Pelo Schiler Institute
As pessoas da América do Norte e da Europa Ocidental aceitam
actualmente um nível de feiúra no seu dia a dia que é quase sem
precedente na história da civilização Ocidental. A maior parte de nós
tornou-se tão acostumada, que a morte de milhões devido à fome e à
doença não causa em nós mais do que um suspiro, ou um murmúrio de
protesto. As próprias ruas das nossas cidades tornaram-se o lar de
legiões de pessoas sem abrigo, dominadas pela
Dope, Inc, a maior
indústria do mundo, e nessas ruas os Americanos matam-se a um nível
nunca visto deste a Idade das Trevas.
Ao mesmo tempo, milhares de pequenos horrores tornaram-se tão comuns
que passam despercebidos. O tempo que as nossas crianças passam em
frente a uma televisão é practicamente o mesmo que passam nas escolas,
vendo, com satisfação, cenas de tortura e morte que poderiam ter
chocado as audiências dos Coliseus Romanos. Por todo o lado encontra-se
a música - virtualmente inevitável - mas ela não eleva e nem
tranquiliza; ela agarra-se aos nossos ouvidos, cuspindo obscenidades.
As nossas artes plásticas são feias, a
nossa arquitectura é feia, as
nossas roupas são feias.
Certamente que houve períodos da história onde a humanidade viveu
através de tipos semelhantes de brutalidade, mas a nossa era é
crucialmente diferente. A nossa era do pós-Segunda Grande Guerra
Mundial é a primeira na história onde esses horrores são totalmente
evitáveis. A nossa era é a primeira a ter a tecnologia e os recursos
para alimentar, abrigar, educar e humanamente empregar todas as pessoas
da Terra, independentemente do crescimento da população. No entanto,
quando as ideias
e as tecnologias comprovadas que podem resolver os
problemas mais horrendos nos são mostradas, a maior parte das pessoas
retrai-se para uma passividade implacável. Nós não só nos tornamos
feios mas impotentes.
Mesmo assim, não existe um porquê da nossa situação cultural-moral se
ter justificadamente ou naturalmente tornado da forma que está; e não
há motivos para que
esta tirania da feiúra continue a existir por mais
algum instante.
Consideremos a situação que existia há apenas 100 anos atrás, no
princípio dos anos 1890s. Na música, Claude Debussy estava a terminar o
seu Prelude to the Afternoon of a Faun, e Arnold Schönberg começava a
ter experiências com o atonalismo; ao mesmo tempo, Dvorak trabalhava na
sua Nona Sinfonia, enquanto Brahms e Verdi ainda se encontravam vivos.
Edvard Munch estava a exibir a obra com o nome de The Scream, e Paul
Gauguin o seu Self-Portrait with Halo; nos Estados Unidos Thomas Eakins
ainda se encontrava a pintar e a ensinar.
Mecanicistas tais como
Helmholtz e Mach ainda tinham na sua posse as maiores cadeiras
universitárias de ciência, lado a lado com os alunos de Riemann e
Cantor. O De Rerum Novarum do Papa Leo XIII estava a ser promulgado,
precisamente numa altura em que facções da Segunda Internacional
Socialista se estava a tornar terroristas e a prepararem-se para a
guerra.
A crença optimista que se poderia compor musica como Beethoven, pintar
como Rembrandt, estudar o universo como Platão e
Nicolau de Cusa, e
alterar a sociedade mundial sem violência, encontrava-se viva durante
os anos 1890s - reconhecidamente, essa crença estava fragilizada e
sitiada, mas não estavam morta. No entanto, no curto espaço de 20 anos,
estas tradições Clássicas da civilização humana foram varridas, e o
Ocidente envolveu-se numa série de guerras com uma carnificina
inconcebível.
O que teve início há cerca de 100 anos atrás, foi o que pode ser
chamado de contra-Renascimento. O Renascimento dos séculos 15 e 16 foi
a celebração religiosa da alma humana e do potencial da humanidade para
o crescimento. A beleza na arte não poderia ser vista como algo menos
que a expressão dos mais avançados princípios científicos, tal como
demonstrado na geometria sobre a qual a perspectiva de Leonardo e a
enorme Cúpula da Catedral de Florença de Brunelleschi se baseiam. As
mentes mais brilhantes voltaram os seus pensamentos para os céus e para
as águas poderosas, e mapearam o sistema solar e a rota para o Novo
Mundo, planeando grandes projectos que iriam alterar o trajecto dos
rios para o benefício da humanidade.
Há cerca de 100 anos atrás, foi como se tivesse sido escrita uma enorme
lista de verificação [inglês: "checklist"] discriminando todas as
realizações do período do Renascimento - e todas elas para serem
revertidas. Como parte deste "Movimento da Nova Era", como ficou
conhecida por essa altura, o conceito da alma humana foi
debilitado pela mais vocal campanha intelectual da história; a arte foi
forçosamente separada da ciência, e a própria ciência transformou-se em
algo sob suspeita. A arte foi tornada feia porque, foi dito, a vida se
tinha tornado feia.
A mudança cultural para longe das ideias do Renascimento que
construíram o mundo moderno, deve-se a um tipo de maçonaria da feiúra.
No princípio, ela foi uma conspiração política formal feita com o
propósito de popularizar teorias que foram criadas propositadamente
para enfraquecer a civilização Judaico-Cristã duma forma que fosse
possível levar as pessoas acreditar que a criatividade não era
possível, que a aderência à verdade universal era uma forma de
autoritarismo, e que a própria razão era suspeita. Como meio de
manipulação social, esta conspiração foi importante no planeamento e
desenvolvimento das vastas industrias "irmãs" da rádio, televisão,
filmes, música gravada, publicidade, e as pesquisas da opinião pública.
O domínio generalizado dos média foi propositadamente fomentado como
forma de gerar a passividade e o pessimismo que actualmente afligem as
nossas populações. Esta conspiração foi tão bem sucedida que ela se
incorporou na nossa cultura; já não precisa de ser uma "conspiração"
visto que ganhou vida própria. Os seus sucessos não estão abertos a
debate; para se confirmar isto, basta ligar o rádio ou a televisão. Até
mesmo a nomeação dum juiz para o Tribunal Supremo foi deformada para um
novela erótica, com o público a torcer de lado pelas suas figuras
favoritas.
As nossas universidades, berço do nosso futuro tecnológico e
intelectual, foram sobrepujadas pelo Politicamente Correcto da Nova Era
ao estilo do Comintern. Com o colapso da União Soviética, os nossos
terrenos universitários representam actualmente a maior concentração de
dogma Marxista no mundo. Os irracionais e adolescentes desabafos
emotivos dos anos 60 institucionalizaram-se numa "revolução
permanente". Os nossos professores olharam sobre os seus ombros,
esperando que o status quo termine antes que uma denúncia estudantil
destrua o trabalho duma vida; alguns professores gravam as suas
palestras, temendo acusações de "insensibilidade" por parte de algum
"Guarda Vermelho" enraivecido.
Os estudantes da Universidade da Virginia foram bem sucedidos na sua
petição de colocar de parte a requisição de ler Homero, Chaucer, e
outros DEMS ("Dead European Males" = "Homens Europeus Mortos") porque
tais escritos foram considerados etnocêntricos, falocêntricos, e
de modo geral, inferiores a outros autores "mais relevantes" do
Terceiro Mundo, do sexo feminino ou homossexuais. Isto não é o mundo
académico duma república; isto é a Gestapo de Hitler e a NKVD de
Estaline a extirparem os "desviacionistas", e a banirem livros. A única
coisa que falta é a fogueira pública.
Temos que aceitar o facto de que a feiúra que vemos em nosso redor foi
conscientemente promovida e organizada de tal forma, que a larga
maioria da população está a perder a sua habilidade cognitiva de
transmitir para a próxima geração as ideias e os métodos sobre os quais
a nossa civilização foi construída. A perda desta capacidade é o
primeiro indicador da Idade das Trevas, e é precisamente aí onde nos
encontramos - numa nova Idade das Trevas. Em situações como esta, a
registo da história não deixa dúvidas: ou recriamos o Renascimento - o
renascimento dos princípios fundamentais sobre os quais se originou a
nossa civilização - ou a nossa civilização morre.
I. A Escola de Frankfurt: Intelligentsia Bolchevique
O componente organizacional único e mais importante desta conspiração
foi um grupo de reflexão Comunista com o nome de "Instituto para
Pesquisa Social" ["Institute for Social Research" (I.S.R.), em alemão:
"Institut für Sozialforschung"], mas normalmente conhecido como a
Escola de Frankfurt.
Nos seus tempos áureos logo após a Revolução Bolchevique, acreditava-se
fortemente que a revolução do proletariado iria a qualquer momento
transbordar dos Urais para a Europa e, por fim, para a América do
Norte. Isso não aconteceu; as duas únicas tentativas de se instalar um
governo dos proletariado no Ocidente - em Munique e em Budapeste -
duraram apenas alguns meses. A Internacional Comunista (Comintern) deu
início a várias operações para determinar o porquê disso se ter
desenvolvido desta forma. Uma dessas operações era liderada por Georg
Lukacs, um aristocrata Húngaro, filho de um dos banqueiros mais
importantes do Império Habsburgo.
Educado na Alemanha e sendo já um importante teórico literário, Lukacs
tornou-se comunista durante a Primeira Guerra Mundial, escrevendo,
enquanto se afiliava ao partido, "Quem nos salvará da civilização
Ocidental?" Lukacs era perfeito para plano do Comintern: ele havia sido
um dos Comissários da Cultura durante o curto Soviete Húngaro em
Budapeste em 1919; de facto, os historiadores modernos defendem que a
curta duração da experiência de Budapeste está ligada ao facto de
Lukacs ter ordenado a educação sexual nas escolas, o acesso facilitado
aos contraceptivos, e o afrouxamento das leis do divórcio - tudo coisas
que causaram enorme repulsa à população Católica Romana da Hungria.
Fugindo para a União Soviética depois da contra-revolução, Lukacs foi
colocado dentro da Alemanha, onde ele presidiu uma reunião de
sociólogos e intelectuais com orientação Comunista. Esta reunião fundou
o Instituto para Pesquisa Social. Durante a década que se seguiu, o
Instituto criou aquela que foi a mais bem sucedida operação de guerra
psicológica do Comintern contra o Ocidente capitalista.
Lukacs afirmou que qualquer movimento político capaz de trazer o
Bolchevismo para o Ocidente teria que ser, usando as suas próprias
palavras, "demoníaco"; esse movimento teria que
"ter o poder religioso
que seja capaz de preencher toda a alma; um poder que caracterizou o
Cristianismo primitivo". No entanto, sugeriu Lukacs, tal movimento
político "messiânico" só seria bem sucedido quando o indivíduo
começasse a acreditar que as suas acções eram determinadas "não por um
destino pessoal, mas pelo destino da comunidade" num mundo "que foi
abandonado por Deus".
O Bolchevismo funcionou na Rússia porque a nação estava dominada por um
tipo peculiar de Cristianismo gnóstico tipificado pelos escritos de
Fyodor Dostoyevsky.
"O modelo do homem novo é Alyosha Karamazov,"
afirmou Lukacs, referindo-se à personagem de Dostoyevsky que se
encontrava disposta a colocar de lado a sua identidade pessoal em favor
do homem santo, e, desde logo, deixando de ser "único, puro, e
consequentemente abstracto".
O abandono da singularidade da alma resolve também o problema das
"forças diabólicas a espreitar com toda a violência", forças essas que
têm que ser libertas de forma a causar a revolução. Dentro deste
contexto, Lukacs citou a secção do Grande Inquisidor do livro de
Dostoyevsky "Os Irmãos Karamazov", ressalvando que o Inquisidor que
está a interrogar [o Senhor] Jesus, já resolveu a questão do bem e do
mal: a partir do momento em que o homem entende a sua alienação de
Deus, qualquer acto em serviço do
"destino da comunidade" é
justificado; tal acto "não é nem crime e nem loucura..... Visto que o
crime e a loucura são objectificações da falta de moradia
transcendental."
Segundo uma testemunha, durante os encontros da liderança do Soviete
Húngaro em 1919 - encontros levados a cabo para se estabelecerem listas
para os esquadrões de atiradores - Lukacs citou com frequência o Grande
Inquisidor:
E nós que, para a sua felicidade, tomamos sobre nós os seus pecados,
encontramo-nos perante vós e declaramos: 'Julguem-nos se forem capazes
e se tiverem coragem'.
O Problema de Génesis
O que distinguia o Ocidente da Rússia, defendia Lukacs, era a matriz
cultural Judaico-Cristã que colocava ênfase precisamente na
singularidade e na sacralidade do individuo que Lukacs repudiava. No
seu cerne, a ideologia Ocidental dominante defendia que o indivíduo
podia, através do exercício da sua razão, discernir a Vontade Divina
através dum relacionamento sem mediação. Para piorar as coisas, segundo
o ponto de vista de Lukacs:, este relacionamento sensato
necessariamente implicava que o indivíduo poderia alterar o universo
físico na sua busca pelo Bem, isto é, que o Homem deveria ter o domínio
sobre a Natureza, tal como declarado na ordem formal Bíblica [Génesis
1:28].
O problema era que, enquanto o indivíduo tivesse a crença - ou até a
esperança da crença - de que a sua faísca Divina da razão podia
resolver os problemas que a sociedade enfrentava, então a sociedade
nunca iria chegar ao estado de desespero e alienação que Lukacs
reconheceu como sendo um pré-requisito necessário para a revolução
socialista.
A tarefa da Escola de Frankfurt era, então, a de fragilizar o legado
Judaico-Cristão através da "abolição da cultura" (Aufhebung der Kultur
no Alemão de Lukacs); e, posteriormente, determinar novas normas
culturais que iriam aumentar a alienação da população, criando
consequentemente um "novo barbarismo". Para levar a cabo esta tarefa,
reuniu-se em torno da Escola de Frankfurt um lista incrível não só de
Comunistas, mas também de socialistas não afiliados ao partido,
fenomenólogos radicais, Sionistas, Freudianos renegados, e pelo menos
alguns membros do auto-identificada "culto of Astarte."
A membrasia variegada reflectiu, de certa forma, os patrocínios: embora
o Instituto para Pesquisa Social tenha começado com o apoio do
Comintern, durante as três décadas que se seguiram as suas fontes de
financiamento incluíam várias universidades Alemãs e Americanas, a
Fundação Rockefeller, a Columbia Broadcasting System, o Comité Judaico
Americano, vários agências de serviço secreto Americanas, o "Office" do
"U.S. High Commissioner" para a Alemanha, o "International Labour
Organization", e o "Hacker Institute", a clínica
psiquiátrica fina de Beverly Hills.
O mesmo acontecia com as alianças políticas do Instituto: embora a
liderança mantivesse o que se pode chamar de relacionamento sentimental
com a União Soviética (e há evidências de que alguns dos membros do
Instituto trabalharam para os serviços secretos Soviéticos durante os
anos 60), o Instituto tinha objectivos mais alargados que os objectivos
da política externa da Rússia. Estaline, que se encontrava horrorizado
com a operação indisciplinada e "cosmopolita" iniciada pelos seus
predecessores, cortou a ligação com o Instituto no final da década 20,
forçando Lukacs a uma "auto-crítica", e colocando-o na prisão por
alguns breves momentos durante a Segunda Guerra sob acusação de ser um
simpatizante Alemão.
Lukacs sobreviveu e retomou por um breve período ao seu antigo lugar de
Ministro da Cultura durante o regime anti-Estalinista de Imre Nagy na
Hungria.
Entre as figuras de topo do Instituto, as perambulações políticas de
Herbert Marcuse são típicas. Ele começou como um Comunista, tornou-se
um protegido do filósofo Martin Heidegger mesmo durante o período em
que este último se afiliava ao Partido Nacional Socialista dos
Trabalhadores Alemães; quando veio para os Estados Unidos, trabalhou
para o "World War II Office of Strategic Services" (OSS), e mais tarde
tornou-se no analista principal do "U.S. State Department" em torno das
políticas Soviéticas durante o ponto mais elevado do período de
McCarthy; durante os anos 60, ele voltou a mudar, tornando-se no mais
importante guru da Nova Esquerda, acabando os seus dias ajudando a
fundar o partido ambientalista extremista da Alemanha Ocidental, o
Partido Os Verdes.
De maneira geral, esta incoerência na mudança de lado político e nas
contraditórias fontes de financiamento não significa conflito
ideológico. O que não muda é o desejo de todos os partidos de responder
à pergunta original de Lukacs: "Quem nos salvará da civilização
Ocidental?"
Theodor Adorno e Walter Benjamin
Provavelmente, o sucesso mais significativo, embora menos sabido, da
Escola de Frankfurt foi o de moldar os meios de comunicação
electrónicos da rádio e da televisão de modo a que eles fossem
poderosos instrumentos de controle social que eles actualmente são.
Isto é consequência do trabalho originalmente feito por dois homens que
chegaram ao Instituto durante os anos 20: Theodor Adorno e Walter
Benjamin.
Depois de completar os seus estudos na Universidade de Frankfurt,
Walter Benjamin planeou, em 1924, emigrar para a Palestina com o seu
amigo Gershom Scholem (que se tornou mais tarde num dos filósofos mais
famosos de Israel, bem como um dos gnósticos mais importantes do
Judaísmo), mas a sua relação amorosa com a actriz Lituana, e longarina
do Comintern Asja Lacis, impediram-no.
Lacis levou-o para a ilha
Italiana de Capri, centro de culto deste os tempos do Imperador
Tibério, usado por essa altura como base de treino do Comintern; o até
então apolítico Benjamin escreveu a Scholem desde Capri, afirmando que
havia encontrado "uma libertação existencial e um discernimento intenso
sobre a actualidade do comunismo radical."
Depois disto, Lacis levou Benjamin para Moscovo para mais indoutrinção,
onde ele conheceu o dramaturgo Bertolt Brecht, com quem iria dar início
a uma longa colaboração; pouco depois, enquanto ainda trabalhava na
primeira tradução Alemã do entusiasta das drogas, o poeta Francês
Baudelaire, Benjamin deu início a experiências sérias com alucinogénos.
Em 1927, ele encontrava-se em Berlim como parte dum grupo liderado por
Adorno, estudando os trabalhos de Lukacs; outros membros do grupo de
estudo incluíam Brecht e o seu compositor-parceiro Kurt Weill, Hans
Eisler, outro compositor que mais tarde se tornaria num compositor de
trilhas sonoras para Hollywood e co-autor com Adorno do livro
"Composition for the Film, o fotógrafo avant-garde Imre Moholy-Nagy, e
o maestro Otto Klemperer.
De 1928 a 1932, Adorno e Benjamin tiveram uma colaboração intensa, no
final da qual começaram a publicar artigos para o jornal do Instituto,
o Zeitschrift fär Sozialforschung. Benjamin foi mantido à margem do
Instituto, muito graças a Adorno, que mais tarde se apropriaria da
maior parte do trabalho de Benjamin.
Quando Hitler subiu ao poder, o Instituto fugiu, mas, ao mesmo tempo
que a maior parte dos membros do Instituto foram rapidamente levados
para novas paragens nos Estados Unidos e na Inglaterra, não existiram
propostas de trabalho para Benjamin, muito provavelmente devido à
animosidade com Adorno. Benjamin foi para a França, e, depois da
invasão Alemã, fugiu para a Espanha; esperando ser preso a qualquer
momento pela Gestapo, Benjamin entrou em desespero e morreu num sombrio
quarto de hotel como consequência duma overdose auto-infligida.
O trabalho de Benjamin permaneceu virtualmente desconhecido até 1955,
quando Scholem e Adorno publicaram um edição do mesmo na Alemanha. O
revivalismo integral ocorreu em 1968 quando Hannah Arendt, a antiga
amante de Heidegger e colaboradora do Instituto nos Estados Unidos,
publicou um artigo importante na revista do New Yorker antes da
primeira tradução Inglesa dos seus trabalhos nesse mesmo ano.
Actualmente, todas as livrarias universitárias do país têm uma
prateleira inteira dedicada à traduções de todos os escritos de
Benjamin, todos com datas de direitos de autor dos anos 80.
Adorno era mais novo que Benjamin, e tão agressivo como o homem mais
velho era passivo. Nascido com o nome de Teodoro Wiesengrund-Adorno
dentro duma família Corsa, ele recebeu aulas de piano desde a mais
tenra idade por parte duma tia que vivia com a família e que havia sido
uma acompanhante de concertos para a estrela de ópera
internacional Adelina Patti. Era geralmente assumido que Theodor se
tornadia num músico profissional, e ele estudou com Bernard Sekles, o
professor de Paul Hindemith. No entanto, ainda em 1918, enquanto ainda
era um estudante de ginásio, Adorno conheceu Siegfried Kracauer.
Kracauer fazia parte do grupo Kantiano-Sionista que se reunia na casa
do Rabino Nehemiah Nobel, em Frankfurt; outros membros do círculo de do
Rabino Nobel incluíam o filósofo Martin Buber, o escritor Franz
Rosenzweig, e dois estudantes, Leo Lowenthal e Erich Fromm. Kracauer,
Lowenthal, e Fromm juntar-se-iam ao Instituto para Pesquisa
Social duas décadas mais tarde. Adorno fez com que Kracauer se
comprometesse a ensiná-lo a filosofia de Kant; Kracauer apresentou-lhe
também os escritos de Lukacs e de Walter Benjamin, que também se
encontrava por perto do grupo do Rabino Nobel.
No ano de 1924, Adorno mudou-se para a Viena para estudar com os
compositores atonalistas Alban Berg e Arnold Schönberg, e passou a a
relacionar-se com o círculo avant-garde e ocultista em torno do velho
Marxista Karl Kraus. Aqui, ele não só conheceu o seu futuro
colaborador, Hans Eisler, como entrou em contacto com as teorias do
extremista Freudiano Otto Gross.
Gross, um viciado em cocaína de longa data, havia morrido numa sarjeta
de Berlim em 1920 enquanto se dirigia para Budapeste, para ajudar a
revolução. Ele havia desenvolvido a teoria de que a saúde mental só
poderia ser atingida através do renascimento do antigo culto em torno
de Astarte, que iria varrer o monoteísmo e a "família burguesa".
Salvando a Estética Marxista
Por volta de 1928, Adorno e Benjamin haviam satisfeito a sua wanderlust
[sede por viagens] intelectual, e haviam-se estabelecido no Instituto -
na Alemanha - como forma de levarem a cabo algum tipo de trabalho. Como
tema, eles escolheram um aspecto do problema levantado por Lukacs: como
dar uma base totalmente materialista à estética.
Por esta altura, esta
era uma questão de alguma importância. As discussões Soviéticas
oficiais da arte e da cultura, com as suas loucas rotações em torno do
"realismo socialista" e do "proletkult," eram idióticas, e só serviam
para desacreditar a pretensão filosófica do Marxismo entre os
intelectuais. Os próprios escritos de Karl Marx em torno do assunto
eram, na melhor das hipóteses, superficiais e banais.
Essencialmente, o problema de Adorno e Benjamin era Gottfried Wilhelm
Leibniz. No princípio do século 18, Leibniz havia mais uma vez
obliterado o antigo dualismo gnóstico de dividir a mente e o corpo,
demonstrando que a matéria não pensa. Um acto criativo, na arte ou na
ciência, apreende a verdade do universo físico, mas não é determinado
pelo universo físico.
Ao concentrar de modo auto-consciente o passado
no presente como forma de afectar o futuro, o acto criativo, definido
da maneira correcta, é tão imortal como a alma que prevê o acto. Isto
tem implicações filosóficas fatais para o Marxismo, que depende
inteiramente da hipótese da actividade mental ser determinada pelas
relações sociais da existência física que é construída pelo ser humano.
Marx evitou o problema de Leibniz, tal como o evitaram Adorno e
Benjamim, embora este último o tenha feito com muito mais confiança.
Segundo disse Benjamim no primeiro artigo em torno deste assunto, está
errado começar com a mente razoável e geradora de hipóteses como base
para o desenvolvimento da civilização; isto é um legado infeliz de
Sócrates. Como alternativa, Benjamim propôs uma fábula Aristotélica na
interpretação de Génesis: Vamos assumir que Éden havia sido dado a Adão
como o primordial estado físico. A origem da ciência e da filosofia não
se encontra na investigação e no domínio da natureza, mas sim na
identificação dos objectos presentes na natureza. No estado primordial,
nomear algo era uma forma de declarar tudo o que havia para dizer sobre
essa mesma coisa.
Como forma de confirmar isto, Benjamim envolveu na discussão, de forma
cínica, as primeiras frases do Evangelho de João, evitando
cuidadosamente o Grego mais abrangente, e preferindo em seu lugar a
Vulgata (de modo que na frase
"No princípio era a Verbo", as conotações
da palavra Grega original logos - discurso, razão, raciocínio,
traduzida como "Verbo" - são substituídas pela palavra Latina com um
sentido mais limitado verbum).
Depois da expulsão do Éden e do requerimento de Deus para que Adão coma
o pão com o suor da sua face (a metáfora Marxista de Benjamim do
desenvolvimento da economia), e depois também da maldição Divina de
Babel sobre Nimrod (isto é, o desenvolvimento dos estados-nação com as
suas línguas distintas, que Benjamim e Marx viam como um processo
negativo longe do
"comunismo primitivo" de Éden", a humanidade ficou
"alienada" do mundo físico. Devido a isso, continuou Benjamim, os
objectos têm ainda uma "aura" da sua forma primordial, mas a verdade é
actualmente irremediavelmente indescritível.
De facto, o discurso, a língua escrita, a arte, a própria criatividade
- processos através dos quais nós dominamos a fisicalidade - apenas
piora a alienação, ao tentar, segundo o discurso Marxista, incorporar
os objectos da natureza dentro das relações sociais determinadas pela
estrutura de classe dominante naquele ponto da história.
Consequentemente, o artista criativo ou o cientista é como um vaso, tal
como Ion o rapsodo, tal como ele mesmo se descreveu a Sócrates, ou como
o actual proponente da "teoria do caos"; a arte criativa emerge
da miscelânea que é a cultura como que por magia. Quanto mais o homem
burguês tenta transmitir o que ele tenciona sobre um objecto, menos
verídico ele se torna; ou, tal como numa das mais citadas declarações
de Benjamim,
"A verdade é a morte da intenção".
Este gesto prestidigitador permite que qualquer pessoa faça várias
coisas destrutivas. Ao fazermos da criatividade algo específico duma
determinada era histórica, rouba-mo-la tanto a imortalidade como a
moralidade. Não se pode lançar como hipótese uma verdade universal, ou
uma lei natural, visto que a verdade é totalmente dependente do
desenvolvimento histórico. Ao abandonar a ideia da verdade e do erro,
podemos também lançar fora o "obsoleto" conceito do bem e do mal:
passas a estar, nas palavras de Friedrich Nietzsche, "para além o bem e
o mal."
Benjamim foi capaz, por exemplo, de defender o que ele chama de
"Satanismo" do Simbolistas Franceses e dos seus sucessores Realistas,
visto que no centro deste Satanismo "encontramos o culto ao mal como um
engenho político . . . para nos desinfectar e nos isolar de todo o
diletantismo moralizante" da burguesia. Condenar o Satanismo de Rimbaud
e qualificá-lo de maligno é o mesmo que exaltar um quarteto de
Beethoven ou um poema de Schiller e qualificá-los de bons visto que
ambos os julgamentos são cegos às forças históricas a operarem
inconscientemente no artista.
Portanto, é-nos dito, a estrutura de cordas de Beethoven esforçava-se
para ser atonal, mas Beethoven não conseguiu conscientemente
libertar-se do mundo estrutural da Europa do Congresso de Viena (tese
de Adorno); semelhantemente, o que Schiller realmente queria era
declarar que a criatividade é a libertação do erótico, mas como uma
verdadeira criança do Iluminismo e de Immanuel Kant, ele não poderia
fazer a necessária renúncia da razão (tese de
Marcuse).
A epistemologia
torna-se num parente pobre da opinião pública visto que o artista não
cria conscientemente obras como formar de elevar a sociedade, mas sim
transmite inconscientemente as suposições ideológicas da cultura onde
nasceu. O ponto fulcral já não é o que é universalmente verdadeiro, mas
sim o que pode ser plausivelmente interpretado pelo auto-nomeados
guardiões do Zeitgeist.
"Os Maus Novos Dias"
Portanto, para a Escola de Frankfurt, o objectivo da elite cultural da
moderna era "capitalista", tem que ser o de remover a crença de que a
arte deriva da auto-consciente emulação de Deus o Criador; tem que ser
demonstrado que a "inspiração religiosa", afirma Benjamim, "reside numa
inspiração profana, uma inspiração materialista antropológica para a
qual o haxixe, o ópio, ou o que quer que seja, podem dar uma aula
introdutória." Ao mesmo tempo, novas formas culturais têm que ser
encontradas como forma de aumentar a alienação da população de modo a
que ela entenda o quão realmente alienante é viver sem o socialismo.
"Não edifiquem sobre os bons dias de outrora, mas sim nos novos maus
dias", afirmou Benjamim.
O rumo certo da pintura, portanto, é aquele enveredado pelo falecido
Van Gogh, que começou a pintar objectos em desintegração, o que era
equivalente à visão do fumador de haxixe que "frouxa e seduz as coisas
para fora do seu mundo familiar". Na música, "não é sugerido que alguém
pode compor melhor nos dias de hoje", melhor que Mozart ou Beethoven,
disse Adorno, mas é preciso compor de um modo atonalista visto que o
atonalismo é doentio, e "de um modo dialético, a doença é ao mesmo
tempo a cura.... A extraordinariamente violenta reacção de protesto com
a qual tal música se depara na sociedade presente ... parece, no
entanto, sugerir que a função dialéctica desta música já se pode sentir
... negativamente como 'destruição'".
O propósito da arte moderna, da literatura, e da música é o de destruir
o potencial edificante - e desde logo, burguês - da arte, da literatura
e da música, de modo a que o homem,
despojado de sua conexão com oDivino, olhe como a sua única opção criativa a revolta política.
Organizar o pessimismo nada mais é que remover a metáfora moral da
política e descobrir na acção política uma esfera reservada a 100% para
as imagens.
E assim, Benjamim colaborou com Brecht para trabalhar estas teorias de
modo a dar-lhes aplicação práctica, e o seu esforço conjunto culminou
no Verfremdungseffekt ("efeito de distanciamento"), a tentativa de
Brecht de escrever a sua peça de modo a causar a audiência a sair do
teatro desmoralizada e desorientadamente zangada.
Politicamente Correcto
A análise Adorno-Benjamim representa quase a totalidade da base
teorética de todas as tendências estéticas politicamente correctas que
actualmente atormentam as nossas universidades. O pós-estruturalismo de
Roland Barthes, Michel Foucault, e
Jacques Derrida, a Semiótica de
Umberto Eco, o Desconstructionismo de Paul DeMan, citam Benjamim
abertamente como fonte do seu trabalho.
O best-seller do terrorista
Italiano Umberto Eco, O Nome da Rosa, pouco mais é que um hino a
Benjamim; DeMan, antigo colaborador Nazi da Bélgica que se tornou num
prestigioso professor em Yale, começou a sua carreira traduzindo os
trabalhos de Benjamim; a famosa declaração de Barthes de 1968 "o autor
está morto" tem como propósito ser uma elaboração da máxima de Benjamim
em torno da intenção.
Benjamim chegou a ser chamado de herdeiro de Leibniz e de Wilhelm von
Humboldt, o filólogo colaborador de Schiller cujas reformas
educacionais produziram o tremendo desenvolvimento da Alemanha durante
o século 19. Mesmo recentemente, em Setembro de 1991, o Washington Post
referiu-se a Benjamin como o "o melhor teórico literário Alemão do
século (e muitos deixariam de fora o qualificador Alemão)".
Certamente que os leitores terão ouvido falar duma ou de outra história
de horror em torno da forma como o Departamento dos Estudos
Afro-Americano baniu Othello, por ser "racista", ou da forma como uma
professora feminista radical deu uma palestra durante uma reunião da
"Modern Language Association" onde disse que as bruxas eram as
"verdadeiras heroínas" da peça Macbeth.
Estas atrocidades ocorrem porque
os perpetradores são capazes de plausivelmente demonstrar, segundo a
tradição de Benjamim e Adorno, que o propósito de Shakespeare é
irrelevante, e o que realmente importa é o "subtexto" racista ou
falocêntrico do qual Shakespeare não tinha consciência quando escreveu.
Quando o departamento local de Estudos Femininos, ou o Departamento dos
Estudos em torno do Terceiro Mundo organiza os estudantes de modo a que
eles abandonem os clássicos em favor de autores Negros ou feministas
actuais, os motivos dados são inteiramente de autoria de Benjamim.
Não
se dá o caso destes autores Negros ou feministas serem melhores, mas
sim que eles são de alguma forma mais genuínos uma vez que a sua prosa
alienada melhor reflecte os problemas sociais modernos dos quais os
autores mais antigos não sabiam. Os estudantes aprendem que a própria
língua, tal como disse Benjamim, nada mais é que uma conglomeração de
"nomes" falsos impingida à sociedade pelos seus opressores, e são
também avisados contra o "logocêntrismo", a excessiva confiança
burguesa nas palavras.
Se estas palhaçadas universitárias parecem ser "retardadas" (usando as
palavras de Adorno), é porque elas foram feitas para serem assim. O
avanço mais importante da Escola de Frankfurt consiste na realização de
que as suas teorias monstruosas se poderiam tornar dominantes na
cultura, como resultado das mudanças na sociedade levadas a cabo pelo
que Benjamim chamou de "a idade da reprodução mecânica da arte".
Continua na
2ª Parte....