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domingo, 9 de dezembro de 2012

Os ventos da mudança



Ainda me lembro um pouco da atmosfera social dos dias em que o feminismo se encontrava em ascenção - os anos 80 - e como qualquer pessoa que realmente importava se identificava como feminista. Até os homens. Se tu não eras pró-feminista, então eras um antiquado - um dinossauro primitivo. Só os desactualizados e quadradões não eram feministas.

Isso está a mudar.

Na semana passada Carla Bruni Sarkozy rejeitou o feminismo, afirmando "As pessoas da minha geração não precisam de ser feministas. Houve pioneiros que pavimentaram o caminho. Não sou de todo uma activista feminista." Uma enraivecida turba cibernética forçou Bruni a emitir um pedido de desculpas, mas tenho sérias dúvidas que isso tenha causado que ela gostasse mais de feministas do que gostava antes do incidente.

Mas Carla Bruni não foi a única que rejeitou a caracterização: Katy Perry rejeitou também o feminismo quando aceitou o Prémio "Billboard Woman of the Year" award (podem ver o seu discurso aqui) afirmando "Não sou uma feminista, mas acredito no poder das mulheres."

O que é que está a acontecer aqui? Sou de opinião que a resistência ao feminismo começou a ter um impacto real. Estas pessoas são celebridades e elas estão bem cientes da percepção pública. Estas mulheres não querem ser associadas a mulheres como Sandra Fluke e inseridas dentro da categoria de guerreira zangada das radfem.

Um ressentimento real e palpável dirigido às hipócritas ideólogas feministas começou a vir a tona, e aquelas pessoas que dependem dos fãs, que são na maior parte das vezes pessoas normais, começam a distanciar-se das feministas.

Esta é a forma como a estratégia que identifiquei no outro dia - lutar contra o feminismo sem esmurrar - funcionou. Se um certo número de pessoas - e não são precisas muitas - aumentar a intensidade da retórica contra o feminismo, as pessoas no geral começarão sentir que há algo de errado com o feminismo (que há).

Normalmente, este tipo de ataque demora alguns anos até dar frutos, mas mais cedo ou mais tarde, os frutos aparecem.


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