quarta-feira, 10 de agosto de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Grupos seculares inventaram o terrorismo que nos atormenta
No momento em que o terrorismo islâmico torna-se uma ameaça crescente, é fácil esquecer que ao longo do século 20 o terror foi usado, em vasta escala, por regimes seculares. Os ataques suicidas de hoje são automaticamente associados a uma crença no martírio, seguido pelo paraíso no além.
Mas, atentados suicidas do tipo que estamos enfrentando agora remetem-nos a uma técnica de coerção e entimidamento que foi desenvolvida por pessoas sem nenhuma crença do gênero. Embora afirmem rejeitar todas as coisas modernas e ocidentais, os terroristas islâmicos dão continuidade à tradição ocidental moderna de usar a violência sistemática para transformar a sociedade. As raízes do terrorismo contemporâneo estão muito mais na ideologia ocidental radical - especialmente no leninismo, como explico a seguir - do que na religião.
Lenin via-se como parte de uma tradição revolucionária européia que começou com os jacobinos franceses, cujo uso do terror ele próprio só criticou por acreditar que não havia sido suficientemente impiedoso.
Para Lenin, como também para Robespierre, o terror era não só um meio de defender a revolução contra inimigos, mas também uma ferramenta fundamental de engenharia social. Juntamente com Trotsky, Lenin criou campos de concentração, instituiu um sistema de reféns para assegurar a obediência de grupos suspeitos e executou cerca de 200 mil pessoas entre 1917 e 1923. (Por comparação, durante o final do período czarista, de 1866 a 1917, houve cerca de 14 mil execuções.)
Embora uma parte do custo humano do início do período soviético possa ser atribuído às condições de um tempo de guerra, os líderes bolcheviques julgavam que o terror de Estado era indispensável para se alcançar uma sociedade comunista em que o Estado - juntamente com a guerra, pobreza e religião - não existiria mais. Foram Lenin e Trotsky, e não Stalin, os pioneiros do terror de Estado na Rússia, e eles o exerceram para realizar uma visão utópica.
Ao usar o terror para tentar alcançar objectivos utópicos, os líderes bolcheviques fizeram parte de uma longa tradição que continua até hoje. Na Rússia do final do século 19, havia os niilistas - intelectuais revolucionários para quem os atos espectaculares de terror individual podiam abalar a ordem existente em suas fundações e ajudar a inaugurar um novo mundo.
Uma figura seminal foi Sergei Netchaiev, autor de Catecismo de um Revolucionário (1869), no qual defendia a chantagem e o assassinato como estratégias políticas legítimas, e que matou um de seus camaradas por deixar de cumprir ordens. Costumamos pensar em um niilista como alguém que despreza todos os ideais humanos, mas Netchaiev e seus pares acreditavam apaixonadamente em ciência, progresso social e bondade humana.
Em termos de estratégia revolucionária, eles diferiam de Lenin, que condenava como ineficazes os atos de terror individuais; era o terror de Estado altamente organizado que ele privilegiava. Mas Lenin e os niilistas estavam juntos em sua fé de que o terror era necessário para avançar os ideais iluministas de progresso humano.
Seria de se pensar que com a ascensão do islamismo, o terrorismo secular morreu. Isso está longe da verdade. O atentado suicida pode ser a técnica islâmica do momento, contudo foram os Tigres de Tamil - um grupo marxista-leninista que recruta principalmente na população hindu de Sri Lanka, mas que, como outros grupos do mesmo gênero, é militantemente hostil a toda forma de religião - que o idealizaram.
Foram os Tigres de Tamil que desenvolveram o cinturão explosivo usado por terroristas suicidas do Hamas e da Jihad Islâmica, uma versão do qual o jornalista Alan Johnston, então seqüestrado, vestia quando foi mostrado num vídeo recente; e até a guerra do Iraque, os Tigres haviam cometido mais desses ataques do que qualquer outra organização do mundo. A primeira onda de ataques suicidas no Líbano nos anos 1980 também foi obra, em grande parte, de grupos seculares.
De 41 ataques entre 1982 e 1986, incluindo o ataque em 1983 que matou mais de uma centena de marines americanos e resultou na brusca retirada das forças americanas pelo presidente Reagan, 27 foram realizados por membros de grupos esquerdistas como o partido comunista libanês e a União Socialista Árabe. Somente oito eram islâmicos - e três eram cristãos (incluindo uma professora de colégio).
O terrorismo secular teve uma influência formativa na ameaça que enfrentamos hoje. Pensadores islâmicos retiraram de Lenin uma fé moderna que não é encontrada nem no Islã tradicional, nem no cristianismo - a ideia de que mediante o uso sistemático da violência um novo mundo, uma nova humanidade até, pode ser criado.
A Europa medieval foi um local de guerras e perseguições religiosas quase contínuas, enquanto o Islã tem se dividido, às vezes com violência, praticamente desde sua origem. Mesmo assim, antes dos tempos modernos, nunca se imaginou que o uso da violência poderia iniciar uma sociedade perfeita, ou livrar o mundo de males imemoriais.
Essa é uma bobagem que surgiu somente com os jacobinos, para ser herdada por Marx e expoentes posteriores da parte utópica radical no pensamento iluminista. É odiosamente desumano torturar e aterrorizar pessoas para salvar suas almas, mas fazê-lo para estabelecer a liberdade universal é um absurdo supremo.
A fé é perigosa, como não cansam de nos lembrar ateus evangélicos como Richard Dawkins e Christopher Hitchens. Mas o fanatismo surge sob muitos disfarces. Faríamos bem em lembrar que foi a fé secular que inspirou boa parte do terror no século passado.
A fantasia de que uma sociedade pode ser progressivamente transformada pela violência inspirou alguns dos piores crimes da humanidade. E ainda lança um feitiço venenoso nos dias actuais.
domingo, 5 de junho de 2011
Anarquista chileno e a explosão prematura

A polícia afirma que Luciano Pitronello Schuffeneger, de 22 anos, perdeu a visão e pode perder ambos os braços. O mesmo sofreu queimaduras sérias e está neste momento hospitalizado em em estado de coma induzida.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Feministas odeiam Cristãos
Em Espanha, os ataques e ofensas aos católicos estão-se a agravar à medida que os grupos radicais aumentam a sua agressividade. Os assaltos às capelas universitárias em todo o país ou a convocatória de uma "procissão ateia" em Madrid cuja referência é o incêndio de igrejas durante a II Républica, são só alguns exemplos.
No último ataque, e provavelmente o mais grave tendo em conta como foi reivindicado, foi a tentativa de incendiar uma igreja em Barcelona nos finais de Março. Os responsáveis deste último ataque vangloriaram-se. Num site na internet publicou-se um texto do grupo feminista que reivindica o ataque.
Encoberto pelo anonimato, neste site de grupos esquerdista afirma-se que
"na noite de terça-feira, 22 de Março, para quarta-feira 24, um grupo de mulheres incendiámos a porta principal de seis metros, da igreja situada na praça de Sarriá."
Acrescentam que
"embora também constasse dos nossos objectivos criar dano material, e assim aconteceu, esta acção é principalmente simbólica. A Igreja simboliza e representa a opressão histórica e actual sobretudo contra nós enquanto mulheres, decidindo sobre os nossos corpos e os nossos papéis sociais nesta sociedade patriarcal."
"com esta acção, oferecemos a nossa oferta particular à Igreja e seus valores: 3 litros de gasolina, que arderam iluminando a escuridão da noite".
"queremos dedicar este gesto a todas aquelas mulheres mortas pela moral do perdão e da submissão, a todas as meninas abusadas e a todas as mulheres que não se conformam com o papel que lhes é imposto".
A sua raiva é só contra o Cristianismo. A alegação de que isto é uma vingança por algo que foi alegadamente feito no passado é uma mentira grosseira porque se a preocupação feminista fosse o bem estar das mulheres, elas voltariam-se contra a ideologia político-religiosa que mais maltrata as mulheres: o islão.
Onde está o ódio feminista contra os muçulmanos que queimam muçulmanas por estas quererem aprender? Onde estão as feministas a incendiar mesquitas, lugares onde se ensina que a mulher pode ser espancada pelo marido se este assim o quiser? (Alcorão 4:34).
A guerra das feministas é contra o Cristianismo. Elas escondem-se por trás das mulheres porque não tem a coragem de revelarem publicamente o seu ódio à família, à vida intra-uterina e a sanidade sexual.
Mas elas que continuem com as suas fogueiras e se habituem a elas uma vez que o seu destino eterno vai ser também uma fogueira.
quarta-feira, 30 de março de 2011
A barbárie, na Inglaterra politicamente correcta, era inevitável !
Nunca existiu em Inglaterra tamanha violência em manifestações públicas — com a excepção da manifestação dos estudantes, em Londres, há meia dúzia de meses.
O que estamos a assistir em Inglaterra (vejam os vídeos) é produto da revolução politicamente correcta nos costumes. Era inevitável que todo um processo de dissolução dos costumes e da tradição da cultura inglesa desse nisto.
Porém, ainda “a procissão vai no adro”. Um povo que se diz maioritariamente secular e mesmo anti-religioso, encaixa que nem uma luva na estratégia de António Gramsci, que defendia a ideia segundo a qual a condição para a instalação do comunismo na Europa ocidental seria a erradicação cultural da religião. Censurando a religião a nível de toda a sociedade, cortam-se os laços culturais com o passado histórico; a sociedade passa a viver em um presentismo, como se ela tivesse tido início há poucas décadas atrás. A ética e a moral tradicionais são recusadas; e o resultado está à vista.
Esta é uma das razões porque a Esquerda em geral ataca as religiões. No caso da esquerda fabiana e, por exemplo, de Mário Soares, esse ataque às religiões traduz-se numa ânsia de controlo hierárquico das religiões a partir das suas cúpulas — e por isso temos um clero católico dócil e submisso à Esquerda marxista cultural.
O que se está a passar em Inglaterra tende a piorar e parece-me que a sociedade inglesa já passou o ponto de não-retorno, e de tal forma que Theodore Dalrymple, que é ateu, afirma que é necessária a reintrodução do Cristianismo na cultura do povo inglês.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Tarnac 9
Tenho a convicção de que 99% dos portugueses nunca ouviu falar da organização Tarnac 9, pela simples razão de que os me®dia portugueses a ignoraram sistematicamente. E se porventura, no meio da espiral do silêncio que impera nos nossos me®dia , alguém ouviu falar do assunto porque os me®dia o mencionaram, terá sido tão de passagem que provavelmente não ficou em memória.
Naturalmente que não tenho a mínima dúvida de que os militantes da esquerda radical, como é o caso do Bloco de Esquerda, sabem perfeitamente o que é o Tarnac 9 e o que ele significa; mas se fizerem uma consulta aos blogues dos mais proeminentes esquerdistas radicais da nossa praça, não encontrarão uma única referência ao assunto. O segredo é a alma do negócio.
No Outono de 2008, a polícia francesa invadiu literalmente a vila de Tarnac, perto de Limoges, no coração de França, prendendo um grupo de jovens franceses de classe média/alta e com idades entre os 22 e os 34 anos. Esse grupo de jovens dedicou-se à insólita actividade de sabotar as linhas de caminho de ferro franceses, em mais de 160 actos de sabotagem. O líder do grupo, Julien Coupat, escreveu um ensaio que pode ser lido em inglês e com o título “A Insurreição Que Chega” (The Coming Insurrection), de que falarei noutro postal.
Quais são as influências ideológicas do grupo terrorista Tarnac 9? Desde logo e em primeiro lugar, temos o marxismo cultural através de Foucault, Derrida, Deleuze. Mas não só: através da adesão às ideias de Georges Bataille, o grupo assimilou a dialéctica de Hegel, Karl Marx, Freud, Nietzsche e o seu amado Marquês de Sade.
Reparem bem: jovens licenciados de 22 a 30 anos, meninos do papá e cheios de dinheiro no bolso — a esquerda caviar radical que tem a sua correspondência em Portugal no Bloco de Esquerda. Não se trata de gente pobre e desempregada: trata-se de jovens da classe média / alta.