No crepúsculo da espionagem internacional, um nome mais do que outros
invoca uma imagem de traição paciente e magistral, a insidiosa presença
do inimigo no interior do santuário.
Independentemente do país que
sirvam, espera-se que gerações de estagiários de espionagem e de
contra-espionagem saibam o seu nome: Philby. Por mais de meio século
até aos dias de hoje, Harold Adrian Russell “Kim” Philby (1912-1988)
continua a ser, tanto na história da espionagem bem como na literatura
popular, a toupeira por excelência, o agente de penetração profunda
que escavou o seu caminho até ao topo dos serviços secretos Britânicos
como forma de disponibilizar os segredos mais bem guardados da Coroa à
Rússia Soviética.
O choque da traição de Philby reverberou por todo o establishment
Britânico, embora, em retrospectiva, o incidente nos diga mais da
depravação social, cultural e espiritual de toda a elite governante do
que apenas as explorações sórdidas dum espião.
Uma nova visão sobre esta notória história de espiões, A Spy Among Friends: Kim Philby and the Great Betrayal, salienta não só o trabalho concorrente de Philby pelo MI6 e pela KGB, mas examina também o rasto de vidas quebradas
que ele deixou. Usando entrevistas e material de arquivo, o jornalista Ben McIntyre
criou um relato cativante da forma e do porquê um Inglês da classe alta
ter, com sangue frio, enviado imensos agentes Ocidentais para além da
Cortina de Ferro e para a sua desgraça, ter trazido a infelicidade e a
ruína para muitos conjugues, e ter destruído as carreiras dos seus
colegas e dos seus amigos íntimos,
Philby foi um traidor com uma causa; ele não espiou pr amor ou pela
emoção, mas sim porque ele acreditava sinceramente na criação dum
futuro brilhante prometido pelo Comunismo. Começando em 1934, quando
ainda era um recém-graduado do Trinity College
de Cambridge e na altura em que foi recrutado pelos serviços secretos
Soviéticos, até à sua dramática deserção em Beirute (em 1963), Philby
manteve uma sólida fé interior na sua missão, uma crença que ele
manteve até à sua morte.
A conversão juvenil de Philby ao
Marxismo dificilmente foi algo de extraordinário - por toda a Europa do
período entre as duas Grandes Guerras, a ideologia Comunista estava en vogue
junto dos intelectuais, e a União Soviética parecia ser uma experiência
promissora para a criação duma nova sociedade. De facto, outros 4
colegas de turma de Philby iriam também jurar lealdade ao Centro de
Moscovo, formando o grupo que recebeu o nome de The Cambridge Five,
uma rede de agentes que ainda hoje é celebrada pela organização secreta
que sucedeu a KBG, a SVR, como um exemplo duma infiltração de longo
prazo.
A causa imediata para a atracção rumo
ao Marxismo por parte das classes educadas do Ocidente pode ser
encontrada na crise económica que afligiu primeiro a Grã-Bretanha, a
América, e o Continente no início da década 30, com o consequente
empobrecimento, instabilidade política e a ascenção do fascismo.
Embora
o privilegiado Philby e os seus amigos não tenham sido directamente
afligidos pela depressão, a moda intelectual olhava para o materialismo
dialéctico e para o revolucionário estado Socialista como resposta ao
falhanço da civilização capitalista. A democracia liberal já se tinha
revelado como uma fraude à medida que oligarcas vorazes expandiam as
suas posses de maneira proporcional à miséria dos trabalhadores comuns.
Sendo dificilmente uma sistema de pensamento que havia ascendido nas
estepes Eurasianas, a tentação totalitária havia nascido das filosofias
governantes do Ocidente moderno.
Nascido em Lahore [Paquistão], e havendo recebido o nome do herói do livro de Rudyard Kipling com o nome de "Great Game",
Kim Philby era uma criança do Império Britânico. E estando milhares de
milhas longe de Punjab, Londres geria um empreendimento global
fundamentado no liberalismo clássico de Locke, no poder
científico-industrial, e na tradição marítima-comercial de Cartago,
Atenas e Veneza. O largamente ausente pai de Philby, St. John Philby,
havia construído a sua carreira como um altamente respeitado
orientalista ao estilo de Lawrence da Arábia, e iria servir de
"conselheiro" do Rei Ibn Saud.
O jovem Philby recebeu uma educação
clássica, tendo visto a sua educação moldada em grande parte dentro das
mais prestigiadas escolas públicas. Embora "Deus, Rei e Nação" possa
ter sido o credo de serviço junto da elite administrativa do Império,
poucos - se algum - destes homens realmente acreditava em Deus da forma
que os seus ancestrais acreditavam, ao mesmo tempo que o rei e a nação
se haviam tornado numa fachada retórica para os planos das predatóriasdinastias banqueiras. Em vez disso, e tal como o melhor amigo de Philby e companheiro do MI6 Nicholas Elliott declarou, eles serviam "o rei, a classe, e o clube" - dificilmente uma fórmula inspiradora.
A vápida e auto-gratificante ideologia do liberalismo humanista do Iluminismo presente no Império, aliadas à doutrinas empiristas
ainda mais consistentes de Hume, Bentham, e Darwin, haviam esvaziado as
instituições sociais - e o Cosmos - de todo o significado
transcendental. Não é de estranhar, portanto, que um jovem aristocrata
como Philby tivesse buscado uma nova revelação junto do Marxismo, a
narrativa de salvação dum reino terrestre tornado perfeito através da
revolução do proletariado.
No seu trabalho secreto para o Partido,
Kim Philby aplicou as conclusões lógicas dos princípios materialistas
que a filosofia liberal haviam, em última análise, criado; ele buscou
formas de destruir uma Grã-Bretanha já decadente a partir do seu
interior como forma de materializar o alvorecer duma transformadora
nova era. Tal como o ascético Ortodoxo Padre Seraphim Rose
diagnosticou tão bem, o jovem radical só estava a consumar um processo
que havia começado muito antes de por parte dos defensores da
"liberdade" e da "razão".
O Liberal, o homem
mundano, é o homem que perdeu a sua fé; e a perda da fé perfeita é o
princípio do fim da ordem erguida com base nessa fé. Aqueles que buscam
preservar o prestígio da verdade sem no entanto acreditar nela, estão a
dar uma arma poderosa a todos os seus inimigos; uma fé meramente
metafórica é suicida. O radical ataca a doutrina Liberal em todos os
pontos, e o véu da retórica não é protecção contra o forte impulso da
sua espada afiada.
O Liberal, perante este ataque persistente, vai cedendo ponto a
ponto, forçado a admitir a verdade das acusações contra ele sem ser
capaz de contrapor esta verdade negativa e crítica com a sua verdade
positiva; até que, depois duma longa e normalmente gradual transição ,
de repente ele acorda só para descobrir que a Antiga Ordem, sem defesa
e aparentemente indefensável, foi derrubada, e que uma nova e mais
"realista" - e mais brutal ordem tomou o seu lugar.
A espionagem é o negócio da traição, e até o momento em que os seus camaradas e amigos e agentes de Cambridge Guy Burgess e Donald Maclean
fugiram para Moscovo em 1951, o negócio correu bem para Philby.
Promovido depois da Segunda-Guerra para o papel de líder das operações
anti-Soviéticas e depois enviada para Washington como o contacto do
MI6, a toupeira amigável e laboriosa ganhou amigos com facilidade. Ele
foi também nobilitado, a Ordem do Império Britânico, conferido pela
Rainha Elizabeth. A menos que pensemos que a honra é uma mera
aberração, convém lembrar o sentido lamento de Edmund Burke:
A era
do cavalheirismo acabou. - A era dos sofistas, economistas e
calculadores sucedeu-lhe; a glória da Europa está extinta para sempre.
Que Philby e Anthony Blunt, outro membro doCambridge Five
e Agrimensor das Imagens do Rei, tenham sido nobilitados antes da sua
traição ter sido exposta por parte do MI5 perdoa-se, mas eles eram
sintomas duma aflição mais profunda. Na nossa era, o cavalheirismo, tal
como todo o outro valor digno, foi sistematicamente sujeito à lógica da
inversão.
De que outra forma é que se explica o facto de títulos nobres terem
sido conferidos aos mestres da usura, fornecedores de anti-cultura, e
estrelas da música rock dissolutas?
"Cambridge Five"
E o que dizer do “Sir” Jimmy Savile,
disc-jockey
da BBC e famoso confidente da Família Real, que durante décadas levou a
cabo violações contra um número incontável de crianças um pouco por
toda a Grã-Bretanha, ou o que dizer dàs várias dúzias de MPs [Membros
do Parlamento Britânico] e oficiais do governo que estão agora a ser
implicados a anéis de pedofilia e de assassínio de crianças?
Muito para além da espionagem, este tipo de maldade tem o claro selo
satânico; quem nos dera que Deus trouxesse à vida o Rei Artur e os seus
cavaleiros como forma de varrer tal imundice da esverdeada e agradável
terra da Inglaterra.
Guerreiro frio até ao fim, Philby
demarcou o seu papel dúplice no confronto bipolar entre o capitalismo e
o comunismo. No entanto, sem o conhecimento dos soldados rasos de cada
um dos lados, o resultado planeado deste confronto dialéctico era a
tirania universal. Tal como os Marxistas apelavam à inevitabilidade da
História, também a superclasse plutocrática Ocidental - e de forma bem
aberta através de teóricos tais como HG Wells e Aldous Huxley a
Bertrand Russell e Zbigniew Brzezinski
– propagou a supremacia da "ciência" como forma de justificar o seu desejo de poder total.
Comparativamente, o Estado Mundial
tecnocrata, o sonho dum louco que ameaça transmutar-se para a
realidade, faria com que o projecto Soviético parece-se uma brincadeira
de crianças. Sem dúvida que Kim Philby era um traidor; níveis acima
dele, criminosos muito mais grandiosos têm arquitectado a aniquilação da
família, da herança nacional e religiosa, e a própria essência da identidade humana.
Mais
tarde, a sua esposa Rufina Ivanovna Pukhova descreveu Philby como uma
pessoa "desapontada de muitas maneiras" com o que ele viu em Moscovo.
"Ele viu as pessoas a sofrer tanto," mas consolou-se alegando que "as
ideias estavam certas mas estavam a ser levadas a cabo da maneira
errada. A culpa era das pessoas que se encontravam a dirigir as coisas."
Pukhova disse ainda que, "ele foi atingido pela desilusão, o que lhe
trouxe lágrimas aos olhos. Ele disse 'Porque é que as pessoas vivem de
forma tão má por aqui? Afinal, eles ganharam a guerra.'" Philby bebia
muito e sofria de solidão e depressão; segundo Rufina, durante os anos
60 Philby tentou o suicídio cortando os seus pulsos.
A maior tragédia da vida de Philby (e de todos os idiotas úteis como
ele) é que muito provavelmente ele nunca ficou a saber que quem criou,
financiou e propagou o comunismo foi a mesma elite capitalista que
controla o Ocidente. Philby, tal como a grande maioria dos Comunistas, foi motivado a promover o Marxismo na sua
luta contra o capitalismo, sem se aperceber que essa luta é uma fachada dialéctica que tem como propósito a concentração do poder nas mãos da mesma elite que criou essa guerra falsa.
Há sempre uma aparência "nobre" alegar que se vai retirar o poder do "grande capital" e entrega-lo ao auto-nomeado "representante do povo" - o governo - sem no entanto, se mencionar que esse "representante" é controlado pelo mesmo grande capital contra quem os Marxistas alegam estar a "lutar".
Por fim, e como dito várias vezes, a forma de combater os planos da
elite capitalista tecnocrata é a reinstalação do Cristianismo como
fundamento moral do Ocidente porque, como disse o Padre Rose, "O Liberal, o homem mundano, é o homem que perdeu a sua fé; e a perda da
fé perfeita é o princípio do fim da ordem erguida com base nessa fé."
"Na verdade que já os fundamentos se transtornam; que pode fazer o justo?" - Salmo 11:3
O processo de desmoralização dos Estados Unidos, que tem acontecido
durante os últimos 25 anos, já se encontra practicamente concluído. Na
verdade, está mais do que concluído uma vez que o sucesso da
desmoralização hoje atinge áreas que nem mesmo o Camarada Andropov e os
seus peritos teriam sonhado. E essa desmoralização é feita por
Americanos a outros Americanos devido à sua falta de padrões morais.
Tal como eu disse previamente, exposição a informação genuína já não importa; a pessoa que está desmoralizada é incapaz de aceitar informação verdadeira
e os factos não lhe dizem nada. Mesmo se eu a banhar com informação,
com provas autênticas, com documentos, com imagens, mesmo se eu a levar
à força para a União Soviética e lhe mostrar os campos de concentração,
essa pessoa recusar-se-á a acreditar até que ela receba um pontapé no
seu traseiro gordo. Quando a bota militar lhe pontapear o traseiro,
então ela entenderá - e não antes disso. Essa é a tragédia da fase da
desmoralização.
2ª Fase - Desestabilização
A fase seguinte é a desestabilização. Desta vez, o subvertor não se
importa com as tuas ideias ou com o padrão do teu consumismo - quer tu
comas comida pouco saudável e fiques gordo e flácido ou não, isso já
não importa. Desta vez - e demora cerca de 2 a 5 anos para
desestabilizar uma nação - o que importa são as coisas essenciais: a
economia, as relações internacionais, e o sistema de defesa. E nós
podemos ver claramente que em algumas áreas - em áreas tão sensíveis
como a defesa e a economia - a influência das ideias
Marxistas-Leninistas nos EUA é absolutamente fantástica. Quando eu
cheguei a esta parte do mundo, há 14 anos atrás, eu nunca acreditaria
que o processo avançaria tão rapidamente.
3ª Fase - Crise
A fase seguinte é a crise, que pode demorar até seis semanas para levar
o país o limiar da crise. Isto pode ser visto actualmente na América
Central. Depois da crise, com a violenta mudança de poder, das
estruturas, e da economia, chegamos à fase da normalização, que tem uma
duração indefinida.
4ª Fase - Normalização
A "Normalização" é uma expressão cínica, emprestada da propaganda Soviética quando os tanques Soviéticos entraram na Checoslováquia em 1968. Por essa altura, o Camarada Brezhnev disse:
Isto é o que vai acontecer nos EUA se vocês permitirem que os schmucks
levem o país para a crise, prometendo todo o tipo de coisas boas e o
paraíso na Terra, desestabilizando a economia, eliminando o princípio
da competição do livre mercado, e ao permitirem que se coloque um
governo ao tipo do Irmão Mais Velho em Washington DC, com ditadores
benevolentes como Walter Mondale a prometerem todo o tipo de coisas
boas (não interessa se essas promessas serão realizadas ou não). Depois
disto, ele irá para Moscovo para beijar os traseiros da nova geração de
assassinos Soviéticos, criando a falsa ilusão de que as coisas estão
controladas. A situação não está controlada; a situação encontra-se
horrivelmente descontrolada.
A maior parte dos políticos Americanos, os média, e o sistema de
educação, treina outra geração de pessoas que pensará estar a viver em
tempos de paz. Falso. Os EUA
encontram-se num estado de guerra, uma guerra não declarada aos seus
princípios básicos e aos fundamentos deste sistema. E o iniciador desta
guerra não é o Camarada Andropov, obviamente, mas sim o sistema - por
mais que soe ridículo - o sistema Comunista mundial ou a conspiração
Comunista mundial.
Por mais que isto deixe algumas pessoas amedrontadas, eu não me
importo. Se por esta altura tu não estás assustado, então nada mais te
irá assustar.
Mas não é preciso ficar paranóico em relação a isto. O que acontece, e
ao contrário de mim, vocês terão literalmente vários anos para coxear a
menos que os EUA acordem. A cada segundo que passa, a bomba-relógio
está avançar, e o desastre aproxima-se cada vez mais. Ao contrário de
mim, vocês não terão qualquer sítio para onde fugir, a menos que
queiram viver na Antárctica com os pinguins.
Este é o último país da liberdade e da possibilidade.
* * * * * * *
Infelizmente, os Americanos não prestaram atenção aos sábios avisos de
Yuri Bezmenov e actualmente têm como líder um presidente que luta de
forma agressiva para remover o que resta dos valores Cristãos que
serviram de base moral para a grandeza dos EUA. O que interessa reter
aqui é que se isto aconteceu nos EUA, e eles foram vencidos pela
subversão ideológica, então isto pode acontecer (e está a acontecer) em todos os países do
Ocidente que ainda não são suficientemente "iluminados" para permitir
uma "ditadura do proletariado".
É dentro da guerra cultural, e dentro da manobra de subversão
ideológica, que o movimento feminista tem que ser entendido; tal como
já vimos por várias vezes neste e em muitos outros blogues, o feminismo
não é uma ideologia que visa ajudar a condição da mulher, mas sim um
movimento que visa usar a psicologia da mulher para aumentar a dimensão
do governo. As medidas feministas em torno do "fim da violência contra
a mulher", as leis criadas especificamente para "proteger a mulher" e
afins, mais não são que formas usadas pelos governos para isolar a
mulher do homem, fazendo com que ela olhe para ele com desconfiança,
tornando-a menos disposta a casar e, desde logo, tornando-a menos
provável de gerar uma família funcional.
Não é acidental o facto dos
mesmos governos que lutam em favor do "casamento" homossexual sejam os
mesmos que dão apoio financeiro a movimentos que olham para o casamento
natural como "opressor" para a mulher. (Ou seja, os casamentos são
"bons", desde que não seja o casamento verdadeiro.) Destruindo a famílias, os governos rapidamente se prontificam a
preencher o vazio deixado pela ausência do pai (e mesmo da mãe),
aumentando assim a sua área de influência sobre as crianças e sobre as
mulheres (e, desde logo, sobre toda a sociedade).
O que é também importante dizer - e isto é mais para as feministas e para os gayzistas - é que todas
as armas de subversão ideológica têm um prazo de validade. Isto
significa que, embora actualmente os governos ocidentais usem de verbas
públicas para financiar o feminismo e o movimento homossexual, essa
aliança é táctica e provisória. Quando os governos obtiverem os
resultados da sua subversão ideológica, a utilidade do feminismo e do
gayzismo termina. (Afinal, quantas marchas das vadias ocorrem na China,
em Cuba ou na Coreia do Norte? Alguém é capaz de identificar um único
"líder do movimento homossexual" Chinês, Norte-Coreano ou Cubano que
tenha acesso aos círculos presidenciais desses países?)
Vozes recuperadas da tragédia de um povo Sussurros - A Vida Privada na Rússia de Estaline Autoria: Orlando Figes Aletheia
Extraordinário levantamento de casos a partir de testemunhos orais e de diários escondidos durante décadas, a obra de Orlando Figes tem a força e o rigor da História e a intensidade das grandes novelas
Havia mais de 500 apartamentos para altos funcionários do Partido e do Estado na Casa da Beira-Rio, em Moscovo. Por isso rara era a noite, durante o período do Grande Terror, em 1937/38, em que o silêncio não era interrompido pela entrada de rompante de várias viaturas do NKVD, a polícia política de Estaline, no pátio para que dava aquele edifício soturno. Os polícias tratavam de selar as entradas e de procurar, num dos apartamentos, a próxima vítima. Esta, muitas vezes, já os esperava, tinha até uma pequena mala já feita ao lado da cama, sinal de uma incrível incapacidade para tentar escapar.
Estas visitas nocturnas sucediam-se mas ninguém fugia da Casa da Beira-Rio, mostrando uma passividade que Orlando Figes identifica como "um dos aspectos mais impressionantes do Grande Terror". Uma passividade ainda mais impressionante se pensarmos que se inspirava numa crença irracional: a de que se poderia ser sacrificado, mas que isso estava a ser feito em nome do Partido e do ideal comunista.
Osip Piatnitsky era, como escreveu Krupskaia, a viúva de Lenine, em 1932, pelo seu quinquagésimo aniversário, um "típico revolucionário profissional, que se entregou por completo ao Partido, vivendo apenas para os interesses do Partido". Mesmo assim este companheiro de Lenine de origem judaica estaria morto cinco anos depois apesar da sua impressionante folha de serviços, nomeadamente no Comintern, a organização internacional dos partidos comunistas. Foi executado pouco tempo depois de ter entrado em choque com Estaline e de não ter feito nada para salvar a vida apesar de conhecer bem o destino dos opositores.
Mais: poucos dias antes da noite em que o próprio Yezhov, o chefe do NKVD, o foi buscar à Casa da Beira-Rio, confessou a uns amigos que "se for preciso fazer sacrifícios pelo Partido, nesse caso, por muito pesados que eles sejam, fá-los-ei jubilosamente". Como escreveria outra vítima do terror estalinista, o argumentista Velerii Frid, "éramos todos coelhos, que reconhecíamos à jibóia o direito de nos engolir; quem caísse sob o poder do seu olhar dirigia-se calmamente para a boca da jibóia, tomado por um sentimento de fatalidade".
Foi assim que bolcheviques como Piatnitsky admitiram as acusações mirabolantes de que eram alvo apesar de se saberem inocentes: bastou-lhes que o Partido o tivesse exigido. Porquê? Porque, como recorda Orlando Figes, "ditava a moralidade comunista que um bolchevique acusado de crimes contra o Partido tinha de se arrepender, de se ajoelhar diante do Partido e de aceitar o juízo que ele fizesse dele". E, contudo, estes homens não eram inúteis desqualificados, bem pelo contrário, eram a elite do país.
Uma elite que, como os coelhos hipnotizados, aceitou ser dizimada sem resistir: dos 139 membros do Comité Central eleitos no congresso de 1934, nos anos de 1937/38, 102 foram presos e executados e cinco suicidaram-se; no mesmo período foram afastados e mortos dois terços dos membros do alto-comando do Exército Vermelho.
O paroxismo atingido durante o Grande Terror representa contudo apenas o episódio mais extremo das várias décadas de poder soviético que Orlando Figes retrata em "Sussurros" através de relatos da vida comum de pessoas comuns. Fruto de um imenso trabalho de recolha de memórias, cartas pessoais e testemunhos orais, realizado quer pelo historiador britânico, quer pela sua equipa, esta obra é um poderoso fresco, com centenas de personagens e uma grandiosidade que o escritor ucraniano Andrei Kurkov já comparou à do "Arquipélago de Gulag", de Aleksandr Solzhenitsyn.
Há também quem evoque "Guerra e Paz", de Tolstoi, ou "Vida e Destino", de Vasily Grossman, mas "Sussurros" não é uma novela histórica, ou mesmo uma novela sobre um fundo histórico: é um livro onde a história é contada pelos próprios e as suas vidas nos surgem tão verdadeiras como inverosímeis, já que muitas ultrapassam a imaginação do maior dos romancistas. Konstatin Simonov, que chegou a ser o escritor mais popular da União Soviética, funciona como uma espécie de anti-herói cuja vida percorre, a par com muitas outras, os diferentes capítulos deste grosso volume de mais de 700 páginas.
Filho uma princesa russa, cresceu a tentar ocultar as suas origens, fez-se operário antes de se aproximar do jornalismo, viajou pelo Gulag para relatar os seus encantos, acompanhou o Exército Vermelho para cantar a sua heroicidade, ascendeu ao topo da União dos Escritores como favorito de Estaline, casou-se e divorciou-se ao sabor das conveniências e das paixões, protegeu alguns amigos e deixou cair outros, fez-se voz do ditador quando este desencadeou as purgas anti-semitas, assistiu atordoado à leitura por Khrushtchev do seu famoso "relatório secreto" ao XX Congresso, acabando por passar o final da vida corroído pelos remorsos.
Noutro plano bem distinto decorre a vida dos membros da família Golovin, camponeses remediados apanhados no turbilhão da colectivização e acusados de serem kulaks. Na aldeia onde viviam, Obukhovo, eram apenas a família mais importante, bons agricultores que ajudavam os demais até ao dia em que um activista desqualificado do Komsomol (a juventude comunista), que tinha a ambição de presidir à nova herdade colectiva - o kolkhoz -, os denunciou. Seguiram então o destino de centenas de milhar de outros agricultores e foram deportados para os campos que haveriam de tornar possível, à força de trabalho escravo, as grandes obras dos "Planos Quinquenais".
No Inverno seguinte Obukhovo veria morrer metade dos seus cavalos e cada um dos seus camponeses proletarizados receberia apenas 50 gramas de pão por dia. A colectivização forçada do mundo rural russo depressa se revelaria um enorme desastre económico e uma ainda maior tragédia humana. Porém ela marcaria, como lhe chama Orlando Figes, "o corte" entre o mundo antigo e o novo mundo soviético, entre uma Rússia ainda a lamber as feridas da guerra civil que se seguiu à Revolução de 1917 e a Rússia uniformemente submetida a Estaline.
Através das inúmeras histórias comuns de que é feito, "Sussurros" permite-nos sentir de uma forma nova, porventura mais próxima e mais sentida, o que foi o gigantesco exercício de engenharia social levado a cabo no primeiro Estado comunista, permitindo perceber até onde chegou a influência dos poderes públicos e onde esta acabou por não conseguir entrar.
O comunismo é, por definição, um exercício contra os indivíduos em nome do colectivo, pelo que não surpreende que a família tivesse sido "a primeira arena de combate dos bolcheviques", como nota Figes. A "família burguesa" era vista como socialmente prejudicial "por ser conservadora e voltada para dentro", "por ser um baluarte da religião", "por promover o egoísmo e o desejo de coisas materiais".
Por isso, inicialmente, na década de 1920, chegou-se a alimentar na Rússia a esperança de que o Estado se substituísse às famílias, ocupando-se das crianças desde o mais cedo possível. "Pelo facto de amar uma criança, a família transforma-a num ser egoísta, incitando-a a tomar-se como o centro do universo", escreveu Zlata Lilina, uma teórica soviética da educação. E um ABC do Comunismo de 1919 defendia que os pais deviam deixar de utilizar termos como "meu" quando se referiam a um filho.
Para conseguirem os seus objectivos os comunistas não hesitaram em criar apartamentos colectivos onde as famílias eram obrigadas a viver em comunidade, quer por ocupação dos apartamentos maiores, quer pela construção de blocos habitacionais onde tudo seria partilhado, da guarda dos filhos à preparação das refeições, passando pela roupa interior e pelos dormitórios divididos por sexos.
Claro que estas utopias mais radicais duraram pouco tempo, mas a promiscuidade em que as famílias foram obrigadas a viver, partilhando muitos espaços comuns, também contribuía para a dissolução dos espaços de privacidade e para a generalização da percepção de que todos espiavam todos. De resto o nome da obra - "Sussurros" - reflecte a prática desses tempos em que ninguém se atrevia a falar alto com receio das "paredes que tinham ouvidos" - até porque as paredes eram, muitas vezes, apenas um lençol pendurado a dividir o espaço de duas famílias.
Conforme os anos passaram a elite do regime foi reivindicando para ela, e para a sua família, o espaço que antes se pretendera negar a todos, numa prova de que destruir a célula base da sociedade não estava sequer ao alcance de um ditador como Estaline. Mas isso não impediu que outro tipo de intrusos se infiltrasse em muitos núcleos familiares: os próprios filhos.
Por um lado, o regime enquadrava as crianças nos pioneiros - e ai de quem não fosse pioneiro... - e, depois, o Komsomol fornecia a via rápida de ascensão nas estruturas do Partido e do Estado. Por outro lado, o sistema incitava à delação, tendo tornado em heróis nacionais crianças que denunciavam os pais como "inimigos do povo", como kulaks ou como membros das antigas classes dominantes, como sucedeu com Pavlik Morozov, um "herói" de 15 anos celebrado por Máximo Gorky por ter percebido "que um parente de sangue também pode ser um inimigo de espírito".
Por fim, criava todo o tipo de estímulos para que o acto de transformação num "bom comunista" fosse não só honroso como, nos anos mais duros, a única hipótese de sobrevivência. "Muitos filhos de kulaks acabaram por ser fervorosos estalinistas, chegando mesmo a fazer carreira nos órgãos repressivos do Estado", conta Orlando Figes. "Para alguns deles, a transformação foi um longo processo consciente de 'trabalho sobre si próprios', que teve custos psíquicos".
O condicionamento da opinião foi tão forte que entre os degredados do Gulag houve quem chorasse a morte de Estaline, da mesma forma que, mesmo passados anos sobre a sua morte, os que entretanto tinham sido reabilitados continuavam a preferir esconder o seu passado.
Figes conta-nos a história de um casal onde só depois de décadas de vida em comum e quando, já no ocaso da existência, o comunismo já estava a entrar em colapso, ambos revelaram um ao outro que eram filhos dos campos de trabalho, um segredo que cada um deles tinha ciosamente escondido do companheiro.
"Sussurros" tem, por tudo isto, o enorme mérito de fazer falar alto vozes que os anos do Grande Terror, mas não só, submeteram ao "grande silêncio". Ao fazê-lo faz mais do que dar rosto e nome às vítimas, ou mais do que dar ambiente e cor à história da Rússia estalinista: consegue também revelar-nos o tremendo poder de um sistema que, ao associar o medo ao orgulho de ideologia redentora, conseguia não apenas aprisionar os corpos como condicionar as mentes.
Ao investirem tudo no sonho do paraíso na terra e na crença da infalibilidade da doutrina e do partido, milhões de russos caminharam mansamente para o cativeiro e para o martírio e, mesmo quando as portas se abriram, continuaram a não ser homens livres. "Sussurros" é pois também a história da tragédia de um povo, no fundo uma brilhante sequela da primeira e marcante obra de Figes, "A People's Tragedy: The Russian Revolution".
Porque é que a Missão Americana da Cruz Vermelha de 1917 enviada para a Rússia incluia mais homens ligados à finança do que médicos?
Em vez de cuidar das vítimas da guerra e da revolução, os seus membros pareciam mais interessados em negociar contractos com o governo de Kerensky e, subseqüentemente, com o regime Bolchevique.
Numa investigação corajosa, Antony Sutton disponibiliza evidências históricas sólidas que estabelecem uma ligação entre os capitalistas Americanos e os Comunistas Russos.
Baseando-se nos ficheiros do "State Department", documentos pessoais de figuras importantes de Wall Street, biografias e histórias convencionais,
Sutton revela:
1) O papel que os executivos banqueiros da Morgan tiveram em canalizar ouro Bolchevique ilegal para os EUA;
2) O uso da Cruz Vermelha por parte de forças poderosas de Wall Street;
3) A intervenção por parte de fontes de Wall Street para libertar o revolucionário Marxista Leon Trotsky, cujo objectivo era derrubar o governo Russo;
4) Os acordos feitos pelas grandes companhias como forma de capturar o enorme mercado Russo uma década e meia antes dos EUA reconhecerem o regime Soviético;
5) E O patrocínio secreto feito ao Comunismo por parte de homens de negócios de topo, que em público davam o seu apoio vocal ao mercado livre.
"Wall Street and the Bolshevik Revolution" [Wall Street e a Revolução Bolchevique] localiza o financiamento ocidental feito à União Soviética.
De forma desapaixonada e fundamentando-se em evidências sobrepujantes, o autor pormenoriza uma fase importante na formação da Rússia Comunista.
Este estudo clássico - publicado pela primeira vez no ano de 1874 como parte duma trilogia - é publicado aqui na sua forma original
Como acontece quase sempre no esquerdismo, a verdade é totalmente diferente daquela que nos é apresentada.
A luta dos esquerdistas "contra" os capitalistas é uma das fachadas mais bem construídas do século 20. Na verdade, o Comunismo sempre dependeu do dinheiro capitalista para sobreviver. Ainda hoje, a agenda cultural esquerdista (feminismo, gayzismo, aborto, multiculturalismo, etc) é financiada pelos mesmos grupos económicos que deram o seu apoio à Revolução Comunista. E o objectivo continua a ser o mesmo.
O propósito do Comunismo não foi, não é, nem nunca vai ser só estabelecer um sistema económico; o propósito do Comunismo é entregar o poder total nas mãos duma elite não-representativa das intenções da maioria da população. O que a elite faz quando chega ao poder é irrelevante: o que interessa é que eles fiquem perpetuamente no poder.
Para um comunista, a Coreia do Norte e Cuba são modelos políticos a seguir porque nestes países os Comunistas têm o poder total. O facto destes países viverem na miséria absoluta é periférico desde que os esquerdistas tenham o poder.
Para um esquerdista, é melhor um país pobre mas controlado por esquerdistas, do que um país rico não-controlado por esquerdistas. É precisamente por isso que um esquerdista pode dizer barbaridades como "temos que fazer todos os possíveis para que a História humana não volte a produzir um país como os EUA" ao mesmo tempo que se mantém em silêncio em relação à já mencionada Cuba, à Coreia do Norte ou em relação a qualquer outro regime controlado por Comunistas - responsáveis pelas maiores barbáries da história da humanidade, só superados pelas matanças do islão.
Em algumas partes do mundo os Comunistas lutam por um leque de causas, mas noutra parte do globo lutam por causas exactamente opostas. Para uma pessoa normal, isto não faz sentido nenhum, mas para um esquerdista isto faz sentido porque o que lhe interessa não é ser consistente e coerente mas sim obter o poder.
Portanto, sempre que virmos um Comunista a militar contra o capitalismo, podemos ter a certeza que estamos perante um mentiroso ou um idiota útil (ou ambas)
É uma noção frequentemente mal entendida de que a arte "moderna" e
"abstracta" foi um desenvolvimento orgânico que emergiu na
sociedade na sua batalha contra a "opressão" e contra a "arte folclórica" das
classes mais baixas. Na verdade, a arte feia e degenerada teve as suas
origens nos círculos Soviéticos e comunistas como meio de atacar a
beleza estética.
Eu comento com frequência o facto da arquitectura
“Bauhaus” ser comunista e isto gera surpresa nos ouvintes, mas os
factos claramente demonstram que a "arte moderna" é quase toda ela uma invenção comunista e Soviética duma cultura específica como arma.
Para entender isto, temos que olhar para o Marxismo da Escola de
Frankfurt, focada que estava na engenharia social e na destruição da
cultura Ocidental. Uma cultura-arma era a ferramenta-chave para a
destruição da estrutura social e dos valores sociais do Ocidente. Isto
é também verdade em relação às transformações modernas da "arte" para a
sua crítica interna niilista em torno do sentido, feito através do
hipsterismo. O hipsterismo pode correctamente ser identificado como o
florescimento pleno da teoria crítica de Theodore Adorno,
particularmente em termos musicais. Adorno escreve:
O que a música
entende é o sofrimento não transfigurado do homem . . . O registo
sismográfico do choque traumático torna-se, ao mesmo tempo, a lei
estrutural técnica da música. Ela proíbe a continuidade e o
desenvolvimento. A linguagem musical é polarizada segundo os extremos,
rumo a gestos de choque assemelhando-se a convulsões corporais, por um
lado, e rumo à paralisação cristalina do ser humano a quem a ansiedade
causa a que ele congele à medida que ela vai passando. ... A música
moderna vê o esquecimento absoluto como o seu propósito. É a desesperada mensagem restante do desesperodonáufrago.
Portanto, a música moderna está orientada rumo à destruição da
ordem, da beleza, da forma e do significado - fazendo uma guerra a
todos os elementos com o propósito de desorientar a psique do homem e
destruir a sua visão do mundo. De facto, Adorno descreve-a como uma
tentativa propositada de causar uma loucura:
Não se dá o caso da esquizofrenia estar
directamente expressa dentro dela; mas a música assume sobre ela mesma
a atitude similar a do mentalmente doente. O indivíduo traz sobre si a
sua própria desintegração. . . . Ele imagina a realização da promessa
através da música, mas mesmo assim dentro da esfera da realidade
imediata. . . . . A sua preocupação é a de dominar os traços de
esquizofrenia através da consciência estética. Ao fazer isto, ela tem a
esperança de vincular a insanidade como a verdadeira saúde.
Os analistas Meyer e Steinberg comentam:
Adorno detalhou o
seguinte: 1) despersonalização, a perda da ligação com o próprio
corpot; 2) hebefrenia, que ele definiu como "a indiferença do corpo
doente para com o mundo externo"; 3) catatonia ("um comportamento
semelhante familiar junto de pacientes que se encontram sobrepujados
com algum evento chocante"); e 4) necrofilia. Adorno declarou: "A
pedofilia universal é a última perversidade do estilo."
Adorno foi recrutado, se assim se pode dizer, pelo Ocidente para
desencadear uma guerra a nível global através do Marxismo cultural.
Meyer e Steinberg comentam:
Um pianista promissor durante a sua
juventude, Adorno estudou mais tarde sob a instrução do compositor
atonal Arnold Schoenberg. Em 1946, enquanto ainda se encontrava nos EUA
a trabalhar em favor do "Péssimismo Cultural" da Escola de Frankfurt, o
antigo activo do Comintern Soviético (Comunista Internacional), agora a
viver de forma abastada graças às Fundações da família Rockefeller e
graças a outras fundações anglo-americanas, escreveu um livro infame
com o título de, The Philosophy of Modern Music, uma diatribe dificilmente inteligível contra a cultura Clássica.
A Fundação Rockefeller promoveu a arte moderna globalmente,
utilizando os serviços secretos ocidentais para espalhar a morte que é
a arte abstracta. O The London Independent declara:
O governo dos EUA encontrava-se agora
perante um dilema. Este filistismo (espírito de filisteu), combinado
com as denûncias histéricas de Joseph McCarthy contra tudo o que era avant-garde
ou não-ortodoxo, eram profundamente embaraçosos uma vez que
desacreditavam a ideia da América como uma democracia sofisticada e
culturalmente rica. Isto impedia também o governo Americano de
consolidar a transladação da supremacia cultural de Paris para Nova
York desde os anos 1930 do século 20. Para resolver este dilema, a CIA
foi trazida.
A ligação não é assim tão estranha
como se possa pensar. Por esta altura, esta nova agência, cheia de
graduados da Universidade Yale e da Universidade Harvard (muitos deles
colecionadores de arte e escritores de novelas no seu tempo livre) era
um local totalmente entregua ao esquerdismo, especialmente se
compararmos com o FBI de J. Edgar Hoover e o mundo político dominado
pelo Senador McCarthy. Se existia alguma instituição bem colocada para
celebrar uma colecção de Leninistas, Trotskistas e os beberrões
que faziam parte da "New York School", essa instituição era a CIA.
E,
Para prosseguir com o seu interesse clandestino na esquerda avant-garde
americana, a CIA tinha que se certificar que o seu patrocínio não
era descoberto. “Os assuntos deste calibre só poderiam ser feitos após
2 ou três manobras," explicou o sr Jameson, “de modo a que não
surgissem dúvidas em torno da ilibação de Jackson Pollock, por exemplo,
ou fazer alguma coisa que envolvesse estas pessoas na organização. E
não poderia ser nada mais próximo uma vez que a maior parte destas
pessoa tinha muito pouco respeito pelo governo em particular, e nenhum
respeito pela CIA,
Se fosse preciso usar pessoas que se
consideravam, de uma forma ou de outra, mais próximas a Moscovo do que
a Washington, bem, então se calhar é o melhor.”
(...)
Podemos ver claramente a rede de esgoto do Marxismo e da
necrofilia da Escola de Frankfurt para ao lixo moderno e para
insignificância hipster pós-moderna, O que estes hipsters não entendem
é que a sua "filosofia" do vazio nada mais é que uma ferramenta de
engenharia social para os idiotas, que terá como consequência a
destruição destes mesmos idiotas.
A contemporânea guerra cultural e politica contra a família tem várias causas, sendo o feminismo a mais significante. As feministas da "Primeira Vaga" do início do século 20 não eram de todo contra a família. De facto, uma das suas exigências era a de que a lareira e a casa deveriam ser o domínio da mulher (Referencia). Foi só com a segunda vaga de feminismo - nos finais dos anos 60 - que o ataque feminista à família teve início.
Neil Lyndon, no seu livro de 1992 com o título 'No More Sex War', provavelmente foi o primeiro a rastrear as origens da segunda vaga do feminismo até à ideologia Marxista. Vale a pena lembrar o argumento de Lyndon.
Durante os anos 60 ocorreu uma vaga de assassinatos de elevada notoriedade: os Kennedys, Martin Luther King, Malcolm X, e assim por diante. Estes eventos, como ressalva Lyndon, cheiravam a corrupção e conspiração, mas o establishment político encolheu os ombros e não fez nada.
Aqueles que estavam preocupados aperceberam-se então que a Direita política não estava interessada; eles foram, para todos os efeitos, levados para a Esquerda em busca de soluções, e no contexto da Guerra Fria, a Esquerda politica significava o bloco Sino-Soviético. Como diz Lyndon, “Não tinhamos para onde ir senão para Leste”.
A Guerra Fria estava na sua força máxima e os jovens da classe média do mundo ocidental tornaram-se politicamente envolvidos em assuntos tais como a guerra do Vietname e os movimentos civis dos negros americanos. Existia um fosso geracional radical entre esta juventude e os seus progenitores, chegando até a um ponto de incompreensão mútua. Os jovens não encontraram nada na cultura política dos seus pais que lhes desse as respostas que eles buscavam. De facto, a cultura política dos seus pais era frequentemente identificada como a causa dos problemas.
As músicas populares da altura reflectiam estes sentimentos. A canção de David Bowie com o nome ‘Changes’ incluia frases como:
"Que desorganização! Vocês deixaram-nos mergulhados nela até ao pescoço" [“What a mess. You’ve left us up to our necks in it”]
Havia um slogan popular nos lábios da juventude radical: não confiar em alguém com mais de 30 anos.
A geração jovem dos anos 60, que Lyndon identifica como a "Nova Esquerda", buscou inspiração na China e na União Soviética, adoptando o Marxismo-Leninismo-Maoismo. O Marxismo tornar-se-ia na visão política de muitos dos jovens, incluindo as feministas, e Lyndon tenta identificar a forma como isto aconteceu.
De forma resumida, Karl Mark descreveu a sociedade em termos de luta entre classes económicas diferentes: os poderosos e "burgueses" donos das empresas, e as alienadas classes operárias do "proletariado". Marx declarou que "toda a história é a história da luta política". Devido a isto, ele viu a sociedade humana como uma caracterizada essencialmente pelo constante conflito entre grupos com interessses irreconciliáveis.
A análise social de Marx foi enquadrada em termos de classes económicas, mas isto, alega Lyndon, foi adaptado pelo movimento dos Panteras Negras de modo a que ficasse enquadrado em termos raciais.
Em vez de termos uma sociedade onde ocorria uma luta de classes, os Panteras Negras olharam para o problema como uma luta entre raças. Isto, alega Lyndon, foi o ponto de partida da natureza fascista do pensamento da Nova Esquerda.
Por sua vez, este pensamento foi adoptado pelo movimento feminista da altura. A sociedade foi representada por elas em termos quasi-Marxistas como sendo uma luta histórica de sexo contra sexo, onde ao homem era conferido o papel do poderoso burguês e à mulher o papel do "proletariado" oprimido.
Portanto, Lyndon alega que as feministas dos finais dos anos 60 e inícios dos anos 70 foram fortemente influenciadas pelos direitos civis negros. Muitas historiadoras feministas concordariam. É interessante notar que John Lennon e Yoko Ono escreveram uma canção com o título ‘Woman is the nigger of the world’.
O slogan "O Pessoal é Político" é frequentemente associado ao feminismo, mas Lyndon alega que ele teve início junto dos Panteras Negras. Curiosamente, Jung Chang em Wild Swans atribui a expressão ao próprio Mao Tse Tung, de quem os Panteras Negras obtiveram a expressão, sendo mais tarde adoptada pelas feministas.
Esta mutação final da teoria Marxista para dentro da arena da política sexual foi a última grande modificação de paradigma na forma de pensar da Nova Esquerda. Consequentemente, esta é a herança ideológical que perdura até aos nossos dias.
Esta adopção por parte da teoria Marxista foi sem dúvida o motivo mais significativo por trás do ataque feminista à família. É preciso levar em conta que por esta altura a pílula contraceptiva e o aborto seguro [sic] e legal encontravam-se disponíveis. Isto significava que pela primeira vez, as mulheres poderiam controlar a sua própria fertilidade. Antes disso, ter relações sexuais significava correr o risco de engravidar; desmantelar a família não era uma opção nessas circunstâncias. De certa forma, foi a pílula que tornou um ataque à família algo possível de se levar a cabo.
Marx, a família e a experiência soviética
De forma a entender o ataque feminista à família, é necessário entender o pensamento Marxista em torno do assunto. Marx, que viveu durante a revolução industrial, ficou impressionado com os feitos da produção mecânica. Ele olhava para as pessoas apenas como mais um componente dentro dum sistema de economia politica, e acreditava que, à nascença, o ser humano era um 'folha em branco' - o nosso pensamento era determinado pelo nosso ambiente e não por nada inerente. Ele via a família como um resquício de uma vida pastoral antiga, que não se enquadrava na idade das máquinas. Porque não industrializar também a produção de crianças?
Na década com início em 1840 Engels, colaborador de Marx, escreveu 'A origem da família, propriedade privada e do Estado' [The origins of the family, private property and the State]. Nele, Engels alega que o operário das fábricas serve os interesses do capital, e a sua esposa serve os interesses do operário. Tal como ele é um escravo da máquina da fábrica, ela é escrava dele. Ela é mal paga enquanto garante que o operário é capaz de trabalhar. Ela tem também que gerar novos trabalhadores. Desta forma, ela serve os interesses do capitalismo.
Portanto, Engels caracteriza a família de uma forma desumana e altamente politicizada. Este livro tornou-se muito influente junto das feministas dos anos 60, e é, desde então, uma das razões principais por trás do ataque feminista à família.
A ideia da filhos industrializados foi levada até à sua conclusão lógica - e satirizada - no livro clássico de Aldous Huxley com o nome de "Brave New World".
Dominic Lawson, no seu ensaio "You can blame it all on Karl Marx" descreve como estas ideias foram tentadas - e abandonadas - pela União Soviética:
Nos primeiros anos da União Soviética houve uma genuína tentativa, melhor descrita por Ferdinand Mount no livro "The Subversive Family", de aplicar o pensamento Marxista à família. Lunacharski, o Comissário da Educação, declarou que "O nosso problema actual é acabar com a família é libertar a mulher do cuidado de crianças . . . . os termos "os meus pais", "os nossos filhos" gradualmente cairão em desuso."
Isto, alegou claimed Lunacharski, permitirá a transição para "a tal sociedade pública abrangente que substituirá a lareira doméstica, sim, essa unidade familiar que se distancia da sociedade. Um Comunista genuíno evitará tal emparelhamento matrimonial permanente e buscará satisfazer as suas necessidades através duma liberdade baseada em relacionamentos mútuos ... de modo a que seja impossível determinar quem é aparentado com quem. Isto é uma construção social."
As consequências desta política foram exactamente as mesmas que a "construção social" que observamos hoje em dia em algumas partes das nossas cidades: caos social, filhos abandonados, e um aumento rápido de doenças venéreas.
O Partido Comunista da União Soviética rapidamente começou a abandonar a visão familiar Marxista. Novas leis foram introduzidas que compeliam os cônjuges divorciados - e não o Estado - a contribuir para a sustento dos seus filhos. O divórcio foi dificultado e tornado mais dispendioso.
O meu primeiro encontro deixou-me cheia de dúvidas. O mesmo foi mantido num casa muito classe-média em Chiswick e eu olhei para os cartazes de Mao nas paredes da sala de estar. Quando me perguntaram o porquê de eu estar ali, eu disse que o meu marido era um repórter televisivo e devido a isso raramente estava em casa; como tal eu sentia-me sozinha e isolada com os meus dois filhos.
O seu problema não é o seu isolamento mas o seu marido. Ele oprime-a e é um capitalista.
Eu ressalvei o facto dela também ter uma mensalidade da casa para pagar, e que longe de ser um "opressor", o meu marido tinha ficado em casa a tomar conta das crianças enquanto eu ia à reunião. O marido dela encontrava-se numa reunião sindical a organizar a fábrica "Brentford Biscuit", com a ajuda das suas qualificações em Ciência Política, como forma de preparar a revolução vindoura.
O que a mulher não sabia é que eu era filha dum diplomata. Nasci na China e viajei o mundo inteiro com o meu pai. Também trabalhei para o Ministério das Relações Exteriores e estava bem ciente das atrocidades da Rússia e da China.
Depois, durante o chá, foi-nos assegurado que as mulheres eram um grupo minoritário. Eu ressalvei que as mulheres são 52% da população mundial. Foi-me dado o pequeno livro vermelho de Mao e uma cópia da revista SHREW magazine. Levei-a para casa e fiquei horrorizada com o ódio que a mesma vomitava contra os homens.
Pizzey foi eventualmente expulsa porque se recusou a condenar os homens e a família.
Através da leitura da literatura do Movimento das Mulheres, apercebi-me que aquelas milhares de mulheres a trabalhar em áreas educativas, bem como as jornalistas e as produtoras televisivas, encontravam-se determinadas em destruir a vida familiar inglesa. "Façam do pessoal algo político" era um dos seus estandartes. Como consequência disso, milhares de mulheres violentas e perturbadas atacaram as mulheres que se encontravam felizes no seu estilo de vida. Encontros secretos foram realizados (quase tudo era feito em segredo) e eu recebi uma carta . . . "você não deveria trabalhar no escritório ou frequentar algum dos colectivos."