Feministas emancipadas adoptaram uma nova forma "original" de combater
o patriarcado opressor: usar calças brancas manchadas com o sangue da
sua menstruação. O texto que se segue foi escrito por uma feminista.
Sangre Menstrual,
grupo artístico espanhol, veio para as ruas usando calças brancas e
calções brancos manchados com o sangue da sua menstruação, como forma
de dar apoio ao seu "Manifesto pela Visibilidade do Período".
O grupo escreveu o manifesto como forma de ressalvar que, ao tentarmos
esconder o nosso período, uma função corporal perfeitamente natural,
estamos a tomar parte no sistema patriarcal e, de modo efectivo, a
punir-mo-nos por sermos mulheres.
Mas porquê? Porque é que a menstruação nos deixa tão desconfortáveis?
As senhoras da "The Red Web Foundation" estão a trabalhar de modo a promover uma abordagem mais positiva e saudável em relação à menstruação através da educação, de produtos saudáveis para a menstruação, e da criação duma comunidade que olha de forma positiva para o período. E o seu trabalho não poderia ter chegado em melhor altura. Afinal de contas, alguma vez ouviram uma mulher a dizer, de forma animada, "Oh, nem posso esperar" A Tia Flo* está quase a visitar-me!"? Não; em vez disso ouvimos murmúrios e lamentações em torno do aproximar da "maldição".
[*"Flo" é um jogo de palavras com a palavra "flow" que, neste contexto, significa "fluxo"]
De facto, a "Red Web Foundation" declara desta forma a razão da sua existência:
Mas porquê? Porque é que a menstruação nos deixa tão desconfortáveis?
As senhoras da "The Red Web Foundation" estão a trabalhar de modo a promover uma abordagem mais positiva e saudável em relação à menstruação através da educação, de produtos saudáveis para a menstruação, e da criação duma comunidade que olha de forma positiva para o período. E o seu trabalho não poderia ter chegado em melhor altura. Afinal de contas, alguma vez ouviram uma mulher a dizer, de forma animada, "Oh, nem posso esperar" A Tia Flo* está quase a visitar-me!"? Não; em vez disso ouvimos murmúrios e lamentações em torno do aproximar da "maldição".
[*"Flo" é um jogo de palavras com a palavra "flow" que, neste contexto, significa "fluxo"]
De facto, a "Red Web Foundation" declara desta forma a razão da sua existência:
Visto que na cultura mainstream
a menstruação é frequentemente mal entendida e muitas vezes é
considerada inconveniente, pode ser difícil para as mulheres ou para as
meninas encontrar informação compreensiva e orientação acerca do seu
corpo e do seu lugar no mundo como mulher.
A menstruação foi socialmente construída para ser um período de castigo associado ao início da vida de mulher, e embora nós possamos usar isto como uma oportunidade para celebrar o que significa ser mulher. optamos por deplorar a dor e o desconforto do sangramento das nossas partes femininas.
Na sua curta dissertação "Se os Homens Pudessem Menstruar", Gloria Steinem analisa o sexismo por trás do negativismo em torno do período. Ela pergunta, por exemplo, o porquê da habilidade de gerar vida não ter levado Freud a teorizar sobre a "inveja do útero" em vez da "inveja do pénis". Ela constrói também, e de modo gráfico, o mundo que surgiria....
....
se subitamente, e de modo mágico, os homens pudessem menstruar e as
mulheres não. Claramente, a menstruação tornar-se-ia num evento
masculino invejável e digno: os homens iriam-se vangloriar
do quão longo e do quanto. Os jovens rapazes falariam disso como o
invejado início da masculinidade. Presentes, cerimónias religiosas,
jantares familiares, e despedidas de solteiro iriam marcar o dia.
Generais, políticos de direita, e fundamentalistas religiosos iriam citar a menstruação ("men-struation") como prova de que só os homens poderiam servir a Deus e servir o país em combate ("Tu tens que dar sangue para tirar sangue"), ocupar cargos políticos ("Pode a mulher ser propriamente feroz sem um ciclo mensal governado pelo planeta Marte?"), ser padres, pastores, o Próprio Deus ("Ele deu o Seu sangue pelos nossos pecados"), ou rabinos ("Sem a purga mensal de impurezas, as mulheres estão imundas")... Os programas de Tv iriam falar do assunto de forma aberta.
Claro que os intelectuais iriam oferecer os argumentos mais morais e lógicos. Sem o dádiva biológica de medir o ciclo da lua e dos planetas, como pode a mulher dominar qualquer disciplina que exija o senso de tempo, do espaço e da matemática - ou a habilidade de medir o que quer que seja? Na filosofia e na religião, como é que as mulheres iriam compensar o facto de estarem desligadas do ritmo do universo? Ou a sua falta duma morte simbólica e ressurreição todos os meses?
Resumidamente, iríamos descobrir, tal como já deveríamos ter descoberto, que a lógica está no olhar do lógico.
Generais, políticos de direita, e fundamentalistas religiosos iriam citar a menstruação ("men-struation") como prova de que só os homens poderiam servir a Deus e servir o país em combate ("Tu tens que dar sangue para tirar sangue"), ocupar cargos políticos ("Pode a mulher ser propriamente feroz sem um ciclo mensal governado pelo planeta Marte?"), ser padres, pastores, o Próprio Deus ("Ele deu o Seu sangue pelos nossos pecados"), ou rabinos ("Sem a purga mensal de impurezas, as mulheres estão imundas")... Os programas de Tv iriam falar do assunto de forma aberta.
Claro que os intelectuais iriam oferecer os argumentos mais morais e lógicos. Sem o dádiva biológica de medir o ciclo da lua e dos planetas, como pode a mulher dominar qualquer disciplina que exija o senso de tempo, do espaço e da matemática - ou a habilidade de medir o que quer que seja? Na filosofia e na religião, como é que as mulheres iriam compensar o facto de estarem desligadas do ritmo do universo? Ou a sua falta duma morte simbólica e ressurreição todos os meses?
Resumidamente, iríamos descobrir, tal como já deveríamos ter descoberto, que a lógica está no olhar do lógico.
Leiam a dissertação inteira aqui!
Portanto, sim, o nosso período pode ser desagradável. As cólicas podem ser dolorosas. As nossas emoções ficam descontroladas. Mas a nossa menstruação faz parte do que é ser uma mulher; não é isso algo que deve ser celebrado?
* * * * * * *
Sem dúvida que ser mulher é algo que deve ser celebrado - tal como ser homem - mas, claramente,
existem outras maneiras de celebrar o facto de nascer com cromossoma XX
do que andar com calças manchadas com o sangue da menstruação. E como o
sangue da menstruação só aparece durante alguns dias do mês, seria
interessante saber de que forma é que as feministas "celebram" o facto
de ser mulher durante o resto do mês.






