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sábado, 16 de junho de 2018

Ainda e sempre o processo "Casa Pia"

E se alguém de repente vem dizer para um qualquer pasquim que o nosso Presidente da República também foi indiciado e acusado por "testemunhas" fazer parte da "Rede de Pedofilia"?  Porque devemos verdade à nossa memória, e porque este processo é uma vergonha, segue o texto de 2011 de autoria de  Carlos Tomás.

-O Ministério Público nunca explicou os critérios usados para acusar uns denunciados e ilibar ou nem sequer investigar outros!-

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*São mais de 200 os nomes que foram referenciados como alegados abusadores de menores na fase de inquérito (investigação) do processo da alegada rede de pedofilia que operava na Casa Pia de Lisboa.

Jorge Sampaio, Marcelo Rebelo de Sousa, Jaime Gama, Ferro Rodrigues, Narana Coissoró, Paulo Portas, Francisco Louça, Chalana, Carlos Manuel, Joaquim Monchique, Medina Carreira, Carlos Monjardino, Vítor de Sousa, Adelino Salvado, Bagão Félix e Valente de Oliveira são apenas algumas das figuras públicas que viram os seus nomes referenciados no processo por várias pessoas interrogadas pelos investigadores da PJ ao serviço do Ministério Público.

Marcelo surpreendido

O professor e comentador televisivo Marcelo Rebelo de Sousa está, por exemplo, referenciado como tendo abusado de um menor e presenciado actos de pedofilia numa casa em Lisboa. Foi acusado, a 8 de Abril de 2003, por uma professora, residente na Margem Sul do Tejo. 

Segundo a denúncia da docente, ela foi levada à referida casa pelo pai, e lá estaria o professor que assistiu, nas palavras desta mulher, a abusos de menores, tendo ele próprio abusado de um. A procuradora Paula Soares, uma das titulares do inquérito (juntamente com o procurador João Guerra e a procuradora Cristina Faleiro), foi quem recolheu este depoimento, que, mais tarde, mandou simplesmente apensar ao inquérito principal. 

A mesma mulher acusou ainda o ex-ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, de ter abusado de menores (de ambos os sexos) numa casa localizada no Estoril e confessou que ela própria agrediu, com um ferro, uma jovem, na mesma casa, estando convencida ainda hoje que a matou.

A procuradora Paula Soares considerou que os factos denunciados eram muito antigos e não estavam relacionados com nenhum dos arguidos, suspeitos ou ofendidos do inquérito da rede de pedofilia, pelo que não ordenou qualquer diligência investigatória, nomeadamente que se procedesse ao interrogatório do pai da suposta vítima a fim de se apurar que casa era aquela e quem era o seu proprietário. 

Confrontado com esta acusação, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se surpreendido: “Nunca fui interrogado sobre essa matéria. Nem sabia que tinha sido referenciado. Tinha conhecimento que a minha fotografia aparecia num álbum que foi mostrado às vítimas e até achei isso muito bem. De qualquer forma, essa acusação não faz o mínimo sentido. Não conheço essa pessoa de lado nenhum.”

Testemunhos desvalorizados

Muitos dos testemunhos e denúncias recolhidos pela equipa de investigadores que trabalharam na fase de inquérito do processo foram desvalorizados, apesar de alguns deles terem testemunhado em tribunal contra alguns dos arguidos que foram a julgamento, nomeadamente contra Ferreira Diniz, Jorge Ritto e Carlos Cruz.

Uma das testemunhas que acusou estes três arguidos (baptizado por alguma Comunicação Social como João A., tratando-se na realidade de Ricardo Oliveira, actualmente com cerca de 30 anos, julgado em 2007 por assaltos a várias residências na região de Sintra e referenciado pelas autoridades como estando ligado ao narcotráfico) denunciou à PJ outros alegados abusadores, nomeadamente Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues, Jaime Gama, Fernando Chalana e Carlos Manuel, tendo mesmo indicado uma casa em Cascais, no Bairro do Rosário, onde terá sido abusado e filmado em práticas sexuais por Ferro Rodrigues, Jaime Gama e Jorge Ritto.

Uma outra testemunha/vítima, que acusa todos os arguidos de abusos na casa de Elvas, onde agora, de acordo com a sentença, apenas Carlos Cruz terá praticado abusos, denunciou à PJ Carlos Mota, antigo “assessor” de Carlos Cruz. 

As testemunhas que terão sido abusadas em Elvas referiram também à PJ abusos praticados por outras pessoas, nomeadamente por outros funcionários da Casa Pia, por colegas mais velhos e pelo antigo provedor Luís Rebelo, que foi demitido do cargo na sequência do escândalo. Curiosamente, apesar de ser referenciado nos autos como abusador e de ter estado mais de duas décadas à frente da Casa Pia, nomeadamente na altura em que terão ocorrido os abusos que foram agora julgados, o ex-provedor nunca foi interrogado pelas autoridades na fase de inquérito.

Outros jovens foram claros, quando interrogados pela equipa que investigava a pedofilia na Casa Pia de Lisboa, em denunciar como alegados abusadores de menores Joaquim Monchique, Francisco Louça, Medina Carreira, Narana Coissoró, Paulo Portas, Vítor de Sousa e Carlos Monjardino, entre outros. Todos foram acusados pelas testemunhas/vítimas como frequentadores assíduos do Parque Eduardo VII, onde “arranjariam” os menores de quem abusavam. 

Felícia Cabrita deu vários nomes

Quem também contribui para engrossar a lista de nomes de suspeitos de pedofilia foi a jornalista Felícia Cabrita, autora da notícia que esteve na origem do escândalo. Ouvida pelas autoridades a 16 de Janeiro de 2003, duas semanas antes da detenção de Carlos Cruz, Hugo Marçal e Ferreira Diniz, a jornalista revelou que tinha denúncias contra dois cozinheiros da Casa Pia, Jorge Ritto, Carlos Cruz e Fernando Pessa. 

Felícia entregou ainda à PJ um papel que lhe terá sido dado pela antiga secretária de Estado Teresa Costa Macedo, onde aquela denunciava o advogado Lawdes Marques, os doutores Eduardo Matias e André Gonçalves Pereira, os embaixadores António Monteiro e Brito e Cunha, bem como Carlos Cruz e João Quintela.

Isabel Raposo, a meia-irmã de Carlos Silvino, também escreveu uma carta à procuradora Paula Soares, que consta do processo, onde denuncia Pedro Roseta e o irmão, Valente de Oliveira, Martins da Cruz, Narana Coissoró, Paulo Portas, Bagão Félix e Adelino Salvado, entre outros.

O Ministério Público nunca explicou os critérios usados para acusar uns denunciados e ilibar ou nem sequer investigar outros!

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sábado, 24 de maio de 2014

Fidel Castro tinha uma vida de rei, revela ex-segurança

Um livro escrito com a colaboração de um ex-segurança do antigo presidente cubano Fidel Castro revela que, ao contrário do que o líder fazia acreditar, ele tinha uma vida de luxo. As informações são do Daily Mail.

Em "La Vie Cachée de Fidel Castro" ("A vida escondida de Fidel Castro"), o ex-funcionário conta como o líder cubano nunca renunciou aos "confortos do capitalismo".

Segundo Juan Reinaldo Sánchez, que trabalhou com Fidel por 17 anos e hoje vive nos Estados Unidos, o político vivia em uma ilha privada em Cayo Piedra, no sul da Baía dos Porcos, que contava com um criadouro de tartarugas e golfinhos.

Sánchez conta que o acesso à ilha era feito com o iate privado de Castro, feito com madeira nobre da Angola e motor cedido pelo ex-presidente soviético Leonid Brezhnev. Entre as suas outras propriedades estaria uma casa na capital, Havana, equipada com uma pista de boliche no último piso e um centro médico.

Ainda segundo o cubano, Castro sempre era acompanhado por, pelo menos, 10 guarda-costas. Segundo Sánchez, Castro desfrutava de tamanho luxo em um momento em que a economia cubana estava entrando em colapso após a desintegração do principal parceiro comercial da ilha, a União Soviética.

Outra revelação do livro diz respeito à vida amorosa de Castro, que teve nove filhos, proibidos de serem mencionados pela mídia cubana.

De acordo com Sanchéz, ele decidiu ajudar o jornalista francês Axel Gyldén a escrever o livro após ter sido preso, ao pedir para se aposentar. Ele diz ter sido torturado e colocado na cadeia "como um cão". 

"Esta foi a primeira vez que alguém do círculo íntimo de Castro falou em público (...) isso muda a imagem que temos de Castro porque seu estilo de vida contradiz com o que ele prega", declarou o autor da obra ao jornal britânico The Guardian. 

Em 2006, a revista Forbes listou o ex-presidente cubano como um dos líderes mais ricos do mundo, mas Castro negou.

Fidel Castro deixou o poder em 2008, após adoecer, em 2006, e, desde então, tem feito poucas aparições públicas.




terça-feira, 16 de outubro de 2012

A triste vida de Monica Lewinsky

A história que se segue, que me foi alertada pelos leitores, demonstra a máxima do Heartiste de que nos cálculos libidinosos das mulheres jovens, cinco minutos com um macho alfa suplantam uma vida inteira na companhia de um macho beta:
Não há marido, tal como ela sonhou, não há namorado, e não há crianças, embora ela tenha dito que no seu coração, ela era romântica e que casar e ter filhos "eram as coisas mais importantes para mim". Depois de inúmeras tentativas de se reinventar profissionalmente, também não há qualquer indício duma carreira bem sucedida.

A MailOnline apurou que ela continua a batalhar com o seu peso, e que agora vive com a sua mãe. Ela mudou-se do apartamento dispendioso que havia alugado durante quase uma década em Greenwich Village - onde as propriedades podem custar até $7,450/mês para um apartamento com um quarto - e divide o seu tempo entre New York e Los Angeles.
Quando ela fica em New York, ela vive com a sua mãe, Marcia Straus, que é dona duma penthouse na cidade.
Parece que ela voltou a ganhar os 14 quilos que perdeu no programa de dieta "Jenny Craig". A sua ligação com a companhia foi famosamente terminada apenas 3 meses depois de ter assinado um contrato de $1 milhão, para ser porta-voz da companhia, depois de terem surgido críticas de que ela não era um bom exemplo.
Foi revelado à MailOnline: 
Acho que se as coisas tivessem corrido como ela queria, ela teria perdido 14 quilos, encontrado um rapaz, mudado para Westchester County, e estabelecido uma família.
[...]
Para além do desgosto que ela sofreu depois do seu relacionamento com o Presidente Clinton, Monica tem planos para detalhar a dor que sentiu quando terminou uma gravidez no momento mais alto do seu relacionamento com o presidente, afirmou uma fonte. Ela estava grávida de um bebé cujo pai era um empregado do Pentágono chamado "Thomas", revelou ela numa biografia mais antiga escrita por Andrew Morton. ‘ O vazio nunca mais foi preenchido,’ disse a amiga
Durante o seu testemunho contra o Presidente Clinton, em 1998, um acordo de imunidade impediu que ela revelasse os detalhes íntimos em torno do seu romance que vieram ao público no livro de Morton desse mesmo ano. Mas esse acordo expirou em 2001, e quando o Presidente Clinton publicou a sua autobiografia "My Life", 3 anos mais tarde, Monica sentiu-se traída por ele outra vez, afirmou a fonte.
Se pensarmos um bocado nesta situação, durante os seus anos 20, Monica vivia o sonho feminista; ela estava a ter relações sexuais com múltiplos e poderosos homens, abortando o resultado, e a trabalhar junto do homem mais poderoso da Terra. Que mais poderia uma jovem mulher "poderosa" desejar? Anos mais tarde, e as coisas não estão assim tão bem. Ela tem quase 40 anos, encontra-se seriamente com peso a mais, sem homem e sem filhos à vista.

Algumas feministas podem dizer que estas mulheres estão a viver a vida que sempre desejaram, mas claramente isto é falso no caso da Monica uma vez que ela queria casar, e ter filhos.
Mas que homem gostaria de se casar com ela depois dela ter dormido com o homem mais poderoso e carismático do planeta? Instintivamente, os homens rejeitam as mulheres que eles sabem os irão colocar num patamar inferior aos parceiros sexuais passados. Esta é uma das razões pela qual as mulheres virgens sempre terem sido preferidas como esposas através da história da civilização.

O impacto psicológico de ter tido relações sexuais com o Presidente dos EUA deve ser muito profundo, e como tal, não imagino homem algum a querer alistar-se para competir com isso. E, claro, que homem pode substituir Bill Clinton no coração da Monica? Havendo sido íntima com o homem que comandou os destinos mais elevados do poder global, tinha o seu jacto próprio e o melhor sistema de segurança da Terra, e era o comandante das forças armadas americanas, como é que outro homem poderia comparar?
O facto de Monica estar solteira não pode constituir surpresa alguma, bem como o facto dela não estar feliz e não conseguir manter controlar o seu peso. No entanto, esta é precisamente a escolha de vida que as feministas prescrevem às mulheres jovens: alguns anos gloriosos de abandono sexual com homens poderosos, e depois uma vida de insatisfação. Que objectivo tão vazio e desilusório. 

Será que as mulheres acordarão e farão uma análise correcta dos dados, ou continuarão a ler livros do tipo “Fifty Shades” na esperança de que podem algum dia voltar a viver tais dias gloriosos? Infelizmente, eu estou mais inclinado a apostar na última opção.

* * * * * * *

Virtualmente todos os anos sai uma notícia do quão triste Monica se encontra, mas muito poucos se alongam nos genuínos motivos por trás das suas escolhas de vida. O artigo de W.F. Price provavelmente é o primeiro a fazer exactamente isso.

A Monica Lewinsky é mais uma das muitas mulheres modernas tomadas cativas pelos seus instintos hipergâmicos - situação que as leva a escolher enveredar por um estilo de vida onde elas esbanjam os pontos mais altos da sua beleza e fertilidade com homens que claramente não querem ter qualquer tipo de relacionamento sério com elas.

Pois bem: Monica junta-se agora à cada-vez-mais-longa lista de mulheres "fortes, poderosas e independentes" que descobrem, amargamente, que foram enganadas pela zeitgest sexual prevalecente. Os alfas, esses, também seguem os seus instintos sexuais biológicos e escolhem, agora, mulheres mais jovens e mais bonitas (os homens estão construídos para dar preferência às mulheres mais jovens e mais próximas do ponto mais alto da sua fertilidade).

O mais trágico desta notícia não é o facto de haver mulheres na casa dos 30 ou 40 que se encontram desesperadas por terem deixado para trás uma longa lista de homens honrados dispostos a tomarem-nas como esposas, mas sim o facto das mesmas mentiras feministas que destruíram as vidas das mulheres da geração passada estarem a ser espalhadas entre as moças actuais.

Dito de outro modo: nós temos evidências empíricas que este estilo de vida (sexo casual, adiamento da maternidade, etc) não funciona, mas as mulheres actuais insistem em adoptá-lo.

Em relação à Monica, não há muito a acrescentar em relação ao que Price escreveu em cima. Talvez só uma coisa: da forma como as coisas estão, não será surpreendente se um dia tivermos a trágica notícia de que ela terminou com a sua vida.



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Costa do Marfim: Presidente instalado pela ONU e por Obama ataca a imprensa e a oposição




O novo regime pertencente ao banqueiro central muçulmano Alassane Ouattara, instalado na Costa do Marfim através do uso das forças da ONU apoiadas pela administração de  Obama, suspendeu todos os jornais pertencentes à oposição e alegadamente está a levar a cabo um desmantelamento brutal das forças de oposição. Os activistas pelos direitos humanos, bem como os diplomatas ocidentais, manifestaram-se contra a agressão, o que causou o levantamento temporário da suspensão aos órgãos de informação [média]. Mas os problemas ainda continuam.

Na semana de 10 de Setembro, o assim chamado "Conselho Nacional de Imprensa" do governo decidiu banir temporariamente os seis jornais críticos do novo regime. O alegado crime: publicar fotos do antigo presidente marfinense Presidente Laurent Gbagbo com o seu governo (que foi removido do poder no ano passado de forma bárbara por militantes muçulmanos e  pela ONU depois de resultados eleitorais disputados). O Tribunal Supremo da Costa do Marfim declarou Gbagbo como o vencedor.

Cerca de 3,000 pessoas morreram nos confrontos, incluindo mais de 1,000 Cristãos chacinados pelas forças de Ouattara à medida que marchavam para Abidjan, apoiadas pelas forças internacionais. E embora a guerra se tenha dissipado depois de Gbagbo ter sido preso (com o apoio da ONU), a violência e a falta de ordem prosseguem ainda à medida que os ataques à polícia são usados como justificativa para 1) o encarceramento de opositores e 2) a censura de vozes mediáticas críticas ao regime.

Depois dos ataques aos órgãos de informação da oposição, a embaixada dos EUA localizada em Abijan emitiu uma declaração afirmando:


O povo da Costa do Marfim deveria ter a permissão para determinar por ele mesmo a validade das visões politicas em competição.

Por sua vez, as "forças de paz" da ONU em missão na Costa do Marfim qualificaram o ataque aos jornais,  levado a cabo pelo regime que eles colocaram no poder, como "um dado pouco saudável."

Defensores da liberdade de imprensa e organizações defensoras dos direitos humanos condenaram também  as acções do regime. O grupo "Reporters Without Borders" afirmou:

Esta suspensão colectiva, que é um passo atrás na liberdade da imprensa na Costa do Marfim, deixa-nos preocupados.

Outros activistas condenaram também o gesto.

Segundo os agentes locais que regulam os média, publicar as fotos e as descrições "sediciosas" das mesmas era "contrário à reconciliação nacional" e foi algo  feito para "prolongar a crise pós-processo eleitoral." Aparentemente as imagens podem ter induzido alguns marfinenses a acreditar que havia um segundo governo. Os jornais receberam ordem para fechar durante duas semanas.

A forte e rápida pressão internacional sobre a decisão colocou enorme pressão sobre o regime, chegando-se  ao ponto de alguns apoiantes do regime levantarem as suas vozes contra os abusos. Verdadeiramente, o furor global pode ter levado ao anuncio do dia 17 de Setembro declarando o fim temporário da suspensão.

Raphael Lakpe, patrão do "National Press Council", afirmou:

Decidimos suspender a sanção que se abateu sobre os jornais dentro do contexto da mediação decorrente com a associação dos editores de imprensa da Costa do Marfim, e a comissão do diálogo, verdade e reconciliação. . . . Queremos que estas mediações tenham algum tipo de hipótese.

No entanto, o ataque aos jornais pode ser um sintoma dum problema muito maior visto que, segundo observadores e oponentes do novo regime, e sob o manto do "terrorismo", o governo de Ouattara está a levar a cabo uma campanha sem misericórdia contra todas as forças de oposição - especialmente os apoiantes do antigo presidente.

Durante o mês passado, por exemplo, o partido de Gbagbo, Frente Popular Marfinense ["Ivorian Popular Front" (FPI)], viu as suas instalações serem atacadas por homens armados em plena luz do dia.  Mais tarde, e no mesmo dia, as instalações duma organização que publica um jornal de oposição (e de apoio a  Gbagbo) foram assaltadas. Numerosos oficiais de topo do partido foram presos, e a maior parte dos apoiantes militares e politicos seniores de Gbagbo ou estão na prisão ou a viver no exílio.

Em relação às actividades do regime, um documento oficial do FPI declarou:

Durante estas operações . . . . os actos cometidos são invariavelmente os mesmos. Espancamentos, extorsões  . . . . torturas,  para extrair confissões como forma de fundamentar a tese de que o FPI está a planear algo contra Ouattara, forçar as pessoas que são a favor de Gbagbo a desistir, procedimentos judiciais relâmpagos em torno de acusações mirabolantes.

O presidente do FPI, Sylvain Miaka Ouretto, fez eco destas palavras, afirmando que o partido estava pronto para iniciar um diálogo com o regime mas que o desmantelamento ilegal tem que terminar.

Não fizemos nada de mal e como tal, não podemos aceitar que sejamos transformados em bodes expiatórios duma guerra por poder dentro do regime.

Embora o regime de Ouattara alegue estar a combater "terroristas", e a combater um alegado esforço que está a ser feito em favor dum "golpe de estado" que tem como propósito removê-lo do poder, os observadores internacionais não estão totalmente convencidos. E mesmo que seja verdade - cenário improvável mas possível dadas as tensões profundas que ainda perduram depois do antigo presidente ter sido violentamente removido do poder - as tácticas maldosas e o terror que visa os oponentes dificilmente se justificam, segundo os grupos em torno dos direitos humanos.

Souhayr Belhassen, presidente da organização com sede em Paris "International Federation for Human Rights" (FIDH), afirmou:
Estas infracções dos direitos civis e políticos - incluindo o direito da liberdade de expressão e liberdade da imprensa - não ajudam em nada a consolidação da formação dum estado de direito, formação essa que  autoridades marfinenses se comprometeram a levar a cabo. É imperioso que as autoridades da Costa do Marfim garantam que estes direitos sejam respeitados.
Entre outras preocupações mais sérias, a FIDH e os seus afiliados expressaram alarme pelo uso das tropas governamentais para a propagação de "pânico entre os civis".  Outro problema em crescimento, ressalvado numa declaração emitida pelos grupos dos direitos humanos, eram as prisões em massa e as sentenças de prisão estipuladas aos apoiantes de Gbagbo.

Por exemplo, o Secretário-Geral da FPI, Akoun Lawrence,  foi preso no dia 26 de Agosto e acusado de "conduta desordeira" por declarações que ele fez durante um encontro partidário. O Procurador-Público esperava assegurar uma sentença de 5 anos pelo comentário, mas Lawrence foi sentenciado a seis meses de prisão - excessivo, segundo qualquer padrão.

Persistem também questões em torno dos processos judiciais. Sidiki Kaba, Presidente Honorário da FIDH, afirmou:

Os procedimentos judiciais nacionais têm que avançar de uma forma transparente, independente e imparcial - quer seja em torno dos eventos mais recentes, quer sejam assuntos relativos à crise pós-eleitoral. As autoridades marfinenses têm que evitar contribuir para os sentimentos de estigmatização e desconfiança entre a população civil, facto que só vai azedar o processo nacional de reconciliação - um desafio urgente para a Costa de Marfim.

.....

Depois das contestadas eleições de Novembro de 2010, e com o apoio de forças militares internacionais aliadas a milícias muçulmanas, o novo regime do banqueiro central Ouattara foi colocado no poder durante o ano passado. A votação original indicava uma vitória marginal por parte de Ouattara, principalmente devido ao  predominantemente muçulmano norte do país.

No entanto, e depois de terem sido descobertas evidências de fraude eleitoral ampla ( . . . ), o "Constitutional Council" nacional determinou que Gbagbo — um Católico esquerdista do Sul — havia vencido as eleições. Segundo a Constituição da Costa do Marfim, essa decisão deveria ter sido o ponto final dos eventos. Devido a isso,  Gbagbo recusou-se a abdicar.

Em vez de deixarem a Costa do Marfim resolver os seus assuntos internos, a ONU, o governo francês  e a administração de Obama exigiram que Gbagbo entregasse o poder a  Ouattara, um antigo oficial do Fundo Monetário Internacional. Quando Gbagbo recusou, as forças internacionais juntaram forças com combatentes muçulmanos e atacaram o governo, o que levou à prisão de Gbagbo.

Isto gerou uma “guerra civil” que deixou milhares sem vida. Bombas da ONU choveram sobre a capital, ao mesmo tempo que as forças islâmicas invadiam o palácio presidencial e apreendiam Gbagbo. O antigo presidente encontra-se agora a aguardar julgamento - num auto-intitulado "Tribunal Criminal Internacional" -  por alegados crimes contra a humanidade que se geraram no conflito - apesar do facto de Ouattara e os seus combatentes terem sido acusados de matança quando lutavam para adquirir o poder.

Falando perante a Assembleia Geral da ONU, o presidente Obama celebrou um leque de guerras e apelou a mais. Entre os exemplos de intervenções militares com o apoio da ONU  supostamente bem sucedidas, encontrava-se a violenta deposição de Gbagbo e a consequente instalação de Ouattara.

“O mundo recusou-se a virar a cara,” declarou Obama, erradamente alegando que Gbagbo havia perdido as eleições.

O Conselho de Segurança, liderado pelos EUA, Nigéria e França, uniu-se em apoio à vontade do povo.

Apesar das celebrações de Obama, a Costa de Marfim - tal como virtualmente todos os países onde os EUA e a ONU intervieram - está em tumulto. O novo regime instalado pelos power-brokers internacionais já mostrou as suas verdadeiras cores, e os analistas afirmam que o pior ainda está para vir.

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O mais surpreendente desta notícia não é o facto dum líder do Terceiro Mundo abusar do seu poder ilegítimo para reduzir ou destruir a influência dos opositores políticos, mas sim o facto da ONU já ser de facto uma organização que decide quais os líderes que devem ficar, e quais os líderes que têm que ser removidos. Se isto não é um desrespeito claro pela soberania nacional das instituições democráticas da Costa do Marfim, então a expressão  "soberania nacional" termo não tem qualquer significado coerente.

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