A contemporânea guerra cultural e politica contra a família tem várias causas, sendo o feminismo a mais significante. As feministas da "Primeira Vaga" do início do século 20 não eram de todo contra a família. De facto, uma das suas exigências era a de que a lareira e a casa deveriam ser o domínio da mulher (Referencia). Foi só com a segunda vaga de feminismo - nos finais dos anos 60 - que o ataque feminista à família teve início.
Neil Lyndon, no seu livro de 1992 com o título 'No More Sex War', provavelmente foi o primeiro a rastrear as origens da segunda vaga do feminismo até à ideologia Marxista. Vale a pena lembrar o argumento de Lyndon.
Durante os anos 60 ocorreu uma vaga de assassinatos de elevada notoriedade: os Kennedys, Martin Luther King, Malcolm X, e assim por diante. Estes eventos, como ressalva Lyndon, cheiravam a corrupção e conspiração, mas o establishment político encolheu os ombros e não fez nada.
Aqueles que estavam preocupados aperceberam-se então que a Direita política não estava interessada; eles foram, para todos os efeitos, levados para a Esquerda em busca de soluções, e no contexto da Guerra Fria, a Esquerda politica significava o bloco Sino-Soviético. Como diz Lyndon, “Não tinhamos para onde ir senão para Leste”.
A Guerra Fria estava na sua força máxima e os jovens da classe média do mundo ocidental tornaram-se politicamente envolvidos em assuntos tais como a guerra do Vietname e os movimentos civis dos negros americanos. Existia um fosso geracional radical entre esta juventude e os seus progenitores, chegando até a um ponto de incompreensão mútua. Os jovens não encontraram nada na cultura política dos seus pais que lhes desse as respostas que eles buscavam. De facto, a cultura política dos seus pais era frequentemente identificada como a causa dos problemas.
As músicas populares da altura reflectiam estes sentimentos. A canção de David Bowie com o nome ‘Changes’ incluia frases como:
"Que desorganização! Vocês deixaram-nos mergulhados nela até ao pescoço" [“What a mess. You’ve left us up to our necks in it”]
Havia um slogan popular nos lábios da juventude radical: não confiar em alguém com mais de 30 anos.
A geração jovem dos anos 60, que Lyndon identifica como a "Nova Esquerda", buscou inspiração na China e na União Soviética, adoptando o Marxismo-Leninismo-Maoismo. O Marxismo tornar-se-ia na visão política de muitos dos jovens, incluindo as feministas, e Lyndon tenta identificar a forma como isto aconteceu.
De forma resumida, Karl Mark descreveu a sociedade em termos de luta entre classes económicas diferentes: os poderosos e "burgueses" donos das empresas, e as alienadas classes operárias do "proletariado". Marx declarou que "toda a história é a história da luta política". Devido a isto, ele viu a sociedade humana como uma caracterizada essencialmente pelo constante conflito entre grupos com interessses irreconciliáveis.

Em vez de termos uma sociedade onde ocorria uma luta de classes, os Panteras Negras olharam para o problema como uma luta entre raças. Isto, alega Lyndon, foi o ponto de partida da natureza fascista do pensamento da Nova Esquerda.
Por sua vez, este pensamento foi adoptado pelo movimento feminista da altura. A sociedade foi representada por elas em termos quasi-Marxistas como sendo uma luta histórica de sexo contra sexo, onde ao homem era conferido o papel do poderoso burguês e à mulher o papel do "proletariado" oprimido.
Portanto, Lyndon alega que as feministas dos finais dos anos 60 e inícios dos anos 70 foram fortemente influenciadas pelos direitos civis negros. Muitas historiadoras feministas concordariam. É interessante notar que John Lennon e Yoko Ono escreveram uma canção com o título ‘Woman is the nigger of the world’.
O slogan "O Pessoal é Político" é frequentemente associado ao feminismo, mas Lyndon alega que ele teve início junto dos Panteras Negras. Curiosamente, Jung Chang em Wild Swans atribui a expressão ao próprio Mao Tse Tung, de quem os Panteras Negras obtiveram a expressão, sendo mais tarde adoptada pelas feministas.
Esta mutação final da teoria Marxista para dentro da arena da política sexual foi a última grande modificação de paradigma na forma de pensar da Nova Esquerda. Consequentemente, esta é a herança ideológical que perdura até aos nossos dias.
Esta adopção por parte da teoria Marxista foi sem dúvida o motivo mais significativo por trás do ataque feminista à família. É preciso levar em conta que por esta altura a pílula contraceptiva e o aborto seguro [sic] e legal encontravam-se disponíveis. Isto significava que pela primeira vez, as mulheres poderiam controlar a sua própria fertilidade. Antes disso, ter relações sexuais significava correr o risco de engravidar; desmantelar a família não era uma opção nessas circunstâncias. De certa forma, foi a pílula que tornou um ataque à família algo possível de se levar a cabo.
Marx, a família e a experiência soviética
De forma a entender o ataque feminista à família, é necessário entender o pensamento Marxista em torno do assunto. Marx, que viveu durante a revolução industrial, ficou impressionado com os feitos da produção mecânica. Ele olhava para as pessoas apenas como mais um componente dentro dum sistema de economia politica, e acreditava que, à nascença, o ser humano era um 'folha em branco' - o nosso pensamento era determinado pelo nosso ambiente e não por nada inerente. Ele via a família como um resquício de uma vida pastoral antiga, que não se enquadrava na idade das máquinas. Porque não industrializar também a produção de crianças?
Na década com início em 1840 Engels, colaborador de Marx, escreveu 'A origem da família, propriedade privada e do Estado' [The origins of the family, private property and the State]. Nele, Engels alega que o operário das fábricas serve os interesses do capital, e a sua esposa serve os interesses do operário. Tal como ele é um escravo da máquina da fábrica, ela é escrava dele. Ela é mal paga enquanto garante que o operário é capaz de trabalhar. Ela tem também que gerar novos trabalhadores. Desta forma, ela serve os interesses do capitalismo.
Portanto, Engels caracteriza a família de uma forma desumana e altamente politicizada. Este livro tornou-se muito influente junto das feministas dos anos 60, e é, desde então, uma das razões principais por trás do ataque feminista à família.
A ideia da filhos industrializados foi levada até à sua conclusão lógica - e satirizada - no livro clássico de Aldous Huxley com o nome de "Brave New World".
Dominic Lawson, no seu ensaio "You can blame it all on Karl Marx" descreve como estas ideias foram tentadas - e abandonadas - pela União Soviética:
Nos primeiros anos da União Soviética houve uma genuína tentativa, melhor descrita por Ferdinand Mount no livro "The Subversive Family", de aplicar o pensamento Marxista à família. Lunacharski, o Comissário da Educação, declarou que "O nosso problema actual é acabar com a família é libertar a mulher do cuidado de crianças . . . . os termos "os meus pais", "os nossos filhos" gradualmente cairão em desuso."
Isto, alegou claimed Lunacharski, permitirá a transição para "a tal sociedade pública abrangente que substituirá a lareira doméstica, sim, essa unidade familiar que se distancia da sociedade. Um Comunista genuíno evitará tal emparelhamento matrimonial permanente e buscará satisfazer as suas necessidades através duma liberdade baseada em relacionamentos mútuos ... de modo a que seja impossível determinar quem é aparentado com quem. Isto é uma construção social."
As consequências desta política foram exactamente as mesmas que a "construção social" que observamos hoje em dia em algumas partes das nossas cidades: caos social, filhos abandonados, e um aumento rápido de doenças venéreas.
O Partido Comunista da União Soviética rapidamente começou a abandonar a visão familiar Marxista. Novas leis foram introduzidas que compeliam os cônjuges divorciados - e não o Estado - a contribuir para a sustento dos seus filhos. O divórcio foi dificultado e tornado mais dispendioso.
Isto, alegou claimed Lunacharski, permitirá a transição para "a tal sociedade pública abrangente que substituirá a lareira doméstica, sim, essa unidade familiar que se distancia da sociedade. Um Comunista genuíno evitará tal emparelhamento matrimonial permanente e buscará satisfazer as suas necessidades através duma liberdade baseada em relacionamentos mútuos ... de modo a que seja impossível determinar quem é aparentado com quem. Isto é uma construção social."
As consequências desta política foram exactamente as mesmas que a "construção social" que observamos hoje em dia em algumas partes das nossas cidades: caos social, filhos abandonados, e um aumento rápido de doenças venéreas.
O Partido Comunista da União Soviética rapidamente começou a abandonar a visão familiar Marxista. Novas leis foram introduzidas que compeliam os cônjuges divorciados - e não o Estado - a contribuir para a sustento dos seus filhos. O divórcio foi dificultado e tornado mais dispendioso.
As feministas do início dos anos 70 estavam obviamente ignorantes das experiências soviéticas em torno da engenharia familiar - ou então escolheram ignorá-las. Erin Pizzey descreve a experiência de se juntar ao movimento feminista em 1971:
O meu primeiro encontro deixou-me cheia de dúvidas. O mesmo foi mantido num casa muito classe-média em Chiswick e eu olhei para os cartazes de Mao nas paredes da sala de estar. Quando me perguntaram o porquê de eu estar ali, eu disse que o meu marido era um repórter televisivo e devido a isso raramente estava em casa; como tal eu sentia-me sozinha e isolada com os meus dois filhos.
O seu problema não é o seu isolamento mas o seu marido. Ele oprime-a e é um capitalista.Eu ressalvei o facto dela também ter uma mensalidade da casa para pagar, e que longe de ser um "opressor", o meu marido tinha ficado em casa a tomar conta das crianças enquanto eu ia à reunião. O marido dela encontrava-se numa reunião sindical a organizar a fábrica "Brentford Biscuit", com a ajuda das suas qualificações em Ciência Política, como forma de preparar a revolução vindoura.
O que a mulher não sabia é que eu era filha dum diplomata. Nasci na China e viajei o mundo inteiro com o meu pai. Também trabalhei para o Ministério das Relações Exteriores e estava bem ciente das atrocidades da Rússia e da China.
Depois, durante o chá, foi-nos assegurado que as mulheres eram um grupo minoritário. Eu ressalvei que as mulheres são 52% da população mundial. Foi-me dado o pequeno livro vermelho de Mao e uma cópia da revista SHREW magazine. Levei-a para casa e fiquei horrorizada com o ódio que a mesma vomitava contra os homens.
Pizzey foi eventualmente expulsa porque se recusou a condenar os homens e a família.
Através da leitura da literatura do Movimento das Mulheres, apercebi-me que aquelas milhares de mulheres a trabalhar em áreas educativas, bem como as jornalistas e as produtoras televisivas, encontravam-se determinadas em destruir a vida familiar inglesa. "Façam do pessoal algo político" era um dos seus estandartes. Como consequência disso, milhares de mulheres violentas e perturbadas atacaram as mulheres que se encontravam felizes no seu estilo de vida. Encontros secretos foram realizados (quase tudo era feito em segredo) e eu recebi uma carta . . . "você não deveria trabalhar no escritório ou frequentar algum dos colectivos."
Continua na 2º Parte . . .