segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Escola de Frankfurt e o Politicamente Correcto - Parte 3

Esta é a 3ª Parte dum artigo iniciado aqui.

III. Criando a "Opinião Pública": O bicho-papão da "Personalidade Autoritária" e a OSS

Como forma de obter um controle maior dos métodos que estavam a desenvolver, os esforços dos conspiradores do "Radio Project" (para manipular a população) gerou a pseudo-ciência da sondagem de opinião.

Actualmente, as sondagens de opinião, tal como as notícias televisivas, tornaram-se parte integral da nossa sociedade. Uma "pesquisa científica" do que se diz que as pessoas pensam sobre um assunto pode ser produzido em menos de 24 horas. Algumas campanhas para lugares políticos de destaque são totalmente moldadas pelas sondagens; de facto, e como forma aumentarem a sua imagem "popular", muitos políticos tentam eles mesmos criar assuntos que eles sabem serem insignificantes, mas que eles sabem que irão ter uma aparência boa nas sondagens.

Decisões políticas importantes são tomadas devido aos resultados de sondagens, antes mesmo do voto dos cidadãos ou do voto do corpo legislativo. Ocasionalmente jornais irão escrever artigos piedosos, apelando às pessoas para que pensem pela sua própria cabeça. ao mesmo tempo que os agentes de negócios desse mesmo jornal enviam um cheque às organizações responsáveis pelas sondagens.

Claro que a ideia da "opinião pública" não é nova. Platão, há mais de 2 mil anos atrás, falou contra ela no seu livro "A República"; Alexis de Tocqueville escreveu bastante sobre a sua influência na América do início do século 19. No entanto, ninguém pensou em medir a opinião pública antes do século 20, e antes de 1930 ninguém pensou em usar essas medidas como algo a levar em conta na tomada de decisões.

É bastante útil parar e reflectir sobre todo o seu conceito. A crença de que a opinião pública pode ser um determinador de verdade é, filosoficamente, uma loucura, e uma crença que rejeita a ideia duma mente individual racional. Todas essas mentes individuais têm em si a divina chama da razão, e consequentemente são capazes de descobertas científicas e capazes de entender as descobertas alheias. A mente individual é, portanto, uma das poucas coisas que não pode ser reduzida a uma "média".

Tomemos como o exemplo o seguinte: é possível, senão mesmo provável, que o cientista que faz uma descoberta seja a única pessoa a ter essa opinião sobre a natureza, enquanto que as outras pessoas têm uma opinião diferente. Só podemos imaginar o que uma "pesquisa levada a cabo de um modo científico" em torno do modelo de Kepler sobre o sistema solar teria sido pouco depois dele ter publicado "Harmony of the World": 2% a favor, 48% contra, e 50% sem opinião.

Estas técnicas de pesquisa psicossomáticas tornaram-se o padrão não só para a Escola de Frankfurt, mas também através de todos os departamentos de ciência social Americanos, especialmente depois do Instituto para Pesquisa Social ter chegado aos Estados Unidos. A metodologia foi a base para o artigo de pesquisa pelo qual a Escola  de Frankfurt é mais conhecida, o projecto da "personalidade autoritária".

Em 1942, Max Horkheimer, director do Instituto para Pesquisa Social, entrou em contacto com o Comité Judaico Americano, que lhe pediu [a Horkheimer] para criar um Departamento para Pesquisa Científica dentro da sua organização. O Comité Judaico Americano providenciou também um donativo enorme para o estudo do anti-Semitismo dentro da população Americana. Na introdução do seu estudo, Horkheimer escreveu:
O nosso propósito não é só o de descrever o preconceito, mas explicá-lo como forma de ajudar à sua erradicação.... A erradicação significa a re-educação cientificamente planeada com base no entendimento científico da forma como ele [o preconceito] surgiu.
A Escala A-S

Em última análise, durante o final dos anos 40 cinco volumes foram produzidos para este estudo; o mais importante foi o último, A Personalidade Autoritária, por Adorno (com a ajuda de três psicólogos sociais de Berkley - Califórnia). Durante os anos 30 Erich Fromm havia inventado um questionário a ser usado como forma de analisar os trabalhadores Alemães psicanalicamente: "autoritários", "revolucionários", ou "ambivalentes". O cerne do estudo de Adorno foi, mais uma vez, a escala de Fromm, mas com o final positivo alterado de "personalidade revolucionária" para "personalidade democrática" como forma de tornar as coisas mais palatáveis para a audiência do pós-guerra.

Nove traços de personalidade foram testados e medidos, tais como:

Convencionalismo - Aderência rígida aos valores convencionais da classe média.

Agressão Autoritária - A tendência de estar alerta, condenar, rejeitar e punir as pessoas que violam os valores convencionais.

Projectividade - A tendência para acreditar que coisas incríveis e perigosas estão a ocorrer pelo mundo.

Sexo - Preocupação exagerada com o que sexualmente ocorre [na sociedade].

A partir destas medidas, foram construídas várias escalas:

* A Escala E (Etnocentrismo)

* A Escala PEC (Conservadorismo Económico e Político [em inglês: "political and economic conservatism"])

* A Escala A-S (anti-Semitismo)

* A Escala F (Fascismo)


Usando a metodologia de aferição de resultados de Rensis Lickerts, os autores foram capazes de construir uma definição empírica do que Adorno chamou de "um novo tipo antropológico", a personalidade autoritária. A prestidigitação aqui, tal como em todos os trabalhos de pesquisa psicanalíticos, é a pressuposição do "tipo" Weberiana. Mas o tipo está estatisticamente determinado, todo o seu comportamento pode ser explicado. Se uma personalidade anti-Semita não age duma forma anti-Semita, então ele ou ela têm um motivo oculto para tal, ou está a ser descontínuo. A ideia de que a mente humana é capaz de mudar é ignorada.

Os resultados deste estudo podem ser interpretados duma forma diametricamente oposta. É possível dizer que a população Americana era de forma geral conservadora, não queria abandonar a economia capitalista, acreditava numa família forte e olhava para a promiscuidade sexual como algo a ser punido, olhava para o mundo pós-guerra era um lugar perigoso, e ainda tinha fortes suspeitas dos Judeus (e dos Negros, dos Católicos Romanos, etc. - infelizmente, algo verídico mas passível de correcção dentro dum contexto de crescimento económico e optimismo cultural).

Por outro lado, é possível usar estes dados para provar que os progroms anti-Judaicos e que os comícios ao estilo de Nuremberga estavam eminentes, prestes a acontecer, esperando apenas que um novo Hitler desse início. Qualquer que seja a interpretação que se aceite, é onsequência duma decisão política e não duma decisão científica.

Horkheimer e Adorno acreditavam firmemente que todas as religiões, incluindo o Judaísmo, eram "o ópio das massas". O seu propósito não era proteger os Judeus do preconceito, mas sim criar uma definição de autoritarismo e anti-Semitismo que pudesse ser explorada como forma de forçar a "re-educação cientificamente planeada" dos Americanos e dos Europeus para longe dos princípios da civilização Judaico-Cristã, que os membros da Escola de Frankfurt tanto desprezavam.

Nos seus escritos teóricos deste período, Horkheimer e Adorno avançaram com esta tese para o seu nível mais paranóico: tal como o capitalismo era inerentemente fascista, a filosofia do Cristianismo era ela mesma uma fonte de anti-Semitismo. Tal como Horkheimer e Adorno escreveram em conjunto em 1947 no seu "Elements of Anti-Semitism":
Cristo, o Espírito que Se tornou Carne, é o feiticeiro deificado. A auto-reflexão do homem na humanização absoluta de Deus em Cristo, é o proton pseudos [falsidade original]. O progresso para além do Judaísmo está associado à crença de que o Homem Jesus Se tornou Deus. O aspecto reflectivo do Cristianismo, a intelectualização da magia, é a raiz do mal. [Capitalizado pelo tradutor]
Ao mesmo tempo, num artigo mais popularizado com o nome de "Anti-Semitism: A Social Disease", Horkheimer escreveu que "actualmente, o único pais do mundo onde não parece existir qualquer tipo de anti-Semitismo é na Rússia" [??!].

Esta conveniente tentativa de maximizar a paranóia recebeu a ajuda de Hannah Arendt, que popularizou a pesquisa em torno da personalidade autoritária no seu amplamente lido "Origins of Totalitarianism". Arendt acrescentou também o famoso floreio retórico em torno da "banalidade do mal" no seu livro "Eichmann in Jerusalem": sob as condições certas, até um simples dono duma loja como Eichmann se pode tornar num Nazi - psicoanaliticamente, todos os Gentios são suspeitos.

A versão extremista de Arendt (da tese da personalidade autoritária) é a filosofia operacional da actual Cult Awareness Network (CAN), grupo que, entre outros, opera juntamente com o U.S. Justice Department e a Anti-Defamation League da B'nai B'rith. Como forma de justificar medidas operacionais contra eles, e usando métodos-padrão da Escola de Frankfurt, a CAN identifica grupos religiosos e políticos que são seus inimigos políticos e depois classifica-os de "seitas".

A Explosão da Opinião Pública

Apesar da sua improvável tese dos "tipos psicanalíticos", a metodologia da pesquisa interpretativa da Escola de Frankfurt tornou-se dominante nas ciências sociais, e essencialmente, assim permanece até aos dias de hoje. De facto, a adopção destas novas técnicas supostamente científicas durante os anos 30 causou uma explosão do uso das das sondagens da opinião pública, a maior parte delas financiadas por Madison Avenue. Os maiores pesquisadores actuais - A.C. Neilsen, George Gallup, Elmo Roper - tiveram o seu início de actividade nos anos 30, e começaram usando os métodos do Instituto para Pesquisa Social, especialmente depois do sucesso do  Stanton-Lazersfeld Program Analyzer.

Por volta de 1936, a actividade de pesquisa havia-se tornado suficientemente propagada para justificar uma associação comercial, a American Academy of Public Opinion Research, sediada em Princeton e liderada por Lazersfeld; ao mesmo tempo, a Universidade de Chicago criou a National Opinion Research Center. Em 1949 o Office of Radio Research foi transformado no Bureau of Applied Social Research, uma divisão da Universidade de Columbia University, com o infatigável Lazersfeld como director.

Depois da Segunda Guerra Mundial, Lazersfeld tornou-se de modo especial pioneiro do uso de pesquisas como forma de psicanalisar o comportamento eleitoral dos Americanos, e por volta das eleições Presidenciais de 1952, as agências publicitárias de Madison Avenue estavam sob o controle firme da campanha eleitoral de Dwight Eisenhower, usando o trabalho de Lazersfeld. Mil noventos e cinquenta e dois foi também o ano em que decorreram as primeiras eleições sob a influência da televisão, que, tal como Adorno havia previsto 8 anos antes, havia crescido e passado a ter uma influência incrível num curto período de tempo.

A Batten, Barton, Durstine & Osborne - lendária agência publicitária "BBD&O" - construiu a totalidade das aparências eleitorais de Ike [Dwight Eisenhower] para as câmaras televisivas, e tão cuidadosamente como os comícios Nazis de Nuremberga; "spots" publicitários com a duração de um minuto foram feitos para satisfazer as necessidades pré-determinadas por sondagens dos eleitores.

Esta bola de neve nunca mais parou de rolar. Todo o desenvolvimento da televisão e da publicidade dos anos 50 e 60 foi iniciado por homens e mulheres que foram treinados pelas técnicas de alienação em massa da Escola de Frankfurt. Frank Stanton passou directamente do "Radio Project" para se tornar no mais importante líder individual da televisão moderna.

O principal rival de Stanton durante os anos formativos de TV foi Sylvester "Pat" Weaver, da NBC; depois de receber um Ph.D. em "comportamento auditivo", Weaver trabalhou junto do Program Analyzer nos finais dos anos 30 antes de se tornar num vice-presidente da Young & Rubicam, por essa altura o director de pregramação da NBC, e por fim se tornar presidente da rede. As histórias de Stanton e de Weaver são típicas.

Hoje em dia, os homens e mulheres que administram as redes televisivas, as agências de publicidade, e as organizações focadas em sondagens, mesmo que nunca tenham ouvido falar the Theodor Adonor, acreditam de modo firme na teoria de Adorno de que os média podem, e devem, transformar tudo em que tocam em "futebol". A cobertura da Guerra do Golfo (1991) demonstrou isto de forma bem clara.

A técnica dos meios de comunicação e das agências de publicidade desenvolvida pela Escola de Frankfurt controla de modo efectivo as campanhas eleitorais Americanas, que já não são baseadas em programas políticos mas sim na alienação.

Pesquisas psicanalíticas identificam queixas mesquinhas e medos irracionais, e convertem-nas em "questões" que têm que ser satisfeitas; o anúncio publicitário "Willy Horton", que foi emitido durante a campanha Presidencial de 1988, e as "emendas em torno da queima da bandeira", são os mais recentes exemplos.


Questões que irão determinar o futuro da nossa civilização são escrupulosamente reduzidas a oportunidades para aparecer numa foto e pequenos "spots" radiofónicos - tal como as reportagens de Ed Morrow dos anos 30 - onde o efeito dramático é maximizado, e o conteúdo intelectual é igual a zero.

Quem é o inimigo?

Parte da influência que a mentira da personalidade autoritária tem nos nossos dias deriva também do incrível facto da Escola de Frankfurt e das suas teorias terem sido oficialmente aceites pelo Governo Americano durante a Segunda Guerra Mundial, e estes Cominternaristas terem sido responsáveis pela determinação de quem eram os inimigos Americanos durante a guerra e durante o período pós-Guerra.

Em 1942, o Office of Strategic Services, a apressadamente construída unidade de espionagem e de operações ocultas Americana, pediu ao antigo presidente de Harvard, James Baxter, que formasse um Research and Analysis (R&A) Branch sujeita à Intelligence Division do grupo. Por volta de 1944, o R&A Branch havia recolhido tal quantidade de estudiosos emigrados que H. Stuart Hughes, por essa altura um jovem Ph.D., disse que trabalhar para ele era "uma segunda pós-graduação" às custas do governo,

A Central European Section era liderada pelo historiador Carl Schorske; sob ele, na bastante importante secção Alemã/Austríaca, encontrava-se Franz Neumann, como segundo chefe, juntamente com Herbert Marcuse, Paul Baran, e Otto Kirchheimer, todos veteranos do Instituto para Pesquisa Social [isto é, todos comunistas]. Leo Lowenthal liderou a secção de língua Alemã do Office of War Information; Sophie Marcuse, a esposa de Marcuse, trabalhou para p Office of Naval Intelligence.

Também no R&A Branch encontravam-se: Siegfried Kracauer, antigo instrutor de Kant de Adorno, agora um teórico do cinema; Norman O. Brown, que se tornaria famoso durante os anos 60 ao combinar a teoria hedonista de Marcuse com a orgonoterapia Wilhelm Reich como forma de popularizar a "perversidade polimorfa"; Barrington Moore, Jr., mais tarde professor de filosofia que escreveria um livro com Marcuse; Gregory Bateson, o esposo da antropóloga Margaret Mead (que escreveu para a revista da Escola de Frankfurt), e Arthur Schlesinger, o historiador que fez parte da Administração Kennedy.

A primeira tarefa de Marcuse foi a de liderar uma equipa que iria, ao mesmo tempo, identificar aqueles que seriam julgados como criminosos de guerra e aqueles que eram potenciais líderes da Alemanha do pós-Guerra. Em 1944, Marcuse, Neumann, e Kirchheimer escreveram o Denazification Guide, que foi mais tarde emitido para os oficiais das Forças Armadas Americanas que se encontravam a ocupar a Alemanha como forma de os ajudar a identificar e suprimir o comportamento pró-Nazi.

Depois do armistício, o R&A Branch enviou representantes que iriam trabalhar como contactos de espionagem com as várias forças ocupantes; foi atribuída a Marcuse a Zona Americana, Kirchheimer a Francesa, e Barrington Moore a Soviética. No Verão de 1945, Neumann abandonou esta posição para se tornar chefe de pesquisas para o Tribunal de Nuremberga. Marcuse ficou junto dos serviços secretos Americanos até os princípios de 1950, ascendendo para o lugar de chefe do Central European Branch do Office of Intelligence Research do Departamento do Estado, uma posição que tinha como tarefa "planear e implementar um programa de pesquisa de informação secreta   positiva .... para atingir os requerimentos dos serviços secretos da Central Intelligence Agency e de outras agências autorizadas."

Durante a sua estadia como oficial do governo Americano, Marcuse apoiou a divisão da Alemanha entre a Alemanha do Leste e a Alemanha do Oeste, ressalvando que isto iria prevenir uma aliança entre os recém-libertos partidos esquerdistas com as antigas e conservadoras camadas industriais e empresariais.

Em 1949, Marcuse escreveu um relatório com 523 páginas com o título de "The Potentials of World Communism" (só tornados públicos em 1978), onde ele sugeria que a estabilização económica da Europa levada a cabo pelo Plano Marshal iria limitar o potencial de recrutamento dos Partidos Comunistas da Europa Ocidental para níveis aceitáveis, causando um período de co-existência hostil com a União Soviética, caracterizado pelos confrontos só em locais distantes tais como a Indochina e a América Latina - essencialmente, uma previsão surpreendentemente correcta.

Marcuse deixou o Departamento do Estado com uma bolsa da Fundação Rockefeller para trabalhar com os vários departamentos de Estudos Soviéticos que foram instalados em muitas Americanas universidades de topo, largamente por parte de veteranos do R&A Branch.

Ao mesmo tempo, Max Horkheimer estava a causar ainda mais estragos. Como parte da desnazificação da Alemanha sugerida pelo R&A Branch, o Alto-Comissário Americano para a Alemanha, John J. McCloy, usando fundos discricionários pessoais, trouxe Horkheimer de volta para a Alemanha para reformar o sistema universitário Alemão. Na verdade, McCloy pediu ao Presidente Truman e ao Congresso Americano que aprovassem uma lei que conferia a Horkheimer, que se havia naturalizado Americano, cidadania dupla; portanto, por um breve período de tempo, Horkheimer foi a única pessoa no mundo a ter a nacionalidade Alemã bem como a Americana.

Na Alemanha, Horkheimer deu início ao trabalho preliminar de revitalização completa da Escola de Frankfurt nos finais dos anos 50, incluindo a formação duma nova geração inteira de estudiosos anti-Ocidente tais como Hans-Georg Gadamer e Jürgen Habermas, que teriam uma significativainfluência destruidora na Alemanha dos anos 60.

Num período da história Americana onde alguns indivíduos estavam a ser caçados e lançados no desemprego devido a mais pequena suspeita de tendências esquerdistas, os veteranos da Escola de Frankfurt - todos com soberbas credenciais do Comintern - viviam uma vida que só pode ser qualificada de vida encantada. De certa forma, a América havia entregue a função de identificar os inimigos dos Estados Unidos da América aos piores inimigos dos Estados Unidos da América.

Continua na 4ª e última Parte...




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Escola de Frankfurt e o Politicamente Correcto - Parte 2

Esta é a 2ª Parte dum artigo iniciado aqui.

II. O Establishment Torna-se Bolchevique: O "Entretenimento" Substitui a Arte

Antes do século 20, a distinção entre a arte e o "entretenimento" era muito mais vincada. Certamente que era possível ser-se entretido pela arte, mas a experiência era activa e não passiva. Antes de mais, era preciso, tinha que se tomar a decisão consciente de ir para um concerto, ver uma certa exibição de arte, comprar um livro ou um pedaço de folha de música.  Era muito pouco provável que mais que uma fracção infinitesimal da população tivesse a oportunidade de ver O Rei Lear ou ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven mais do que uma ou duas vezes durante uma vida.

A arte exigia que se trouxessem todos os poderes de concentração e de conhecimento para o assunto, como forma de poder desfrutar melhor da experiência; caso contrário a experiência era considerada desperdiçada. Estes eram os dias onde a memorização de poesia e de peças inteiras, e a reunião de amigos e familiares para um "concerto de salão", eram a norma (até nas zonas rurais). Estes eram também os dias da "apreciação musical"; quando alguém estudava música, como muitos faziam, eles aprendiam a tocá-la e não só a apreciá-la.

No entanto, as novas tecnologias da rádio, dos filmes e música gravada, representavam, e vou usar as palavras Marxistas apropriadas, um potencial dialéctico. Por um lado, estas tecnologias traziam consigo a possibilidade de trazer os melhores trabalhos de arte para milhões de pessoas que, de outro modo, não teriam acesso a ela. Por outro lado, o facto da experiência ser infinitamente reprodutível, poderia causar a que a mente da audiência de desligasse, fazendo da experiência algo menos sagrado, e aumentando desde logo a alienação. Adorno chamou a este processo de "desmitologização".

Num artigo crucial publicado em 1938, Adorno lançou a hipótese de que esta nova passividade poderia fragmentar a composição musical em partes de "entretenimento", que poderiam ser alvo dum "fetiche" na memória do ouvinte, e as partes difíceis, que seriam esquecidas. Adorno continua:
A contrapartida para o fetichismo é a regressão da audição. Isto não significa a recaída do ouvinte individual para uma fase anterior do seu desenvolvimento, nem um declínio no nível colectivo geral, visto que os milhões que actualmente são alcançados musicalmente pela primeira através dos meios de comunicação em massa não podem ser comparados com as audiências do passado.
Em vez disso, é a audição contemporânea que regrediu, presa numa fase infantil. Não só os sujeitos alvo de audição perdem, juntamente com a liberdade de escolher e a responsabilidade, a capacidade para a percepção consciente da música ..... eles flutuam entre o esquecimento compreensivo e mergulha rapidamente para o reconhecimento. Eles ouvem atomisticamente e dessassociam o que ouvem, mas precisamente nesta dessassociação eles desenvolvem certas capacidades que estão menos de acordo com os conceitos tradicionais de estética do que aqueles do futebol ou automobilismo. Eles não são parecidos a crianças.... mas eles são infantis; o seu primitivismo não é aquele dos subdesenvolvidos, mas o dos forçosamente retardados.
Esta retardação e este pré-condicionamento conceptual causado pelo ouvir, sugeriu que a programação poderia determinar a preferência. O próprio acto de colocar na rádio, por exemplo, algo de Benny Goodman a seguir a uma sonata de Mozart, tenderia a amalgamar ambos dentro da esfera de "música-da-rádio"  de entretenimento na mente do ouvinte. Isto significava que até ideias novas e repulsivas se poderiam tornar populares "dando-lhes um novo nome" através do homogeneizador universal da indústria cultural. Tal como disse Benjamim:
A reprodução mecânica da arte altera a reacção das massas em relação a mesma. A atitude reaccionária em relação a uma pintura de Picasso altera e passa a ser uma reacção progressiva em favor dum filme de Chaplin. E reacção progressiva caracteriza-se pela fusão directa e íntima da diversão visual e emocional com a orientação do perito.... Em relação ao ecrân, as atitudes críticas e receptivas do público coincidem. O motivo disto é o facto das reacções individuais serem pré-determinadas pela resposta que está em vias de ser produzida das audiências em massa, e isto em lugar algum é mais óbvio que nos filmes.
Ao mesmo tempo, o poder mágico dos média pode ser usado para redefinir as ideias anteriores. "Shakespeare, Rembrandt, Beethoven irão todos fazer filmes," concluiu Benjamim, citando o pioneiro cinematográfico Francês Abel Gance, "... todas as lendas, todas as mitologias, todos os mitos, todos os fundadores de religiões, e a próprias religiões ... esperam pela sua ansiada ressurreição."

Controle Social: O "Projecto Rádio"

Eis aí, então, algumas teorias potentes de controle social. As enormes possibilidades deste trabalho da Escola de Frankfurt em relação aos média foi provavelmente o factor mais importante que fez com que o Establishment desse o seu apoio ao Instituto logo depois do mesmo se ter transferido para a América em 1934. Em 1937 a Fundação Rockefeller começou a financiar as pesquisas em torno dos efeitos sociais destes novos meios de comunicação, particularmente da rádio.

Antes da Primeira Grande Guerra, a rádio havia sido um brinquedo para os amadores, com apenas 125,000 dispositivos instalados em todos os Estados Unidos; vinte anos mais tarde, a rádio havia-se tornado no meio de entretimento primário no país; das 32 milhões de famílias que existiam nos EUA, 27,5 tinham rádios - uma percentagem maior do que aquelas famílias que tinham telefones, automóveis, canalização e electricidade.

No entanto, até essa altura, numa pesquisa sistemática havia sido feita. A Fundação Rockefeller alistou várias universidades, e sediou este rede na "School of Public and International Affairs" na Universidade Princeton. Com o nome de "Office of Radio Research", o projecto ficou popularmente conhecido como "The Radio Project."

O director do projecto foi Paul Lazersfeld, filho adoptivo do economista Marxista Austríaco Rudolph Hilferding, e um colaborador de longa data do Instituto de Pesquisa Social durante o princípio dos anos 30. Abaixo de Lazersfeld encontrava-se Frank Stanton, recém doutorado em psicologia industrial através da Ohio State, que havia sido recentemente nomeado director de pesquisas da "Columbia Broadcasting System" - nome pomposo mas uma posição modesta.

Depois da Segunda Grande Guerra, Stanton tornou-se presidente da "CBS News Division", e por fim presidente da CBS no ponto mais elevado do poder desta emissora televisiva. Para além disso, ele tornou-se também Presidente do Conselho da "RAND Corporation", e membro do "gabinete da cozinha" do President Lyndon Johnson. Entre os pesquisadores do Projecto encontrava-se Herta Herzog, que se casou com Lazersfeld e torno-se directora de pesquisas para a "Voice of America"; e Hazel Gaudet, que se tornou numa das mais importantes pesquisadores políticas. Theodor Adorno foi nomeado chefe da secção musical do Projecto.

Apesar da lustro oficial, as actividades do "Radio Project" deixaram bem claro que o seu propósito era o de testar empiricamente a tese de Adorno e de Benjamim de que o efeito práctico meios de comunicação poderia ser o de atomizar e aumentar a labilidade - algo que mais tarde seria identificado pelas pessoas como "lavagem cerebral".

Novelas e a Invasão de Marte

Os estudos iniciais foram prometedores. Herta Herzog produziu "On Borrowed Experiences," a primeira pesquisa compreensiva em torno das telenovelas. O formato "drama radiofónico em série" foi inicialmente usado em 1929, sob inspiração do antigo filme em série com um final incerto "Perils of Pauline". Uma vez que estas pequenas peças de rádio eram fortemente melodramáticas, passaram a estar popularmente identificadas com a grande ópera Italiana; e uma vez que estas peças eram frequentemente patrocinadas por produtores de sabão, passaram a ser conhecidas com o nome genético de "soap opera."

Até ao trabalho de Herzog pensava-se que a imensa popularidade deste formato encontrava-se entre as mulheres de nível sócio-económico mais baixo, que, nas circunstâncias restritivas das suas vidas, precisavam dum escape útil rumo a lugares exóticos e circunstâncias românticas.

Um artigo típico desse período feito por duas psicólogos da Universidade de Chicago, "The Radio Day-Time Serial: Symbol Analysis", publicado no "Genetic Psychology Monographs", enfatizou solenemente a positiva, alegando que as radionovelas "funcionavam essencialmente como os contos populares, expressando as esperanças e os temores da audiência feminina, e, no seu todo, contribuíam para a integração da sua vida com o mundo onde viviam."

Herzog apurou que, na verdade, não havia qualquer correlação com o estatuto socioeconómico. E mais ainda, havia muito pouca correlação em relação ao conteúdo. O factor chave - tal como as teorias de Adorno e Benjamim sugeriram que seria -  era a forma da série em si; as mulheres estavam a ser efectivamente viciadas ao formato, não tanto para serem entretidas ou para usarem isso como um escape, mas sim "para saber o que acontece na semana seguinte." De facto, segundo apurou Herzog, era possível duplicar o número de ouvintes dividindo a peça em segmentos.

Os leitores modernos irão reconhecer imediatamente o facto desta lição não ter passado despercebido à indústria cinematográfica. Actualmente, este forma em série alastrou-se para a programação infantil, e até para programas com orçamentos elevados do horário nobre. Os programas mais vistos da história da televisão continuam a ser a parcela da série Dallas com o nome de "Who Killed JR?", e o episódio final da série M*A*S*H, ambos publicitados sob o formato "o que acontecerá a seguir?". Até filmes tais como as trilogias Star Wars e Back to the Future estão actualmente a ser produzidos como séries, de modo a  prender a audiência para futuros episódios.

Na era actual, as humildes novelas diurnas continuam a ter a suas qualidades viciantes: 70% de todas as mulheres Americanas com mais de 18 anos assistem a pelo menos duas destas novelas todos os dias, e há um rápido aumento de audiência entre os homens e entre estudantes universitários de ambos os sexos.

O estudo importante seguinte levado a cabo pelo "Radio Project" foi uma investigação dos efeitos da peça radiofónica de Orson Wells emitido durante o Halloween de 1938 "A Guerra dos Mundos", de H.G. Wells. Seis milhões de pessoas ouviram a emissão realisticamente, descrevendo a invasão por parte duma força de Marcianos na zona rural de New Jersey. Apesar das repetidas e claras declarações de que o programa era uma ficção, cerca de 25% dos ouvintes pensaram que o mesmo era real, entrando de seguida em pânico. Os pesquisadores do "Radio Project" apuraram mais tarde que a maioria das pessoas que entraram em pânico não pensavam que homens de Marte tinham invadido, mas sim que os Alemães haviam invadido os Estados Unidos.

Foi assim que as coisas aconteceram: os ouvintes haviam sido psicologicamente pré-condicionados pelas reportagens de rádio provenientes da crise de Munique do princípio desse ano. Durante essa crise, o repórter da CBS colocado na Europa, Edward R. Murrow, teve a ideia de interromper a programação regular para apresentar pequenos boletins noticiosos. Pela primeira vez na história da rádio as notícias eram apresentadas não em peças analíticas longas, mas em pequenos clips - o que actualmente nós chamamos de "audio bites."

No ponto mais alto desta crise, estes flashes noticiosos eram tão numerosos, que, nas palavras do produtor de Morrow, Fred Friendly, "os boletins noticiosos estavam a ser interrompidos por outros boletins noticiosos." À medida que os ouvintes foram assumindo que o mundo estava à beira duma guerra, a audiência da CBS aumentou dramaticamente.

Mais tarde, quando Wells levou a cabo a sua emissão de rádio fictícia, e já depois da crise ter retrocedido, ele usou a técnica dos boletins noticiosos para dar à peça uma aura de verosimilhança; Wells começou a emissão com um programa musical fictício, que foi constantemente interrompido com "reportagens no local" (em New Jersey) cada vez mais aterrorizantes. Os ouvintes que entraram em pânico, não reagiram ao conteúdo, mas ao formato dos boletins noticiosos; eles ouviram "Interrompemos este programa para um boletim noticioso urgente" e "invasão" e imediatamente concluíram que Hitler havia invadido.

A técnica das novelas, transposta para o mundo noticioso, havia funcionado numa escala vasta e inesperada.

"Little Annie" e o "sonho Wagneriano" da TV

Em 1939, uma das publicações do trimestral Journal of Applied Psychology foi dado a Adorno e ao "Radio Project" como forma de publicarem alguns dos seus achados. A conclusão foi a de que os Americanos, durante os últimos 20 anos, haviam-se tornado "radio-conscientes", e que a sua audição se havia tornado tão fragmentada que a repetição do formato era a chave para a popularidade. A lista de reprodução determinava os "hits" [ed: sucessos] - uma verdade sobejamente conhecida pelo crime organizado de então e o actual - e a repetição poderia transformar qualquer tipo de música ou qualquer artista, até um artista de música clássica, numa "estrela.Desde que o formato ou o contexto se mantivessem familiares, practicamente qualquer conteúdo se tornaria aceitável.

Alguns anos mais tarde, Adorno, e em jeito de resumo do material, afirmou:
Não só as músicas de sucesso e as novelas são ciclicamente recorrentes e tipos rigidamente invariáveis, mas o próprio conteúdo específico do entretenimento deriva deles, e só superficialmente parecem alterar. Os detalhes são intercambiáveis.
O sucesso mais elevado do "Radio Project" foi "Little Annie", que recebeu o título oficial de "Stanton-Lazersfeld Program Analyzer". A pesquisa do "Radio Project" havia demonstrado que todos os métodos prévios de averiguação das intenções populares eram ineficazes. Até essa altura, uma audiência escolhida para pré-visualizar ouvia um espectáculo ou via um filme, e era posteriormente questionada com perguntas gerais: "gostou do filme? O que achou da actuação de fulano?"

O "Radio Project" apercebeu-se que este método não levava em consideração a percepção atomizada da audiência de teste em torno do assunto, e exigiu que essa audiência fizesse uma análise racional sobre o que tinha como propósito ser uma experiência irracional. Devido a isto, o "Radio Project" criou um engenho onde cada membro da audiência de teste recebia um tipo de reóstato onde ele poderia registar a intensidade do que gostava e do que não gostava numa base momento-a-momento. Ao comparar os gráficos individuais produzidos pelo engenho, os operadores poderiam determinar, não se a audiência gostava do programa - que era irrelevante - mas quais as situações ou as personagens que produziam um estado positivo, mesmo que momentário.

Little Annie transformou a rádio, os filmes e, de maneira geral, a programação televisiva. A CBS ainda mantem instalações para analistas de programas em Hollywood e em New York; é dito que os resultados correlacionam-se 85% para as estimativas. As outras redes e os outros estúdios cinematográficos têm também operações semelhantes.

Este tipo de análise é responsável pelo inquietante sentimento que temos quando, ao assistirmos a programa de TV ou um filme, ficamos com a sensação de já o termos visto anteriormente.  De certa forma, já vimos muitas vezes. Por exemplo, se um analisador de programa indicar que as audiências ficaram particularmente e positivamente afectadas com um certo tipo de actor a beijar um certo tipo de actriz, o formato dessa cena será colocado em dúzias de roteiros - transposta da Idade Média, ao espaço, etc, etc..

O "Radio Project" também se apercebeu que a televisão tinha o potencial de intensificar todos os efeitos que haviam sido estudados. A tecnologia da TV já estava disponível há alguns anos, e ela havia sido exibida na Feira Mundial de 1936, mas a única pessoa que tentou fazer uma utilização séria deste meio de comunicação foi Adolf Hitler. Os Nazis transmitiram "ao vivo" eventos tais como os Jogos Olímpicos de 1936 em salões de exibição comunitários por toda a Alemanha; eles estavam a tentar expandir o sucesso que haviam tido com a rádio como forma de Nazificar todos os aspectos da cultura Alemã. Os outros planos que eles tinham para o desenvolvimento da TV Alemã foram colocados de parte devido aos preparativos para a guerra.

Escrevendo em 1944, Adorno entendia perfeitamente este potencial:
A televisão tem como propósito fazer a síntese entre a rádio e o cinema, e tem sido retida porque as partes interessadas ainda não chegaram a um acordo; mas as suas consequências serão enormes e elas prometem intensificar o empobrecimento da questão estética de maneira tão drástica, que amanhã, a levemente velada identidade de todos os produtos da indústria cultural podem sair para fora, triunfantes, cumprindo, com ironia, o sonho Wagneriano do Gesamtkunstwerk - a fusão de todas as artes numa só obra.
O ponto óbvio é este: as formas profundamente irracionais do entretenimento moderno - o conteúdo erotizado  e estúpido da maior parte da TV e dos filmes, o facto de que a tua estação de rádio de música Clássica programar Stravinsky a seguir a Mozart - não tinham que ser assim. Isto foi programa para ser assim e o design foi tão bem sucedido que actualmente ninguém coloca em causa os motivos ou as origens.

Continua na 3ª Parte.....





domingo, 5 de outubro de 2014

A Escola de Frankfurt e o Politicamente Correcto - Parte 1

Pelo Schiler Institute

As pessoas da América do Norte e da Europa Ocidental aceitam actualmente um nível de feiúra no seu dia a dia que é quase sem precedente na história da civilização Ocidental. A maior parte de nós tornou-se tão acostumada, que a morte de milhões devido à fome e à doença não causa em nós mais do que um suspiro, ou um murmúrio de protesto. As próprias ruas das nossas cidades tornaram-se o lar de legiões de pessoas sem abrigo, dominadas pela Dope, Inc, a maior indústria do mundo, e nessas ruas os Americanos matam-se a um nível nunca visto deste a Idade das Trevas.

Ao mesmo tempo, milhares de pequenos horrores tornaram-se tão comuns que passam despercebidos. O tempo que as nossas crianças passam em frente a uma televisão é practicamente o mesmo que passam nas escolas, vendo, com satisfação, cenas de tortura e morte que poderiam ter chocado as audiências dos Coliseus Romanos. Por todo o lado encontra-se a música - virtualmente inevitável - mas ela não eleva e nem tranquiliza; ela agarra-se aos nossos ouvidos, cuspindo obscenidades. As nossas artes plásticas são feias, a nossa arquitectura é feia, as nossas roupas são feias.

Certamente que houve períodos da história onde a humanidade viveu através de tipos semelhantes de brutalidade, mas a nossa era é crucialmente diferente. A nossa era do pós-Segunda Grande Guerra Mundial é a primeira na história onde esses horrores são totalmente evitáveis. A nossa era é a primeira a ter a tecnologia e os recursos para alimentar, abrigar, educar e humanamente empregar todas as pessoas da Terra, independentemente do crescimento da população. No entanto, quando as ideias e as tecnologias comprovadas que podem resolver os problemas mais horrendos nos são mostradas, a maior parte das pessoas retrai-se para uma passividade implacável. Nós não só nos tornamos feios mas impotentes.

Mesmo assim, não existe um porquê da nossa situação cultural-moral se ter justificadamente ou naturalmente tornado da forma que está; e não há motivos para que esta tirania da feiúra continue a existir por mais algum instante.

Consideremos a situação que existia há apenas 100 anos atrás, no princípio dos anos 1890s. Na música, Claude Debussy estava a terminar o seu Prelude to the Afternoon of a Faun, e Arnold Schönberg começava a ter experiências com o atonalismo; ao mesmo tempo, Dvorak trabalhava na sua Nona Sinfonia, enquanto Brahms e Verdi ainda se encontravam vivos. Edvard Munch estava a exibir a obra com o nome de The Scream, e Paul Gauguin o seu Self-Portrait with Halo; nos Estados Unidos Thomas Eakins ainda se encontrava a pintar e a ensinar.

Mecanicistas tais como Helmholtz e Mach ainda tinham na sua posse as maiores cadeiras universitárias de ciência, lado a lado com os alunos de Riemann e Cantor. O De Rerum Novarum do Papa Leo XIII estava a ser promulgado, precisamente numa altura em que facções da Segunda Internacional Socialista se estava a tornar terroristas e a prepararem-se para a guerra.

A crença optimista que se poderia compor musica como Beethoven, pintar como Rembrandt, estudar o universo como Platão e Nicolau de Cusa, e alterar a sociedade mundial sem violência, encontrava-se viva durante os anos 1890s - reconhecidamente, essa crença estava fragilizada e sitiada, mas não estavam morta. No entanto, no curto espaço de 20 anos, estas tradições Clássicas da civilização humana foram varridas, e o Ocidente envolveu-se numa série de guerras com uma carnificina inconcebível.

O que teve início há cerca de 100 anos atrás, foi o que pode ser chamado de contra-Renascimento. O Renascimento dos séculos 15 e 16 foi a celebração religiosa da alma humana e do potencial da humanidade para o crescimento. A beleza na arte não poderia ser vista como algo menos que a expressão dos mais avançados princípios científicos, tal como demonstrado na geometria sobre a qual a perspectiva de Leonardo e a enorme Cúpula da Catedral de Florença de Brunelleschi se baseiam. As mentes mais brilhantes voltaram os seus pensamentos para os céus e para as águas poderosas, e mapearam o sistema solar e a rota para o Novo Mundo, planeando grandes projectos que iriam alterar o trajecto dos rios para o benefício da humanidade.

Há cerca de 100 anos atrás, foi como se tivesse sido escrita uma enorme lista de verificação [inglês: "checklist"] discriminando todas as realizações do período do Renascimento  - e todas elas para serem revertidas. Como parte deste "Movimento da Nova Era", como ficou conhecida por essa altura, o conceito da alma humana foi  debilitado pela mais vocal campanha intelectual da história; a arte foi forçosamente separada da ciência, e a própria ciência transformou-se em algo sob suspeita. A arte foi tornada feia porque, foi dito, a vida se tinha tornado feia.

A mudança cultural para longe das ideias do Renascimento que construíram o mundo moderno, deve-se a um tipo de maçonaria da feiúra. No princípio, ela foi uma conspiração política formal feita com o propósito de popularizar teorias que foram criadas propositadamente para enfraquecer a civilização Judaico-Cristã duma forma que fosse possível levar as pessoas acreditar que a criatividade não era possível, que a aderência à verdade universal era uma forma de autoritarismo, e que a própria razão era suspeita. Como meio de manipulação social, esta conspiração foi importante no planeamento e desenvolvimento das vastas industrias "irmãs" da rádio, televisão, filmes, música gravada, publicidade, e as pesquisas da opinião pública.

O domínio generalizado dos média foi propositadamente fomentado como forma de gerar a passividade e o pessimismo que actualmente afligem as nossas populações. Esta conspiração foi tão bem sucedida que ela se incorporou na nossa cultura; já não precisa de ser uma "conspiração" visto que ganhou vida própria. Os seus sucessos não estão abertos a debate; para se confirmar isto, basta ligar o rádio ou a televisão. Até mesmo a nomeação dum juiz para o Tribunal Supremo foi deformada para um novela erótica, com o público a torcer de lado pelas suas figuras favoritas.

As nossas universidades, berço do nosso futuro tecnológico e intelectual, foram sobrepujadas pelo Politicamente Correcto da Nova Era ao estilo do Comintern. Com o colapso da União Soviética, os nossos terrenos universitários representam actualmente a maior concentração de dogma Marxista no mundo. Os irracionais e adolescentes desabafos emotivos dos anos 60 institucionalizaram-se numa "revolução permanente". Os nossos professores olharam sobre os seus ombros, esperando que o status quo termine antes que uma denúncia estudantil destrua o trabalho duma vida; alguns professores gravam as suas palestras, temendo acusações de "insensibilidade" por parte de algum "Guarda Vermelho" enraivecido.

Os estudantes da Universidade da Virginia foram bem sucedidos na sua petição de colocar de parte a requisição de ler Homero, Chaucer, e outros DEMS ("Dead European Males" = "Homens Europeus Mortos") porque tais escritos foram considerados etnocêntricos,  falocêntricos, e de modo geral, inferiores a outros autores "mais relevantes" do Terceiro Mundo, do sexo feminino ou homossexuais. Isto não é o mundo académico duma república; isto é a Gestapo de Hitler e a NKVD de Estaline a extirparem os "desviacionistas", e a banirem livros. A única coisa que falta é a fogueira pública.

Temos que aceitar o facto de que a feiúra que vemos em nosso redor foi conscientemente promovida e organizada de tal forma, que a larga maioria da população está a perder a sua habilidade cognitiva de transmitir para a próxima geração as ideias e os métodos sobre os quais a nossa civilização foi construída. A perda desta capacidade é o primeiro indicador da Idade das Trevas, e é precisamente aí onde nos encontramos - numa nova Idade das Trevas. Em situações como esta, a registo da história não deixa dúvidas: ou recriamos o Renascimento - o renascimento dos princípios fundamentais sobre os quais se originou a nossa civilização - ou a nossa civilização morre.

I. A Escola de Frankfurt: Intelligentsia Bolchevique

O componente organizacional único e mais importante desta conspiração foi um grupo de reflexão Comunista com o nome de "Instituto para Pesquisa Social" ["Institute for Social Research" (I.S.R.), em alemão: "Institut für Sozialforschung"], mas normalmente conhecido como a Escola de Frankfurt.

Nos seus tempos áureos logo após a Revolução Bolchevique, acreditava-se fortemente que a revolução do proletariado iria a qualquer momento transbordar dos Urais para a Europa e, por fim, para a América do Norte. Isso não aconteceu; as duas únicas tentativas de se instalar um governo dos proletariado no Ocidente - em Munique e em Budapeste - duraram apenas alguns meses. A Internacional Comunista (Comintern) deu início a várias operações para determinar o porquê disso se ter desenvolvido desta forma. Uma dessas operações era liderada por Georg Lukacs, um aristocrata Húngaro, filho de um dos banqueiros mais importantes do Império Habsburgo.

Educado na Alemanha e sendo já um importante teórico literário, Lukacs tornou-se comunista durante a Primeira Guerra Mundial, escrevendo, enquanto se afiliava ao partido, "Quem nos salvará da civilização Ocidental?" Lukacs era perfeito para plano do Comintern: ele havia sido um dos Comissários da Cultura durante o curto Soviete Húngaro em Budapeste em 1919; de facto, os historiadores modernos defendem que a curta duração da experiência de Budapeste está ligada ao facto de Lukacs ter ordenado a educação sexual nas escolas, o acesso facilitado aos contraceptivos, e o afrouxamento das leis do divórcio - tudo coisas que causaram enorme repulsa à população Católica Romana da Hungria.

Fugindo para a União Soviética depois da contra-revolução, Lukacs foi colocado dentro da Alemanha, onde ele presidiu uma reunião de sociólogos e intelectuais com orientação Comunista. Esta reunião fundou o Instituto para Pesquisa Social. Durante a década que se seguiu, o Instituto criou aquela que foi a mais bem sucedida operação de guerra psicológica do Comintern contra o Ocidente capitalista.

Lukacs afirmou que qualquer movimento político capaz de trazer o Bolchevismo para o Ocidente teria que ser, usando as suas próprias palavras, "demoníaco"; esse movimento teria que "ter o poder religioso que seja capaz de preencher toda a alma; um poder que caracterizou o Cristianismo primitivo". No entanto, sugeriu Lukacs, tal movimento político "messiânico" só seria bem sucedido quando o indivíduo começasse a acreditar que as suas acções eram determinadas "não por um destino pessoal, mas pelo destino da comunidade" num mundo "que foi abandonado por Deus".

O Bolchevismo funcionou na Rússia porque a nação estava dominada por um tipo peculiar de Cristianismo gnóstico tipificado pelos escritos de Fyodor Dostoyevsky. "O modelo do homem novo é Alyosha Karamazov," afirmou Lukacs,  referindo-se à personagem de Dostoyevsky que se encontrava disposta a colocar de lado a sua identidade pessoal em favor do homem santo, e, desde logo, deixando de ser "único, puro, e consequentemente abstracto".

O abandono da singularidade da alma resolve também o problema das "forças diabólicas a espreitar com toda a violência", forças essas que têm que ser libertas de forma a causar a revolução. Dentro deste contexto, Lukacs citou a secção do Grande Inquisidor do livro de Dostoyevsky "Os Irmãos Karamazov", ressalvando que o Inquisidor que está a interrogar [o Senhor] Jesus, já resolveu a questão do bem e do mal: a partir do momento em que o homem entende a sua alienação de Deus, qualquer acto em serviço do "destino da comunidade" é justificado; tal acto "não é nem crime e nem loucura..... Visto que o crime e a loucura são objectificações da falta de moradia transcendental."

Segundo uma testemunha, durante os encontros da liderança do Soviete Húngaro em 1919 - encontros levados a cabo para se estabelecerem listas para os esquadrões de atiradores - Lukacs citou com frequência o Grande Inquisidor:
E nós que, para a sua felicidade, tomamos sobre nós os seus pecados, encontramo-nos perante vós e declaramos: 'Julguem-nos se forem capazes e se tiverem coragem'.
O Problema de Génesis

O que distinguia o Ocidente da Rússia, defendia Lukacs, era a matriz cultural Judaico-Cristã que colocava ênfase precisamente na singularidade e na sacralidade do individuo que Lukacs repudiava. No seu cerne, a ideologia Ocidental dominante defendia  que o indivíduo podia, através do exercício da sua razão, discernir a Vontade Divina através dum relacionamento sem mediação. Para piorar as coisas, segundo o ponto de vista de Lukacs:, este relacionamento sensato necessariamente implicava que o indivíduo poderia alterar o universo físico na sua busca pelo Bem, isto é, que o Homem deveria ter o domínio sobre a Natureza, tal como declarado na ordem formal Bíblica [Génesis 1:28].

O problema era que, enquanto o indivíduo tivesse a crença - ou até a esperança da crença - de que a sua faísca Divina da razão podia resolver os problemas que a sociedade enfrentava, então a sociedade nunca iria chegar ao estado de desespero e alienação que Lukacs reconheceu como sendo um pré-requisito necessário para a revolução socialista.

A tarefa da Escola de Frankfurt era, então, a de fragilizar o legado Judaico-Cristão através da "abolição da cultura" (Aufhebung der Kultur no Alemão de Lukacs); e, posteriormente, determinar novas normas culturais que iriam aumentar a alienação da população, criando consequentemente um "novo barbarismo". Para levar a cabo esta tarefa, reuniu-se em torno da Escola de Frankfurt um lista incrível não só de Comunistas, mas também de socialistas não afiliados ao partido, fenomenólogos radicais, Sionistas, Freudianos renegados, e pelo menos alguns membros do auto-identificada "culto of Astarte."

A membrasia variegada reflectiu, de certa forma, os patrocínios: embora o Instituto para Pesquisa Social tenha começado com o apoio do Comintern, durante as três décadas que se seguiram as suas fontes de financiamento incluíam várias universidades Alemãs e Americanas, a Fundação Rockefeller, a Columbia Broadcasting System, o Comité Judaico Americano, vários agências de serviço secreto Americanas, o "Office" do "U.S. High Commissioner" para a Alemanha, o "International Labour Organization", e o "Hacker Institute", a clínica psiquiátrica fina de Beverly Hills.

O mesmo acontecia com as alianças políticas do Instituto: embora a liderança mantivesse o que se pode chamar de relacionamento sentimental com a União Soviética (e há evidências de que alguns dos membros do Instituto trabalharam para os serviços secretos Soviéticos durante os anos 60), o Instituto tinha objectivos mais alargados que os objectivos da política externa da Rússia. Estaline, que se encontrava horrorizado com a operação indisciplinada e "cosmopolita" iniciada pelos seus predecessores, cortou a ligação com o Instituto no final da década 20, forçando Lukacs a uma "auto-crítica", e colocando-o na prisão por alguns breves momentos durante a Segunda Guerra sob acusação de ser um simpatizante Alemão.

Lukacs sobreviveu e retomou por um breve período ao seu antigo lugar de Ministro da Cultura durante o regime anti-Estalinista de Imre Nagy na Hungria.

Entre as figuras de topo do Instituto, as perambulações políticas de Herbert Marcuse são típicas. Ele começou como um Comunista, tornou-se um protegido do filósofo Martin Heidegger mesmo durante o período em que este último se afiliava ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães; quando veio para os Estados Unidos, trabalhou para o "World War II Office of Strategic Services" (OSS), e mais tarde tornou-se no analista principal do "U.S. State Department" em torno das políticas Soviéticas durante o ponto mais elevado do período de McCarthy; durante os anos 60, ele voltou a mudar, tornando-se no mais importante guru da Nova Esquerda, acabando os seus dias ajudando a fundar o partido ambientalista extremista da Alemanha Ocidental, o Partido Os Verdes.

De maneira geral, esta incoerência na mudança de lado político e nas contraditórias fontes de financiamento não significa conflito ideológico. O que não muda é o desejo de todos os partidos de responder à pergunta original de Lukacs: "Quem nos salvará da civilização Ocidental?"

Theodor Adorno e Walter Benjamin

Provavelmente, o sucesso mais significativo, embora menos sabido, da Escola de Frankfurt foi o de moldar os meios de comunicação electrónicos da rádio e da televisão de modo a que eles fossem poderosos instrumentos de controle social que eles actualmente são. Isto é consequência do trabalho originalmente feito por dois homens que chegaram ao Instituto durante os anos 20: Theodor Adorno e Walter Benjamin.

Depois de completar os seus estudos na Universidade de Frankfurt, Walter Benjamin planeou, em 1924, emigrar para a Palestina com o seu amigo Gershom Scholem (que se tornou mais tarde num dos filósofos mais famosos de Israel, bem como um dos gnósticos mais importantes do Judaísmo), mas a sua relação amorosa com a actriz Lituana, e longarina do Comintern Asja Lacis, impediram-no.

Lacis levou-o para a ilha Italiana de Capri, centro de culto deste os tempos do Imperador Tibério, usado por essa altura como base de treino do Comintern; o até então apolítico Benjamin escreveu a Scholem desde Capri, afirmando que havia encontrado "uma libertação existencial e um discernimento intenso sobre a actualidade do comunismo radical."

Depois disto, Lacis levou Benjamin para Moscovo para mais indoutrinção, onde ele conheceu o dramaturgo Bertolt Brecht, com quem iria dar início a uma longa colaboração; pouco depois, enquanto ainda trabalhava na primeira tradução Alemã do entusiasta das drogas, o poeta Francês Baudelaire, Benjamin deu início a experiências sérias com alucinogénos.

Em 1927, ele encontrava-se em Berlim como parte dum grupo liderado por Adorno, estudando os trabalhos de Lukacs; outros membros do grupo de estudo incluíam Brecht e o seu compositor-parceiro Kurt Weill, Hans Eisler, outro compositor que mais tarde se tornaria num compositor de trilhas sonoras para  Hollywood e co-autor com Adorno do livro "Composition for the Film, o fotógrafo avant-garde Imre Moholy-Nagy, e o maestro Otto Klemperer.

De 1928 a 1932, Adorno e Benjamin tiveram uma colaboração intensa, no final da qual começaram a publicar artigos para o jornal do Instituto, o Zeitschrift fär Sozialforschung. Benjamin foi mantido à margem do Instituto, muito graças a Adorno, que mais tarde se apropriaria da maior parte do trabalho de Benjamin.

Quando Hitler subiu ao poder, o Instituto fugiu, mas, ao mesmo tempo que a maior parte dos membros do Instituto foram rapidamente levados para novas paragens nos Estados Unidos e na Inglaterra, não existiram propostas de trabalho para Benjamin, muito provavelmente devido à animosidade com Adorno. Benjamin foi para a França, e, depois da invasão Alemã, fugiu para a Espanha; esperando ser preso a qualquer momento pela Gestapo, Benjamin entrou em desespero e morreu num sombrio quarto de hotel como consequência duma overdose auto-infligida.

O trabalho de Benjamin permaneceu virtualmente desconhecido até 1955, quando Scholem e Adorno publicaram um edição do mesmo na Alemanha. O revivalismo integral ocorreu em 1968 quando Hannah Arendt, a antiga amante de Heidegger e colaboradora do Instituto nos Estados Unidos, publicou um artigo importante na revista do New Yorker antes da primeira tradução Inglesa dos seus trabalhos nesse mesmo ano. Actualmente, todas as livrarias universitárias do país têm uma prateleira inteira dedicada à traduções de todos os escritos de Benjamin, todos com datas de direitos de autor dos anos 80.

Adorno era mais novo que Benjamin, e tão agressivo como o homem mais velho era passivo. Nascido com o nome de Teodoro Wiesengrund-Adorno dentro duma família Corsa, ele recebeu aulas de piano desde a mais tenra idade por parte duma tia que vivia com a família e que havia sido uma acompanhante  de concertos para a estrela de ópera internacional Adelina Patti. Era geralmente assumido que Theodor se tornadia num músico profissional, e ele estudou com Bernard Sekles, o professor de Paul Hindemith. No entanto, ainda em 1918, enquanto ainda era um estudante de ginásio, Adorno conheceu Siegfried Kracauer.

Kracauer fazia parte do grupo Kantiano-Sionista que se reunia na casa do Rabino Nehemiah Nobel, em Frankfurt; outros membros do círculo de do Rabino Nobel incluíam o filósofo Martin Buber, o escritor Franz Rosenzweig, e dois estudantes, Leo Lowenthal e Erich Fromm. Kracauer, Lowenthal, e Fromm juntar-se-iam ao Instituto para  Pesquisa Social duas décadas mais tarde. Adorno fez com que Kracauer se comprometesse a ensiná-lo a filosofia de Kant; Kracauer apresentou-lhe também os escritos de Lukacs e de Walter Benjamin, que também se encontrava por perto do grupo do Rabino Nobel.

No ano de 1924, Adorno mudou-se para a Viena para estudar com os compositores atonalistas Alban Berg e Arnold Schönberg, e passou a a relacionar-se com o círculo avant-garde e ocultista em torno do velho Marxista Karl Kraus. Aqui, ele não só conheceu o seu futuro colaborador, Hans Eisler, como entrou em contacto com as teorias do extremista Freudiano Otto Gross.

Gross, um viciado em cocaína de longa data, havia morrido numa sarjeta de Berlim em 1920 enquanto se dirigia para Budapeste, para ajudar a revolução. Ele havia desenvolvido a teoria de que a saúde mental só poderia ser atingida através do renascimento do antigo culto em torno de Astarte, que iria varrer o monoteísmo e a "família burguesa".

Salvando a Estética Marxista

Por volta de 1928, Adorno e Benjamin haviam satisfeito a sua wanderlust [sede por viagens] intelectual, e haviam-se estabelecido no Instituto - na Alemanha - como forma de levarem a cabo algum tipo de trabalho. Como tema, eles escolheram um aspecto do problema levantado por Lukacs: como dar uma base totalmente materialista à estética.

Por esta altura, esta era uma questão de alguma importância. As discussões Soviéticas oficiais da arte e da cultura, com as suas loucas rotações em torno do "realismo socialista" e do "proletkult," eram idióticas, e só serviam para desacreditar a pretensão filosófica do Marxismo entre os intelectuais. Os próprios escritos de Karl Marx em torno do assunto eram, na melhor das hipóteses, superficiais e banais.

Essencialmente, o problema de Adorno e Benjamin era Gottfried Wilhelm Leibniz. No princípio do século 18, Leibniz havia mais uma vez obliterado o antigo dualismo gnóstico de dividir a mente e o corpo, demonstrando que a matéria não pensa. Um acto criativo, na arte ou na ciência, apreende a verdade do universo físico, mas não é determinado pelo universo físico.

Ao concentrar de modo auto-consciente o passado no presente como forma de afectar o futuro, o acto criativo, definido da maneira correcta, é tão imortal como a alma que prevê o acto. Isto tem implicações filosóficas fatais para o Marxismo, que depende inteiramente da hipótese da actividade mental ser determinada pelas relações sociais da existência física que é construída pelo ser humano.

Marx evitou o problema de Leibniz, tal como o evitaram Adorno e Benjamim, embora este último o tenha feito com muito mais confiança. Segundo disse Benjamim no primeiro artigo em torno deste assunto, está errado começar com a mente razoável e geradora de hipóteses como base para o desenvolvimento da civilização; isto é um legado infeliz de Sócrates. Como alternativa, Benjamim propôs uma fábula Aristotélica na interpretação de Génesis: Vamos assumir que Éden havia sido dado a Adão como o primordial estado físico. A origem da ciência e da filosofia não se encontra na investigação e no domínio da natureza, mas sim na identificação dos objectos presentes na natureza. No estado primordial, nomear algo era uma forma de declarar tudo o que havia para dizer sobre essa mesma coisa.

Como forma de confirmar isto, Benjamim envolveu na discussão, de forma cínica, as primeiras frases do Evangelho de João, evitando cuidadosamente o Grego mais abrangente, e preferindo em seu lugar a Vulgata (de modo que na frase "No princípio era a Verbo", as conotações da palavra Grega original logos - discurso, razão, raciocínio, traduzida como "Verbo" - são substituídas pela palavra Latina com um sentido mais limitado verbum).

Depois da expulsão do Éden e do requerimento de Deus para que Adão coma o pão com o suor da sua face (a metáfora Marxista de Benjamim do desenvolvimento da economia), e depois também da maldição Divina de Babel sobre Nimrod (isto é, o desenvolvimento dos estados-nação com as suas línguas distintas, que Benjamim e Marx viam como um processo negativo longe do "comunismo primitivo" de Éden", a humanidade ficou "alienada" do mundo físico. Devido a isso, continuou Benjamim, os objectos têm ainda uma "aura" da sua forma primordial, mas a verdade é actualmente irremediavelmente indescritível.

De facto, o discurso, a língua escrita, a arte, a própria criatividade - processos através dos quais nós dominamos a fisicalidade - apenas piora a alienação, ao tentar, segundo o discurso Marxista, incorporar os objectos da natureza dentro das relações sociais determinadas pela estrutura de classe dominante naquele ponto da história. Consequentemente, o artista criativo ou o cientista é como um vaso, tal como Ion o rapsodo, tal como ele mesmo se descreveu a Sócrates, ou como o actual proponente da  "teoria do caos"; a arte criativa emerge da miscelânea que é a cultura como que por magia. Quanto mais o homem burguês tenta transmitir o que ele tenciona sobre um objecto, menos verídico ele se torna; ou, tal como numa das mais citadas declarações de Benjamim, "A verdade é a morte da intenção".

Este gesto prestidigitador permite que qualquer pessoa faça várias coisas destrutivas. Ao fazermos da criatividade algo específico duma determinada era histórica, rouba-mo-la tanto a imortalidade como a moralidade. Não se pode lançar como hipótese uma verdade universal, ou uma lei natural, visto que a verdade é totalmente dependente do desenvolvimento histórico. Ao abandonar a ideia da verdade e do erro, podemos também lançar fora o "obsoleto" conceito do bem e do mal: passas a estar, nas palavras de Friedrich Nietzsche, "para além o bem e o mal."

Benjamim foi capaz, por exemplo, de defender o que ele chama de "Satanismo" do Simbolistas Franceses e dos seus sucessores Realistas, visto que no centro deste Satanismo "encontramos o culto ao mal como um engenho político . . . para nos desinfectar e nos isolar de todo o diletantismo moralizante" da burguesia. Condenar o Satanismo de Rimbaud e qualificá-lo de maligno é o mesmo que exaltar um quarteto de Beethoven ou um poema de Schiller e qualificá-los de bons visto que ambos os julgamentos são cegos às forças históricas a operarem inconscientemente no artista.

Portanto, é-nos dito, a estrutura de cordas de Beethoven esforçava-se para ser atonal, mas Beethoven não conseguiu conscientemente libertar-se do mundo estrutural da Europa do Congresso de Viena (tese de Adorno); semelhantemente, o que Schiller realmente queria era declarar que a criatividade é a libertação do erótico, mas como uma verdadeira criança do Iluminismo e de Immanuel Kant, ele não poderia fazer a necessária renúncia da razão (tese de Marcuse).

A epistemologia torna-se num parente pobre da opinião pública visto que o artista não cria conscientemente obras como formar de elevar a sociedade, mas sim transmite inconscientemente as suposições ideológicas da cultura onde nasceu. O ponto fulcral já não é o que é universalmente verdadeiro, mas sim o que pode ser plausivelmente interpretado pelo auto-nomeados guardiões do Zeitgeist.

"Os Maus Novos Dias"


Portanto, para a Escola de Frankfurt, o objectivo da elite cultural da moderna era "capitalista", tem que ser o de remover a crença de que a arte deriva da auto-consciente emulação de Deus o Criador; tem que ser demonstrado que a "inspiração religiosa", afirma Benjamim, "reside numa inspiração profana, uma inspiração materialista antropológica para a qual o haxixe, o ópio, ou o que quer que seja, podem dar uma aula introdutória." Ao mesmo tempo, novas formas culturais têm que ser encontradas como forma de aumentar a alienação da população de modo a que ela entenda o quão realmente alienante é viver sem o socialismo. "Não edifiquem sobre os bons dias de outrora, mas sim nos novos maus dias", afirmou Benjamim.

O rumo certo da pintura, portanto, é aquele enveredado pelo falecido Van Gogh, que começou a pintar objectos em desintegração, o que era equivalente à visão do fumador de haxixe que "frouxa e seduz as coisas para fora do seu mundo familiar". Na música, "não é sugerido que alguém pode compor melhor nos dias de hoje", melhor que Mozart ou Beethoven, disse Adorno, mas é preciso compor de um modo atonalista visto que o atonalismo é doentio, e "de um modo dialético, a doença é ao mesmo tempo a cura.... A extraordinariamente violenta reacção de protesto com a qual tal música se depara na sociedade presente ... parece, no entanto, sugerir que a função dialéctica desta música já se pode sentir ... negativamente como 'destruição'".

O propósito da arte moderna, da literatura, e da música é o de destruir o potencial edificante - e desde logo, burguês - da arte, da literatura e da música, de modo a que o homem, despojado de sua conexão com oDivino, olhe como a sua única opção criativa a revolta política.

Organizar o pessimismo nada mais é que remover a metáfora moral da política e descobrir na acção política uma esfera reservada a 100% para as imagens.

E assim, Benjamim colaborou com Brecht para trabalhar estas teorias de modo a dar-lhes aplicação práctica, e o seu esforço conjunto culminou no Verfremdungseffekt ("efeito de distanciamento"), a tentativa de Brecht de escrever a sua peça de modo a causar a audiência a sair do teatro desmoralizada e desorientadamente zangada.

Politicamente Correcto

A análise Adorno-Benjamim representa quase a totalidade da base teorética de todas as tendências estéticas politicamente correctas que actualmente atormentam as nossas universidades. O pós-estruturalismo de Roland Barthes, Michel Foucault, e Jacques Derrida, a Semiótica de Umberto Eco, o Desconstructionismo de Paul DeMan, citam Benjamim abertamente como fonte do seu trabalho.

O best-seller do terrorista Italiano Umberto Eco, O Nome da Rosa, pouco mais é que um hino a Benjamim; DeMan, antigo colaborador Nazi da Bélgica que se tornou num prestigioso professor em Yale, começou a sua carreira traduzindo os trabalhos de Benjamim; a famosa declaração de Barthes de 1968 "o autor está morto" tem como propósito ser uma elaboração da máxima de Benjamim em torno da intenção.

Benjamim chegou a ser chamado de herdeiro de Leibniz e de Wilhelm von Humboldt, o filólogo colaborador de Schiller cujas reformas educacionais produziram o tremendo desenvolvimento da Alemanha durante o século 19. Mesmo recentemente, em Setembro de 1991, o Washington Post referiu-se a Benjamin como o "o melhor teórico literário Alemão do século (e muitos deixariam de fora o qualificador Alemão)".

Certamente que os leitores terão ouvido falar duma ou de outra história de horror em torno da forma como o Departamento dos Estudos Afro-Americano baniu Othello, por ser "racista", ou da forma como uma professora feminista radical deu uma palestra durante uma reunião da "Modern Language Association" onde disse que as bruxas eram as "verdadeiras heroínas" da peça Macbeth. 

Estas atrocidades ocorrem porque os perpetradores são capazes de plausivelmente demonstrar, segundo a tradição de Benjamim e Adorno, que o propósito de Shakespeare é irrelevante, e o que realmente importa é o "subtexto" racista ou falocêntrico do qual Shakespeare não tinha consciência quando escreveu.

Quando o departamento local de Estudos Femininos, ou o Departamento dos Estudos em torno do Terceiro Mundo organiza os estudantes de modo a que eles abandonem os clássicos em favor de autores Negros ou feministas actuais, os motivos dados são inteiramente de autoria de Benjamim. 

Não se dá o caso destes autores Negros ou feministas serem melhores, mas sim que eles são de alguma forma mais genuínos uma vez que a sua prosa alienada melhor reflecte os problemas sociais modernos dos quais os autores mais antigos não sabiam. Os estudantes aprendem que a própria língua, tal como disse Benjamim, nada mais é que uma conglomeração de "nomes" falsos impingida à sociedade pelos seus opressores, e são também avisados contra o "logocêntrismo", a excessiva confiança burguesa nas palavras.

Se estas palhaçadas universitárias parecem ser "retardadas" (usando as palavras de Adorno), é porque elas foram feitas para serem assim. O avanço mais importante da Escola de Frankfurt consiste na realização de que as suas teorias monstruosas se poderiam tornar dominantes na cultura, como resultado das mudanças na sociedade levadas a cabo pelo que Benjamim chamou de "a idade da reprodução mecânica da arte".

Continua na 2ª Parte....



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Feministas furiosas com a sugestão de que a redução do consumo de álcool diminui a violência sexual

O Dr. Stephen Joel Trachtenberg, presidente-emérito e actual professor de serviço público na The George Washington University (GWU), tornou-se no mais recente alvo da raiva feminista nas redes sociais ao sugerir que a educação em torno do consumo de álcool pode ajudar a prevenir ataques sexuais nas universidades.

Durante um episódio do Diane Rehm Show na semana passada, Trachtenberg participou num painel de discussão em torno da Vida Grega nas universidades Americanas, onde sugeriu que consumo excessivo de álcool é um factor a levar em conta nos casos de má conduta sexual.

Parte do problema é o facto de termos homens que se aproveitam de mulheres que bebem demasiado, e o facto de haver mulheres que bebem demasiado.... Temos que educar as nossa filhas e os nosso filhos nesse aspecto.

Embora Trachtenberg tenha antecedido os seus comentários dizendo que as pessoas deveriam encorajar mais as mulheres a não beber em excesso "sem tornar as vitimas responsáveis pelo que acontece", as estudantes e os grupos femininos inundaram o Twitter, qualificando os seus comentários de "irresponsáveis", e acusando-o de "grosseiramente culpar a vítima", e ser um "apologista da violação".

Sally Kaplan, recém graduada da GWU e coordenadora da aliança pacífica na organização sem fins lucrativos com o nome de Peace Alliance, criou uma petição usando a plataforma online com o nome de Change.org como forma de exigir que Trachtenberg “emita um pedido de desculpas à comunidade da GWU” e equipare o seu e os esforços de outros estudantes que são levados a cabo de modo a que seja contratado um “Survivors Advocate” a tempo inteiro na universidade.

A petição apela também à universidade que forneça "melhores apoios aos estudantes universitários, incluindo mais prevenção, intervenção, educação e recursos para a advocacia de sobrevivência". Ironicamente, e num artigo publicado pelos administradoores no dia seguinte ao dia em que Trachtenberg fez as suas declarações, a universidade promoveu um evento de prevenção aos ataques sexuais patrocionado pelo Centro para a Prevenção do Álcool e das Drogas da universidade.

Seguindo o Campus Safety Magazine, “pelo menos 50 por cento das violações sexuais entre os estudantes universitários está associado ao uso de álcool.”

Numa coluna publicada em Outubro último, Emily Yoffe, contribuinte do blogue Slate.com, explicou que um "mal colocado medo de culpar as vítimas de alguma forma tornou inaceitável avisar as inexperientes jovens mulheres de que quando elas bebem,potencialmente, elas se estão a colocar em perigo.”

Sejamos absolutamente claros: os perpetradores são os únicos responsáveis pelo crime que comentem, e eles têm que ser trazidos à justiça. Mas nós falhamos perante as mulheres ao não lhes avisar que quando elas se colocam sem defesas, coisas terríveis lhes podem acontecer.


* * * * * * *
Uma coisa torna-se cada vez mais óbvia: tudo aquilo que é bom, saudável e benéfico para as mulheres é algo que as feministas tentam a todo o custo destruir. A coisa mais natural do mundo é dizer às crianças para 1) não falar com estranhos, 2) não aceitar comida de pessoas que não conhecem, e, essencialmente, 3) não se colocarem em situações potencialmente perigosas. Mas uma coisa que é normal ser dita às crianças (sem que ninguém seja acusado de "culpar as vítimas") não pode ser dito às mulheres modernas.

Dito de outra forma, as mulheres actuais exigem que todas as consequências das suas escolhas sejam colocadas sobre os outros, e não nelas próprias, mesmo se nós levarmos em conta que se as crianças agissem desta forma, elas seriam correctamente alertadas para o seu comportamento irracional. A mulher moderna, escondida por trás das mentiras feministas, quer as regalias e o estatuto de adulta, mas exige responsabilidades inferiores às responsabilidades que são exigidas às crianças.

Qualquer pessoa sabe que o culpado da violação e o violador, mas qualquer pessoa sabe também (ou deveria saber) que a responsabilidade da prevenção é da mulher (ou do homem, ou da criança, ou de quem quer que seja vítima de algum tipo de violência sexual). Mas aparentemente, isto é algo que não se pode dizer às mulheres modernas. 

As feministas fomentam as mulheres a levar a cabo comportamentos de risco ao mesmo tempo que culpam os outros quando as previsíveis consequências ocorrem. Isto é assustador para qualquer pessoa que queira ter uma vida conjugal normal, ou tenha planos de ter algum tipo de relacionamento com uma mulher. Ninguém quer casar ou estar perto duma pessoa que não coloca  limites ao seu comportamento, ou que não tente tomar as decisões correctas - quer seja homem ou mulher. Todas as pessoas desejam como parceira ou parceiro de vida alguém que assume as responsabilidades das suas escolhas, sem que faça papel de vítima como forma de fugir às suas responsabilidades.

Esta atitude irresponsável da maioria das mulheres modernas pode, de certa forma, isto pode explicar o porquê dum significativo número de mulheres e virtualmente todas as feministas olharem com bons olhos para a horrível e nojenta práctica do aborto (matança de bebés inocentes, o maior genocídio da história da humanidade). Neste tópico, as mulheres querem sexo recreativo mas não querem a responsabilidade que o sexo pode produzir (nova vida). Consequentemente, quem paga pelo "erro" não é a mulher, mas sim o bebé que sofre com a falta de cuidado da sua procriadora.

Resumindo: o feminismo não quer ajudar as mulheres, e nem que tornar a sua vida mais segura; o que o feminismo quer é separar as mulheres das consequências das suas más acções. Que pena que tantas mulheres olhem para este movimento político como uma pedra de apoio.



domingo, 28 de setembro de 2014

"A minha filha esquerdista tem medo de passar por zonas predominantemente negras"

Por Claire English

Algo peculiar ocorreu quando a minha filha esquerdista e eu conduzíamos através duma zona predominantemente negra de Joanesburgo quando regressávamos do aeroporto (aquando da sua mais recente viagem): ela expressou medo dos seus amados negros, o mesmo grupo que há apenas duas décadas ela defendia. 

A minha filha já não visitava a África do Sul há alguns anos visto que ela se havia mudado para os Estados Unidos depois do fim do Apartheid. Tal como muitos esquerdistas ricos e com formação universitária, ela abandonou o país depois do governo nacionalista que ela tanto odiava ter sido derrubado, e o ANC ["African National Congress", partido comunista Sul-Africano] ter sido instalado em seu lugar.

Quando regressávamos do aeroporto, tomamos um caminho que eu havia tomado tantas vezes no passado - um caminho que milhares de brancos usam quando se dirigem para o aeroporto (ou regressam dele). Passados que estavam alguns minutos depois de ter visto caras predominantemente negras, a minha filha comentou que ela "não se senti confortável em guiar por este tipo de zonas". Inicialmente eu não sabia do que é que ela estava a falar, e não queria parecer racista; devido a isto, perguntei-lhe, visto que sabia que ela é uma pessoa favoralmente motivada em favor da causa Negra, e nunca iria, pensei eu, ter algum tipo de reserva em estar onde ela se encontrava.

Não se dava o caso de estarmos em Soweto ou em Alexandria Township, locais que justificariam os seus receios. Nós encontrávamos literalmente numa vizinhança mista,  apenas com mais caras negras do que aquelas a que ela estava habituada. Mas mesmo assim, apesar da minha preocupação de que ela estava desconectada com a realidade, ela estava positivamente resistente tanto ao tópico como com o facto de eu conduzir para casa através duma área predominantemente negra.

Como uma Esquerdista Marxista, e ainda defensora ardente do ANC, fiquei bastante surpresa com a hipocrisia dela. Durante os anos 90, ela foi uma crítica feroz do Apartheid, chegando até a fazer campanha pelo nosso primeiro presidente negro. Embora eu seja uma moderada e uma realista, eu estava aberta à mudança. As minhas reservas, quando vocalizadas, foram sempre enfrentadas com críticas, chegando até a ser acusada de racismo.

E agora, eis-me aqui, 20 anos mais tarde, eu, supostamente a supremacista Branca, a conduzir sem problemas alguns por uma área com população mista, e a pessoa que se havia colocado do lado da causa Negra, nervosa ao meu lado. Isto deixou-me bastante perturbada porque com frequência eu preocupei-me com os motivos que a minha filha tinha, e cheguei a perguntar o que é que a tinha influenciado tanto, mas ela não se apercebeu da hipocrisia da sua atitude.

Ela é uma Marxista declarada, e de modo literal ela chama os Negros e os apoiantes do ANC de "seu povo". Ela tende a culpar os Brancos sempre que há um discussão em torno dos falhanços sociais dos negros, classificando isso de "ódio racial" e "opressão" contra o povo Negro. No entanto, quando eu, que não tenho o tempo ou o dinheiro para gastar em combustível  (como forma de evitar certas partes da cidade) a conduzo por uma área habitada pelo "seu povo", ela colocou objecções devido ao seu medo.

Os Esquerdistas criaram estes guetos como forma de manter, com segurança, os Negros longe das suas portas, mas eles não conseguem estar perto deles. Por outro lado, aqueles que entre nós realmente se preocupa com o nosso país, e que não se levantou e se foi embora, estamos em risco devido às políticas em favor das quais eles batalharam. Normalmente, eu não gosto de escrever sobre assuntos pessoais em forums abertos - especialmente quando envolve a minha família - mas senti que isto tinha que ser dito.

Nos Estados Unidos, Marxistas como Barack Obama e o Mayor de Chicago, Rahm Emmanuel, desenvolveram políticas que facilitaram a perpetuação das matanças que diariamente ocorrem na cidade. Eles proíbem as armas, facilitam as greves dos professores e consequentemente os jovens são colocados nas ruas; só quando as coisas ficam realmente más é que eles decretam que polícias extras sejam trazidos para o local.

Essencialmente, eles destroem a cidade de modo a que os gastos públicos aumentem. O próprio Emmanuel colocou mais polícias nas ruas como forma de combater o crime que  ele criou. Ele esqueceu-se de informar os residentes que os polícias só trabalhariam de Segunda-Feira a Quinta-Feira, e não durante os fins de semana, que é quando as matanças ocorrem.

O que está a acontecer em Chicago e em outras cidades Americanas é igual à situação na África do Sul uma vez que os Negros estão-se a matar mutuamente, e isto na ausência da lei e da ordem. Quem é que no seu normal estado mental iria desculpar uma coisa dessas? Isto demonstra também a natureza divisiva da ideologia Marxista, onde o ódio é fomentado de tal forma que nenhuma comunidade fica segura - e particularmente no caso da África do Sul, a população branca está a ser mutilada pelos Negros e não há ninguém que os ajude.

Pergunto-me com frequência se isto é uma consequência  intencional ou não-intencional da intromissão esquerdista. Fico triste que a minha filha tenha tido influência nisto,  antes dela, tal como muitos dos seus camaradas esquerdistas, ter fugido para a América do Norte.

Da próxima vez que ela me visitar, farei todos os possíveis para lhe conduzir através duma vizinhança negra.




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