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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Porque é que as feministas odeiam Costanza Miriano?

Um livro de auto-ajuda fundamentado em princípios da Bíblia Hebraica - escrito por uma jornalista de 43 anos, casada e mãe de 4 filhos - que aconselha as mulheres a serem submissas aos seus maridos dentro do casamento está a causar uma comoção internacional por parte de  feministas de todo o mundo.

O livro, com o nome de "Cásate y sé sumisa", traduzido para "Casa-te e Sê Submissa", causou também a ira duma figura política espanhola com nome de Ana Mato, que segundo o The Telegraph, disse:

Acho isto desapropriado e desrespeitoso para as mulheres.

Não parece que a Ana Mato tenha explicado o que há de "desrespeitoso" em ser submissa ao marido.

Segundo uma reportagem, logo desde o princípio do livro a autora Costanza Miriano declara às mulheres que, "nós não somos iguais e não reconhecer isto é garantir uma fonte de sofrimento." Ela aconselha também às mulheres a forma de lidar com os maridos dentro do casamento:

Tens que te submeter a ele. Se tiveres que escolher entre o que tu gostas e o que ele gosta, escolhe em favor dele...quando o teu marido te disser algo, ouve com atenção como se fosse Deus a falar contigo.

Miriano, que está há 15 anos casada com o mesmo homem, explicou às suas leitoras que:

O marido não resiste a esposa que o respeita, que reconhece a sua autoridade, e que se dedica de forma leal a ouvi-lo, permanecendo do seu lado.

Partes do livro que aconselham as mulheres a lidar com problemas domésticos não foram traduzidos para o inglês:

Se não és uma cozinheira experiente ou a dona de casa perfeita, qual é o problema se ele assim o disser? Diz que ele tem razão, e que é verdade, e que vais aprender. Quando ele observar a tua doçura e a tua humildade, bem como o teu esforço para te tornares mais na pessoa que ele quer, ele também mudará. (...) As mulheres esquecem-se que não podem ter tudo: trabalhar como um homem e ficar em casa como uma mulher. O poder não foi feito para as mulheres.

Francisco Javier Martinez, o Arcebispo ode Granada, chamou o livro de "muito interessante, do ponto de vista Cristão", mas o mesmo deixou os grupos feministas espanhóis enraivecidos, levando a que algumas viessem às ruas e rasgassem cópias do livro.Activistas do grupo Anonymous deram também a sua opinião sobre o livro através duma mensagem de vídeo, qualificando-o de "misógino" e "opressor". Uma activista disse o seguinte:

Estamos fartas de ver a Igreja a olhar para nós como meros objectos feitos para satisfazer os homens, reproduzir e limpar.

Numa entrevista dada à BBC, Miriano defendeu a sua posição explicando que quando fala da mulher ser submissa no seu livro, ela não está a caracterizar a submissão como algo de negativo.

Não gosto da forma como a palavra é entendida em inglês, mas eu não a uso com conotação negativa; ela é uma palavra extraída do Livro de Efésios e de maneira nenhuma significa ser um tapete do marido. Eu uso-a no sentido etimológico de ser alguém abaixo, ou debaixo, fornecendo apoio tal como uma coluna apoia o telhado visto que nós, como mulheres, somos mais fortes. Nós somos capazes de colocar a personalidade na relação. João Paulo II escreveu que a mulher tem o génio e o talento do relacionamento, e como tal, nós somos capazes de ser o coração da família. A submissão é uma coisa muito, mas muito boa para a a mulher.

Quando lhe foi perguntado do porquê a ministra da Saúde Espanhola querer que o livro seja retirado, ela explicou que se calhar ela tem problemas com a palavra "casar".

Sinceramente, não sei. Eu pensava que era por causa da palavra "sumisa" [submissa] mas fiquei a saber que há muitos livros com a palavra "sumisa" que são vendidos nas lojas espanholas, tais como 'Diario de una sumisa'. Portanto acho que o problema talvez seja com a palavra 'cásate' [casa-te] visto que ser submissa ao marido é visto como algo terrível. Não sei bem porquê.

A mesma autora escreveu um livro com o título de "Marry Her and Die for Her" [Casa-te Com Ela e Morre Por Ela], mas não há notícia de manifestações masculinas acusarem-na de promover a morte dos homens.

Respondendo a uma questão do porquê algumas mulheres ficarem tão zangadas com o livro, ela disse:

Talvez nós não sejamos livres da necessidade de sermos reconhecidas. Quando uma mulher está em paz com ela mesma, e está totalmente realizada, ela não tem necessidade de ter reconhecida e como tal, ela pode escolher tomar uma posição de menor autoridade, não no sentido de ser o tapete mas sim no sentido de ser uma coluna.

Quando lhe perguntaram se o seu livro alegava que o feminismo havia destruído o casamento, ela respondeu:

Eu trabalho. Sou jornalista durante o dia, e à noite escrevo livros. Tenho 4 filhos. Acho que as mulheres que querem os mesmos direitos que os homens têm falta de imaginação e ambição uma vez que nós somos tão diferentes dos homens.

Ao tentar explicar o porquê do livro de Miriano se ter tornado tão popular na Espanha e em Itália, Sam Owen, psicólogo e profissional ligado aos relacionamentos, disse que isso prende-se com o desmoronar da sociedade:

Actualmente há muitas casas só com um parente e muitas famílias desfeitas, e os casais que ainda estão juntos tendem a ser pais ou avós. Se as pessoas têm um desejo ardente pelo casamento à moda antiga é porque muitos deles funcionaram tão bem. Quando se fala dos papéis dentro dum casamento, nós somos uma sociedade perdida.

Devido ao mundo em rápida mudança, ao desejo de colocar as mulheres iguais aos homens, e ao desejo de ter tudo - crianças, uma carreira bem sucedida e um marido satisfeito - os maridos e as esposas sentem-se confusos em torno do seu papel dentro do casamento e dentro da unidade família, e isto cria discórdia.


* * * * * * *
As feministas acabam sempre por revelar a sua natureza comunista sempre que uma mulher se atreve a dar uma opinião que não está de acordo com "O Partido".

Se algumas mulheres se sentem felizes competindo com os homens dentro e fora do casamento, que o façam - ninguém as impede. Por outro lado, se as mulheres se sentem satisfeitas e felizes em serem as "colunas" que apoiam o "tecto" do casamento (isto é, submissas ao seu marido), então a escolha destas mulheres tem que ser respeitada. Se estas mesmas mulheres escolhem escrever sobre a sua experiência de serem submissas ao homem que amam, então elas não podem sofrer ataques por parte das feministas.

Mas não é isso que acontece. Segundo o feminismo, as mulheres são livres para dar a sua opinião, desde que a sua opinião esteja de acordo com a ideologia

Imaginem a comoção internacional que aconteceria se um homem (padre, de preferência) tentasse censurar um livro só porque não concorda com a tese do mesmo. Mas é precisamente isso que as feministas estão a fazer ao tentarem censurar um livro só porque não concordam com a sua mensagem.

Isto revela de modo bem óbvio que o feminismo é um movimento inimigo da liberdade de expressão, e, como tal, todas as pessoas que valorizam a liberdade devem-se colocar contra o feminismo.







sábado, 28 de setembro de 2013

A revolução que vem do topo

Porque é que a "Esquerda" nas suas mais variadas manifestações - Comunistas, anti-fascistas, feministas, proponentes do multiculturalismo e outros inimigos da civilização Europeia tradicional - tem, regra geral, recursos consideráveis ao seu dispor? Porque é que tais pessoas são frequentemente recompensadas com lugares de influência nos média e no mundo académico?

A resposta é bastante simples: a Esquerda genérica é a criação e a protegida do verdadeiro poder - o Grande Capital -, e a dissolução das nações Cristãs ocidentais tem sido o propósito da elite financeira cosmopolita há já muito tempo. É precisamente por isso que o livro de Kerry Bolton se chama "Revolution from Above".

O autor foca-se maioritariamente na destruição dos valores tradicionais e das instituições sociais, especialmente a família, através da política, do mundo académico e dos meios de informação. O livro contém também capítulos valiosos em torno do papel de Wall Street nas revoluções mundiais - desde a usurpação da Rússia por parte dos Bolcheviques em 1917, até aos fortemente subsidiados e amplamente notificados golpes de estado dos últimos anos - tais como as "revoluções coloridas" das várias repúblicas Soviéticas até à Primavera Árabe.

Com este bem documento trabalho, o Neo-zelandês Bolton coloca-se dentro duma orgulhosa tradição Anglo-Saxónica de genuínos historiadores contemporâneos, na mesma linha de Nesta Webster, Douglas Reed, A. K. Chesterton e Ivor Benson.

Raízes

Bolton localiza o princípio do fim da civilização Ocidental no momento em que os mercadores e os banqueiros começaram substituir a aristocracia fundiárias como a classe  dominante, trazendo consigo o nascimento da usura, industrialização, urbanização e a miséria social. O paradoxo aparente é que foram essencialmente estas as forças que criaram e nutriram o socialismo. Como Bolton demonstra, no entanto. o socialismo nunca foi inimigo do Grande Capital, mesmo que a vasta maioria dos socialistas tenha vivido e morrido a acreditar nessa ilusão.

Bolton nota que este desenvolvimento pode ser documentado logo no tempo da Revolução Francesa, mas ele escolhe começar a sua narrativa no período da Revolução Russa de 1917. Que a usurpação Comunista da Rússia foi fortemente financiada por Wall Street é um facto indisputável, mas sistematicamente ignorado pelos livros de história e documentários televisivos. O maior financiador individual da Revolução Bolchevique foi provavelmente Jacob Schiff, líder do banco de investimento Judaico   Kuhn, Loeb & Co. Convém ressalvar que o seu parceiro na firma, o cunhado Paul Warburg, foi o arquitecto do Sistema da Reserva Federal. O irmão de Warburg, Felix, foi casado com a filha de Schiff, Frieda.

Bolton escreve:

Desde os tempos do Presidente Woodrow Wilson que os EUA têm investido numa politica externa que tem sido ditada pelos banqueiros internacionais, principalmente através do CFR. Esta política externa nada mais é que uma "revolução mundial", vasta, extensa e subversiva que nem mesmo Trosky e os Bolcheviques chegaram algum dia a promulgar. [p. 227]

O "Council on Foreign Relations" (o em cima mencionado ”CFR”) foi fundado no ano de 1921, mas esta fundação foi apenas uma formalidade uma vez que o CFR era liderado pela mesma camarilha de plutocratas que, com os seus aliados académicos e jornalísticos, conduziam a economia Americana e a política externa através da presidência de Woodrow Wilson (1913 and 1921). O CFR e o seu gémeo transatlântico, o "Royal Institute of International Affairs" (com sede em Londres), foram na verdade concebidos no dia 30 de Maio de 1919, no Hotel Majestic em Paris, durante as negociações do Tratado de Versailles. Estas duas instituições têm sido as pedras angulares da estrutura de poder global da plutocracia organizada dede então.

Muito pouco mudou desde que o Presidente Woodrow Wilson levou os EUA para uma guerra sob slogan hipócrita "tornando o mundo um lugar seguro para a democracia". O seu sucessor, Franklin D. Roosevelt, envolveu o país na Segunda Grande Guerra com a mesma duplicidade e a mesma retórica pomposa, e, de facto, inaugurou um período de relações ainda mais amigáveis com o mundo Comunista. Ambos estavam sob o controle dos mesmos endinheirados cosmopolitas, tais como  Bernard Baruch, que era conselheiro de ambos. [ed: Baruch foi o homem que cunhou o termo "Guerra Fria", para descrever a relação entre os Soviéticos e os Americanos.]


Claramente, o Senador Joseph McCarthy não se encontrava a batalhar contra moinhos de vento quando ele alertou o seu país da infiltração Comunista nos pontos mais elevados do poder Americano. Embora ele não entendesse, pelo menos inicialmente, esta não era apenas uma rede de espiões, mas sim algo muito mais poderoso e maligno. Bolton cita o historiador oficial do CFR, Peter Grosse, do seguinte modo:

Preocupações que pareciam ser mais importantes no início da década de 1950 abateram-se. A nação estava em perigo de sucumbir ao frenesim de alerta vermelho, marcado pela ascensão mediática do Senador Joseph R. McCarthy. Sem surpresa alguma, a membrasia do Concílio parecia estar solidamente unida no seu desprezo pelo demagogo do Wisconsin; afinal, sob a sua provocativa retórica encontra-se um ataque tímido à política externa do establishment de toda a Costa Este, cujos membros se reuniam regularmente numa sala de conferência fechada na Harold Pratt House. [p. 43]

É por este motivo que o nome do valente Senador continua continua a ser arrastado pela lama até aos dias de hoje, e o seu nome é tido como sinónimo de paranóia política.

Bolton afirma que se não fosse pela existência de Estaline, o rápido desenvolvimento do governo mundial que hoje em dia está a ganhar forma já teria sido estabelecido logo após a guerra. O propósito original das Nações Unidas era o dela se tornar numa instituição ainda mais poderosa e mais eficiente do que aquela que ela se tornou. O tirano Soviético não eliminou todos os seus rivais domésticos para se tornar num mero lacaio dum poder externo e internacionalista. Portanto, a Guerra Fria não foi no seu todo um falso conflito.

Quando a União Soviética finalmente foi dismantelada, as mesmas forças não perderam tempo para avançar com a sua antiga ideia dum governo global que tornaria o mundo seguro para a exploração financeira.

Hoje, o "Council on Foreign Relations" opera através de instituições financiadas pelo governo, mascaradas de organizações independentes agindo para promover ideais nobres, tais como "National Endowment for Democracy", "Freedom House" e o "International Republican Institute".

Um dos méritos do livro é facto de não só listar neo-conservadores infames sedentos de guerra como John Podhoretz, William Kristol, e Paul Wolfowitz, mas também figuras menoso conhecidas tais como Max Schachtman e os seus discípulos tais como Tom Kahn, que teve influência considerável sobre a politíca externa de Reagan, e Carl Gershman, que por muitos anos foi o chefe da "National Endowment for Democracy".

Todas estas pessoas eram Trotskyists que, a dada altura, mudaram a sua estratégia e enrolaram-se com as Listras e as Estrelas [ed: a bandeira americana] como forma de avançarem com a ideia da revolução mundial de um modo mais eficaz.




sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sussurros - A Vida Privada na Rússia de Estaline

Vozes recuperadas da tragédia de um povo
Sussurros - A Vida Privada na Rússia de Estaline
Autoria: Orlando Figes
Aletheia

Extraordinário levantamento de casos a partir de testemunhos orais e de diários escondidos durante décadas, a obra de Orlando Figes tem a força e o rigor da História e a intensidade das grandes novelas

Havia mais de 500 apartamentos para altos funcionários do Partido e do Estado na Casa da Beira-Rio, em Moscovo. Por isso rara era a noite, durante o período do Grande Terror, em 1937/38, em que o silêncio não era interrompido pela entrada de rompante de várias viaturas do NKVD, a polícia política de Estaline, no pátio para que dava aquele edifício soturno. Os polícias tratavam de selar as entradas e de procurar, num dos apartamentos, a próxima vítima. Esta, muitas vezes, já os esperava, tinha até uma pequena mala já feita ao lado da cama, sinal de uma incrível incapacidade para tentar escapar.

Estas visitas nocturnas sucediam-se mas ninguém fugia da Casa da Beira-Rio, mostrando uma passividade que Orlando Figes identifica como "um dos aspectos mais impressionantes do Grande Terror". Uma passividade ainda mais impressionante se pensarmos que se inspirava numa crença irracional: a de que se poderia ser sacrificado, mas que isso estava a ser feito em nome do Partido e do ideal comunista.

Osip Piatnitsky era, como escreveu Krupskaia, a viúva de Lenine, em 1932, pelo seu quinquagésimo aniversário, um "típico revolucionário profissional, que se entregou por completo ao Partido, vivendo apenas para os interesses do Partido". Mesmo assim este companheiro de Lenine de origem judaica estaria morto cinco anos depois apesar da sua impressionante folha de serviços, nomeadamente no Comintern, a organização internacional dos partidos comunistas. Foi executado pouco tempo depois de ter entrado em choque com Estaline e de não ter feito nada para salvar a vida apesar de conhecer bem o destino dos opositores.

Mais: poucos dias antes da noite em que o próprio Yezhov, o chefe do NKVD, o foi buscar à Casa da Beira-Rio, confessou a uns amigos que "se for preciso fazer sacrifícios pelo Partido, nesse caso, por muito pesados que eles sejam, fá-los-ei jubilosamente". Como escreveria outra vítima do terror estalinista, o argumentista Velerii Frid, "éramos todos coelhos, que reconhecíamos à jibóia o direito de nos engolir; quem caísse sob o poder do seu olhar dirigia-se calmamente para a boca da jibóia, tomado por um sentimento de fatalidade".

Foi assim que bolcheviques como Piatnitsky admitiram as acusações mirabolantes de que eram alvo apesar de se saberem inocentes: bastou-lhes que o Partido o tivesse exigido. Porquê? Porque, como recorda Orlando Figes, "ditava a moralidade comunista que um bolchevique acusado de crimes contra o Partido tinha de se arrepender, de se ajoelhar diante do Partido e de aceitar o juízo que ele fizesse dele". E, contudo, estes homens não eram inúteis desqualificados, bem pelo contrário, eram a elite do país.

Uma elite que, como os coelhos hipnotizados, aceitou ser dizimada sem resistir: dos 139 membros do Comité Central eleitos no congresso de 1934, nos anos de 1937/38, 102 foram presos e executados e cinco suicidaram-se; no mesmo período foram afastados e mortos dois terços dos membros do alto-comando do Exército Vermelho.

O paroxismo atingido durante o Grande Terror representa contudo apenas o episódio mais extremo das várias décadas de poder soviético que Orlando Figes retrata em "Sussurros" através de relatos da vida comum de pessoas comuns. Fruto de um imenso trabalho de recolha de memórias, cartas pessoais e testemunhos orais, realizado quer pelo historiador britânico, quer pela sua equipa, esta obra é um poderoso fresco, com centenas de personagens e uma grandiosidade que o escritor ucraniano Andrei Kurkov já comparou à do "Arquipélago de Gulag", de Aleksandr Solzhenitsyn.

Há também quem evoque "Guerra e Paz", de Tolstoi, ou "Vida e Destino", de Vasily Grossman, mas "Sussurros" não é uma novela histórica, ou mesmo uma novela sobre um fundo histórico: é um livro onde a história é contada pelos próprios e as suas vidas nos surgem tão verdadeiras como inverosímeis, já que muitas ultrapassam a imaginação do maior dos romancistas. Konstatin Simonov, que chegou a ser o escritor mais popular da União Soviética, funciona como uma espécie de anti-herói cuja vida percorre, a par com muitas outras, os diferentes capítulos deste grosso volume de mais de 700 páginas.

Filho uma princesa russa, cresceu a tentar ocultar as suas origens, fez-se operário antes de se aproximar do jornalismo, viajou pelo Gulag para relatar os seus encantos, acompanhou o Exército Vermelho para cantar a sua heroicidade, ascendeu ao topo da União dos Escritores como favorito de Estaline, casou-se e divorciou-se ao sabor das conveniências e das paixões, protegeu alguns amigos e deixou cair outros, fez-se voz do ditador quando este desencadeou as purgas anti-semitas, assistiu atordoado à leitura por Khrushtchev do seu famoso "relatório secreto" ao XX Congresso, acabando por passar o final da vida corroído pelos remorsos.

Noutro plano bem distinto decorre a vida dos membros da família Golovin, camponeses remediados apanhados no turbilhão da colectivização e acusados de serem kulaks. Na aldeia onde viviam, Obukhovo, eram apenas a família mais importante, bons agricultores que ajudavam os demais até ao dia em que um activista desqualificado do Komsomol (a juventude comunista), que tinha a ambição de presidir à nova herdade colectiva - o kolkhoz -, os denunciou. Seguiram então o destino de centenas de milhar de outros agricultores e foram deportados para os campos que haveriam de tornar possível, à força de trabalho escravo, as grandes obras dos "Planos Quinquenais".

No Inverno seguinte Obukhovo veria morrer metade dos seus cavalos e cada um dos seus camponeses proletarizados receberia apenas 50 gramas de pão por dia. A colectivização forçada do mundo rural russo depressa se revelaria um enorme desastre económico e uma ainda maior tragédia humana. Porém ela marcaria, como lhe chama Orlando Figes, "o corte" entre o mundo antigo e o novo mundo soviético, entre uma Rússia ainda a lamber as feridas da guerra civil que se seguiu à Revolução de 1917 e a Rússia uniformemente submetida a Estaline.

Através das inúmeras histórias comuns de que é feito, "Sussurros" permite-nos sentir de uma forma nova, porventura mais próxima e mais sentida, o que foi o gigantesco exercício de engenharia social levado a cabo no primeiro Estado comunista, permitindo perceber até onde chegou a influência dos poderes públicos e onde esta acabou por não conseguir entrar.

O comunismo é, por definição, um exercício contra os indivíduos em nome do colectivo, pelo que não surpreende que a família tivesse sido "a primeira arena de combate dos bolcheviques", como nota Figes. A "família burguesa" era vista como socialmente prejudicial "por ser conservadora e voltada para dentro", "por ser um baluarte da religião", "por promover o egoísmo e o desejo de coisas materiais".

Por isso, inicialmente, na década de 1920, chegou-se a alimentar na Rússia a esperança de que o Estado se substituísse às famílias, ocupando-se das crianças desde o mais cedo possível. "Pelo facto de amar uma criança, a família transforma-a num ser egoísta, incitando-a a tomar-se como o centro do universo", escreveu Zlata Lilina, uma teórica soviética da educação. E um ABC do Comunismo de 1919 defendia que os pais deviam deixar de utilizar termos como "meu" quando se referiam a um filho.

Para conseguirem os seus objectivos os comunistas não hesitaram em criar apartamentos colectivos onde as famílias eram obrigadas a viver em comunidade, quer por ocupação dos apartamentos maiores, quer pela construção de blocos habitacionais onde tudo seria partilhado, da guarda dos filhos à preparação das refeições, passando pela roupa interior e pelos dormitórios divididos por sexos.

Claro que estas utopias mais radicais duraram pouco tempo, mas a promiscuidade em que as famílias foram obrigadas a viver, partilhando muitos espaços comuns, também contribuía para a dissolução dos espaços de privacidade e para a generalização da percepção de que todos espiavam todos. De resto o nome da obra - "Sussurros" - reflecte a prática desses tempos em que ninguém se atrevia a falar alto com receio das "paredes que tinham ouvidos" - até porque as paredes eram, muitas vezes, apenas um lençol pendurado a dividir o espaço de duas famílias.

Conforme os anos passaram a elite do regime foi reivindicando para ela, e para a sua família, o espaço que antes se pretendera negar a todos, numa prova de que destruir a célula base da sociedade não estava sequer ao alcance de um ditador como Estaline. Mas isso não impediu que outro tipo de intrusos se infiltrasse em muitos núcleos familiares: os próprios filhos.

Por um lado, o regime enquadrava as crianças nos pioneiros - e ai de quem não fosse pioneiro... - e, depois, o Komsomol fornecia a via rápida de ascensão nas estruturas do Partido e do Estado. Por outro lado, o sistema incitava à delação, tendo tornado em heróis nacionais crianças que denunciavam os pais como "inimigos do povo", como kulaks ou como membros das antigas classes dominantes, como sucedeu com Pavlik Morozov, um "herói" de 15 anos celebrado por Máximo Gorky por ter percebido "que um parente de sangue também pode ser um inimigo de espírito".

Por fim, criava todo o tipo de estímulos para que o acto de transformação num "bom comunista" fosse não só honroso como, nos anos mais duros, a única hipótese de sobrevivência. "Muitos filhos de kulaks acabaram por ser fervorosos estalinistas, chegando mesmo a fazer carreira nos órgãos repressivos do Estado", conta Orlando Figes. "Para alguns deles, a transformação foi um longo processo consciente de 'trabalho sobre si próprios', que teve custos psíquicos".

O condicionamento da opinião foi tão forte que entre os degredados do Gulag houve quem chorasse a morte de Estaline, da mesma forma que, mesmo passados anos sobre a sua morte, os que entretanto tinham sido reabilitados continuavam a preferir esconder o seu passado.

Figes conta-nos a história de um casal onde só depois de décadas de vida em comum e quando, já no ocaso da existência, o comunismo já estava a entrar em colapso, ambos revelaram um ao outro que eram filhos dos campos de trabalho, um segredo que cada um deles tinha ciosamente escondido do companheiro.

"Sussurros" tem, por tudo isto, o enorme mérito de fazer falar alto vozes que os anos do Grande Terror, mas não só, submeteram ao "grande silêncio". Ao fazê-lo faz mais do que dar rosto e nome às vítimas, ou mais do que dar ambiente e cor à história da Rússia estalinista: consegue também revelar-nos o tremendo poder de um sistema que, ao associar o medo ao orgulho de ideologia redentora, conseguia não apenas aprisionar os corpos como condicionar as mentes.

Ao investirem tudo no sonho do paraíso na terra e na crença da infalibilidade da doutrina e do partido, milhões de russos caminharam mansamente para o cativeiro e para o martírio e, mesmo quando as portas se abriram, continuaram a não ser homens livres. "Sussurros" é pois também a história da tragédia de um povo, no fundo uma brilhante sequela da primeira e marcante obra de Figes, "A People's Tragedy: The Russian Revolution".
 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Monólogos da Solidão

Fonte

[NOTA: Antecipadamente, peço desculpa se alguém ficar chocado com o grafismo de algumas passagens.]

O livro "Monólogos da Vagina" (MV) apresenta-nos uma triste imagem da vida que é levada até às últimas consequências do feminismo. Ele (o livro) é um angustiado clamor por amor masculino por parte duma geração de mulheres enganadas pelo feminismo que não têm outra escolha senão tornarem-se lésbicas. Para as mulheres que se encontram literalmente famintas por amor, a peça oferece-lhes uma embaciante experiência de intimidade sexual. Para as jovens mulheres que não se apercebem do que se está a passar, a peça é uma iniciação ao lesbianismo.

Supostamente a peça de Eve Ensler é sobre os direitos das mulheres, mas o que ela é, de facto, é uma leitura pública de pornografia lésbica explícita. O livro MV é uma celebração do lesbianismo.

Tendo como base várias entrevistas levadas a cabo junto das mulheres, a peça alegadamente tentar salvar os genitais femininos da "negligência cultural." Por exemplo, a peça descreve um workshop onde as mulheres se examinam usando espelhos de mão. "Fez-me lembrar a forma como os antigos astrónomos se sentiram com os seus telescópios primitivos," afirmou says Ensler.

[ed: absorvam isto por alguns momentos: segundo a autora do livro, uma mulher que "se examina" com um espelho de maquilhagem sente basicamente o mesmo que os antigos cientistas sentiram quando olharam para os céus.]

Elas dão alcunhas às suas vaginas, vestem-nas com roupas imaginárias, e pensam no que diriam se pudessem comunicar com elas (por exemplo, "Onde está o Brian?"). Num evento que decorreu no Madison Square Gardens, 18,000 mulheres foram levadas ao frenesim durante um momento onde gritavam repetidamente "cunt".

Em vez de gritarem pelo órgão sexual feminino, elas deveriam ter gritado pelo nome do órgão sexual do sexo complementar uma vez que este assunto gira em torno da sua perda do amor masculino. Havendo perdido a sua feminidade e a sua juventude, havendo rejeitado ou emasculado os homens, milhões de mulheres encontram-se agora num deserto sexual. Devido a isso, o livro MV rapidamente se torna numa crónica de sexo lésbico.

A autora entrevista uma ex-advogada fiscal que se tornou numa rica gigolo lésbica. "Hoje em dia existem tantas mulheres insatisfeitas," afirma ela. "As mulheres pagam-me para me vestir como um homem, e dominá-las." Ele segue uma descrição precisa da sua arte ("existem 4 dedos dentro de mim, dois são dela e dois são meus").

Numa outra parte da peça, uma menina de 12 anos descreve como a sua mãe lhe colocou sob os cuidados uma linda e vivida mulher de 24 anos, que traiu a confiança da mãe ao se envolver em actos sexuais com a rapariga.

Fonte

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Quem diria: o estilo de vida feminista deixa as mulheres sexualmente insatisfeitas. Quem ganha com isto, obviamente, são as lésbicas visto que as mulheres que de outra forma teriam as suas naturais necessidades sexuais satisfeitas pelo marido, vêem-se na "obrigação" de buscar conforto sexual junto de outras mulheres. Portanto, o feminismo promove a destruição da sexualidade hetero e a sua substituição pela "sexualidade" homo.

O curioso desta situação não é o facto do feminismo ser controlado por lésbicas, mas sim o facto do resto da sociedade dar algum valor ao que um grupo de lésbicas frustradas diz sobre a forma como os homens e as mulheres se devem relacionar. Para elas, esse relacionamento nem deveria existir e como tal, as opiniões e as sugestões feministas sobre o casamento natural (1 homem + 1 mulher) são suspeitas - da mesma forma que o são as opiniões nazis sobre o bem estar dos Judeus.



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