente à margem de Deus. A salvação, segundo os Gnósticos, não era a redenção humana das garras do pecado através do Senhor Jesus Cristo, mas a sua redenção da estupefacção do seu isolamento e da sua alienção dentro do cosmos material através da gnosis. O Gnosticismo divorciava o Criador do processo de salvação, opondo-se assim a soteriologia Teocêntria do Cristianismo e colocando em seu lugar uma soteriologia antropocêntrica.

Durante o Iluminismo do século 18, o Gnosticismo religioso tornou-se no Gnosticismo político. Da mesma forma que o Gnosticismo religioso havia-se modificado para o Gnosticismo político, o seu enquadramento político foi invertido. Enquanto que o Gnosticismo ancestral valorizava a transcendência, o novo Gnosticismo valorizava a   imanência. Em contradição aos objectos de experiência transcendental, os objectos de experiência imanente encontram-se dentro dos limites empíricos do homem. Como tal, eles permeiam constantemente o universo físico. A vontade, a consciência, e até o Divino, encontram-se ontologicamente ancorados em agentes materiais. Desta forma, o Gnosticismo imanentista sincroniza-se confortavelmente com o materialismo moderno, o que é irónico à luz da sua antiga atitude docetistica em relação à materialidade.

A codificação da antiga heresia Cristã do Gnosticismo para doutrina revolucionária resultou na secularização da própria escatologia Cristã que os pensadores do Iluminismo ridicularizavam. Para o Gnóstico moderno, o eschaton (isto é, o final dos tempos) habita na própria história. Esta escatologia secular, que assumiu uma míriade de formas entre os modernos movimentos revolucionários socialistas, ofereceu uma história do mundo redentora que culminava com uma imanente Parusia facilitada pela mão humana.

Por exemplo, o Marxismo mantinha que o proletariado iria redimir o mundo de milhares de anos de exploração de classe. Semelhantemente, o Arianismo de Hitler prometia redimir o mundo duma alegada corrupção da humanidade causada pelas assim-chamadas "raças inferiores". O feminismo cultural, que ganhou proeminência nos últimos anos, busca redimir o mundo de milhares de anos de alegado domínio masculino.

A variante Gnóstica que permeia a estrutura feminista é tornada evidente pelas experiências em engenharia religiosa por parte do movimento. Olhando para a religião através da mesma óptica pragmática do luminar do Iluminismo August Comte, as feministas tentam re-esculpir as confissões religiosas tradicionais segundo contornos sociais e políticos expedientes. A teóloga Rosemary Radford Ruether declara:

A teologia feminista não pode ser feita a partir da base existente da Bíblia Cristã (Ruether ix).

Qual é uma das fontes de inspiração mais importates da teologia feminista? A resposta é disponibilizada pela teóloga feminsita Chung Hyun Kyung, que declara candidamente: "As feministas são livres para usar os antigos textos Gnósticos - originalmente rejeitados como heréticos - visto que o cánone Cristão foi criado por homens" e que "as mulheres não são obrigadas a aceitar um livro... cujo enquadramento não as levou em consideração” (citado em Jones 82).

[ed: Seria interessante saber quantas mulheres tomaram parte na construção dos assim-chamados "antigos textos Gnósticos"]

Segundo Voegelin, a moderna soteriologia antropocêntrica Gnóstica só pode obter uma semelhança de sentido na ausência de Deus. Afinal de contas, antes de se criar uma nova ordem é preciso suplantar o criador da antiga ordem. Esta mudança cósmica de regime estipula o acto revolucionário por excelência: decídio. Voegelin reitera:
De modo... a que a tentativa de criar uma nova ordem possa fazer sentido, a naturalidade da ordem do ser tem que se obliterada; a ordem do ser tem que ser interpretada como estando, essencialmente, sob o controle do homem. E assumir o controle do ser requer mais ainda que a origem transcendente do ser seja obliterada: ela requer a decapitação do ser - o assassinato de Deus. (35-36)
O assassinato de Deus é precisamente o que a feminista tem em mente. Naomi Goldenberg, feminista, declarou:

O movimento feminista que se encontra presente na cultura Ocidental está envolvida na lenta execução de Cristo e de JEHOVAH, mas muitos poucas mulheres e poucos homens envolvidos na igualdade sexual dentro do Cristianismo e do Judaísmo se apercebem da extensão da heresia. (Jones 195).

Fazendo uma sinopse do objectivo feminista do deicídio, Goldenberg declara

Nós mulheres iremos levar a cabo o fim de Deus (180).

Onde os antigos Gnósticos reinvidicavam uma gnosis (isto é, sabedoria oculta) como o núcleo da sua soteriologia antropocêntrica, as feministas reinvidicam uma iluminada e fabulosa [de fábula] androginia. A ironia é que, embora a androginia ostensivamente combine traços masculinos e femininos, a feminista trabalha activamente para roubar da mulher a sua feminidade. Este roubo é efectuado através da separação do sexo com o género. Tal como os Gnósticos olhavam para o cosmos e para a sua ordem hierárquica como uma ilusão projectada por parte dum demiurgo malévolo, a feminista caracteriza a masculinidade e feminidade de construções sintéticas impostas à humanidade por parte duma tirania patriarcal quimérica.

A bifucarção do sexo e do género depende da permanentemente debatida dicotomia natureza e criação. Dentro do polarizador enquadramento da divisão sexo/género, o sexo é caracterizado como produto da natureza ao mesmo tempo que o género é classificado como consequência da criação. No entanto, os desenvolvimentos levados a cabo na neurociência estão a fazer da dicotomia natureza/criação algo insustentável. Darlene Francis e Daniela Kaufer declaram:
O enigma “natureza vs. criação” foi revigorado quando os genes foram identificados como as unidades da hereditariedade, contendo informação que direcciona e influencia o desenvolvimento. Quando o genoma humano foi sequenciado em 2001, a esperança era a de que todas estas questões fossem respondidas. Na década que entretanto passou, tornou-se aparente que existiam mais perguntas do que aquelas que previamente se pensava. 
Chegamos a um ponto onde a maior parte das pessoas é suficientemente experiente para saber que a resposta certa não é "natureza" versus "criação" mas sim uma combinação de ambas. No entanto, tanto os cientistas como leigos investem demasiado tempo e esforço em tentar quantificar a importância relativa da natureza e da criação. 
Avanços recentes da neurociência disponibilizam um argumento convincente para finalmente se abandonar o debate "natureza vs criação" como forma da atenção se focar no entendimento dos mecanismos através dos quais os genes e o meio ambiente se encontram perpétuamente entrelaçados através da vida do individuo. (“Beyond Nature vs. Nurture”)
Uma vez que os avanços na neurociência estão a banir rapidamente a dicotomia natureza/criação, é por demais óbvio que a divisão sexo/género está a ser igualmente banida. Se a natureza e a criação não estão dicotomiamente relacionadas, então também não o estão o sexo e o género. Logo, o sexo e o género não podem ser colocados em polaridades extremas num tipo de oposicionamento binário. Tal enquadramento binário oposicional resulta em confusão terminológica relativa tanto às disparidades gerais entre os dois sexos como também as nuances internas que surgem dentro de cada um. No livro Gender, Nature and Nurture, Richard Lippa chama a atenção para esta confusão terminológica:
Alguns pesquisadores alegaram que a palavra sexo deveria ser usada como referência para o estatuto biológico de se ser macho ou fêmea, ao mesmo tempo que a palavra género deveria ser usada como referência a todos os trajes definidos, aprendidos e construídos do sexo, tais como o estilo de cabelo, a vestimenta, os maneirismos não-verbais, e os interesses. 
No entanto, não é de todo claro até que ponto as distinções entre os machos e as fêmeas se devem aos factores biológicos versus os factores sociais. Para além disso, o uso indiscriminado da palavra género tende a obscurecer a distinção entre os dois tipos de tópicos: (a) diferenças entre os machos e as fêmeas, e (2) as diferenças individuais na masculinidade e feminidade que ocorre dentro de cada sexo. (3-4)
Lippa ressalva que "o próprio conceito do género é parcialmente definido através das distinções entre os sexos - diferenças nas roupas, aliciamento [inglês: "grooming"], escolhas ocupacionais, estilo de comunicação, agressão, e comportamentos não verbais dos homens e das mulheres" (4). Verdadeiramente, as diferenças definem o género. Estas diferenças incluem as distinções biológicas. Colocando de lado toda a ginástica semântica, sexo e género continuam a ser sinónimos. Esta sinonimidade axiomática desafia qualquer disjunção que o revolucionário sexual possa querer impor sobre esses termos.

A disjunção imposta ao género e ao sexo é uma disjunção arbitrária, e foi feita para dar ao revolucionário sexual um conveniente grau de elasticidade para a redefinição dos parâmetros da sanidade sexual. Se a identidade sexual da pessoa pode ser divorciada da biologia, então até as mais prejudiciais formas de relações sexuais podem ser justificadas. A forma como esta realidade ofende as delicadas sensibilidades dos politicamente correctos é irrelevante.

(Continua na 2ª Parte)



terça-feira, 18 de novembro de 2014

Será que Wall Street financiou a Revolução Russa?

Sim, os banqueiros internacionais não só financiaram a Revolução Russa, mas financiaram os primeiros anos da União Soviética até bem para dentro do regime de Stalin.

Em 1917, em Nova York, Trotsky recebeu $20 milhões por parte de Jacob Schiff, e mais dinheiro por parte de Sir George Buchanan, da família Warburg, da família Rockefeller, dos parceiros da  J.P. Morgan (pelo menos $1 milhão), de Olaf Aschberg (do Nye Bank de Estocolmo, Suécia), de Rhine Westphalian Syndicate, dum financiador chamado Jovotovsky (cuja filha se casou com Trotsky), de William Boyce Thompson (director do Chase National Bank e que contribuiu com  $1 milhão), e de Albert H. Wiggin (Presidente do Chase National Bank).

Um relatório que se encontra com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, revelou que  a “Kuhn Loeb & Co” financiou o primeiro Plano Quinquenal de Stalin, e  Schiff continuou a enviar dinheiro para a Rússia muito depois da verdadeira natureza dos Bolcheviques e de Stalin já ser amplamente conhecida no mundo. 

Schiff arranjou outros $10 milhões para a Rússia supostamente para ajuda humanitária de guerra para os Judeus, mas eventos posteriores revelaram que isso era uma fachada para um investimento financeiro.

Arsene de Goulevitch, um importante General Russo Branco , escreveu:

No entanto, os principais fornecedores de fundos para a revolução não foram os idióticos milionários Russos e nem os bandidos armados de Lenin. O "verdadeiro" dinheiro veio principalmente de certos círculos Britânicos e Americanos que há já muito tempo haviam dado o seu apoio à causa revolucionária Russa. O importante papel levado a cabo pelo abastado banqueiro Americano Jacob Schiff nos eventos que se desenrolaram na Rússia, embora parcialmente revelados, já não é segredo.

O financiamento da Revolução Russa por parte dos banqueiros Americanos não estava directamente relacionado com o seu desejo de propagar o comunismo, ou algum tipo de simpatia com a causa comunista. Eles financiaram os Bolcheviques por três motivos:

1. Os campos de petróleo Russos
2. O estabelecimento dum Banco Central
3. Eles queriam-se ver livres do Czar.

Tanto a Standard Oil, que pertencia à família Rockefeller, e a Royal Dutch Shell, cujos sócios maioritários eram os membros da família Rothschild, tinham interesse nos ricos campos de petróleo da Rússia, mas estes campos pertenciam ao Czar Nicolau II.

Os três últimos Czares da Rússia (Alexandre II, Alexandre III e Nicolau II) haviam-se oposto sempre à criação duma Banco Central na Rússia (sob a posse de banqueiros internacionais).

O Czar Nicolau II não só se encontrava no caminho das ambições dos banqueiros internacionais em relação aos campos de petróleo da Rússia e a criação dum Banco Central, mas estava bem ciente do plano dos banqueiros de se apoderarem de todo o mundo.

Os Bolcheviques não só mataram o Czar Nicolau II, mas mataram também toda a família Real Russa, incluindo as mulheres e as crianças.


Fonte: http://bit.ly/1DwW65qhttp://bit.ly/1wKvqJV



domingo, 10 de agosto de 2014

Esquecer Max Horkheimer

Por Alex Kurtagić

Faz hoje [ed: 7 de Julho de 2014] 41 anos que Max Horkheimer morreu. Director do "Instituto de Pesquisas Sociais" entre 1930 a 1953, Horkheimer foi um dos líderes da Escola de Frankfurt, grupo que ficou identificado com a Teoria Crítica - uma mistura totalmente especulativa da psicanálise freudiana com o Marxismo.

Horkheimer nasceu no seio duma abastada e conservadora família de judeus ortodoxos e o seu pai, Moritz - próspero homem de negócios, dono de várias fábricas têxteis - esperava que o seu filho lhe sucedesse no leme.

Tendo em vista esse propósito, começando em 1910, Moritz começou a preparar Max para uma carreira nos negócios. Isto não era, no entanto, suposto acontecer; Max travou conhecimento com Friedrich Pollock num baile, e pouco depois disso, os dois deram início à sua amizade. Pollock havia sido criado por um pai que se havia afastado do Judaísmo, o que desde logo revela que de maneira nenhuma ele era tradicional.

Na sua história da Escola de Frankfurt, Rolf Wiggerhaus declara que a sua amizade [com Pollock] deu um ímpeto rumo à "emancipação" de Max do seu seio burguês e conservador. Com Pollock nos lemos:

Ibsen, Strindberg, e Zola - críticos naturalistas da sociedade burguesa; . . . Tolstoy and Koprotkin - revolucionários sociais que propuseram uma forma de vida marcada pelo asceticismo e pelo amor universal; . . .Os "Aforismos sobre a Sabedoria da Vida" de Schopenhauer, a "Ética" de Spinoza, . . . e a "Aktion" de Franz Pfemfert, que era uma forma de oposição literária à guerra e ao mundo burguês da Europa pré-guerra.[1]

Com o passar do tempo, Max rejeitou a carreira no mundo dos negócios, e ele e Pollock foram descritos como "comunistas". [2] Max começou por estudar psicologia, mas, enquanto se preparava para a sua tese de doutoramento, uma outra tese semelhante foi publicada noutro lugar, frustrando os seus esforços. Consequentemente, ele voltou-se para a filosofia, e completou as suas Habilitações dentro desta disciplina.

O trabalho do grupo de Horkheimer era pseudo-científico, que buscava, entre outras coisas, entender a "personalidade autoritária"; durante os anos 50 publicou o "estudo" homónimo, liderado pelo seu bom amigo e colega, Theodor Adorno, homem cuja forma de pensar era practicamente idêntica à sua.

De modo típico, o trabalho da Escola de Frankkfurt era tendencioso e cheio de padrões duplos. Por exemplo, o seu trabalho ignorou por completo o autoritarismo da Esquerda (embora a maior parte da Ásia e metade da Europa estivesse nas mãos de regimes comunistas brutais, com uma contagem dos mortos já na ordem das dezenas de milhões), e focou-se apenas no autoritarismo da Direita, que é tratado como uma desordem psiquiátrica. A conclusão do grupo, no entanto, era sempre sem nexo e sem apoio adequado das evidências empíricas.

De facto, o grupo era bastante hostil ao empirismo e à ciência positivista, e isso é evidente no livro de Horkheimer de 1947, "The Dialectic of Enlightenment", co-escrito com Adorno. O tom do livro é abstracto e assertivo, sem esforço algum de fundamentar as alegações. Tal como o livro de Adorno et al "The Authoritarian Personality",  este livro é levado a sério pelo mundo académico actual, e aparece na leitura curricular das universidades Ocidentais.

Visto que a Teoria Crítica obteve apoio dos académicos de todo o mundo Ocidental, o grupo de Horkheimer causou danos numa escala que é difícil de quantificar. O propósito da Teoria Crítica era o de sujeitar todo a sociedade Ocidental liberal à critica radical - da Esquerda. Reconhecendo que o Marxismo clássico estava mal preparado para a tarefa, visto que se focava exclusivamente na presumida oposição entre o capitalismo e o proletariado, eles focaram-se na construção dum novo enquadramento.

O trabalho do grupo de Horkheimer permitiu-lhes atingir uma expansão ilimitada dos grupos oprimidos, que incluíam agora vítimas do racismo, do sexismo, da homofobia, do anti-semitismo, e assim por diante. Isto tornou-se na fachada do projecto da Nova Esquerda, cujo "pai", Herbert Marcuse, e sem surpresa alguma, também veio da Escola de Frankfurt.

A essência da crítica Marxista ao liberalismo é o que de este último falhou ao não cumprir a sua promessa de igualdade; através do capitalismo, as sociedades liberais criaram e perpetuaram hierarquias. Logo, o Marxismo focou-se na igualdade. Mas isto resultou na tirania, no assassínio em massa, e na pobreza, e como era obviamente repressivo, ele não poderia derrotar o liberalismo do Ocidente - que, por contraste, havia produzido sociedades seguras, ricas e atraentes. De facto, Antonio Gramsci viu-se forçado a pensar em formas alternativas de se impor o comunismo nas democracias Ocidentais visto que todas as tentativas de revoluções comunistas haviam falhado. Por contraste, e embora se foca-se na igualdade, a Nova Esquerda era ostensivamente emancipatória - um lobo em pele de cordeiro - e isso constituiu um desafio muito mais bem sucedido.

O liberalismo não foi derrubado mas foi permanentemente alterado. Uma vez que mantinha a igualdade com um dos seus valores fundamentais, tal como toda a Esquerda, a Nova Esquerda não se poderia opor a apelos para uma maior igualdade (em princípio); a Nova Esquerda poderia, no entanto, acomodar-se. Devido a isto, o liberalismo alterou o seu ênfase na liberdade individual para a igualdade sem limites. Isto resultou numa síntese Hegeliana. O grupo de Horkheimer, portanto, tem que ser visto como um agente, ou um dos agentes-chave, que tornou possível esta transição. As suas teorias tenebrosas tornaram-se políticas comuns e posteriormente na ideologia estabelecida.

Superficialmente, muitas pessoas podem ter a ilusão de que isto é uma coisa boa, e certamente havia espaço para reformas e atitudes mais iluminadas em algumas áreas - nenhuma pessoa razoável iria negar isso - mas quando analisamos mais profundamente a situação, apercebe-mo-nos que a igualdade ilimitada - abordagem particular para a reforma - não criou uma sociedade mais justa e harmoniosa, mas sim uma guerra sublimada contra todos - com a politica da identidade, a política de género, a política de classes, e a política racial num permanente estado confrontacional, constantemente irritados por um sentido de queixa e injustiça histórica.

Semelhantemente, o mudança do ênfase da liberal igualdade de oportunidade para a Marxista igualdade de resultados significou que na luta contra o "privilégio" as políticas em uso não o eliminaram, mas simplesmente transferiram-no duma classe de cidadãos para outra classe: habilidades distintas significam que os mais hábeis têm que ser punidos de modo a abrir caminho para os menos hábeis, que se tornam então na classe privilegiada com um sentido de merecimento à medida que recebem prémios que não merecem. Pior ainda, nós já ouvimos falar de departamentos de ciência das universidades a deixarem de ser financiados, drasticamente reduzidos, ou fechados de todo, à medida que departamentos de igualdade e diversidade são ricamente iniciados, com o salário de apenas um oficial da igualdade a ser o suficiente para pagar dois pesquisadores do cancro.

A busca pela igualdade, então, não só privilegia aqueles que não merecem, mas causa também dor, sofrimento e até morte. No que toca os relacionamentos entre os sexos, hoje em dia em vez de termos mais casamentos felizes, temos mais divórcios, mais lares desfeitos, mais antagonismo entre os sexos, e guerra entre os sexos. Quão irónico que Horkheimer tenha nascido no dia de São Valentim. Nós somos capazes de continuar a listar as consequências. Os custos materiais têm sido incalculáveis, e os custos sociais ainda mais.

Segundo Wiggerhaus, o argumento principal de Horkheimer era de que aqueles que viviam em miséria tinham o direito ao egoísmo materialista. Ao mesmo tempo que Kevin MacDonald nota que Horkheimer eventualmente se reconciliou com a sua herança - abraçando mais uma vez a metafísica judaica, não podemos fugir â conclusão de que a cruzada anti-burguesa foi, essencialmente, uma rebelião subliminar contra o seu pai.

A rebelião contra a autoridade paterna é um dos temas do livro "The Psychotic Left", de Kerry Bolton, onde ele a ressalva como um traço psicológico dos igualitaristas militantes. Isto foi considerado pelo livro "The Authoritarian Personality" como algo saudável. No entanto, a visão de Horkheimer, particularmente mais no final da sua vida, carrega o estigma dum conflito interno.

Portanto, Max Horkheimer não é pessoa para ser lembrada mas sim alguém que tem que ser esquecida. Se o "Inferno de Dante" pinta um mapa acertado do lugar para onde os malfeitores vão depois da morte, o lugar de Horkheimer é no malebolge, juntamente com os facilitadores sexuais e os sedutores, os elogiadores, os simonistas, os adivinhos, os politiqueiros, os hipócritas, os ladrões, os falsos conselheiros, os fomentadores de discórdia, os falsificadores e os falseadores. A sua vida foi demasiadamente longa, e como tal temos que ficar gratos pelo facto da sua vida finalmente ter parado de causar males maiores. Quanto ao seu legado: melhor serviço seria prestado se o mesmo caísse no esquecimento de onde ele pode fazer algum bem como objecto de refutação.

Notas

1. Rolf Wiggerhaus, "The Frankfurt School: Its History, Theories, and Political Significance" (Cambridge, Mass.: MIT Press, 1995), 42.
2. Ibid., 46.





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