
Um rápido exercício de associação: o que é que vos vem à mente quando ouvem as palavras "competitividade, agressividade, violência"?
Se por acaso pensaram na palavra "macho" ou "homem", muito
provavelmente vocês não estão sozinhos. Os traços listados em cima são
frequentemente atribuídos à masculinidade. Após análise mais apurada
ficamos imediatamente a observar que a competitividade, agressividade e
a violência masculina é normalmente dirigida a outros homens (nos
campos de batalha, nos campos desportivos, nos locais de trabalho, nos
bares, ou nas estradas).
Há já muito tempo que se notou na existência de competição intra-sexual
entre os machos, e que essa competição é feita para obter a atenção e o
favor reprodutivo das fêmeas. Influenciados por essa forma de pensar (e
também pelo facto de que, até recentemente, a maior parte dos
pesquisadores serem homens), a maior parte das pesquisas em torno da competição
intra-sexual focou-se na luta levada a cabo pelos homens como forma de
obter o acesso sexual às mulheres. Só nos anos 80 é que a ciência
começou a investigar de forma mais apurada o mesmo fenómeno do outro
lado da divisão sexual: a competição feminina por um macho adequado.
Uma vasta gama de estudos recentes demonstrou de forma convincente
que a visão tradicional das mulheres como passivas e não-competitivas
está errada. As mulheres, sabe-se agora, estão envolvidas na sua
própria competição, disputando agressivamente por uma posição na
batalha que lhes permita conquistar um macho adequado.
A competição intra-sexual irá ter como preocupação primária os traços
que são atraentes para o sexo oposto. O psicólogo Americano descobriu
durante os anos 80 que a competição intra-sexual toma duas formas
primárias: auto-promoção e a desvalorização da concorrência. Os homens demonstram e promovem as suas habilidades físicas e o seu status,
traços masculinos favorecidos pela maioria esmagadora das mulheres
(hipergamia), enquanto que as mulheres tendem a promover a sua juventude e a sua atractividade física, traços femininos favorecidos pelos homens (coreogamia - do grego “kore“, para mulher jovem solteira, donzela, sugerindo uma mulher atraente núbil, e, claro, -gamia, que significa fertilização, ou reprodução, do grego gamos, que significa "casamento").
Os homens tentam depreciar os seus rivais atacando a força física e
robustez económica (ou falta delas) dos seus adversários enquanto que
as mulheres tendem a criticar a idade, a aparência e a castidade (ou a
falta dela) das suas oponentes.
Tomando como base o trabalho pioneiro de David Buss, os pesquisadores
canadianos Anthony Cox e Maryanne Fisher descobriram há alguns anos
atrás outras duas tácticas frequentemente usadas na competição
intra-sexual: 1) manipulação dos companheiros/as e 2) manipulação da concorrência.
A manipulação dos companheiros envolve tentar terminar a corrida quando
já estamos na liderança e antes dos nossos concorrentes chegarem ao
nosso nível. Por exemplo, se o companheiro duma mulher lhe visita com
frequência no local de trabalho, e ela frequentemente tem por perto a
presença duma colega de trabalho atraente e solteira, é possível que a
mulher se sinta motivada para pedir ao companheiro que deixe de
visitá-la no seu emprego.
A manipulação da concorrência é o mesmo que afirmar que um dado filme
não vale o preço que se paga para vê-lo. Isto pode ser conseguido
falando mal do filme (por exemplo, quando as mulheres falam mal de um
homem por quem nutrem uma atracção, fazendo com que as outras mulheres
"desistam" dele) ou aumentando o preço do bilhete (como quando um homem
gasta uma soma imensa de dinheiro com uma mulher, desencorajando outros
homens com um status económico aparentemente inferior de tentarem a sua sorte com essa mulher).
Segundo Joyce Benenson, pesquisadora do "Emmanuel College" em
Boston, a competição entre as mulheres têm três características únicas:
1. Uma vez que elas têm que proteger os
seus corpos do dano físico (como forma de não interferir com a gravidez
actual ou futura), as mulheres dependem mais de agressividade oculta dirigida às outras mulheres (por trás de ginástica verbal ou escondida dentro dum grupo) e não através do confronto físico.
2. As mulheres muito atraentes e com status elevado precisam de menos ajuda e de menos
protecção por parte das outras mulheres, e desde logo, estão menos
motivadas em investir noutras mulheres (que representam competição em
potência). Consequentemente, a mulher que se tenta distinguir ou
promover, ameaça as demais mulheres e irá, devido a isso, encontrar
hostilidade por parte delas.
Segundo Benenson, uma forma comum através da qual as mulheres lidam com
a ameaça representada por uma mulher extremamente poderosa ou bonita é
insistindo em padrões de igualdade, uniformidade, e partilha para todas
as mulheres do grupo, e fazendo os possíveis para que estes atributos
se tornem requerimentos normativos para a própria definição de
feminidade. Isto faz com que as características únicas da mulher
bonita/jovem/casta se diluam dentro de grupo, e outros requerimentos
arbitrários sejam colocados no seu lugar - requerimentos esses que as
demais mulheres podem também "possuir", elevando artificialmente o seu status aos seus próprios olhos (mas não aos olhos dos homens).
3. Em casos extremos, as mulheres podem-se proteger de potenciais competidoras através da exclusão social.
Se uma mulher bonita aparece na vizinhança (ou na escola, ou no clube),
todas as outras mulheres podem-lhe virar as costas, levando a que ela
(a mulher bonita) se retire da cena, e desde logo aumentando as chances
das demais mulheres de captar a atenção dos homens.
Mais Estudos
Um certo número de estudos reforçaram ainda mais a ideia da "competição
feminina". Por exemplo, Jon Maner e James McNulty (Florida State)
descobriram que os níveis de testosterona das mulheres aumentaram
quando elas, sem saberem, cheiraram camisas de mulheres jovens
em ovolução (supostamente em preparação para competição agressiva).
Os
pesquisadores Canadianos Aanchal Sharma e Tracy Vaillancourt
revelaram a forma como as mulheres julgam e condenam as outras mulheres
com base na aparência organizando um estudo de modo a que as
participantes interagissem com uma jovem mulher que fazia o papel de
assistente de pesquisas. Algumas das participantes viram a assistente
vestida com roupas bastante reveladoras enquanto outras participantes
viram-na vestida com jeans e uma t-shirt. Os pesquisadores analisaram
então as respostas dadas à assistente durante o encontro e depois dela
ter abandonado o local.
Resultado:
A assistente foi unanimemente criticada quando usou as roupas mais
reveladoras, e largamente ignorada quando usou roupas menos
reveladoras. Estes resultados confirmam um dado importante da
competição intra-sexual feminina: as mulheres mais atraentes (isto é,
aquelas que têm mais daquilo que os homens mais apreciam - juventude,
castidade, beleza) são mais susceptíveis de enfrentar hostilidade e
pouca cooperação por parte das outras mulheres porque a sua presença
ameaça o acesso das demais mulheres ao prémio sexual (os homens).
Um palco central para a competição entre as mulheres é o próprio comportamento sexual.
Estudos sociais
demonstraram que as mulheres tendem a criticar e a rejeitar as mulheres
cujo comportamento é visto como sexualmente promíscuo. Há pouco tempo
atrás a pesquisadora
Zhana Vrangalova e as suas colegas da
"Cornell University"
inquiriram 750 estudantes universitárias acerca do seu comportamento e
das suas atitudes em torno do sexo. Depois disso, as participantes
leram uma pequena descrição duma hipotética pessoa (do seu próprio
sexo) que havia tido 2 parceiros sexuais (não-permissiva) e de outra hipotética mulher
que havia tido 20 parceiros sexuais (permissiva). Posteriormente, as
participantes avaliaram esta potencial amiga segundo vários items
relativos à amizade.
Os resultados mostraram que as mulheres envolvidas na pesquisa,
independentemente da sua própria experiência sexual,
tinham uma preferência sobrepujante pela hipotética mulher com apenas 2
parceiros sexuais. Segundo os pesquisadores, isto prende-se com o facto
das mulheres quererem manter os seus parceiros (o que é mais complicado
se ele tem interacção constante com amigas promiscuas), e não querem
obter algum tipo de estigma social: se uma mulher tem o hábito de
conviver com uma mulher que se sabe ser promiscua, existe o perigo real
desse rótulo se agarrar a ela também, e ela ver o seu valor marital
reduzido (quando se fala em casamento, os homens têm uma preferência
natural por mulheres com nenhuma ou pouca experiência sexual).
Este estudo, bem como outros, alinham-se com a observação de que as
mulheres são as principais executoras de normas estritas e por vezes
cruéis em torno da aparência e do comportamento sexual feminino. Por
exemplo, o bárbaro ritual da mutilação genital feminina (que ainda é
practicado em alguns países islâmicos) está construído para fazer da
menina um "bom material matrimonial" para os homens. Tendo em vista esse
fim, a clitoridectomia reduz a sua habilidade de desfrutar do sexo, e
consequentemente reduz a probabilidade dela enganar o marido. Coser a
abertura vaginal, que é frequentemente feito depois do corte vaginal,
reduz a possibilidade dela vir a ter sexo antes do casamento, e, mais
uma vez, beneficia os interesses do futuro marido. Mesmo assim, esta
cerimónia é gerida, executada e forçada pelas mulheres (normalmente as
mães ou as avós).
Outro exemplo: amarrar os pés das meninas foi um costume na China por
mais de mil anos até que foi ilegalizado no princípio do século 20.
Este costume antigo (que envolvia partir os dedos da bebé, dobrá-los e
amarrá-los ao pé durante anos) era valorizado porque as mulheres com
pés pequenos eram sexualmente mais desejadas e porque os pés pequenos
da esposa eram evidência da riqueza do marido
("Sou tão rico que a minha mulher não precisa de trabalhar. Na verdade, ela nem pode trabalhar"). Também neste caso, as principais executoras deste costume eram as mães e as avós.
A explicação para este fenómeno depende da presunção de que ter sexo
com uma mulher (e desde logo ter acesso ao seu útero) é um recurso
biológico desejável e raro para os homens. Para as mulheres em idade de
conceber, reduzir a "oferta" de mulheres em idade de conceber aumenta o
poder feminino na economia das relações. Logo, para as mulheres é
benéfico colocar em práctica o conservadorismo sexual mesmo que isso
signifique ostracizar e manipular as mulheres vistas como promiscuas.
Pela mesma lógica, as mães e as avós têm um forte incentivo para
garantir que as suas filhas (que carregam os seus genes) se tornem
atraentes para os homens, mesmo que isso signifique causar sofrimento
inicial e mutilação.
Feminismo
A psicologia feminista, no entanto. alega que a competição entre as mulheres é primariamente motivado
não
pelos imperativos biológicos mas sim pelos mecanismos sociais. Segundo
este argumento, a agressiva competição entre as mulheres prende-se
principalmente com o facto das mulheres, nascidas e criadas numa
sociedade dominada pelos homens, internalizaram a perspectiva masculina
(o "olhar masculino") e adoptarem-na como a sua. A visão masculina das
mulheres como objectos sexuais torna-se assim numa profecia que se
cumpre a ela mesma. Quanto mais as mulheres são levadas a considerar a
validação masculina como a única fonte de força, valor, conquista e
identidade, mais elas são levadas a batalhar umas com as outras pelo
prémio.
Olhando para as coisas segundo esta perspectiva, a interpretação
feminista disto tudo alega que muitas mulheres encontram-se rodeadas
pelo que Karl Marx chamou de "falsa consciência." Segundo Marx, o
operário da fábrica que foi convencido de que o seu inimigo é outro
operário buscando por um emprego, tem uma falsa consciência porque não
entende que o seu verdadeiro inimigo é o dono da fábrica que coloca os
operários uns contra os outros como forma de subjugar ambos e
enriquecer através do seu trabalho. Segundo este argumento, muitas
mulheres recusam-se a ver que a verdadeira ameaça às suas conquistas,
ao seu poder, ao seu valor e à sua identidade não são as outras
mulheres, mas o
establishment masculino que controla as suas vidas.
De qualquer das formas, a competição feminina tem um preço e não só ao nível político. Esta competição produz muito do
stress
que interfere com a felicidade de muitas mulheres, especialmente das
mais jovens. Alguns estudos demonstram que, comparadas com os homens,
as mulheres tendem a ser mais sensíveis à informação emocional e elas
são melhores a descodificar mensagens sociais e interpessoais
habilmente codificadas. Para além disso, o sentido feminino do valor
próprio baseia-se mais na opinião que ela julga que as amigas têm dela.
Esta combinação de percepção - e sensibilidade - apurada em relação às
pistas sociais deixa as mulheres mais vulneráveis à agressão
interpessoal.

Por exemplo, o pesquisador Christopher Ferguson (Stetson Universit,
Flórida) e os seus colegas, perguntaram às participantes para assistir
dois programas de televisão (um com uma mulher esbelta e outro com uma
mulher gorda) e interagir com uma mulher (com roupa atraente ou
casual). Eles apuraram que o estado de espírito e a imagem própria das
participantes não era afectado pelos programas de TV mas afectado de um
modo significativo pelos encontros reais. Interagir com mulheres
atraentes vestidas com roupas vistosas levou as participantes a
sentirem-se deprimidas e negativas em relação ao seu próprio corpo,
especialmente se esses encontros se realizaram na presença de homens
atraentes.
A tendência para se envolver em competição intra-sexual parece fazer
parte do nosso
hardware genético e é um traço da nossa herança
cultural. Não é fácil mudar os nossos genes e os nossos hábitos
sociais, e certamente que isso não acontecerá da noite para o dia. Mas
o primeiro passo para a alteração dos hábitos é a realização dos
mesmos. Tendo isso em fim, os homens têm que se questionar se "conquistar a
rapariga" vale o sangue derramado e os narizes partidos, enquanto que
as raparigas podem reflectir se o objectivo de obter o homem (e o seu
esperma e os seus recursos) justificam as tácticas competitivas de
manipular, envergonhar ou ostracizar as outras mulheres, bem como a dor
que isso lhes causa.
Modificado a partir do original
* * * * * * *
Uma parte relevante do artigo tem uma ligação directa com o movimento feminista:
Segundo Benenson, uma forma comum através da qual as mulheres lidam com
a ameaça representada por uma mulher extremamente poderosa ou bonita é
insistindo em padrões de igualdade, uniformidade, e partilha para todas
as mulheres do grupo, e fazendo os possíveis para que estes atributos
se tornem requerimentos normativos para a própria definição de
feminidade
Portanto, o ódio das feministas ao
slut-shamming, ao
fat-shamming, e aos ataques feitos às mães solteiras promiscuas (bem como os seus ataques à recusa
masculina de colocar as mulheres menos atraentes ao mesmo nível que as
mais bonitas) nada mais são que estratégias de competição intra-sexual
entre as mulheres;
é a luta das mulheres com menor poder de atracção
contra as mulheres com maior poder de atracção
(Na foto ao lado vê-se como isso é feito: existem mulheres com seios bonitos e outras com seios menos atraentes; as feministas removem essa natural distinção, e dizem que TODOS os seios são bonitos. Isso faz com que as mulheres com seios genuinamente bonitos vejam a sua vantagem reduzida, e as mulheres com seios menos atraentes sejam colocadas (artificialmente) ao mesmo nivel que as primeiras.)
Tendo como base este conhecimento, qualquer pessoa pode facilmente
reformular qualquer argumento esquerdista em torno duma "guerra às
mulheres" como, na realidade,
uma guerra das mulheres derrotadas contra
as mulheres bem sucedidas. É a guerra das promiscuas e menos atraentes
contra as castas e bonitas.
A beleza desta reformulação do argumento é: que mulher é que gostaria
de fazer parte do grupo das derrotadas (promiscuas e menos atraentes) e
não do grupo das vencedoras (bonitas e castas)? Que mulher quer
pertencer ao grupo inferior e não ao grupo no topo?
Isto leva-nos também a inferir que as mulheres com um valor marital baixo (menos bonitas, promiscuas, etc) enveredam pelo feminismo como um
mecanismo social que visa, ao mesmo tempo, reduzir a competição feita
pelas mulheres com um valor marital mais elevado, e aumentar as
suas escolhas sexuais e o seu acesso aos recursos masculinos.
Elevar o
status das mulheres vistas como maritalmente inferiores, ao mesmo tempo que se ataca as mulheres com um valor marital elevado,
é um dos grandes objectivos do feminismo.
É por isso que para a feminista comum a promoção da castidade sexual é
um perigo para ela - não porque ela (a feminista) veja algo de fundamentalmente errado
nisso, mas sim porque ela está bem ciente que se os homens valorizarem
as mulheres castas, a esmagadora maioria das mulheres em idade para
casar verá o seu valor marital reduzido de forma colossal.
Como forma de evitar essa desvalorização, as feministas defendem que
ser casta é "anormal", e que o "bom" é ser-se promiscua. Desta forma,
um elevado número de mulheres vê o seu valor marital artificialmente
elevado, e as mulheres castas observam como um dos seus pontos mais
fortes é desvalorizado (o que faz com que muitas mulheres enveredem
pela promiscuidade, reduzindo assim o seu valor marital -
tal como as feministas querem).
O feminismo não se centra, portanto, numa guerra contra as mulheres, e nem tem em vista proteger a mulher do "patriarcado maligno"; para além de tudo o resto, o feminismo é (também) uma guerra ENTRE as mulheres. Todas as queixas em torno da "igualdade",
todos os juízos morais, todo o combate ao slut-shamming
e todo o combate ao patriarcado nada mais são que palavras vazias que as derrotadas da
vida emitem como forma de poderem ter algum tipo de chance na sua luta
contra as mulheres mais bonitas e mais desejáveis.