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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Os efeitos sociais do uso da Pílula


(...)
Durante o período em que eu preparava esta palestra fiquei seriamente frustrada por não ser capaz de encontrar um bom conjunto de evidencias que a suportasse. Todos nós já ouvimos pessoas a dizer que estes males sociais aumentaram com o aumento do uso da pílula, certo? Logicamente falando, todos nós nos apercebemos que isto está certo, mas eu tive muitos problemas em encontrar dados de modo a fazer bons gráficos que documentassem isso mesmo.

Devido a isso, para o caso de alguém mais querer aceder a estes números, decidi colocar online o que eu consegui finalmente encontrar.

Este artigo está cheio de ressalvas portanto, não copiem o texto e os gráficos sem primeiro ler e entender o que está escrito. E se por acaso vocês tiverem dados melhores, partilhem comigo.

O Uso de Contraceptivos

Estes foram os dados mais difíceis de encontrar. Todos os outros dados foram mais ou menos fáceis de encontrar a partir do CDC [Center for Desease Control] , mas isto era practicamente tudo o que eles tinham em torno dos contraceptivos. Para os anos 1982, 1995, 2002, e 2006-8, eles têm o número de mulheres que usaram qualquer método contraceptivo (ver documento página 18/pdf página 26), que aumentou de 94.8% para 99.1% durante esse período de tempo. (Note-se que estes números incluem a "abstinência periódica".) Estes números incluem também as mulheres que actualmente usam estes métodos pelo mesmo período de anos (documento página 21/pdf página 29), que vai dos 55.7% de todas as mulheres para 61.8%.

Isto foi pouco satisfatório por alguns motivos, mas acima de tudo porque eu não tinha nada relativo aos anos 60 e aos anos 70, que mostraria o crescimento inicial dramático do número de mulheres a usar os contraceptivos.

Eu finalmente encontrei alguns números da quantidade de mulheres que ingeriam o contraceptivo oral durante esses anos, via o site para o documentário da PBS "The Pill." Não\ sei bem onde encontrei estes números, o que os torna bem duvidosos, mas eles foram os melhores que pude encontrar. Com eles, fui capaz de construir um gráfico mostrando o uso do contraceptivo nos Estados Unidos entre 1958 a 2008.




Não é perfeito, visto que eu preferiria ter usado percentagens e não números absolutos e alguns pontos de dados. Certamente que não mostra todo o panorama do uso de contraceptivos no nosso país, onde se estimam que 34 milhões de mulheres usem alguma forma de contraceptivo mas o gráfico só mostra cerca de 11 milhões. Mas o gráfico é eficaz em passar a mensagem da tendência geral do uso dos contraceptivos no nosso país - um aumento dramático até se chegar a um ponto de estabilização (porque qualquer mulher que queira um contraceptivo, tem acesso a um).

Depois disto, peguei neste gráfico em torno do contraceptivo oral (CO) e coloquei lado a lado com os gráficos que mostravam as taxas de divórcio, mães solteiras, e de aborto. (....) É bastante claro que há algum tipo de relação entre estes factores.

Contracepção e divórcio

Temos dados bastante acessíveis em torno dos divórcios no nosso país (desde 1949 até hoje - CDC: 1940-1997 e 1998-2009.) Eles não só disponibilizam a taxa de divórcio como também a taxa de casamento. A taxa de divórcio vai de 2 por cada 1000 pessoas em 1940 até aos 5 por cada 1000 pessoas no final dos anos 70, princípio dos anos 80; actualmente ela está outra vez embaixo em redor dos 3 por cada 1000 pessoas. (Para uma versão mais extensa das taxas de divórcio, One More Soul tem um gráfico agradável que cobre o período entre 1880 a 2000.)

No entanto, não creio que aquele gráfico fale de um modo suficientemente poderoso. Devido a isso, peguei na taxa anual de divórcio e dividi-a pela taxa anual de casamento e obtive o gráfico que se vê a seguir. Mais uma vez, não posso deixar de fazer ressalvas; esta não é a forma ideal de obter este número - e nem indica a probabilidade de um dado casamento terminar num divórcio - mas acredito que esta foi a forma através da qual se obteve o número de que cerca de metade dos casamentos acabam em divórcio (uma taxa que tem-se mantido em torno dos 50% desde meados dos anos 70).


Agora façamos um cruzamento entre os dois gráficos.


Incrivel, certo? A taxa de divórcio segue a taxa de uso de contraceptivos.

Obviamente que ninguém fará pouco da dor dum divórcio ou das muitas e complexas razões por trás de cada uma das situações dos casais. Certamente que ninguém dirá "Ah, sim, nós divorciamo-nos porque estávamos a usar um contraceptivo." No entanto, quando olhamos para o padrão geral, os dois factores (uso de contraceptivos e divórcios) certamente que estão relacionados. Particularmente falando, o economista e demógrafo Robert Michaels olhou atentamente para o salto que pode ser visto no gráfico - onde a taxa de divórcio duplicou em 10 anos - de 25% em 1965 para 50% em 1965 - e concluiu que 45% desse aumento deve-se ao uso do contraceptivo (1).

Contracepção e Mães Solteiras

Actualmente não só existem mais lares onde só há um adulto (normalmente a mãe), como tem havido um aumento louco no número de crianças nascidas de mães solteiras. (Eis os dados do CDC de 1940-1999, 2000-2009, e 2010.) Actualmente, 41% de todas as crianças nascidas nos EUA, nascem de mães solteiras. Não é isto chocante?  E para as crianças Afro-Americanas a situação é ainda pior - 73% delas nascem de mães solteiras.


Embora não tenha a mesma linha crescente que o uso dos contraceptivos tem, certamente que podemos ver que o aumento do uso dos contraceptivos não ajudou a situação.


Contracepção e o Aborto 

E, finalmente, temos este ponto. Antes de mais, olhemos para a taxa de aborto nos EUA (dados provenientes do CDC de 1970-1999 e 1999-2008).


Duas coisas em relação a este gráfico. 

Primeiro: podemos ver claramente que pouco antes e certamente depois que o aborto foi legalizado em 1973, houve um aumento dramático. A taxa duplicou em menos de 10 anos.


Segundo: vocês podem ficar encorajados com o facto de ter ocorrido um decréscimo desde os anos 90, mas é importante reparar que isto prende-se com o facto dos dados estarem incompletos. Por volta de 1998, existiam 52 estados a reportar ao CDC - valor esse que desceu para 47. O declínio real para esses 47 áreas foi só de 2%. Particularmente falando, a Califórnia parou de reportar os seus dados. 

No último ano em que foram feitas estimativas para a Califórnia, 23% de todos os abortos ocorreram por lá. Devido a isto, podem que simplesmente ao não incluir este estado ficamos com a impressão de que tem havido uma quebra. Se eu pudesse adivinhar, eu diria que as taxas de aborto estabilizaram a partir dos anos 80, seguindo assim as taxas de consumo de contraceptivos.


Para se ver como um aumento do uso de contraceptivos é acompanhado com um aumento dos abortos (e não um decréscimo, como muitas pessoas esperariam), deixem-me indicar o 1flesh, porque eles têm gráficos de melhor qualidade e inúmeras referências.

(...)

(1) Michael, Robert T. 1988. Why did the U.S. Divorce Rate Double within a Decade. Research in Population Economics Vol. 6, p 367-399.

* * * * * * *
Este site tem uma teoria que pode (também) demonstrar como a pílula tem destruído o casamento (tal como era suposto).

Porque é que a Pílula contribuiria para o aumento das taxas de divórcios? Para responder a isso, temos primeiro que olhar para as mulheres e saber como a Pílula altera a sua percepção dos homens. E o que a Pílula faz aos cérebros das mulheres é muito interessante. 

As mulheres que se encontram a tomar a Pílula passam por uma mudança no seu critério de selecção de homens, e começam a preferir os homens que emitem mais sinais "paternos" no lugar daqueles que têm a aparência de ser menos voltados para a vida familiar (os chamados machos alfa). Na verdade, elas não preferem os machos beta aborrecidos; elas evitam os atraentes machos alfa. 

Fazer uma extrapolação desta premissa é muito interessante: o que é que as mulheres que se encontram a tomar a pílula fazem quando se casam, ou pouco depois de se casarem? Exactamente. Elas param de tomar a Pílula de modo a que possam construir uma família. E o que é que acontece quando elas param de tomar a pílula? A parte anterior dos seus cérebros remove o nevoeiro de se sentir satisfeita com os abraços do macho beta, e ela volta a ter uma preferência pelos excitantes machos alfa, e essa adoração atinge o seu impacto cervical máximo uma semana por mês quando ela ainda é fértil.

Portanto, a relação entre a Pílula e o divórcio talvez não seja assim tanto na destruição das conexão emocional, mas sim na reconstrução da conexão sexual. A esposa cuja volúpia é libertada da falsa prisão criada pela Pílula irá, subitamente (e, segundo a sua avaliação consciente, inexplicavelmente) descobrir que o seu marido beta — o homem  que lhe satisfazia em quase toda a linha quando ela estava a tomar a Pílula — é sexualmente repulsivo.


Conclusão:

Casar com uma mulher que se encontra a tomar a pílula pode ter consequências matrimoniais (futuras) graves. Mas, claro, com a proliferação da promiscuidade feminina nos dias de hoje  (obrigado, feminismo!), muito poucas mulheres se arriscam a ter uma vida sexual activa sem tomar a Pílula.

Portanto, o homem que queira aumentar as probabilidades de ter um casamento bem sucedido, deve dar preferência às mulheres que vivem uma vida onde a Pílula não é necessária (isto é, aquelas que, sendo solteiras, não têm uma vida sexual).

Boa sorte.

Pronta para casar




segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Pode o uso da pílula acabar com um relacionamento?



Por Melinda Wenner

Durante este ano 2,25 milhões de americanos vão-se casar - e 1 milhão pedirão o divórcio. Será que as pílulas para o controle de natalidade são responsáveis por alguns destes divórcios? Estudos recentes sugerem que a pílula contraceptiva - que impede as mulheres de ovular enganando o corpo de modo a que este acredite que a mulher está grávida - pode afectar o tipo de homens que a mulher deseja.

Tudo gira em torno do cheiro. Escondido no odor do marido encontram-se pistas dos genes do seu complexo principal de histocompatibilidade (inglês: "major histocompatibility complex" - MHC), que desempenham um papel importante na vigilância do sistema imunológico.

Estudos demonstram que as fêmeas preferem odores de machos cujos genes MHC sejam distintos dos seus . . .; casais com genes MHC distintos são menos susceptíveis de pertencerem a um homem e uma mulher geneologicamente próximos, e com genes semelhantes, e como tal, os seus filhos nascerão com uma variedade MHC superior e - como consequência - com um sistema imunitário mais robusto.

No entanto, um estudo públicado em Agosto último na "Proceedings of the Royal Society B", sugere que as mulheres que estão a tomar a pílula atravessam uma modificação em relação aos homens que partilham genes MHC similares. As mulheres que tomaram parte do estudo, quando comparadas com as mesmas mulheres durante o período anterior ao início da ingestão da pílula, eram mais susceptíveis de classificar o cheiro dos homens geneticamente similares (através duma T-shirt que eles haviam usado durante duas noites) como agradável e desejável depois delas terem iniciado o consumo da pílula.

Embora ninguém saiba o porquê da pílula afectar a atracção, alguns cientistas acreditam que a gravidez - ou, neste caso, as modificações hormonais que imitam a gravidez - aproximam as mulheres de parentes mais dados a cuidar de crianças ("nurturing relatives").

As mulheres que começam ou param de tomar a pílula podem, portanto, ter problemas nos relacionamentos. Um estudo publicado no ano passado na   "Psychological Science" apurou que as mulheres que se encontravam emparelhadas com homens com genes MHC semelhantes estavam sexualmente menos satisfeitas e mais susceptíveis para trair os companheiros que as mulheres que estavam junto a homens com genes MHC distintos.

Portanto, uma mulher que esteja a tomar a pílula, por exemplo, pode começar a namorar um  homem com genes MHC similares, que, mais tarde, lhe pode deixar sexualmente menos satisfeita. Então, se ela pára de tomar a pílula durante o relacionamento, as alterações hormonais associadas irão atrair-lhe ainda mais para um homem com um MHC diferente.

"Estes genes do sistema imuntário podem ter um efeito poderoso na forma como os relacionamentos são cimentados", afirma Craig Roberts, psicólogo da Universidade de Liverpool. 



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