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sábado, 14 de dezembro de 2013

Falsa alegação de violação destruiu a vida de um homem inocente

No dia 18 de maio de 2006, ao sair de sua cela e cruzar os muros da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, Heberson Oliveira, 30, achou tudo estranho. O sol estava alto, mas não era o calor que lhe incomodava.

Aquele era seu primeiro dia de liberdade após dois anos e sete meses na prisão. Nem ele acreditava mais que isso um dia pudesse acontecer.

- Eu já tinha perdido as esperanças de sair da cadeia vivo. A minha cela já estava virando a minha casa - conta Heberson, quase cinco anos depois, sentado na cama tubular cor de vinho de seu irmão mais novo. Heberson Oliveira é o rosto de um silencioso drama brasileiro: o das vidas roubadas pela lentidão da Justiça. Foi preso em novembro de 2003, suspeito de ter estuprado uma menina de nove anos de idade. Ele negou ter cometido o crime e disse que sequer estava em Manaus na época em que tudo ocorreu.

Mesmo sem nenhuma prova material ou testemunhal que o incriminasse, foi indiciado, denunciado e transferido para a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Só dois anos e sete meses depois de ter sido preso é que Heberson foi julgado e, finalmente, considerado inocente.

Mas a sentença que o pôs em liberdade não foi suficiente para lhe fazer um homem completamente livre. Heberson foi estuprado pelos “xerifes” da cadeia e contraiu o vírus da AIDS.

- Eu fui violentado lá dentro. Na hora do desespero, não vi quantos eram. Só queria que aquele sofrimento acabasse. Agora, essa doença vai me acompanhar pelo resto da vida. Eu estou condenado à morte. A Justiça roubou minha vida - desabafa tentando disfarçar o constrangimento evidente no queixo tremido.

Paradeiro

Para encontrar Heberson é preciso paciência. Depois que saiu da cadeia, ele morou durante algum tempo na casa de sua mãe, mas depois de três crises de depressão, se entregou às drogas e saiu de casa.Tentou alguns empregos, mas não se firmou em nenhum lugar.

- É difícil alguém oferecer emprego para um ex-presidiário e um aidético. Algumas pessoas me ajudaram, mas aí vieram as depressões. Eu vivo cuspido pela sociedade - diz chorando.

Heberson, que tinha o corpo firme e o rosto limpo antes da prisão, agora parece uma sombra. Emagreceu pela doença e pelo vício. A barba cresce e o cabelo encaracolado escapa pelas laterais de um boné esfarrapado. Dorme sob marquises, em terrenos baldios ou construções abandonadas na periferia de Manaus.

Quase todos os dias, ele vai à casa de sua mãe, Maria do Perpétuo Socorro, 51, em uma rua estreita e esburacada do bairro Compensa II, na Zona Oeste de Manaus. Caminha lentamente pelas ladeiras do bairro e, aos poucos, a gritaria na mercearia ao lado da casa de sua mãe vira cochicho. Atento, ele percebe que os olhos se voltam em sua direção; abaixa a cabeça e continua a andar.

Ao fim da tarde, Heberson deixa a casa da mãe. Carrega um saco plástico com roupas sujas e objetos catados na rua. Maria, pela janela, olha o filho indo embora mais uma vez, sem muito o que fazer. E Heberson, sem paradeiro definido, desaparece na rua sem saber quando ou se vai voltar.

Fonte: http://bit.ly/1bNfD4q



domingo, 16 de setembro de 2012

Quando o suicídio parece ser a única saída

Homem que foi injustamente acusado de violação por uma das vítimas de se o autor duma terrível série de ataques na zona ocidental de Sydney afirmou que a situação destruiu a sua vida e deixou-o a contemplar o suicídio.

Joey de Mesa, hoje com 27 anos, tornou-se conhecido como o violador "buck-tooth" depois da polícia o ter formalmente acusado de ter atacado seis adolescentes entre Abril de Junho de 2008. Quando evidências ADN o ilibaram, Mesa pensou que o pesadelo ficaria para trás.

No entanto, passados que estão 4 anos, ele confessou, ao The Sunday Telegraph, desesperado, que ele não consegue fugir dos insultos e das mentiras em torno do seu carácter.

É muito difícil eu ter um emprego a tempo inteiro. Tentei, mas sempre que consigo um, perco-o.

Joey de Mesa acrescentou ainda que já perdeu a conta do número de "job knockbacks". Mesa teme que os patrões façam uma busca na internet pelo seu nome e descubram o seu passado, e, consequentemente, o despeçam.

Nunca sei se ele fizeram uma verificação do meu background. Muitas pessoas perguntam-me e dizem coisas que geram temas de conversa. Elas chegam perto de mim e dizem coisas como 'Eu conheço-te de algum lado,' 'Eu já vi a tua cara em algum lugar' Muitas pessoas falam disto.

Eu gosto de trabalhar. Já me candidatei para trabalhar em hospitais como "wardsman".

Ele diz que já teve 4 empregos de armazém na zona ocidental de Sydney nos últimos 4 anos, o mais recente numa companhia onde ele só ficou duas semanas.

Disseram-me que não havia trabalho suficiente.

A sua parceira de longa data, Marcianne Mendiola, de 23 anos, disse que ele foi vítima de discriminação uma vez que não era por falta de dedicação que ele estava a ser despedido.

Ele está sempre a mudar de emprego.

Mesa diz que a sua vida foi destroçada quando uma das vítimas incorrectamente o identificou depois de o ter visto numa imagem CCTV libertada pelos órgãos de informação. Depois disso, ele passou 48 horas na prisão até que evidências ADN o ilibaram das acusações.

O verdadeiro culpado, Arvin Longabella, então com 23 anos e pai de três crianças, foi preso duas semanas depois e sentenciado a 17 anos de prisão por 15 ofensas contra 7 vítimas.

Na altura da prisão, Mesa trabalhava num mercado de fruta Edgecliff, mas o seu patrão dispensou-o.

Às vezes penso que a coisa mais fácil de fazer é suicidar-me. Hoje em dia evito toda a gente. Não tenho amigos. Os meus antigos amigos falam disto. Eles dizem coisas como "és o violador buck-tooth".

A mãe de Joey de Mesa sofreu um ataque do coração depois de ter sido interrogada na sua casa pela polícia.

A minha mãe esteve sentada durante 18 horas, rígida que nem um tronco.

Joey sabe que fez os seus erros; na altura em que foi preso, ele estava sob fiança por ter pontapeado um homem durante uma luta (29 de Junho). No entanto, ele quer uma ficha limpa e que o primeiro passo é a remoção da prisão do seu registo criminal.

Uma mulher polícia disse que a polícia "falou com o homem e com a sua família imediata depois de ter sido liberto, e emitiu um pedido de desculpas formal" - algo que Mesa nega ter ocorrido - "e consultou com eles [Mesa e a família] sobre a informação a veicular à imprensa, que anunciou que todas as acusações foram retiradas."

* * * * * * *

Este é um ângulo da falsa acusação que raramente - se alguma vez - é falado pelas feministas (especialmente por aquelas cuja venda de livros depende - e muito - da propagação do mito da "cultura de violação" ou "cultura de estupro"). A verdade dos factos é que, longe de vivermos numa "cultura de estupro", vivemos sim numa cultura onde qualquer mulher pode destruir a vida de qualquer homem com uma falsa acusação de "violação" ou "assédio."


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