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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Porque é que as feministas atacam a família? (Conclusão)

Esta é a segunda parte deste artigo. A primeira parte pode ser lida aqui.

As Marxistas-Feministas começaram a acreditar que, tal como a família era um aspecto do capitalismo, o capitalismo não poderia ser destruído sem a destruição da família. Para os Marxistas ortodoxos, este argumento não faz sentido nenhum. 

Segundo os termos Marxistas, o modo de produção Capitalista é a  'base económica subjacente' da sociedade e a família faz parte da 'superestrutura ideológica'. A base económica determina a superestrutura ideológica.

Portanto, o argumento de que não se pode destruir o capitalismo sem destruir a família está invertido; para um Marxista, não se pode destuir a família sem destruir o capitalismo; se o capitalismo cria a família, então mal o capitalismo desapareça, a família desaparecerá. O inverso não se aplica. Sem dúvida que os Soviéticos entendiam isto, mas as feministas dos anos 70 não haviam lido Marx de forma correcta, ou eram intelectualmente corruptas.

Numa entrevista concedida a Betty Friedan, a feminista francesa Simone de Beauvoir afirmou em 1976 que "mulher alguma deveria ter autorização para ficar em casa e criar os filhos . . . . porque se tal opção existir, demasiadas mulheres a optarão."

Houve outras frases com a mesma mentalidade:

"A família nuclear tem que ser destruída . . . Qualquer que seja o significado final, a destruição da família é agora um processo revolucionário objectivo." Linda Gordon

"Não vamos conseguir destruir as desigualdades entre os homens e as mulheres enquanto não destruirmos o casamento." Robin Morgan

"De modo a que as crianças possam ser educadas com igualdade, temos que retirá-las das suas famílias e educá-las comunitariamente" (Dr. Mary Jo Bane, feminista e professora-assistente de educação na Wellesley College, e directora-adjunta do Center for Research on Woman da escola)

"O casamento tem existido para o benefício do homem; e tem sido também um método legalmente sancionado de controle das mulheres . . . . Temos que trabalhar para destruir-lo [o casamento]  . . . O fim da instituição do casamento é condição necessária para a emancipação das mulheres. Devido a isso, é importante encorajarmos as mulheres a abandonar os maridos e a evitar viver com homens . . . . Toda a história tem que ser re-escrita em termos de opressão das mulheres. Temos que regressar às antigas religiões femininas como a feitiçaria." ("The Declaration of Feminism," Novembro, 1971).

Resumindo, o ataque à família levado a cabo pela segunda vaga feminista foi um evento pós-pilula e baseado numa má leitura da teoria Marxista. Embora o Marxismo tenha sido eventualmente derrotado na esfera internacional, o ataque Marxista à família nunca foi discutido. Só agora é que alguns estão a articular os problemas.

Lésbicas tomam conta do movimento feminista

Ao se tentar localizar as origens da Guerra às Famílias, outro factor importante a levar em consideração é a ascensão do radical lobby gay. No início dos anos 70 ocorreu um coup d'etat dentro do movimento feminista americano e inglês.

A "Lavender Menace" era um grupo de feministas radicais lésbicas que havia sido formado para protestar a exclusão das lésbicas e dos assuntos lésbicos do movimento feminista. 

A frase "Lavender Menace" foi originalmente usada em 1969 por Betty Friedan, presidente da NOW [National Organization of Women], para descrever a ameaça que a associação com o lesbianismo era para a NOW e para o emergente movimento feminista. Friedan, e outras feministas heterossexuais, temiam que a associação provocaria danos na habilidade das feministas de levar a cabo alterações politicas sérias, e o esteriótipo de lésbicas "machonas" e "com ódio aos homens" seria uma forma fácil de rejeitar o movimento. (Referência)

No entanto, eventualmente o lobby lésbico venceu a guerra, e as lésbicas passaram a dominar a NOW e o movimento feminista. Como Rene Denfeld comenta no seu excelente livro  “The New Victorians”, “Isto é como se a NAACP [National Association for the Advancement of Coloured People] tomasse a decisão de  dar prioridade aos temas gay só porque alguns negros são gays”.

Foi decidido rapidamente que a heterossexualidade era um instrumento capitalista socialmente construído, e que a única mulher emancipada - a única "verdadeira feminista" - era a lésbica. Num artigo bastante revelador, My crime against the lesbian state, a actriz Jackie Clune descreve como se tornou lésbica na universidade:

Havia por esta altura um crescente número de estudantes da classe operária como eu que se envolviam na politica estudantil. Havia demonstrações semanais, comícios, e moções anti-governamentais aprovadas nas UGMs. Estavamos zangadas com o tipo de coisas que a srª Thatcher instigava ...  Ao mesmo que crescia a minha consciência política, desenvolvi um crescente interesse pela política feminista. Foi por esta altura que me deparei com um ensaio da Adrienne Rich com o título "Compulsory Heterosexuality And Lesbian Existence".

Nele, Rich postula que a maior parte das mulheres são capazes de tomar a decisão em favor do lesbianismo se elas conseguirem superar a sua homofobia internalizada - o "conjunto de forças" - que elas experimentam em relação às uniões entre pessoas do mesmo sexo. Ela alega que a hegemonia heterossexual é uma prisão subtil mas convincente da qual a maior parte das mulheres se pode libertar através da força de vontade.


Para mim, o lesbianismo parecia-me na altura uma extensão lógica do meu pensamento feminista, e uma forma radical de derrubar a prescrição capitalista para as mulheres. Tomar o passo seguinte foi relativamente fácil para mim:  o ano de 1988 testemunhou resistência feroz por parte da comunidade gay à "carta branca" que o governo concedeu às autoridades em torno da "promoção" do homossexualismo nas escolas e nas universidades.

O ensaio de Clune é um bom exemplo da tendência política que ensinava que tem que se ser homossexual para se ser um bom radical; não se pode ser heterossexual e ser-se ao mesmo tempo um bom Socialista ou uma boa Feminista. Os jovens foram instados a envolverem-se em relacionamentos homossexuais de modo a que pudessem demonstrar as suas credências esquerdistas. Hanif Kureishi, na sua novela "The Buddha of Suburbia", toca neste assunto numa cena onde um jovem actor indiano bissexual pede ao seu amigo Socialista que o beije para demonstrar o seu compromisso com a causa Socialista.

Esta forma de pensar eventualmente desenvolveu-se até ao ponto de se tentar demonizar por completo a heterossexualidade. Foi neste clima que as frases loucas como as que se seguem foram produzidas:

A relação heterossexual é a pura e formalizada expressão de desprezo pelos corpos femininos. -  Andrea Dworkin

Numa sociedade patriarcal, todo o sexo heterossexual é uma violação para as mulheres uma vez que elas, como grupo, não são suficientemente fortes para dar consentimento significativo.  -  Catharine MacKinnon,citada em "Professing Feminism: Cautionary Tales from the Strange World of Women's Studies."

A instituição do sexo heterossexual é anti-feminista. Ti-Grace Atkinson, Amazon Odyssey (p. 86).

[A violação] nada mais é que um processo consciente de intimidação através do qual todos os homens mantêm todas as mulheres num estado de medo. -
Susan Brownmiller, Against Our Will p.6.


Quando uma mulher atinge o orgasmo com um homem, elas apenas está a colaborar com o sistema patriarcal, eroticizando a sua opressão.
Sheila Jeffrys.

No seu ensaio, Feminism's Third Wave, Angela Fiori descreve e heterofobia endémica nas universidades americanas dos anos 90:

As campanhas universitárias dos anos 90 em torno das violações dos encontros românticos [inglês: "date-rape"] não foram motivadas por uma preocupação genuína pelo bem estar da mulher, mas sim como parte dos esforços que visavam deslegitimar a heterossexualidade junto de jovens e impressionáveis mulheres, demonizando os homens como violadores.

Daphne Patai e Christina Hoff Sommers descreveram como as feministas académicas, particularmente as dos "Estudos Femininos", criaram um ambiente análogo ao de uma seita religiosa:

Se a situação da aula é muito heteropatriarcal - uma classe com cerca de 50 ou 60 alunos onde poucos eram feministas - eu defino a minha função como uma de recrutamento. . . . . persuadindo os alunos que as mulheres vivem sob opressão." (Professors Joyce Trebilcot of Washington University, citada em "Who Stole Feminism")

A caça às bruxas dos anos 90 em torno dos rituais satânicos foram, de modo similar, outra tentativa de demonizar os homens, a família e a heterossexualidade, e dividir as existentes famílias felizes como forma de fomentar os divórcios e fomentar a indústria que "protege as crianças." Este foi talvez o ponto mais alto do movimento anti-família feminista de inspiração Marxista.

Essencialmente, estas foram as origens ideológicas da guerra contra as famílias e os pais. As consequências desta revolução social são cada vez mais claras. No seu excelente ensaio ‘Divorce as Revolution’, Steven Baskerville descreve as implicações políticas e económicas mais abrangentes desta situação:

Mais do que qualquer outro factor individual, virtualmente todas as patologias pessoais e sociais podem ser rastreadas até a ausência dum pai ["fatherlessness"]: crime violento, consumo de substâncias, filhos fora do casamento, evasão escolar, suicídio e muito mais. A orfandade paterna supera em muito a pobreza e a etnia como o predictor de desvio social.

A consequência de 3 décadas de divórcio incontrolável é a existência dum grande número de pessoas - muitas delas oficiais do governo - com interesse profissional e financeiro em encorajá-lo. Hoje em dia o divórcio não é um fenómeno, mas um regime - um enorme império burocrático que permeia os governos nacionais e locais, com parasitas no sector privado.

Qualquer que seja a devoção que eles possam vocalizar em torno do sofrimento dos órfãos de pai, dos pobres e das crianças violentas, o facto é que estes practicantes têm um forte interesse em criar o maior número possível destas crianças. A forma de fazer isto é retirar o pai de casa. . . Enquanto o pai estiver com a família, os profissionais do divórcio não ganham nada. Mal o pai é eliminado, o Estado ocupa o seu lugar como o protector e o provedor.

Ao remover o pai, o Estado cria outros problemas que ele mesmo tem que resolver: pobreza infantil, abuso sexual de crianças, crime juvenil, e outros problemas associados a crianças que crescem sem um pai. Desta forma, a maquinaria do divórcio é auto-perpetuadora e auto-expansora.

O divórcio involuntário é uma ferramenta maravilhosa que permite uma expansão infinita do poder governamental.


A crescente histeria em torno da "violência doméstica" parece ser largamente fomentada para atingir os mesmos propósitos. ‘Toda esta indústria da violência doméstica centra-se em retirar as crianças dos pais,’ escreve o colunista do Irish Times John Waters. ‘Depois de terem tirado os pais, eles vão tirar as mães.

Donna Laframboise do "National Post" do Canadá investiou os abrigos das mulheres vítimas de algum tipo de violência e concluiu que eles mais não são que ‘lojas de divórcio de uma só paragem’, cujo propósito não era proteger as mulheres mas promover o divórcio.

Estes abrigos, muitas vezes financiados pelo governo federal, emitem depoimentos contra os pais (sem chegar a vê-los) que são aceites pelos juízes como justificação para retirar os filhos; muitas vezes isto é feito sem evidências que confirmem as alegações.

Os pais são adicionalmente criminalizados através do fardo da pensão alimentícia, que são o combustível financeiro da maquinaria do divórcio, subscrevendo o divórcio unilateral e oferecendo a todos os envolvidos maiores incentivos para retirar as crianças da presença dos pais.

No Verão passado a revista Liberty publicou evidências documentais de que os "pais caloteiros" [inglês: ‘deadbeat dads’] são, em larga medida, uma criação dos funcionários públicos e agentes da lei tendo em vista o aumento de criminosos para processar.

Conclusão:

Unindo todos estes elementos num só, o que começou como uma ramificação do radicalismo da era Comunista, cresceu, e passada que está uma geração, ela é hoje uma indústria internacional multi-bilionária e misândrica, um monstro que existe apenas e só para destruir a família. É contra isto que lutamos.

Para a maior parte das mulheres (e homens) do mundo, a ideia de que elas estariam melhor sem as suas famílias parece um absurdo. O facto do movimento feminista se ter colado [à cultura] desta forma é uma peculiaridade da Historia. Se não tivesse sido a influência do Marxismo, e a emergência da agenda dos direitos dos homossexuais, isto não teria acontecido.

Estas ideias têm permissão para avançar sem receber críticas porque, como comentou Pizzey, tudo é feito em segredo. Não há verificação da realidade, o que resulta no facto do irrazoável rapidamente se tornar razoável. Se combinarmos isto com o desprezo arrogante pela democracia exibido por pessoas como  Beauvoir, temos presente um mecanismo que estabelece políticas dementes sobre aqueles que não as querem.

Só agora que os sintomas desta doença se tornaram publicamente visíveis na forma de crianças mortas é que nos endireitamos e começamos a reparar no que estava a acontecer.

Há já muito tempo que o movimento feminista merece um escrutínio. Como afirmou um juiz americano, "A luz do Sol é o melhor desinfectante".



sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Porque é que as feministas atacam a família?




A contemporânea guerra cultural e politica contra a família tem várias causas, sendo o feminismo a mais significante. As feministas da "Primeira Vaga" do início do século 20 não eram de todo contra a família. De facto, uma das suas exigências era a de que a lareira e a casa deveriam ser o domínio da mulher (Referencia). Foi só com a segunda vaga de feminismo - nos finais dos anos 60 - que o ataque feminista à família teve início.

Neil Lyndon, no seu livro de 1992 com o título  'No More Sex War', provavelmente foi o primeiro a rastrear as origens da segunda vaga do feminismo até à ideologia Marxista. Vale a pena lembrar o argumento de Lyndon.

Durante os anos 60 ocorreu uma vaga de assassinatos de elevada notoriedade: os Kennedys, Martin Luther King, Malcolm X, e assim por diante. Estes eventos, como ressalva Lyndon, cheiravam a corrupção e conspiração, mas o establishment político encolheu os ombros e não fez nada.

Aqueles que estavam preocupados aperceberam-se então que a Direita política não estava interessada; eles foram, para todos os efeitos, levados para a Esquerda em busca de soluções, e no contexto da Guerra Fria, a Esquerda politica significava o bloco Sino-Soviético. Como diz Lyndon, “Não tinhamos para onde ir senão para Leste”.

A Guerra Fria estava na sua força máxima e os jovens da classe média do mundo ocidental tornaram-se politicamente envolvidos em assuntos tais como a guerra do Vietname e os movimentos civis dos negros americanos. Existia um fosso geracional radical entre esta juventude e os seus progenitores, chegando até a um ponto de incompreensão mútua. Os jovens não encontraram nada na cultura política dos seus pais que lhes desse as respostas que eles buscavam. De facto, a cultura política dos seus pais era frequentemente identificada como a causa dos problemas.

As músicas populares da altura reflectiam estes sentimentos. A canção de David Bowie com o nome ‘Changes’  incluia frases como:

"Que desorganização! Vocês deixaram-nos mergulhados nela até ao pescoço" [“What a mess. You’ve left us up to our necks in it”]

 Havia um slogan popular nos lábios da juventude radical: não confiar em alguém com mais de 30 anos.

A geração jovem dos anos 60, que Lyndon identifica como a "Nova Esquerda", buscou inspiração na China e na União Soviética, adoptando o  Marxismo-Leninismo-Maoismo. O Marxismo tornar-se-ia na visão política de muitos dos jovens, incluindo as feministas, e Lyndon tenta identificar a forma como isto aconteceu.

De forma resumida, Karl Mark descreveu a sociedade em termos de luta entre classes económicas diferentes: os poderosos e "burgueses" donos das empresas, e as alienadas classes operárias do "proletariado". Marx declarou que "toda a história é a história da luta política". Devido a isto, ele viu a sociedade humana como uma caracterizada essencialmente pelo constante conflito entre grupos com interessses irreconciliáveis.

 A análise social de Marx foi enquadrada em termos de classes económicas, mas isto, alega Lyndon, foi adaptado pelo movimento dos Panteras Negras de modo a que ficasse enquadrado em termos raciais.

Em vez de termos uma sociedade onde ocorria uma luta de classes, os Panteras Negras olharam para o problema como uma luta entre raças. Isto, alega Lyndon, foi o ponto de partida da natureza fascista do pensamento da Nova Esquerda.

Por sua vez, este pensamento foi adoptado pelo movimento feminista da altura. A sociedade foi representada por elas em termos quasi-Marxistas como sendo uma luta histórica de sexo contra sexo, onde ao homem era conferido o papel do poderoso burguês e à mulher o papel do "proletariado" oprimido.

Portanto, Lyndon alega que as feministas dos finais dos anos 60 e inícios dos anos 70 foram fortemente influenciadas pelos direitos civis negros. Muitas historiadoras feministas concordariam. É interessante notar que John Lennon e Yoko Ono escreveram uma canção com o título ‘Woman is the nigger of the world’.

O slogan "O Pessoal é Político" é frequentemente associado ao feminismo, mas Lyndon alega que ele teve início junto dos Panteras Negras. Curiosamente, Jung Chang em Wild Swans atribui a expressão ao próprio Mao Tse Tung, de quem os Panteras Negras obtiveram a expressão, sendo mais tarde adoptada pelas feministas.

Esta mutação final da teoria Marxista para dentro da arena da política sexual foi a última grande modificação de paradigma na forma de pensar da Nova Esquerda. Consequentemente, esta é a herança ideológical que perdura até aos nossos dias.

Esta adopção por parte da teoria Marxista foi sem dúvida o motivo mais significativo por trás do ataque feminista à família.  É preciso levar em conta que por esta altura a pílula contraceptiva e o aborto seguro [sic] e legal encontravam-se disponíveis. Isto significava que pela primeira vez, as mulheres poderiam controlar a sua própria fertilidade. Antes disso, ter relações sexuais significava correr o risco de engravidar; desmantelar a família não era uma opção nessas circunstâncias. De certa forma, foi a pílula que tornou um ataque à família algo possível de se levar a cabo.

Marx, a família e a experiência soviética

De forma a entender o ataque feminista à família, é necessário entender o pensamento Marxista em torno do assunto. Marx, que viveu durante a revolução industrial, ficou impressionado com os feitos da produção mecânica. Ele olhava para as pessoas apenas como mais um componente dentro dum sistema de economia politica, e acreditava que, à nascença, o ser humano era um 'folha em branco' - o nosso pensamento era determinado pelo nosso ambiente e não por nada inerente. Ele via a família como um resquício de uma vida pastoral antiga, que não se enquadrava na idade das máquinas. Porque não industrializar também a produção de crianças?

Na década com início em 1840 Engels, colaborador de Marx, escreveu  'A origem da família, propriedade privada e do Estado' [The origins of the family, private property and the State]. Nele, Engels alega que o operário das fábricas serve os interesses do capital, e a sua esposa serve os interesses do operário. Tal como ele é um escravo da máquina da fábrica, ela é escrava dele. Ela é mal paga enquanto garante que o operário é capaz de trabalhar.  Ela tem também que gerar novos trabalhadores. Desta forma, ela serve os interesses do capitalismo.

Portanto, Engels caracteriza a família de uma forma desumana e altamente politicizada. Este livro tornou-se muito influente junto das feministas dos anos 60, e é, desde então, uma das razões principais por trás do ataque feminista à família.

A ideia da filhos industrializados foi levada até à sua conclusão lógica - e satirizada - no livro clássico de Aldous Huxley com o nome de "Brave New World".

Dominic Lawson, no seu ensaio "You can blame it all on Karl Marx" descreve como estas ideias foram tentadas - e abandonadas - pela União Soviética:

Nos primeiros anos da União Soviética houve uma genuína tentativa, melhor descrita por Ferdinand Mount no livro "The Subversive Family", de aplicar o pensamento Marxista à família. Lunacharski, o Comissário da Educação, declarou que "O nosso problema actual é acabar com a família é libertar a mulher do cuidado de crianças . . . . os termos "os meus pais", "os nossos filhos" gradualmente cairão em desuso."

Isto, alegou claimed Lunacharski, permitirá a transição para "a tal sociedade pública abrangente que substituirá a lareira doméstica, sim, essa unidade familiar que se distancia da sociedade. Um Comunista genuíno evitará tal emparelhamento matrimonial permanente e buscará satisfazer as suas necessidades através duma liberdade baseada em relacionamentos mútuos ... de modo a que seja impossível determinar quem é aparentado com quem. Isto é uma construção social."

As consequências desta política foram exactamente as mesmas que a "construção social" que observamos hoje em dia em algumas partes das nossas cidades: caos social, filhos abandonados, e um aumento rápido de doenças venéreas.

O Partido Comunista da União Soviética rapidamente começou a abandonar a visão familiar Marxista. Novas leis foram introduzidas que compeliam os cônjuges divorciados - e não o Estado - a contribuir para a sustento dos seus filhos. O divórcio foi dificultado e tornado mais dispendioso.

As feministas do início dos anos 70 estavam obviamente ignorantes das experiências soviéticas em torno da engenharia familiar - ou então escolheram ignorá-las. Erin Pizzey descreve a experiência de se juntar ao movimento feminista em 1971:

O meu primeiro encontro deixou-me cheia de dúvidas. O mesmo foi mantido num casa muito classe-média em Chiswick e eu olhei para os cartazes de Mao  nas paredes da sala de estar. Quando me perguntaram o porquê de eu estar ali, eu disse que o meu marido era um repórter televisivo e devido a isso raramente estava em casa; como tal eu sentia-me sozinha e isolada com os meus dois filhos.
O seu problema não é o seu isolamento mas o seu marido. Ele oprime-a e é um capitalista.
Eu ressalvei o facto dela também ter uma mensalidade da casa para pagar, e que longe de ser um "opressor", o meu marido tinha ficado em casa a tomar conta das crianças enquanto eu ia à reunião. O marido dela encontrava-se numa reunião sindical a organizar a fábrica "Brentford Biscuit", com a ajuda das suas qualificações em Ciência Política, como forma de preparar a revolução vindoura. 

O que a mulher não sabia é que eu era filha dum diplomata. Nasci na China e viajei o mundo inteiro com o meu pai. Também trabalhei para o Ministério das Relações Exteriores e estava bem ciente das atrocidades da Rússia e da China.

Depois, durante o chá, foi-nos assegurado que as mulheres eram um grupo minoritário. Eu ressalvei que as mulheres são 52% da população mundial. Foi-me dado o pequeno livro vermelho de Mao e uma cópia da revista SHREW magazine. Levei-a para casa e fiquei horrorizada com o ódio que a mesma vomitava contra os homens.

Pizzey foi eventualmente expulsa porque se recusou a condenar os homens e a família.

Através da leitura da literatura do Movimento das Mulheres, apercebi-me que aquelas milhares de mulheres a trabalhar em áreas educativas, bem como as jornalistas e as produtoras televisivas, encontravam-se determinadas em destruir a vida familiar inglesa. "Façam do pessoal algo político" era um dos seus estandartes. Como consequência disso, milhares de mulheres violentas e perturbadas atacaram as mulheres que se encontravam felizes no seu estilo de vida. Encontros secretos foram realizados (quase tudo era feito em segredo) e eu recebi uma carta . . . "você não deveria trabalhar no escritório ou frequentar algum dos colectivos."



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