Por Elliot Kaufman
Os críticos mais superficiais da
religião organizada fizeram o erro de criticar o Islão ao mesmo tempo
que criticavam o Cristianismo, e os Esquerdistas crucificaram-nos por
isso.
Na Sexta-Feira, as coisas ficaram oficiais: os Neo-Ateus já não são bem
vindos dentro do esquerdismo. Duramente tratados, condenados, e
desconvidados, estes ímpios e outrora-favorecidos "intelectuais
públicos" encontram-se agora sem-abrigo, e rejeitados pelos seus
antigos aliados progressistas.
Richard Dawkins,
o famosamente incrédulo biólogo evolutivo, foi o último a ser
abandonado. Segundo um dos organizadores do evento, o mesmo foi
desconvidado duma palestra em Berkeley devido aos seus
"comentários em relação ao islão" que haviam
"ofendido e magoado.....tantas pessoas".
Dawkins está bem acompanhado.
Christopher Hitchens e
Sam Harris,
seus compatriotas Neo-Ateus, já haviam sido expulsos do partido. Em
ambos os casos, deferência insuficiente em relação ao islão foi causa
aproximada. Hitchens não deixou de ser um socialista comprometido, mas
sentiu que era necessária uma guerra contra o terror e contra a
autocracia islâmica. Devido a isto, foi denunciado como um "neocon".
Harris é um liberal - puro e verdadeiro - mas causou a ira de Reza
Aslan por se recusar a excluir o islão da sua crítica generalizada à
religião.
"O islão não é uma religião pacífica"
diz Harris com relativa frequência. De facto, ele acredita que é
exactamente o contrário. Devido a isso, todos - desde Glen Greenwald a
Ben Affleck - qualificaram-no de "islamofóbico" e intolerante.
O quarto é
Daniel Dennett, que
também crítica o islão. O único do grupo que realmente é um filósofo,
Dennett é demasiado aborrecido e tedioso para ser reparado, e muito
menos para ser denunciado por alguém. No seu lugar pode-se adicionar o
nome de
Bill Maher, um
popularizador do Neo-Ateísmo, que também foi banido de Berkeley por
criticar o islão. Um a um estes homens foram excomungados da Esquerda.
O que foi que aconteceu? Porque é que a Esquerda se deleitou enquanto
estes homens ignorantemente faziam pouco dos Cristãos, mas denunciou-os
quando eles começaram a tratar o islão da mesma forma? O viés de
confirmação merece, pelo menos parcialmente, parte da culpa. Há já
muito tempo que os Neo-Ateus nutrem um medo irracional dos Cristãos,
mas a Esquerda não está preocupada com a Cristofobia. No entanto,
combater a islamofobia é uma prioridade dos progressistas, e é notado e
lidado quando surge.
No entanto, o argumento de que a obsessão liberal com a islamofobia
emana da saudável preocupação com o estatuto das minorias não explica
tudo. Tal como o intelectual socialista Michael Walzer escreve no
Dissent,
“Deparo-me
com frequência com esquerdistas que estão mais preocupados em evitar
acusações de islamofobia do que condenar o fanatismo islâmico."
Afinal de contas, não é por acaso que os Democratas se recusam veemente
a dizer as palavras "terrorismo islâmico", preferindo usar termos
gerais tais como "extremismo". Mas estas mesmas pessoas que insistem
que homens mal intencionados perverteram o islão, são as primeiras a
falsamente citar Timothy McVeigh como exemplo de "terrorista Cristão".
Estas pessoas apresentam o Cristianismo como reflexo das acções dos
seus mal-feitores (e até daqueles que negam essa fé), mas as acções dos
crentes islâmicos ortodoxos não são de maneira nenhuma o reflexo dos
princípios da pacífica fé islâmica.
Navegando mais para a esquerda, a defesa do islão torna-se numa defesa do radicalismo e da intolerância do islão.
Slavoj Žižek vê no islamismo
"a ira das vítimas da globalização capitalista". Judith Butler insiste que
"entender
o Hamas e o Hezbollah como movimentos sociais que são progressistas,
que são de esquerda, que fazem parte da esquerda global, é extremamente
importante."
Estas vozes não podem ser repudiadas como aberrantes. Estas são, na
realidade, vozes de intelectuais esquerdistas proeminentes, ferozmente
seculares, e que encontram causas comuns com o Hamas - grupo que
empurra homossexuais do topo de prédios e esfaqueia crianças enquanto
elas dormem - e com o Hezbollah, o "Partido de Alá."
De facto, eles juntam-se a uma longa linha de apologistas esquerdistas
que defendem regimes assassinos e anti-Ocidente. O renomeado
historiador
Eric Hobsbawm recusou-se a abandonar a União Soviética mesmo depois dos seus tanques terem marchado sobre Praga. Os professores
Noam Chomsky e
Edward Herman passaram anos a rejeitar e a minimizar as notícias do genocídio no Cambodja, qualificando essas notícias de
"propaganda do Ocidente".
Michel Foucault, filósofo pós-modernista, defendeu a indefensável crueldade da Revolução Iraniana alegando que o Irão não
"tem o mesmo regime de verdade como o nosso."
Claramente, o problema da Esquerda é maior que o islão. Qualquer líder
que pode ser visto como inimigo da dominação capitalista do Ocidente
irá encontrar algum tipo de louvor, ou pelo menos racionalização, por
parte dos progressistas. Tal como escreveu Alan Johnson, o teórico
político social-democrata:
A
esquerda está numa posição vulnerável....porque ela obtém as suas
directrizes a partir daquilo que é contra e não a partir daquilo que é
a favor. Numa conversa com o dissidente anti-Estalinista Polaco, Adam Michnik, em 1993, o filósofo liberal Jurgen Habermas admitiu que "evitava qualquer tipo de confronto com o Estalinismo." Porquê, perguntou Michnik? Ele não queria "aplausos do lado errado" respondeu Habermas.
Temos que ler isto duas vezes, pensar nas enormidades do Estalinismo, e
apercebermo-nos do quão chocante isto é. Mas Habermas nada mais estava
a fazer do que a expressar uma parte do senso comum da esquerda liberal.
Resumidamente, os Neo-Ateus conquistaram os aplausos do lado errado: da
Direita cruzadista anti-islâmica. Christopher Hitchens, escritor
bastante divertido que poderia atacar o Saddam Hussein como ninguém,
era o radical favorita de todos os direitistas.
Sam Harris começou a ter pontos comuns com pessoas tais como Douglas
Murray e Ayaan Hirsi Ali. A defesa que Rich Lowry fez aos ataques que
Sam Harris recebeu por parte de Ben Affleck apareceram no New York
Post. Actualmente, Bill Maher encanta a Direita tal como a enerva. E a
Esquerda, sentido o odor da traição nas suas fileiras, não pode pura e
simplesmente tolerar este tipo de transgressão.
Mas mais atenção é necessária para a natureza específica do padrão
duplo da Esquerda no que toca ao islão. Porque é que ardentes
secularistas do mundo islâmico tais como Ayaan Hirsi Ali - o tipo de
pessoa que a Esquerda toma como inspiração na história do secularismo
Ocidental - são vistos como intolerantes, ao mesmo tempo que teóricos
da conspiração e defensores da sharia tais como Linda Sarsour são
estimados? Porque é que criticar o islão causou a que os Neo-Ateus
tenham atravessado a linha vermelha na imaginação progressista?
Estas posições não fazem qualquer tipo de sentido se olharmos para a
Esquerda como genuinamente secular, convencida da necessidade de
terminar com a era da superstição. Mas os liberais Americanos não
professam o apaixonado cepticismo de Hume, nem o ateísmo urgente e honesto
de Nietzsche. Eles preferem abraçar o superficial ateísmo da guerra
cultural.
Este ateísmo-da-guerra-cultural disponibiliza "evidências", de forma
rápida e facilitada, para vincar a ideia de que a América se encontra
dividida em dois campos: o lado do liberal inteligente, sofisticado,
urbano e justo, e o lado do intolerante, idiótico, crédulo, retrógrado
conservador. Os primeiros são ateus mas os segundos são crentes,
elogiando os primeiros, e criticando os segundos.
Na verdade, foi este tipo de pensamento que fez com que os
progressistas inicialmente se apaixonassem pelos Neo-Ateus. O
Neo-Ateísmo agradou à Esquerda enquanto ele se limitou a criticar
"Deus", que estava associado às crenças do Presidente George W. Bush e
os seus apoiantes. Foi, devido a isso, divertido, e não ofensivo,
quando Bill Maher qualificou a "religião" de ridícula porque se assumiu
que ele estava a falar do Cristianismo. Christopher Hitchens poderia
qualificar Deus de "Ditador" e o Céu de "Coreia do Norte celestial" e a
Esquerda rir-se-ia.
Os estudantes de Berkeley nunca pensariam em desconvidar Richard Dawkins enquanto ele dizia que
"Bush e bin Laden estão do mesmo lado da fé e da violência contra o lado da razão e da discussão."
Verdade seja dita, o Neo-Ateísmo sempre foi fundamentalmente pouco
sério. Ele nem sequer tenta lidar com os argumentos teístas para a
existência de Deus. De facto, o filósofo A.C. Grayling insiste que os
ateus nem se deveriam preocupar com a teologia visto que eles "rejeitam
as premissas". Parece que os nossos novos "racionalistas" nem sequer
avaliam os argumentos que não se conformam com os seus preconceitos.
Ao atacar o espantalho fundamentalista com um igualmente
fundamentalista materialismo, o Neo-Ateísmo é um gigantesco erro de
categoria. Vez após vez, os seus progenitores exigem evidências
materiais para a existência de Deus, como se Ele fosse um outro tipo de
coisa - uma chávena, ou, se calhar, um poderoso computador.
Esta confusão leva a que os Neo-Ateus favoreçam o claramente simplista
argumento da regressão-infinita: se Deus criou tudo, então quem criou
Deus? Mas, tal como o teólogo David Bentley Hart responde: [Deus não é]
um "ser supremo", não é mais uma coisa juntamente ou lado a lado com o
universo, mas o Acto Infinito de Existência, a Fonte Eterna e
Transcendente de toda a existência e sabedoria, dentro do Qual todos os
seres finitos participam.
Só o falhanço completo em entender os termos filosóficos básicos duma
conversa pode causar esta estranha inversão de lógica, onde o argumento
da regressão infinita - tradicionalmente e correctamente considerado o
mais poderoso argumento
contra o materialismo puro - pode ser, agora, tratado como argumento irrefutável contra a crença em Deus.
O restante dos argumentos dos Neo-Ateus podem ser lidados ainda mais
rapidamente. Dawkins olha para Deus como um Ser Super Complexo sujeito
à evolução natural, e depois qualifica-O de estatisticamente
improvável. Ele pode estar certo, mas porque é que ele pensa que,
através desta lógica, ele criticou algo parecido com a "religião"?
Dennett, que se foca essencialmente em mostrar como a religião é um
fenómeno natural, parece confudir a validação duma alegação religiosa
com a sua refutação. Hitchens não oferece qualquer tipo de argumento
real, mas bastantes erros históricos. De forma geral, ele contenta-se a
listar as más acções dos crentes, ignorar as boas acções dos mesmos, e
fingir que, de alguma forma, refutou o Cristianismo.
Harris, e para citar mais uma vez David Bentley Hart,
"declara
que todos os dogmas são perniciosos, excepto a sua aderência dogmática
ao misticismo contemplativo não-dualista, do tipo que ele erradamente
imagina ter descoberto numa escola de Budismo Tibetano, e um que
(naturalmente) ele qualifica de puramente racional e científico."
Nada desta idiotice Neo-Ateísta perturbou a Esquerda desde que
elogiasse as tribos certas, e atacasse as erradas. Foi só quando os
Neo-Ateus estenderam a sua crítica da religião ao islão que os
progressistas se voltaram contra eles. Os muçulmanos, embora fossem
largamente de direita antes da "Guerra ao Terror", haviam-se tornado
num "grupo marginalizado." Vistos como vítimas do colonialismo
Ocidental, da agressão por parte dos neo-conservadores, e da
discriminação diária, eles tornaram-se parte da coligação dos
oprimidos. o que significa que se tornaram virtuosos.
Consequentemente, o islão tornou-se numa fé e numa tradição a merecer
respeito, não como o "vírus mental" do Cristianismo, ocupado a infectar
os néscios. Como tal, ataques aos muçulmanos ou à sua fé, não só
passaram a ter a aparência de "esmurrar o inocente que está abaixo de
ti", como passaram a ser vistos como ataques à Esquerda em si.
Os Neo-Ateus, que nada mais estavam a ser que consistentes e a focarem
a sua atenção no mais sério exemplo de intolerância religiosa,
colocaram de parte a sua sofisticação, e, aos olhos da Esquerda,
juntarem-se às fileiras da Direita intolerante e reaccionária. Só há um
pequeno problema: nós também não os queremos entre nós.
Fonte: http://bit.ly/2sEUBmq
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A Esquerda rejeita o Neo-Ateísmo porque a Esquerda nunca foi secular e
nem ateísta. Ela sempre foi anti-Cristã e anti-Ocidente. A Esquerda
defende o islão porque, por enquanto, esta fé serve de arma mais eficaz
no ataque ao Cristianismo do que o ateísmo ou o humanismo secular
(sobre os quais a Esquerda dependeu num passado recente).
O cerne do esquerdismo é o Neo-Babelismo, que é inerentemente
globalista e satânico na sua essência. Todas as suas variadas
ideologias - desde o comunismo, ao feminismo, passando pelo
neo-liberalismo,
e pelo progressivismo - nada mais que são que fachadas que o
esquerdismo usa na sua guerra sem fim contra Deus.
Mas ao contrário dos
Neo-Ateus, os Neo-Babelistas não estão a levar uma guerra contra a ideia de Deus, e muito menos a questionar a Sua existência. Eles estão, de facto, e efectivamente, a travar uma guerra contra o Todo Poderoso, e contra o Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo.
Só há uma resposta à pergunta recorrente que a Direita faz em relação à
Esquerda: eles são estúpidos ou são malignos? A resposta é, obviamente,
"sim". Todas as ideologias da Esquerda - desde o Marxismo ao marxismo
cultural Gramscianiano ao feminismo ao ateismo ao multicuturalismo ao
globalismo neo-liberal - mais não são que racionalizações diversas e
incoerentes que os esquerdistas usam como forma de condenar e atacar o
Cristianismo segundo o ângulo que mais lhe apela num dado momento.
E o Neo-Babelismo (que pode ser igualmente identificado como o
anti-Cristianismo) é muito mais que um grupo de ideologias úteis; ele
é, no verdadeiro sentido do termo, uma religião. Os Neo-Ateus que
inocentemente se uniram aos esquerdistas para atacar o Cristianismo (na
sua "guerra contra a religião") sempre estiveram ao serviço duma
religião sem se darem conta disso.
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