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sábado, 23 de junho de 2018

Isto é um assalto – Filha de Camilo Mortágua no Parlamento

Mariana Mortágua, filha do membro da LUAR Camilo Mortágua, substituiu, em 2013, a deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago. A filiação é relevante porque várias ideias defendidas pela deputada e pelo seu partido já foram postas em prática pelo pai, com resultados desastrosos, designadamente na ocupação e gestão da Herdade da Torre Bela.

QUEM É CAMILO MORTÁGUA?

Nasceu em Oliveira de Azeméis, a 29 de Janeiro de 1934. Sem inclinação para os estudos, como o próprio reconhece nas suas memórias, pegaram-lhe a alcunha de Batata. Aos 12 anos segue com os pais e as duas irmãs para Lisboa. Em 1951, emigra para a Venezuela.

Na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, integra o grupo de revolucionários que, sob o comando de Henrique Galvão, toma de assalto o paquete Santa Maria. Durante o acto, o oficial Nascimento Costa é assassinado pelos assaltantes.


A tomada do navio, que transportava 600 turistas em viagem para Miami e mais de 300 tripulantes, foi preparada na Venezuela pelo Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL). Era um organismo híbrido que nasceu da fusão entre o grupo de Galvão e um grupo de exilados espanhóis, dirigido por Jorge de Soutomayor, ex-combatente comunista na Guerra Civil de Espanha.

Aviões americanos acompanharam os movimentos do Santa Maria, que ostentava no castelo da proa a faixa “Santa Liberdade”, pintada à mão. Entretanto, enquanto decorriam as negociações, o corpo do piloto assassinado apodrecia no seu caixão, na capela do paquete.

Antes do assalto ao Santa Maria, o DRIL, que estava classificado pela CIA como “organização terrorista”, promovera atentados em várias cidades de Espanha. A bomba que o grupo fez explodir em 1960 na estação de Amara, em San Sebastián, matou uma criança de 2 anos, Begoña Urroz.

O crime foi atribuído por largo tempo à ETA, mas dados históricos revelados nos últimos meses em Espanha demonstram a autoria do DRIL. Era com esta gente que Mortágua e os outros democratas queriam combater as ditaduras ibéricas e apear do poder Salazar e Franco.

A 10 de Novembro de 1961, desvia à mão armada com Palma Inácio e mais uns tantos criminosos um avião da TAP, no voo Casablanca-Lisboa. Foi assim um pioneiro do terrorismo aéreo, com o objectivo singelo de sobrevoar Lisboa e outras cidades portuguesas a baixa altitude para lançar milhares de folhetos subversivos.

Se quisermos descobrir um rasgo verdadeiramente inovador nos oposicionistas ao Estado Novo, forçoso será recorrer à aeronáutica: o primeiro desvio de um avião comercial em todo o mundo. Os terroristas islâmicos regulam com atraso em relação aos nossos antifascistas, sempre na vanguarda.

O ASSALTO AO BANCO DE PORTUGAL

A 15 de Maio de 1967, Camilo Mortágua, Palma Inácio, António Barracosa e Luís Benvindo assaltam a filial do Banco de Portugal na Figueira da Foz. O golpe é comummente atribuído à LUAR, acrónimo de Liga de Unidade e Acção Revolucionária, mas tal não corresponde por inteiro à verdade.

Na data do assalto, a LUAR ainda não existia. Foi criada à pressa no mês seguinte, como reconheceu Emídio Guerreiro, um dos fundadores, “para dar uma cobertura política e credível ao assalto do banco” (‘Diário de Notícias’, 6/9/1999, pág. 15) e assim evitar e extradição para Portugal dos criminosos, que entretanto se haviam refugiado em França

Em consequência do golpe, Palma Inácio foi monetariamente crismado de “Palma Massas”. E havia fundadas razões para isso. A operação rendeu cerca de 30 mil contos, uma fortuna para a época, equivalente a 9 milhões de euros de hoje, ainda que boa parte das notas tenha sido depois recuperada pela PIDE.

“Logo que se apanharam com o dinheiro, acabou o romantismo revolucionário”, acusou depois Emídio Guerreiro, em entrevista a O DIABO (22/9/1992, pág. 8). É o costume. O dinheiro sobe sempre à cabeça das pessoas. Deviam ter lido Marx e Kautsky antes de começarem a roubar.

A TORRE BELA

A Herdade da Torre Bela, com 1700 hectares, a maior área de terra agrícola murada do País, pertencia ao duque de Lafões. A 23 de Abril de 1975, foi ocupada pelo “povo trabalhador” aos gritos de “a terra a quem a trabalha”.

Para comandar aquela tropa mista de camponeses, delinquentes e bêbados, aterrou na herdade ribatejana o revolucionário Camilo Mortágua, já grávido de ideias bloquistas.

O processo ficou documentado no filme “Torre Bela”, de Thomas Harlan (filho do cineasta Veit Harlan, com ligações ao regime nacional-socialista). Militante da extrema-esquerda, o alemão quis filmar a utopia socialista, mas dormia no quarto do duque. Era o único que tinha casa de banho privativa.

As imagens são divertidas e esclarecedoras: Mortágua e Wilson, outro ladrão de bancos, a doutrinar as massas sobre “latifundiários” e “cooperativas”; Zeca Afonso, Vitorino e o padre Fanhais, este também membro da LUAR, a cantar o Grândola de megafone, diante do povo aparvalhado; o inesquecível diálogo entre Wilson e o camponês avesso à “comprativa” [sic] sobre a enxada que “passa a ser de todos”; a inenarrável reunião em que o oficial do MFA incita à ocupação do palácio: “primeiro vocês ocupam e depois a lei há-de vir”; e os camponeses a experimentar as roupas dos patrões, remexendo-lhes as gavetas com um misto de culpa, curiosidade e desejo.

O filme é um documento notável de cinema directo, uma comédia do absurdo sobre a “reforma agrária”, processo de espoliação que nos custou os olhos da cara. Ainda há dias o Estado português foi condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem a pagar mais 1,5 milhões de euros de indemnização a famílias expropriadas.

Os desvarios de Abril não começaram com o BPN ou as PPP (Parcerias Público-Privadas). Tiveram início logo após a revolução, com as ocupações de terras e as nacionalizações selváticas, que ainda agora figuram – de forma mais velada – entre os objectivos do Bloco de Esquerda, da menina Mortágua.

E DEPOIS DO ADEUS

Após a frustrada experiência na Torre Bela, os mais destacados membros da LUAR, como Mortágua e Palma Inácio, achegaram-se mais e mais aos partidos dominantes. Alguns membros da organização não gostaram. Um deles, Belmiro Martins, exprimiu o seu descontentamento ao jornal ‘Tal & Qual’ (5/9/1997, pág. 6): “Vejo que os chefes da LUAR se passam de armas e bagagens para o Poder […] Senti-me traído […] Decidi então que passaria a roubar para mim.”

Decidiu e cumpriu. Estabeleceu-se por conta própria no ramo dos furtos, secção de ourivesarias. Parece que assaltou mais de cem lojas. Afirma-se com orgulho o “maior assaltante de ourivesarias de todos os tempos”. Foi preso em 1977 e condenado, tendo cumprido 17 anos de cadeia. Foi libertado em 1994, mas logo se entusiasmou por outras montras a reluzir de ouro. De novo preso em 1997, saiu finalmente em 2006, quando oficiava de sacristão na cadeia de Pinheiro da Cruz.

Belmiro Martins chegou a integrar os órgãos sociais do Fórum Prisões, associação presidida pelo advogado de Otelo no caso das FP-25 de Abril, Romeu Francês, antigo militante do MRPP, que depois seria condenado em processos de burla, falsificação de documentos, abuso de confiança e fraude fiscal, que acabariam por ditar a sua expulsão da Ordem dos Advogados.

MORTÁGUA, HOJE

Um homem com a folha de serviços de Mortágua não podia deixar de ser homenageado pelo novo regime. A justiça democrática tarda, mas não falta. A 10 de Junho de 2005 foi-lhe atribuída a condecoração de Grande Oficial da Ordem da Liberdade, por Jorge Sampaio, então Presidente da República.

Camilo Mortágua, hoje com 81 anos, está estabelecido no Alvito, em pleno Alentejo, como empresário. É hoje um “agrário”, nome pejorativo que os revolucionários de antanho colavam na região aos proprietários de terras agrícolas.

Mariana Mortágua nasceu em 1986. Licenciada em Economia, é mestra pelo ISCTE (‘where else?’) com uma dissertação sobre “O Papel da Caixa Geral de Depósitos na Recente Crise Económica (2007-11)”.  Militante do Bloco de Esquerda, a filha de Camilo Mortágua publicou dois livros a meias com Francisco Louçã.

Em 2012 editou “A Dívida(dura) – Portugal na crise do Euro” (Bertrand, 2012, 240 págs.) A obra foi apresentada na FNAC do Chiado por Marcelo Rebelo de Sousa, para escândalo dos bloquistas mais pedregosos. Em Abril de 2013 lançou “Isto é um assalto: a história da dívida em banda desenhada” (Bertrand, 2013, 184 págs.), com ilustrações de Nuno Saraiva.

A contracapa informa que o livro ”descreve o assalto que Portugal está a sofrer”. Reconheça-se, antes de mais, a legitimidade do título. Em matéria de assaltos, os Mortáguas são especialistas. O roubo que Portugal está a sofrer começou logo após a revolução, com o papá Camilo e outros que tais, imbuídos de um ideário que Mariana não rejeita. Limita-se a defendê-lo com outros termos e balelas, que aprendeu no ISCTE e na Rua da Palma.

No pai e na filha, a mesma necessidade de lutar contra a “ditadura” (seja a de Salazar ou a da dívida), o mesmo ódio ao “adversário” (seja lá ele quem for), a mesma receita de nacionalizações (começa-se com herdades, depois bancos, energia, água, transportes e tudo o que aparecer à frente), o mesmo desrespeito à propriedade alheia e quase uma relação de amor e ódio com o “grande capital financeiro”: o pai assaltava bancos, a filha faz teses de mestrado sobre a Caixa Geral de Depósitos.

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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Esquerdistas expulsam Neo-Ateus do partido

Por Elliot Kaufman

Os críticos mais superficiais da religião organizada fizeram o erro de criticar o Islão ao mesmo tempo que criticavam o Cristianismo, e os Esquerdistas crucificaram-nos por isso.

Na Sexta-Feira, as coisas ficaram oficiais: os Neo-Ateus já não são bem vindos dentro do esquerdismo. Duramente tratados, condenados, e desconvidados, estes ímpios e outrora-favorecidos "intelectuais públicos" encontram-se agora sem-abrigo, e rejeitados pelos seus antigos aliados progressistas. Richard Dawkins, o famosamente incrédulo biólogo evolutivo, foi o último a ser abandonado. Segundo um dos organizadores do evento, o mesmo foi desconvidado duma palestra em Berkeley devido aos seus "comentários em relação ao islão" que haviam "ofendido e magoado.....tantas pessoas".

Dawkins está bem acompanhado. Christopher Hitchens e Sam Harris, seus compatriotas Neo-Ateus, já haviam sido expulsos do partido. Em ambos os casos, deferência insuficiente em relação ao islão foi causa aproximada. Hitchens não deixou de ser um socialista comprometido, mas sentiu que era necessária uma guerra contra o terror e contra  a autocracia islâmica. Devido a isto, foi denunciado como um "neocon".

Harris é um liberal - puro e verdadeiro - mas causou a ira de Reza Aslan por se recusar a excluir o islão da sua crítica generalizada à religião. "O islão não é uma religião pacífica" diz Harris com relativa frequência. De facto, ele acredita que é exactamente o contrário. Devido a isso, todos - desde Glen Greenwald a Ben Affleck - qualificaram-no de "islamofóbico" e intolerante.

O quarto é Daniel Dennett, que também crítica o islão. O único do grupo que realmente é um filósofo, Dennett é demasiado aborrecido e tedioso para ser reparado, e muito menos para ser denunciado por alguém. No seu lugar pode-se adicionar o nome de Bill Maher, um popularizador do Neo-Ateísmo, que também foi banido de Berkeley por criticar o islão. Um a um estes homens foram excomungados da Esquerda.

O que foi que aconteceu? Porque é que a Esquerda se deleitou enquanto estes homens ignorantemente faziam pouco dos Cristãos, mas denunciou-os quando eles começaram a tratar o islão da mesma forma? O viés de confirmação merece, pelo menos parcialmente, parte da culpa. Há já muito tempo que os Neo-Ateus nutrem um medo irracional dos Cristãos, mas a Esquerda não está preocupada com a Cristofobia. No entanto, combater a islamofobia é uma prioridade dos progressistas, e é notado e lidado quando surge.

No entanto, o argumento de que a obsessão liberal com a islamofobia emana da saudável preocupação com o estatuto das minorias não explica tudo. Tal como o intelectual socialista Michael Walzer escreve no Dissent, “Deparo-me com frequência com esquerdistas que estão mais preocupados em evitar acusações de islamofobia do que condenar o fanatismo islâmico."

Afinal de contas, não é por acaso que os Democratas se recusam veemente a dizer as palavras "terrorismo islâmico", preferindo usar termos gerais tais como "extremismo". Mas estas mesmas pessoas que insistem que homens mal intencionados perverteram o islão, são as primeiras a falsamente citar Timothy McVeigh como exemplo de "terrorista Cristão". Estas pessoas apresentam o Cristianismo como reflexo das acções dos seus mal-feitores (e até daqueles que negam essa fé), mas as acções dos crentes islâmicos ortodoxos não são de maneira nenhuma o reflexo dos princípios da pacífica fé islâmica.

Navegando mais para a esquerda, a defesa do islão torna-se numa defesa do radicalismo e da intolerância do islão. Slavoj Žižek vê no islamismo "a ira das vítimas da globalização capitalista". Judith Butler insiste que "entender o Hamas e o Hezbollah como movimentos sociais que são progressistas, que são de esquerda, que fazem parte da esquerda global, é extremamente importante."

Estas vozes não podem ser repudiadas como aberrantes. Estas são, na realidade, vozes de intelectuais esquerdistas proeminentes, ferozmente seculares, e que encontram causas comuns com o Hamas - grupo que empurra homossexuais do topo de prédios e esfaqueia crianças enquanto elas dormem - e com o Hezbollah, o "Partido de Alá."

De facto, eles juntam-se a uma longa linha de apologistas esquerdistas que defendem regimes assassinos e anti-Ocidente. O renomeado historiador Eric Hobsbawm recusou-se a abandonar a União Soviética mesmo depois dos seus tanques terem marchado sobre Praga. Os professores Noam Chomsky e Edward Herman passaram anos a rejeitar e a minimizar as notícias do genocídio no Cambodja, qualificando essas notícias de "propaganda do Ocidente". Michel Foucault, filósofo pós-modernista, defendeu a indefensável crueldade da Revolução Iraniana alegando que o Irão não "tem o mesmo regime de verdade como o nosso."

Claramente, o problema da Esquerda é maior que o islão. Qualquer líder que pode ser visto como inimigo da dominação capitalista do Ocidente irá encontrar algum tipo de louvor, ou pelo menos racionalização, por parte dos progressistas. Tal como escreveu Alan Johnson, o teórico político social-democrata:

A esquerda está numa posição vulnerável....porque ela obtém as suas directrizes a partir daquilo que é contra e não a partir daquilo que é a favor. Numa conversa com o dissidente anti-Estalinista Polaco, Adam Michnik, em 1993, o filósofo liberal Jurgen Habermas admitiu que "evitava qualquer tipo de confronto com o Estalinismo." Porquê, perguntou Michnik? Ele não queria "aplausos do lado errado" respondeu Habermas.

Temos que ler isto duas vezes, pensar nas enormidades do Estalinismo, e apercebermo-nos do quão chocante isto é. Mas Habermas nada mais estava a fazer do que a expressar uma parte do senso comum da esquerda liberal.

Resumidamente, os Neo-Ateus conquistaram os aplausos do lado errado: da Direita cruzadista anti-islâmica. Christopher Hitchens, escritor bastante divertido que poderia atacar o Saddam Hussein como ninguém, era o radical favorita de todos os direitistas.

Sam Harris começou a ter pontos comuns com pessoas tais como Douglas Murray e Ayaan Hirsi Ali. A defesa que Rich Lowry fez aos ataques que Sam Harris recebeu por parte de Ben Affleck apareceram no New York Post. Actualmente, Bill Maher encanta a Direita tal como a enerva. E a Esquerda, sentido o odor da traição nas suas fileiras, não pode pura e simplesmente tolerar este tipo de transgressão.

Mas mais atenção é necessária para a natureza específica do padrão duplo da Esquerda no que toca ao islão. Porque é que ardentes secularistas do mundo islâmico tais como Ayaan Hirsi Ali - o tipo de pessoa que a Esquerda toma como inspiração na história do secularismo Ocidental - são vistos como intolerantes, ao mesmo tempo que teóricos da conspiração e defensores da sharia tais como Linda Sarsour são estimados? Porque é que criticar o islão causou a que os Neo-Ateus tenham atravessado a linha vermelha na imaginação progressista?

Estas posições não fazem qualquer tipo de sentido se olharmos para a Esquerda como genuinamente secular, convencida da necessidade de terminar com a era da superstição. Mas os liberais Americanos não professam o apaixonado cepticismo de Hume, nem o ateísmo urgente e honesto de Nietzsche. Eles preferem abraçar o superficial ateísmo da guerra cultural.

Este ateísmo-da-guerra-cultural disponibiliza "evidências", de forma rápida e facilitada, para vincar a ideia de que a América se encontra dividida em dois campos: o lado do liberal inteligente, sofisticado, urbano e justo, e o lado do intolerante, idiótico, crédulo, retrógrado conservador. Os primeiros são ateus mas os segundos são crentes, elogiando os primeiros, e criticando os segundos.

Na verdade, foi este tipo de pensamento que fez com que os progressistas inicialmente se apaixonassem pelos Neo-Ateus. O Neo-Ateísmo agradou à Esquerda enquanto ele se limitou a criticar "Deus", que estava associado às crenças do Presidente George W. Bush e os seus apoiantes. Foi, devido a isso, divertido, e não ofensivo, quando Bill Maher qualificou a "religião" de ridícula porque se assumiu que ele estava a falar do Cristianismo. Christopher Hitchens poderia qualificar Deus de "Ditador" e o Céu de "Coreia do Norte celestial" e a Esquerda rir-se-ia.

Os estudantes de Berkeley nunca pensariam em desconvidar Richard Dawkins enquanto ele dizia que "Bush e bin Laden estão do mesmo lado da fé e da violência contra o lado da razão e da discussão." Verdade seja dita, o Neo-Ateísmo sempre foi fundamentalmente pouco sério. Ele nem sequer tenta lidar com os argumentos teístas para a existência de Deus. De facto, o filósofo A.C. Grayling insiste que os ateus nem se deveriam preocupar com a teologia visto que eles "rejeitam as premissas". Parece que os nossos novos "racionalistas" nem sequer avaliam os argumentos que não se conformam com os seus preconceitos.

Ao atacar o espantalho fundamentalista com um igualmente fundamentalista materialismo, o Neo-Ateísmo é um gigantesco erro de categoria. Vez após vez, os seus progenitores exigem evidências materiais para a existência de Deus, como se Ele fosse um outro tipo de coisa - uma chávena, ou, se calhar, um poderoso computador.

Esta confusão leva a que os Neo-Ateus favoreçam o claramente simplista argumento da regressão-infinita: se Deus criou tudo, então quem criou Deus? Mas, tal como o teólogo David Bentley Hart responde: [Deus não é] um "ser supremo", não é mais uma coisa juntamente ou lado a lado com o universo, mas o Acto Infinito de Existência, a Fonte Eterna e Transcendente de toda a existência e sabedoria, dentro do Qual todos os seres finitos participam.

Só o falhanço completo em entender os termos filosóficos básicos duma conversa pode causar esta estranha inversão de lógica, onde o argumento da regressão infinita - tradicionalmente e correctamente considerado o mais poderoso argumento contra o materialismo puro - pode ser, agora, tratado como argumento irrefutável contra a crença em Deus.

O restante dos argumentos dos Neo-Ateus podem ser lidados ainda mais rapidamente. Dawkins olha para Deus como um Ser Super Complexo sujeito à evolução natural, e depois qualifica-O de estatisticamente improvável. Ele pode estar certo, mas porque é que ele pensa que, através desta lógica, ele criticou algo parecido com a "religião"?

Dennett, que se foca essencialmente em mostrar como a religião é um fenómeno natural, parece confudir a validação duma alegação religiosa com a sua refutação. Hitchens não oferece qualquer tipo de argumento real, mas bastantes erros históricos. De forma geral, ele contenta-se a listar as más acções dos crentes, ignorar as boas acções dos mesmos, e fingir que, de alguma forma, refutou o Cristianismo.

Harris, e para citar mais uma vez David Bentley Hart, "declara que todos os dogmas são perniciosos, excepto a sua aderência dogmática ao misticismo contemplativo não-dualista, do tipo que ele erradamente imagina ter descoberto numa escola de Budismo Tibetano, e um que (naturalmente) ele qualifica de puramente racional e científico."

Nada desta idiotice Neo-Ateísta perturbou a Esquerda desde que elogiasse as tribos certas, e atacasse as erradas. Foi só quando os Neo-Ateus estenderam a sua crítica da religião ao islão que os progressistas se voltaram contra eles. Os muçulmanos, embora fossem largamente de direita antes da "Guerra ao Terror", haviam-se tornado num "grupo marginalizado." Vistos como vítimas do colonialismo Ocidental, da agressão por parte dos neo-conservadores, e da discriminação diária, eles tornaram-se parte da coligação dos oprimidos. o que significa que se tornaram virtuosos.

Consequentemente, o islão tornou-se numa fé e numa tradição a merecer respeito, não como o "vírus mental" do Cristianismo, ocupado a infectar os néscios. Como tal, ataques aos muçulmanos ou à sua fé, não só passaram a ter a aparência de "esmurrar o inocente que está abaixo de ti", como passaram a ser vistos como ataques à Esquerda em si.

Os Neo-Ateus, que nada mais estavam a ser que consistentes e a focarem a sua atenção no mais sério exemplo de intolerância religiosa, colocaram de parte a sua sofisticação, e, aos olhos da Esquerda, juntarem-se às fileiras da Direita intolerante e reaccionária. Só há um pequeno problema: nós também não os queremos entre nós.

Fonte: http://bit.ly/2sEUBmq

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A Esquerda rejeita o Neo-Ateísmo porque a Esquerda nunca foi secular e nem ateísta. Ela sempre foi anti-Cristã e anti-Ocidente. A Esquerda defende o islão porque, por enquanto, esta fé serve de arma mais eficaz no ataque ao Cristianismo do que o ateísmo ou o humanismo secular (sobre os quais a Esquerda dependeu num passado recente).

O cerne do esquerdismo é o Neo-Babelismo, que é inerentemente globalista e satânico na sua essência. Todas as suas variadas ideologias - desde o comunismo, ao feminismo, passando pelo neo-liberalismo, e pelo progressivismo - nada mais que são que fachadas que o esquerdismo usa na sua guerra sem fim contra Deus.

Mas ao contrário dos Neo-Ateus, os Neo-Babelistas não estão a levar uma guerra contra a ideia de Deus, e muito menos a questionar a Sua existência. Eles estão, de facto, e efectivamente, a travar uma guerra contra o Todo Poderoso, e contra o Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo.

Só há uma resposta à pergunta recorrente que a Direita faz em relação à Esquerda: eles são estúpidos ou são malignos? A resposta é, obviamente, "sim". Todas as ideologias da Esquerda - desde o Marxismo ao marxismo cultural Gramscianiano ao feminismo ao ateismo ao multicuturalismo ao globalismo neo-liberal - mais não são que racionalizações diversas e incoerentes que os esquerdistas usam como forma de condenar e atacar o Cristianismo segundo o ângulo que mais lhe apela num dado momento.

E o Neo-Babelismo (que pode ser igualmente identificado como o anti-Cristianismo) é muito mais que um grupo de ideologias úteis; ele é, no verdadeiro sentido do termo, uma religião. Os Neo-Ateus que inocentemente se uniram aos esquerdistas para atacar o Cristianismo (na sua "guerra contra a religião") sempre estiveram ao serviço duma religião sem se darem conta disso.

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A fraude da revolução soviética

Por João Carlos Espada

A revolução soviética, cujo centenário alguns celebram amanhã, foi simplesmente a maior fraude intelectual e moral do século XX.

Em primeiro lugar, não se tratou de uma revolução popular, mas de um mero golpe armado promovido por uma minoria fundamentalista que nunca convocou e respeitou eleições livres.

Em segundo lugar, não se tratou sequer de um golpe contra um regime despótico. O regime czarista tinha sido deposto em Fevereiro desse mesmo ano de 1917. Um regime constitucional parlamentar dava os seus primeiros passos na Rússia e preparava eleições livres.

Por outras palavras, a tão badalada ‘esperança emancipadora’ da revolução soviética resumiu-se a uma sublevação armada para impedir a tentativa de consolidação de uma democracia parlamentar na Rússia. Traduziu-se depois na criação de um regime sanguinário que procurou exportar para a Europa o mesmo desrespeito fundamentalista pelas regras imparciais do constitucionalismo democrático.

Esta tentativa de exportação do fundamentalismo comunista acabou por gerar outros fundamentalismos de sinal contrário: o nacional-socialismo e o fascismo. Todos eles são expressão da mesma revolta primitiva contra a sociedade aberta e pluralista — da qual todos eles inicialmente fizeram o seu principal inimigo. E em comum desencadearam a II Guerra, em Setembro de 1939, através da invasão combinada da Polónia pela Alemanha nazi e pela Rússia comunista.

Por que motivo produziu o bárbaro regime soviético tanta admiração entre a intelectualidade ocidental? É um mistério a que Raymond Aron, em 1955, chamou de ‘ópio dos intelectuais’. Funda-se num conjunto de mitos que muitos intelectuais ainda hoje recusam confrontar com os factos. A mais devastadora crítica desses mitos comunistas e marxistas foi produzida por Karl Popper em 1945, na sua obra A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos.

O primeiro desses mitos consiste na crença positivista em leis deterministas da história. O comunismo seria o sucessor inevitável do capitalismo, assim como este sucedera inevitavelmente ao feudalismo, e o feudalismo sucedera inevitavelmente ao regime esclavagista e este ao chamado ‘comunismo primitivo’. Esta sucessão inevitável resultaria do desenvolvimento dos meios e técnicas de produção e não dependia das escolhas morais e políticas dos indivíduos — que apenas poderiam atrasar ou acelerar o rumo predeterminado da história.

Esta foi a ‘teoria científica da história’, anunciada por Marx e Engels no seu ‘Manifesto Comunista’ de 1848. Mas, perguntou Popper, se se trata de uma teoria científica, como pode ser testada pelos factos? Em que condições futuras poderia o não advento do comunismo refutar a teoria?

Nenhumas, mostrou Popper, porque sempre que o comunismo falhar os crentes positivistas poderão argumentar que se tratou de um recuo temporário — e que, no futuro, o comunismo inevitavelmente triunfará. (Isto é precisamente o que dizem hoje os comunistas quando confrontados com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a implosão do comunismo soviético).

É como o letreiro que anuncia ‘Amanhã a cerveja será gratuita’. Os clientes voltarão todos os dias e todos os dias terão de pagar a cerveja. Mas o letreiro continua certo porque cada dia será ‘hoje’ — e pode ser que ‘amanhã’ a cerveja seja gratuita. Por outras palavras, disse Popper, a ‘visão científica’ da história não passa de uma versão positivista de ‘profetismo oracular’.

Além disso, mostrou Popper, todas as poucas previsões empiricamente testáveis produzidas pelo marxismo foram refutadas pelos factos. Não se verificou a queda tendencial da taxa de lucro nem a estagnação da inovação promovida pelas empresas privadas, livres e descentralizadas. Não houve bipolarização entre ricos e pobres, mas impressionante expansão das classes médias. Não foi impossível reformar o sistema capitalista através do Parlamento — pelo contrário, foi possível criar pacificamente fortes redes de segurança para todos e melhorar as condições de trabalho de todos.

O mito das ‘leis da história’ foi refutado pelos factos. Dele sobrou o relativismo niilista do ‘socialismo científico’. Esse niilismo foi a doença infecciosa do século XX, que produziu milhões de vítimas de governos totalitários sem escrúpulos — e sem vergonha.

Esse vírus estava contido no chamado ‘socialismo científico’ de Marx e Engels. Ao condenarem o que chamaram de ‘moralismo burgês’ do socialismo democrático e da social-democracia, Marx e Engels deram alegada justificação ‘científica’ à ausência de moral em política. A revolução comunista, disseram eles, não deve ser apoiada por razões morais, mas por razões científicas — porque o comunismo é o futuro inexorável.

Mas está bem de ver que, mesmo que o comunismo fosse o futuro inexorável, isso não constituiria razão moral para o apoiar. A menos que tivesse sido adoptada uma premissa ‘moral’ que não está expressa nesse raciocínio: a premissa ‘moral’ de que ‘só devemos apoiar causas vencedoras’. Esta foi na verdade a premissa não dita que o chamado ‘socialismo científico’ adoptou — a premissa do culto do poder sem restrições morais (que Nietzsche também espalhou, entre outras clientelas).

Foi este culto do poder sem restrições morais que deu lugar à política violenta dos ‘camaradas’ — uns de punho fechado, outros de braço estendido, todos aos gritos estridentes contra o capitalismo democrático. Mas esse culto fundamentalista foi derrotado pela tranquila resistência da civilização ocidental — fundada na liberdade ordeira sob a lei e no Governo representativo que prestas contas ao Parlamento.

Fonte: http://bit.ly/2yyNs96
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Peter Hitchens e o propósito político e cultural da imigração

Por Peter Hitchens

Quando eu era um Marxista Revolucionário, nós todos éramos a favor da imigração; quanto mais, melhor. Isto não se prendia com o facto de gostarmos de imigrantes, mas sim porque não gostávamos da Grã-Bretanha. Nós [Marxistas] olhávamos para os imigrantes - qualquer que fosse a sua origem - como aliados contra a sóbria e estabelecida sociedade conservadora que o nosso país ainda era no final dos anos 60.

Para além disso, nós sentiamo-nos, oh, tão superiores ao povo aturdido - normalmente das partes mais pobres da Grã-Bretanha - que via a sua vizinhança subitamente transformada em comunidades supostamente "vibrantes". Se por acaso eles se atrevessem a expressar a mais tímida das objecções, nós chamávamos-lhes de intolerantes.

Os estudantes Revolucionários não eram oriundos de tais zonas "vibrantes"; segundo o que pude apurar, nós vínhamos de Surrey e de outras partes bonitas de Londres. Era possível nós vivermos nos lugares "vibrantes" durante alguns (normalmente esquálidos) anos, perto de relvados por aparar e caixotes de lixo cheios. Mas nós fazíamos isto como crianças irresponsáveis e transientes - e não como donos de casa, ou pais com filhos em idade escolar, ou como idosos em busca dum bocado de paz no final das suas vidas.

Quando nós terminávamos a universidade e começávamos a ganhar um bom dinheiro, nós normalmente caminhávamos rumo às partes mais dispendiosas de Londres e passávamos a ser muito cuidadosos em relação ao local onde os nossos filhos iriam estudar - uma escolha que nós alegremente negávamos aos pobres urbanos, os mesmos a quem acusávamos de "racismo".

O que é que nós sabíamos, ou era do nosso interesse, da grande revolução silenciosa que até por essa altura estava a transformar a vida dos pobres da Grã-Bretanha? Para nós, o que isso significava é que o patriotismo e a tradição poderiam ser sempre acusadas de serem "racistas". Também significava servos baratos para a nova classe média (pela primeira vez desde 1939), bem como restaurantes baratos e - mais tarde - construtores e canalizadores baratos a trabalharem de forma clandestina.

Não eram os nossos ordenados que estavam a ser afectados, e nem o nosso trabalho que estava a ser financeiramente removido do mercado do trabalho. Os imigrantes não faziam o tipo de trabalho que nós fazíamos e desde logo, eles não era uma ameaça para nós. A única ameaça poderia ter surgido do ofendido povo Britânico, mas nós poderíamos sempre silenciar os seus protestes sugerindo que eles eram fascistas dos dias de hoje.

Desde então, aprendi o quão rancoroso, hipócrita, pretensioso e arrogante eu era (e também o eram a maioria dos meus camaradas revolucionários). Eu vi lugares onde eu me sentia em casa a serem totalmente transformados num curto espaço de anos. Já imaginei o que seria envelhecer em ruas estreitas onde os meus vizinhos falavam uma língua diferente e onde eu me fosse sentido gradualmente mais solitário, e um estranho com voz trémula num mundo que eu conhecia mas que já não me conhecia.

Já me senti profundamente e desesperadamente arrependido por não ter dito ou feito nada em defesa daqueles cujas vidas foram voltadas do avesso, sem serem questionados, e que foram claramente avisados que, se reclamassem, seriam desprezados como parias. E já passei um bom tempo nas partes da Grã-Bretanha onde a  unintelligentsia revolucionária não vai.

Tais pessoas raramente - se alguma vez - visitam o seu país. Eles orbitam nas partes mais chiques de Londres e nos destinos de férias. Eles conhecem muito bem os Apeninos da Itália mas nada sabem dos Pennines do seu próprio país. Mas ao contrário de mim, a maior parte da geração dos anos 60 ainda mantém os mesmos pontos  de vista que eu tinha e - com a recente e honrada excepção de David Goodhart, o jornalista esquerdista transformado em chefe dum grupo de reflexão e que reconhece que ele estava errado - eles não irão mudar.

A pior parte disto tudo é a profunda hipocrisia. Mesmo nos meus dias de Trotskista eu já havia reparado que muitos dos imigrantes Asiáticos não eram, de facto, nossos aliados. Eles eram profundamente e de inabalavelmente religiosos. Eles eram socialmente conservadores. As suas atitudes em relação às raparigas e às mulheres eram, em muitos casos, quase medievais.

Muitos deles eram horríveis para com os Judeus e de uma forma que nós haveríamos de condenar de forma feroz se outra pessoa tivesse expressado essa opinião, mas que no caso deles nós conseguíamos perdoar e esquecer. Nós vimos recentemente um caso deste tipo no perturbador  embaraçoso episódio das palavras repentinas de lorde Ahmed relativas a uma fantasmagórica conspiração Judaica.

Mas lembro-me de ver, há cerca de 10 anos, numa loja muçulmana que se encontrava nas ruelas de Burnley, uma edição moderna das revoltantes palavras anti-Judaicas de Henry Ford "The International Jew", há muito renegadas pelo próprio Ford. É impensável que uma loja mainstream de qualquer parte da High Street pudesse vender este conteúdo tóxico.

Muitas pessoas recém-chegadas, embora nós como revolucionários as recebêssemos de braços abertos, sabiam ou preocupavam-se pouco ou nada pelas grandes causas liberais [esquerdistas] que todos nós defendíamos. Ou então essas pessoas eram hostis a essas causas. Muitas pessoas da esquerda irão mentir em relação a isto. George Galloway, o MP mais esquerdista do Parlamento, deve o seu lugar nesse mesmo Parlamento aos muçulmanos conservadores. Mas ele votou em favor do "casamento" homossexual. Seria interessante estar presente num reunião onde Galloway discute estas coisas com os seus constituintes.

Obviamente que todos os partidos políticos fazem compromissos mas há uma diferença enorme entre deixar de lado as diferenças e ignorar por completo o profundo choque de princípios. Este tipo de cinismo tem estado no centro de todo o acordo. Os imigrantes foram usados por aqueles que queriam transformar o país; eles tomaram as partes deles que gostam. e usaram-nas. Enquanto isso, ignoraram as partes que não gostavam.

O senhor Galloway gosta da oposição muçulmana à guerra no Iraque e o seu desdém pelo novo Partido Trabalhista (e boa sorte para ele), mas ele não gosta da sua posição em relação à moralidade sexual. O mesmo se aplica a muitos outros.

Uma das características mais marcantes da maioria dos imigrantes provenientes das Caraíbas é a sua forte e desenvergonhada fé Cristã, e o seu amor pela educação disciplinada. No entanto, a chegada de tais pessoas em Londres nunca foi usada como motivo para dizer que a nossa sociedade deveria ser mais Cristã, ou que as escolas deveriam ser melhor organizadas. Por essa altura, os esquerdistas revolucionários tinham a esperança de dizer adeus à Igreja, e estavam ocupados em expulsar a disciplina para fora das escolas. Portanto nunca ninguém disse "Vamos adaptar a nossa sociedade às exigências nos recém-chegados".

Eles tinham o tipo de exigências errado. Em vez disso, as autoridades fizeram um caso do comportamento duma minoria desses imigrantes, muitas vezes actividades atacadas pelos seus companheiros Afro-Caribenhos - homens que tomavam e vendiam drogas ilegais e que não foram preparados para respeitar a lei Britânica. Se o policiamento dessas pessoas poderia ser classificado de "racismo", então todas as leis relativas ao combate às drogas poderiam ser enfraquecidas, e a polícia passaria a estar sob o controle esquerdista.

É por isso que o assim-chamado "Motim de Brixton" em Abril de 1981 foi usado como alavanca para enfraquecer a polícia e minar as leis de combate as drogas, em vez de ser um motivo para restaurar a lei própria e a paz nessas partes de Londres.

Algo muito semelhante aconteceu com o Macpherson Report relativo ao assassinado de Stephen Lawrence. Poucas pessoas repararam que o relatório não só apelou para que as pessoas de outros grupos étnicos fossem policiadas em maneira distinta, como criticou o policiamento que não levava em conta a cor dos criminosos. Isto foi feito no interesse de quem? E não foi esta atitude, que diferentes tipos de comportamento se poderiam esperar por parte de grupos étnicos distintos, um preconceito racial?

Mas o que é que isso interessava, se isso estava de acordo com a agenda revolucionária de purgar a polícia dos tipos antiquados e conservadores? Estas mesmas forças destruíram Ray Honeyford, um director escolar que - muito antes de estar na moda - tentou enfrentar o politicamente correcto que existia dentro das escolas. Ele foi expulso do seu emprego e, obviamente, classificado de "racista".

Mas se os seus avisos tivessem sido ouvidos e aplicados, isso seria muito mais no interesse da integração e da igualdade genuína em Bradford. Da forma como as coisas estão, e qualquer visitante pode ver isso, os cidadãos muçulmanos e os não-muçulmanos de Bradford vivem em separados uns dos outros, raramente entrando em contacto uns com os outros. A maior parte da comunidade islâmica está totalmente fora se sintonia com o resto da sociedade Britânica.

Mais uma vez, os esquerdistas revolucionários haviam feito uma aliança cínica como forma de destruir a oposição conservadora. O seu maior aliado sempre foi o político Tory Enoch Powell que, num discurso estúpido e cínico em 1968, cheio de linguagem alarmista e polvilhado com expressões depreciativas e rumores inflamadores, definiu o debate em torno da imigração pelos 40 anos que se seguiram.

Graças a ele, e à sua incontestável tentativa de mobilizar uma hostilidade racial, os esquerdistas revolucionários viram o seu trabalho facilitado no processo de acusar o adversário de ser um Powellita.

Absurdamente, mesmo quando as fronteiras Britânicas estavam a ser demolidas pelo Governo de Blair e centenas de milhares de Europeus Brancos vieram trabalhar para aqui, ainda era possível acusar quem levantasse oposição de "racista". Não poderia ser mais óbvio que o problema não era a raça. O que fazia estes novos residentes diferentes dos locais era a cultura - língua, costumes, atitudes, e sentido de humor.

Em vez deles se adaptarem ao nosso modo de vida, nós é que nos estávamos a adaptar ao deles. Isto não era integração, mas sim uma revolução. Mas ninguém - especialmente os seus representantes eleitos - os queria ouvir visto que era assumido que eles eram Powellitas intolerantes, motivados por algum tipo de ódio irracional. Hoje acredito que o ódio irracional vem quase por completo da Esquerda liberal.

Obviamente que ainda há pessoas que têm preconceitos raciais estúpidos, mas a maior parte das pessoas preocupadas com a imigração são inocentes de tais sentimentos. A intolerância gritante e ofensiva chega-nos da elite mimada que se sente envergonhada do seu próprio país, desprezam o patriotismo que os outros têm e não têm nenhum neles mesmos.

Eles anseiam por uma horrível Utopia sem fronteiras onde o amor ao próprio país desapareceu, as amas são baratas e os ordenados das outras pessoas são baixos. Que pena que não pareça haver uma forma de expor estas pessoas e removê-las dos seus lugares de poder e influência. Porque se é para haver algum tipo de harmonia nestas ilhas, então ela só pode vir através dum grande esforço que nos une a todos, mais uma vez, num amor partilhado pelo país - o mais bonito e abençoado lote de terra do planeta.

- http://goo.gl/XL2WrH.

* * * * * * *

O discurso de Enoch Powell:





sábado, 14 de fevereiro de 2015

Imigração: O Exército de Reserva do Capitalismo

Por Alain de Benoist

Em 1973, pouco antes da sua morte, o Presidente Francês Georges Pompidou [na foto] admitiu que ele havia aberto as portas da imigração a pedido de um número de grande empresários, tais como Francis Bouygues, porque estava desejoso de aproveitar da mão-de-obra barata e dócil, vazia de consciência de classe e sem qualquer tradição de luta social. 

Este gesto tinha como propósito exercer uma pressão negativa nos salários dos trabalhadores Franceses, reduzindo o seu zelo pelo protesto e, principalmente, acabar com a unidade do movimento trabalhista. "Os grandes empresários", disse ele "querem sempre mais."

Quarenta anos passados, nada mudou. Numa altura em que nenhum partido político se atreve a militar por uma aceleração do ritmo da imigração, só os grandes empregadores parecem estar em favor disso - e isso porque é do seu interesse. A única diferença é que os sectores económicos afectados são actualmente mais alargados, indo para além dos sectores industriais, serviços de hotelaria e de catering - chegando agora às profissionais outrora "protegidas", tais como a profissão de engenheiro e a profissão de cientista computacional.

A França, tal como a conhecemos, e começando no século 19, tentou de modo maciço atrair os imigrantes. Em 1876 a população imigrante já era de 800,000, só para atingir os 1,2 milhões em 1911. A indústria Francesa era o centro de atracção principal para os imigrantes Italianos e Belgas, seguidos dos imigrantes Polacos, Espanhóis e Portugueses.

Tal imigração, de não-qualificados e de não-sindicalizados, permitiu aos empregadores evitar os requerimentos crescentes relativos à lei laboral (François-Laurent Balssa, « Un choix salarial pour les grandes entreprises» Le Spectacle du monde, Octobre, 2010).

No ano de 1924, e segundo iniciativa do Comité do Carvão e dos grandes fazendeiros do Nordeste da França, foi fundada uma "Sociedade Geral da Imigração" (Société générale d’immigration). A mesma abriu agências na Europa, e estas operavam como bombas de sucção.

Por volta de 1931 existiam cerca de 2,7 milhões de estrangeiros na França, isto é, 6.6% da população total. Por essa altura a França tinha o nível de imigração mais elevado da Europa (515 pessoas por cada 100,000 habitantes). “Esta foi a forma conveniente através da qual os grandes empregadores exerceram pressão negativa nos salários. ... A partir daí, o capitalismo entrou na competição pela força laboral, estendendo a mão aos exércitos de reserva de assalariados.”

Depois da Segunda Guerra Mundial, os imigrantes começaram a chegar mais e mais dos países Magrebinos; primeiro da Argélia, e depois de Marrocos. Camiões fretados pelas grandes empresas (especialmente empresas da indústria automóvel e da indústria da construção) vieram às centenas para recrutar imigrantes in loco. Entre 1962 a 1974, quase 2 milhões de imigrantes chegaram a França, dos quais 550,000 foram recrutados pelo Serviço de Imigração Nacional (ONI), agência governamental mas controlada secretamente pelos grandes empresários. Desde então, a onde continuou a crescer. François-Laurent Balssa nota que
quando uma escassez de força laboral ocorre num sector, de entre as duas opções, ou se aumentam os salários ou então tem que se estender a mão para a força laboral estrangeira. Normalmente, a última opção era a preferida por parte do Conselho Nacional de Empregados Franceses [National Council of French Employers (CNPF)] e pela organização que lhe sucedeu, Movimento de Empresas (MEDEF). 
Essa escolha, que testemunha em favor do desejo de benefícios a curto prazo, atrasou o desenvolvimento das ferramentas de produção e da inovação industrial. No entanto, durante esse mesmo período, tal como demonstra o exemplo do Japão, a rejeição da imigração estrangeira e o favorecimento da força laboral doméstica permitiram ao Japão atingir a sua revolução tecnológica, bem para além dos seus concorrentes Ocidentais. 
O Grande Negócio e a Esquerda; Uma Santa Aliança

No princípio, a imigração era um fenómeno ligado às grandes empresas. Ainda continua a ser. Aqueles que sempre clamam por mais imigração são as grandes companhias.  Esta imigração está de acordo com o espírito do capitalismo, que tenciona a eliminação das fronteiras (« laissez faire, laissez passer »). 

“Ao mesmo tempo que obedecem ao esvaziamento social, continua Balssa, um mercado de trabalho “low cost” foi, portanto, criado com os "não-documentados" e os "pouco-qualificados" a funcionarem como "faz-tudo" tampão.Consequentemente, o grande negócio estendeu a mão à extrema-esquerda, o primeiro a tentar acabar com o estado-Providência, qualificado como demasiado oneroso, e a última a tentar matar o estado-nação, considerado demasiado arcaico".

É por este motivo que o Partido Comunista Francês e o Sindicato Francês (que entretanto mudaram muito desde então)  tinham, até 1981, militado contra o princípio liberal das fronteiras abertas (em nome da defesa dos interesses da classe operária). Estas observações são confirmadas pelo positivamente inspirado conservador-liberal Católico Philippe Nemo:
Na Europa existem pessoas que se encontram no comando da economia que sonham em trazer para a Europa mão-de-obra barata. Primeiro, para fazerem o trabalho para o qual não existe muita mão-de-obra local; depois, para exercerem considerável pressão negativa nos salários dos outros operários da Europa.

Estes lobbies, que possuem todos os meios necessários para serem ouvidos quer seja pelo governo ou pela Comissão em Bruxelas, são, de forma geral e ao mesmo tempo, em favor da imigração e do aumento do número de países da União Europeia - o que iria facilitar de modo considerável a migração laboral. Do seu ponto de vista, eles estão correctos - e o ponto de vista deles tem uma lógica puramente económica [...]. O problema, no entanto, é que não se pode pensar só em termos económicos visto que a chegada de populações extra-Europeias irão ter também consequências sociais severas.

Se estes capitalistas prestam pouca atenção a estes problemas, é porque eles desfrutam, de modo considerável, dos benefícios económicos da imigração, sem no entanto sentirem os seus efeitos sociais. Com o dinheiro adquirido pelas suas companhias, cuja rentabilidade é garantida desta maneira, eles podem residir em  bairros bonitos, deixando os seus compatriotas menos afortunados com a missão de lidarem sozinhos com a população estrangeira nas áreas suburbanas. (Philippe Nemo, Le Temps d’y penser, 2010)
Segundo dados oficiais, os imigrantes a viver em casas regulares são cerca de 5 milhões, que era cerca de 8% da população francesa em 2008. Os filhos dos imigrantes, que são descendentes directos de um ou dos dois imigrantes, representam 6,5 milhões de pessoas, que é cerca de 11% da população. Estima-se que o número de imigrantes ilegais se situe entre os 300,000 e os 550,000. (A expulsão anual de imigrantes ilegais custa 232 milhões de Euros todos os anos, isto é, 12,000 por cada caso).

Segundo Jean-Paul Gourevitch, estima-se que o número de pessoas com origem estrangeira que viviam na França em 2009 era de 7.7 milhões (dos quais 3,4 milhões são do Magrebe e 2,4 milhões são da África Sub-Sahariana), isto é, 12,2% da população metropolitana. Em 2006 a população imigrante era responsável por 17% dos nascimentos na França.

Actualmente, a França está a passar por assentamentos de imigrantes, que é uma consequência directa da política de reunificação familiar. No entanto, mais do que qualquer altura no passado, os imigrantes são o exército de reserva do capitalismo. Neste sentido, é espantoso observar a forma como as redes construídas para defender os interesses dos "sem-documentação", controladas pela extrema-esquerda (que parece ter descoberto nos imigrantes o seu "proletariado substituto"), serve os interesses das grandes companhias.

Redes criminosos, traficantes de pessoas e de bens, grandes companhias, activistas dos "direitos humanos", e empregadores secretos - todos eles, por virtude do mercado livre global, tornaram-se apoiantes da abolição das fronteiras. Por exemplo, é um facto bastante revelador que Michael Hardt e Antonio Negri, nos seus livros  Empire e Multitude  defenda a “cidadania mundial” quando apelam para a remoção das fronteiras, que nos países desenvolvidos tem que ter como objectivo primário a acomodação acelerada de trabalhadores do Terceiro Mundo com baixos salários.

O facto da maioria dos imigrantes actuais dever a sua deslocação à terceirização, materializada através da lógica infindável do mercado global, e que o seu deslocamento ser precisamente aquilo em favor do qual o capitalismo milite de modo a ajustar todas as pessoas no mercado, e finalmente, que cada ligação territorial poder ser uma parte das motivações humanas - não parece perturbar estas duas autoridades [Hardt e Negri]. Pelo contrário, eles notam com satisfação que o "próprio capital requer um aumento da mobilidade da força laboral, bem como uma migração contínua através das fronteiras nacionais.”

Do seu ponto de vista, o mercado mundial deve ser uma enquadramento natural para a "cidadania mundial". O mercado "exige um espaço macio de fluxo não-codificado e desterritorializado,” destinado a servir os interesses das "massas", porque  "mobilidade carrega consigo uma etiqueta de preço do capital, que significa um desejo acrescido pela liberdade.”

O problema de tal apologia em favor do deslocamento humano, visto como a primeira condição do "nomadismo libertador", é que ele depende duma visão irrealista da situação específica dos migrantes e das pessoas deslocadas. Tal como Jacques Guigou e Jacques Wajnsztejn escrevem:

Hardt e Negri iludem-se com a capacidade dos fluxos migratórios, alegadamente uma fonte de novas oportunidades para a valorização do capital, bem como base para novas oportunidades para o aprimoramento para as massas. No entanto, as migrações significam nada mais que um processo de competição universal, enquanto que a imigração não tem mais capacidade de emancipação do que ficar em casa. Uma pessoa "nómada" não está mais inclinada à crítica ou à revolta que uma pessoa sedentária.  (L’évanescence de la valeurUne présentation critique du groupe Krisis, 2004).

Enquanto as pessoas continuarem a abandonar as suas famílias, acrescenta Robert Kurz, e continuarem a trabalhar em qualquer outro lugar, até mesmo colocando em risco as suas vidas - apenas e só para serem esmagadas pelo rolo compressor capitalista - elas serão menos que os arautos da emancipação e mais agentes auto-congratuladores do Ocidente pós-moderno. De facto, eles apenas são a sua versão miserável (Robert Kurz, « L’Empire et ses théoriciens », 2003).

Quem quer que critique o capitalismo ao mesmo tempo que aprova a imigração, cuja primeira vítima é a classe operária, o melhor que tem a fazer é calar a boca. Quem quer que critique a imigração mas nada diga do capitalismo, tem que fazer o mesmo.





domingo, 4 de janeiro de 2015

Confissões dum relutante guerreiro cultural

Por Robert Tracinski

Até bem pouco tempo atrás estive a trabalhar nas principais histórias de 2014, o que me deu a possibilidade de olhar para trás, para as coisas que escrevi, e ter uma noção do que foi realmente importante este ano, e também ver se fiz um bom trabalho de resposta a essas histórias importantes.

O que me surpreendeu imenso este ano [2013] foi ver o que tomou um dos lugares principais - lá, bem entre o nojento regresso de políticas raciais e a ascenção do Estado Islâmico (durante o colapso da política externa de Obama). Foram: as "guerras culturais"," as actuais batalhas em torno do aborto, liberdade religiosa, e feminismo radical.

Durante a maior parte da minha carreira como escritor, estive relutante em tomar parte nas "guerras culturais" principalmente porque não me identificava com nenhum dos campos em guerra. Como ateu, não anseio pelo regresso da tradicional moralidade religiosa, mas como um individualista, nunca dei o meu apoio às estranhas cruzadas dos grupos-vítima da Esquerda.

Durante a maior parte do meu tempo, dediquei-me a argumentar em favor dum governo menor, apontando para o fracasso do Estado-Providência, e impedindo que os ambientalistas colocassem um ponto final na civilização industrializada - coisas menores como essas. Ah, sim, e a guerra - não a "guerra cultural", mas a guerra guerra, aquela onde as pessoas de facto estão a tentar matar-te.

Portanto, durante a maior parte, a minha posição em relação ao casamento [sic] homossexual pode ser resumida com algo do tipo, "Será que já podemos discutir outra coisa?" Isto deve-se, parcialmente, à minha visão minimalista do governo, que defende que algumas coisas - na verdade, a maior parte das coisas, e virtualmente todas as coisas que são realmente importantes - devem ser mantidas fora do âmbito da política. Isto claramente inclui a vida sexual das outras pessoas, algo que eu gostaria de saber muito menos do que é normalmente aceite hoje em dia.

Mas durante este ano, descobri que embora eu não estivesse interessado na guerra cultural, a guerra cultural estava interessada em mim. E não só em mim, mas em todos nós. Este foi o ano em que fomos avisados que não teremos permissão para observar as coisas de fora, visto que não teremos permissão para pensar de maneira diferente da forma como pensa a Esquerda.

E como foi que descobri isto? Primeiro, eles vieram buscar os Cristãos, em casos legais que tinham como propósito forçar os crentes conservadores a disponibilizar contraceptivos abortivos e a participar em cerimónias de casamento [sic] homossexual. Eu disponibilizei o argumento do porquê um ateu ter que batalhar até à morte em favor da liberdade religiosa dos Cristãos
A História já mostrou que a única forma de batalhar em favor da liberdade de pensamento é defendê-la cedo, quando ela se encontra ameaçada na vida  dos outros - mesmo em favor de pessoas com quem se discorde, e mesmo em favor de pessoas por quem se nutra um desprezo profundo. Devido a isto, estou disposto a lutar em favor de pessoas que são muito piores, segundo os meus padrões, que o Cristão comum. 
É como o antigo poema do Pastor Niemöller, excepto que desta vez é: "Primeiro, eles vieram buscar os Cristãos." Não olho para a ameaça de coação como algo a ser feito aos retrógrados Cristãos longe de mim. Eu olho para isso como algo que pode igualmente, e facilmente, ser feito a mim. 
E será feito, se levarmos em conta os princípios que foram estabelecidos durante a campanha contra e lei da liberdade religiosa no Arizona, e nas audiências d Tribunal Supremo em torno do caso Hobby Lobby. 
No único comentário que eu fui forçado a fazer no passado, em relação ao casamento [sic] homossexual - há tanto tempo atrás que nem posso disponibilizar um link para o mesmo - expliquei a minha ambivalência citando as minhas preocupações com o facto da Esquerda estar a usar este assunto para assegurar para si o imprimatur do Estado para os relacionamentos homossexuais de forma a que a Esquerda pudesse usar as leis em torno da anti-discriminação como cacete com o qual atacar as fortalezas religiosas.

Foi exactamente isto que aconteceu este ano com o início da inquisição secular que chegou até a exigir que os clérigos Cristãos oficializem casamentos [sic] homossexuais.
Isto pode ser difícil de lembrar agora, mas há não muito tempo atrás, ocorreram propostas tendo em vista a um acordo em torno das "uniões civis" entre pessoas do mesmo sexo que, legalmente, eram equivalentes a um casamento mas sob outro nome. Os activistas homossexuais conscientemente rejeitaram estas uniões como forma de exigir de modo específico o uso do termo "casamento", insistindo que o Estado reconheça e legalmente faça cumprir a igualdade destes casamentos com os antiquados e fora-de-moda casamentos heterossexuais.. 
Basicamente, a teoria por trás casamento [sic] homossexual era a teoria de toda a Esquerda secular: a sociedade e o Estado são as todas-poderosas forças sobre as quais a vida do indivíduo reside, e a tarefa política mais importante - na verdade, a mais importante tarefa da vida - é colocar este poder irresistível do nosso lado. Mas tu obtenhas poder social e político, agarras-te a ele fazendo com que os teus pontos de vista favoritos se tornem obrigatórios, uma espécie de catecismo que todas as pessoas têm que afirmar, ao mesmo tempo que suprimes todos os pontos de vista heréticos. 
Neste caso, como forma de obter a aceitação social do homossexualismo, fazes com que a oficialização de casamentos [sic] homossexuais seja obrigatória ao mesmo tempo que suprimes oficialmente qualquer ponto de vista religioso dissidente.
O problema básico da concepção esquerdista da liberdade é que eles não têm uma concepção da liberdade.
O conceito operacional de liberdade da Esquerda é que tu tens permissão para fazer o dizer o que quiseres, desde que fiques dentro dum determinado intervalo de desvios socialmente aceites. 
O propósito da campanha em favor do casamento [sic] homossexual nada mais é o de alterar os parâmetros desse intervalo, estendendo-o de modo a incluir os homossexuais, os queers, os transgéneros -  e excluir qualquer pessoa que pense que o homossexualismo é pecado ou qualquer pessoa que queira preservar o conceito tradicional de casamento. Estas pessoas são declaradas como pessoas vazias de protecção legal, e, de facto, terão todo o peso da lei sobre si até que eles por fim coloquem de parte os seus pontos de vista socialmente inaceitáveis. 
O ponto aqui não é se existe acordo sobre quais os pontos de vistas que devem ou não ser socialmente aceites. O ponto aqui é que isto não é um conceito de liberdade, mas sim um regime de ideias controladas pelo Estado, amaciadas através duma zona amorfa de tolerância oficial.

É por este motivo que estou interessado na controvérsia. O meu ponto de vista em relação ao casamento [sic] homossexual pode ser resumido desta forma "não me interessa". Eu não sentiria qualquer necessidade de dizer algo em torno disso, não fosse a insistência dos defensores do casamento [sic]
homossexual a declarar que todas as vozes contrárias devem forçadas a se submeter. 
Parece que tínhamos razão em ficarmos preocupados. O ano que passou testemunhou o início duma nova onda de "politicamente correcto", proclamada através dum incidente bizarro que ficou conhecido como “ShirtStorm.” Esta foi a breve controvérsia em torno dum cientista Britânico que foi atacado pela sua "misoginia" devido ao facto de ter supervisionado o pouso duma sonda espacial num cometa - um gigantesco sucesso científico - enquanto usava uma camisa que era ofensiva para as feministas.

Eu extraí algumas importantes lições em torno de caso, incluindo o facto d' "Elas não estarem a perseguir só os rapazes das fraternidades [universitárias]."
Para se ser acusado de misoginia, não é preciso ser um "irmão" bebedor de cerveja, que ocupa as férias de Primavera sendo juiz de concursos de t-shirt molhada. Agora, elas [as feministas] estão a perseguir os geeks, e até os hipsters.
Portanto, primeiro eles vieram atrás dos Cristãos, depois dos geeks, e depois os hipsters . Para além disso, "A nova ortodoxia é total."
Isto é o "politicamente correcto" na sua forma mais pura: "o pessoal é o político". Não existe área alguma da vida onde o comportamento próprio, e até o gosto estético, não pode ser ditado segundo preocupações políticas. É preciso que alguém te diga o que vestir, que músicas escutar, que jogos de vídeo podes jogar (que, segundo sei, é um dos assuntos em torno do GamerGate), o que tens permissão para dizer a uma mulher enquanto ela caminha pelas rus (se é que tens permissão para dizer alguma coisa), e assim por diante.
Incidentalmente, o GamerGate é uma historia que não comentei este ano visto que não sou um "gamer", e já não sou um desde os dias em que fiz download do jogo "Doom" a partir duma disquete de 3 polegadas e meia. Devido a isso, tenho olhado para o assunto como um estranho, tentando entender o que está a acontecer dentro da subcultura dos jogos de vídeo. Segundo aquilo que já consegui recolher, o GamerGate é uma revolta dos consumidores contra jornalistas e revisores de jogos de vídeo que tentam forçar nos leitores a agenda dos "guerreiros da justiça social".

Acho que é melhor eu inteirar-me mais com os pequenos detalhes porque o que se segue é o “MetalGate“ - um tentativa de domesticar a música Heavy Metal sob o jugo politicamente correcto.
E eles estão também a perseguir os nossos filhos, queixando-se dos “brinquedos de género”, o que nos leva até às insanas novas fronteiras do feminismo moderno, incluindo um novo, e puritano, código de conduta sexual imposto na Universidade da Califórnia, que "parece ter sido escrito por monges celibatários", tal como escrevi.
Tudo isto tem a aparência de puritanismo neo-Victoriano, onde o desejo sexual é olhado como algo suspeito e perigoso, mas com um toque feminista moderno: o desejo masculino é suspeito e perigoso.

A Revolução Sexual transformou-se numa estranha imagem reversa do Puritanismo. A contra-cultura reteve todas as premissas básicas - que o sexo é algo sujo, nojento, um acto puramente materialista sem qualquer significado psicológico ou espiritual - excepto que eles eram a favor disso. Devido a isto, eles acabaram com os antigos códigos de cavalheirismo, eliminaram o papel da universidade como um acompanhante in loco parentis, e criaram uma cultura universitária de encontros românticos embriagados com a duração duma noite.
 
Só que eles descobriram agora que esta cultura tem um lado sombrio, especialmente para as mulheres jovens, e consequentemente estão a criar um novo e modernizado sistema de puritanismo.
Durante este ano, não fui só eu que reparei nesta nova tendência. As feministas estão a saudar isto como "o ano em que as mulheres se vingaram", o que nos dá uma ideia do jogo de poder que está a ocorrer aqui.  Se este foi também o ano em que o jornalismo foi totalmente tomado de assalto pela mania de preservar a "narrativa" à custa dos factos - especialmente no amplamente publicitado caso da falsa alegação de violação da Universidade de Virginia - o feminismo frequentemente disponibilizou a narrativa que eles estavam a tentar preservar.

Portanto, este foi o ano em que aprendemos que não podemos evitar a "guerra cultural" porque eles [os Esquerdistas] estão a trazer essa guerra até nós, e que todos os aspectos da nossa vida serão reformulados de modo a que sejamos mais tracejáveis.

Mas este foi também o ano em que me apercebi que existem bons motivos para mergulhar de cabeça na guerra cultural. O próprio motivo que faz com que muitos de nós estejamos relutantes em entrar na batalha - o facto de não nos ajustarmos de forma perfeita em nenhum dos lados - é precisamente o motivo de sermos desesperadamente necessários.
 
Ao disponibilizar as ideias que eu gostaria que a maior parte dos leitores da Direita aprendessem com Ayn Rand, apercebi-me que um dos items mais importantes era "uma terceira alternativa dentro da guerra cultural."
O maior obstáculo para uma leitura justa aos livros de Ayn Rand é o facto dela não cooperar com muitas das categorias-padrão que nos são frequentemente oferecidas.… Provavelmente a categoria mais importante que ela colocou em causa encontra-se capturada na expressão, "Se Deus está Morto, então tudo é permitido." Que significa: se não existe uma base religiosa para a moral, então tudo é subjectivo.

Basicamente, a Esquerda cultural aceita esta alternativa, e junta-se ao subjectivismo (isto, claro, quando eles não estão a tomar medidas excessivas cambaleando de volta rumo ao seu código politicamente correcto neo-Puritano). Então, a Direita religiosa responde afirmando que a única forma de parar com a maré "tudo vale" é um regresso à aquela religião de tempos idos.
 
Isto faz com que muitas pessoas busquem uma terceira alternativa. Como defensor da moralidade secular, foi precisamente isto que Ayn Rand ofereceu.
Foi por isto que me esforcei de modo específico para reclamar a posição cultural elevada da ciência, que tem sido totalmente e imerecidamente reclamada pela Esquerda. Devido a isto, as minhas contribuições para a campanha do The Federalist como forma de expor Neil deGrasse Tyson, o guru oco da cultura geek falsa, que tem o hábito de ser bem liberal com os factos.
Falar ruidosamente em torno da fidelidade aos factos, ao mesmo tempo que usa o mantra jornalístico "falso mas genuíno", envia a mensagem de que os factos não contam para nada. O que realmente conta é o teatro de se ser pró-evidencia e pró-ciência, e olhar de cima para abaixo para os oponentes, qualificando-os de ignorantes e patetas anti-ciência.

Se Tyson parece estar estupefacto com as críticas feitas às suas fabricações, e não as leva a sério, então o que ele nos está a dizer é que ele é um director de circo. Não é suposto nós questionarmos se os eventos que ele menciona são reais, ficcionais, ou embelezados; é suposto nós apenas apreciarmos o espectáculo. É aquele princípio científico com o nome de suspensão da crença.
O propósito aqui é o de reclamar a ciência e o código da racionalidade em prol da liberdade e do individualismo, que é o único credo genuíno dos “geeks.”
Os geeks - os verdadeiros, e não os hipsters - passaram muito da sua vida marginalizados e ignorados. Eles não se sentem bem em parte alguma. Eles gostam de coisas diferentes, pensam e falam de maneira diferente, e olham para o mundo de forma diferente. E precisamente por isso é que eles inventam coisas novas que mais ninguém havia inventado antes deles.

O inventor excêntrico e pensador fora-de-ritmo é um dos arquétipos do individualismo Americano. Somos intrusos, não seguimos s regras normais, e temos como finalidade comportar-mo-nos mal. Devido a isso, porque é que não ficaríamos cépticos dum Estado paternalista?
 
Muitos de nós obviamente que estamos. Devido aos meus interesses, pelo menos metade dos meus amigos com sólidas credencias geek são também Objectivistas. Afinal de contas, Atlas Shrugged é mais um livro que apela aos jovens não-conformistas inteligentes. Mas temos a esperança de que um dia desses o resto dos nossos amigos se apercebam do lugar onde eles pertecem.
É por isso que durante este ano escrevi muito mais sobre a guerra cultural do que esperava (e os excertos de cima são apenas amostras). Tornou-se uma necessidade urgente empurrar para trás o ressurgimento do politicamente correcto totalizador, criar espaço para a liberdade para discordar - e estabelecer as linhas orientadoras do que tem a aparência duma terceira via dentro desta guerra cultural.

Porque depois de 2014, ninguém vai poder ficar à margem.

- http://goo.gl/d4TQZK


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As palavras de Robert Tracinski  podem ser resumidas em algumas frases: não existem posições neutrais numa guerra contra o mal (e a guerra contra o Esquerdismo militante certamente que é uma guerra conta o mal). Em 2015, tal como descobriu Tracinski, quer se seja Cristão, ateu, agnóstico - quer se seja branco, vermelho, castanho, amarelo ou negro - não teremos permissão para ficar, confortavelmente, em cima do muro, fingido estar acima de tudo, porque a Esquerda totalitária não deixará.

Se ser moderado, tolerante, neutral e desinteressado não salvou os Judeus da Alemanha, e se não salvou os camponeses na China, e se também não salvou os agricultores da União Soviética, de maneira nenhuma isso te irá salvar durante o século 21.

Quando os Guerreiros da Justiça Social dizem que "não existe mais lugar" para várias formas de pensamento com o qual eles não concordam, o que eles querem dizer é que  tu, como portador inabalável desse pensamento, não tens lugar no Admirável Mundo Novo que eles estão a criar.

Fica ao critério de cada um determinar a forma através da qual os Esquerdistas tencionam acabar com tais pensamentos contrários à sua ideologia, junto de pessoas que não querem deixar de ter esse tipo de pensamentos. Se não é possível eliminar uma ideologia sem eliminar os portadores da mesma, a escolha do Esquerdista militante é clara. 



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