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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Liz Jones lamenta o fim da era do cavalheirismo


Caras mulheres, deixem-me afirmar que a era do cavalheirismo morreu! Ontem, enquanto saia dum parque de estacionamento em ­Kensington, Londres, descobri que a direcção-assistida do meu BMW havia deixado de funcionar. O carro pura e simplesmente não se mexia. Felizmente eu encontrava-me num beco sem saída e não numa autoestrada.

Parei e tentei empurrar o carro. . . . Enquanto isso, liguei os quatro-piscas. Perto de mim encontrava-se um edifício cheio de homens com casacos fluorescentes, parados e sem demonstrar o minimo interesse em me ajudar. Eles conseguiam ver o meu apuro quando levantei o capô do carro e olhei para o motor.

Voltei para o carro, peguei no telemóvel e liguei para os serviços de assistência da BMW para resolver o problema do carro. Enquanto isso, eu chorava. Nenhum dos homens se incomodou para me ajudar. Em vez disso, sabem o que o homem Britânico fez? Três taxistas passaram por mim, agitando os seus punhos e praguejando contra mim. Nem se dava o caso de eu estar a bloquear o trânsito ou coisa que se pareça.

Outro condutor saíu do seu carro e encostou o seu punho contra o meu. "Sua vaca!" gritou ele. [ed: em inglês lê-se ‘You f****** cow!’]

No meio disto tudo, um homem, responsável pelo parqueamento, chamou-me a atenção batendo ligeiramente no vidro do passageiro. "Não consigo ouvi-lo," disse eu. "Porque é que você não bateu no vidro do condutor?"  Sabem o que ele disse? "Para fazer isso, eu teria que me colocar na estrada, o que poderia causar a que eu fosse atropelado."

O porteiro que se encontrava à porta do Kensington Close Hotel aproximou-se para ver o que poderia fazer. Ele disse que este tipo de coisas não eram de todo incomuns. O porteiro aparentava ter perto de 70 anos, o que explica muito. São os jovens - até aos 40 anos - que se comportam como palhaços/desajeitados [inglês: "louts"].

Eu dantes pensava que era só o meu ex-marido que deixava que eu colocasse gasolina no carro enquanto ele ficava sentadinho e quentinho, no lugar do passageiro, mas se esta minha experiência pode ser extrapolada, então posso dizer que o comportamento do meu marido é um fenómeno geracional. Tal como disse James May esta semana (Top Gear) os jovens perderam a sua masculinidade ao não serem capazes de consertar nada. E esta perda de bons modos é muito pior.

Jovens trabalhadores britânicos, vocês deveriam ter vergonha! Será que este tipo de homem asneirento venceu-nos a guerra? Nós não precisamos de mais porta-aviões; precisamos sim, de homens que não sejam porcos, ignorantes e rudes.

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Voz Day acrescenta:

Tenho que admitir, sinto-me encorajado com o comportamento do homem inglês moderno em relação ao sexo igual. No passado, os homens desceriam em massa para ficar com a honra de ter ajudado uma mulher forte e independente em apuros. Actualmente, a geração mais nova nem pestaneja quando vê uma mulher em lágrimas e a agir de maneira desesperada como forma de obter alguém que lhe resolva o problema. Isto é muito inspiracional!

No entanto, quando elas são reduzidas a uma poça frenética devido à sua incapacidade de lidar com um motor de combustão interna, não chega ignorar o sexo igual e, como dito pelo PM Britânico, o sexo mais talentoso. Em tais casos, eu acho que o dever realmente exige que apontemos o dedo e soltemos gargalhadas ruidosas.

O Código de Cavalheirismo Moderno:
  1. Eu não servirei nem reconhecerei o imperativo feminino.
  2. Eu respeitarei de forma rigorosa todas as alegações femininas em torno da igualdade e evitarei tratá-las de maneira, forma ou modo diferente daquele que trataria um homem.
  3. Se por acaso eu me deparar com uma mulher forte e independente a chorar em público, não ocultarei a minha satisfação.
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Como é normal, a mulher moderna só se apercebe que há algo de errado com os homens quando isso lhes aflige pessoalmente. Enquanto os homens são prejudicados pelo sistema de ensino, ou pelo sistema prisional, ou ainda pelos serviços de saúde, mulheres modernas, fortes e independentes como a Liz Jones não escrevem editoriais para o Daily Mail a apontar para esses factos. Só quando isso lhes perturba a vida de modo pessoal é que a mulher sob o feitiço da ética social actual - feminismo - se apercebe que há algo de errado.

Outra coisa que convém notar é que o comportamento do homem moderno é consequência directa da forma como as mulheres agem para com eles. Dito de outra forma, se a Liz Jones correctamente observa que os homens modernos não estão minimamente motivados para agir de forma "cavalheiresca" para com as mulheres, todas as Liz Jones deste mundo têm que tentar saber o que é que levou a esta mudança de comportamento. O sintoma está identificado; resta agora apontar as causas.

Antigamente, na era do "patriarcado opressor", muito dificilmente uma mulher se acharia na situação em que Liz se encontrou sem ser ajudada por vários homens. Isso é o normal porque os homens têm grande satisfaçao em ajudar, proteger e cuidar das mulheres. No entanto, se toda uma cultura se dedica a criticar o comportamento genuinamente masculino (que inclui - mas não se limita - agir de forma protectora em relação as mulheres), é mais do que óbvio que os homens não se sentirão minimamente motivados para agir de uma forma que é considerada "machista", "preconceituosa" e "antiquada".

Portanto, se as mulheres querem o homem de antigamente, elas têm que agir como antigamente. Na era da igualdade, a mulher vai ser tratada tal como ela quer: como igual.

Forte e independente

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Sufragista: "Se as mulheres pudessem votar, o Titanic não se teria afundado"



Estou surpreso por não ter lido esta história antes. Eis aqui as partes mais interessantes:
O cavalheirismo exibido no Titanic, que demonstrou para muitas pessoas que as mulheres não precisavam de votar, demonstrou precisamente o oposto para as sufragistas. Segundo o seu ponto de vista, eram as mulheres as melhor equipadas para erigir o comportamento altruísta que emergiu nos homens apenas em circunstâncias extraordinárias.
Não havia necessidade de se perder uma única vida no Titanic,” escreveu Alice Stone Blackwell. “Haverá muitos menos casualidades em acidentes evitáveis, quer em terra ou no mar, quando as mães dos homens tiverem o direito de voto.” 
Por outras palavras, as mulheres garantiriam a existência de legislação que ordenasse a existência de barcos salva-vidas suficientes para todos.
Mais uma alegação da superioridade moral feminina. As mulheres, com a sua espantosa habilidade visionária, teriam planeado melhor. Isto é consequência da crença de que as mulheres purificariam e suavizariam o mundo da política. Ainda não recebi uma boa resposta, ou qualquer resposta, em torno da questão da política não estar melhor (e estar até pior) agora que as mulheres podem votar? 
Numa carta escrita ao editor do Baltimore Sun, uma escritora que se identificou como “A Woman” ressalvou que deixar as mulheres e as crianças sobreviver nos barcos salva-vidas não teve nada de cavalheirismo. Segundo "A Woman", isto era o mínimo que os homens podiam fazer visto que o naufrágio do barco era da sua responsabilidade.
Afinal, as mulheres presentes no barco não eram responsáveis pelo desastre,” e como tal seria “uma injustiça grosseira decretar qie as mulheres, que não tiveram voz na criação e implementação das leis em terra ou no mar, ficassem no barco que se afundava, vítimas da cupidez masculina.
Segundo esta lógica, é bom que as mulheres têm o direito de voto uma vez que a responsabilidade dos males que hoje existem é também sua. Quando o pais ruir, elas não podem culpar os homens.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O feminismo como inveja do papel masculino



Voltemo-nos agora para o segundo ponto em torno do estatuto da mulher, nomeadamente, na implícita complementaridade e cooperação sexual. Isto significa que o seu estatuto não pode ser mantido mal a sua complementaridade é afastada por um ideal normativo de igualdade sexual e competição.
O movimento feminista, obviamente, tem levado a cabo tal afastamento e, desde logo, fragilizado o respeito dirigido às mulheres que elas [as feministas] dizem estar a promover. Tentarei agora explicar como é que isso aconteceu.
Um ponto a reter antes de continuar: a maior parte das críticas ao feminismo centra-se na refutação das suas doutrinas, tais como a atribuição de características femininas à educação ["socialização"] e não à natureza. Eu tomarei uma aproximação distinta.

Embora tal refutação formal das suas doutrinas tenha o seu valor, parece-me que a mesma não leva em consideração a característica fundamental do feminismo. Na sua essência, o movimento feminista não é um conjunto de ideais, mas sim um conjunto de atitudes - ou de emoções. A "teoria" feminista, tal como é grandiosamente conhecida, é simplesmente o que as mulheres do movimento inventaram como justificação post facto para as suas atitudes e emoções.

Um excessivo foco nas doutrinas feministas parece-me ser sintomático da falácia racionalista: a crença de que as pessoas são primariamente motivadas por ideais. Se elas de facto o fossem, sem dúvida que a melhor forma de combater uma doutrina estabelecida seria demonstrar que as suas crenças são falsas. Mas no caso do feminismo, mais até do que no caso do Marxismo ou outras ideologias políticas, são as crenças que são motivadas pelas várias necessidades pessoais e não-racionais. Devido a isto, proponho que o feminismo seja melhor entendido através duma consideração da feminista em si.

Uma feminista pode ser estritamente e propriamente definida como uma mulher que têm inveja do papel masculino. Por "papel masculino" eu defino, primariamente, como alguém que é protector, provedor e guia - em vez de cuidador ou assistente. Este papel masculino envolve:
  • 1) independência, acção e competição numa sociedade impessoal fora do ambiente familiar,
  • 2) o uso de linguagem de comunicação e análise (em vez de expressividade ou manipulação emocional),
  • 3) comportamento deliberado tendo em vista um fim objectivo (em vez de estados de satisfação subjectivos), e
  • 4) o uso da razão práctica (em vez dos impulsos emocionais).
Tanto a mulher feminista como a mulher não-feminista sentem que estas características tipicamente masculinas têm primazia natural sobre as suas. Eu prefiro usar o termo "primazia" em vez de "superioridade" uma vez que tanto as características masculinas como as características femininas são necessárias para a propagação da raça humana.

Um sinal da primazia masculina é o facto da inveja dirigida ao papel feminino ser virtualmente inexistente - mesmo, segundo sei, entre os homens homossexuais.

As mulheres normais sentem-se atraídas por características masculinas e desejam fazer parceria com o homem que as possui. As sociedades saudáveis caracterizam-se por uma reciprocidade cooperativa entre os sexos, mas uma reciprocidade desigual no sentido de envolver a liderança masculina sobre a fêmea - algo análogo a danças de salão.

Por outro lado, a resposta feminista à primazia masculina, tem sido um sentimento de inadequação em relação ao homem - um sentimento mal disfarçado com o uso de termos defensivos como "igualdade." Ela anseia possuir a masculinidade directamente, na sua pessoa, em vez de fazer parceria com um homem. É precisamente isto que a arrasta para o beco sem saída da inveja.

Provavelmente mais do que invejar o papel masculino, a feminista cobiça as recompensas externas associadas à performance bem sucedida: estatuto social, reconhecimento, riqueza e a hipótese de poder controlar directamente a riqueza (em vez de ser suportada por ela). A feminista não dá muita atenção ao vasto número de homens que batalham (sem sucesso) para realizar as exigências do seu papel masculino.

Inveja.

Consideremos primeiramente, a inveja. Ela envolve algo bom e desejável na outra pessoa. Até aqui, isto é análogo à emulação. A diferença consiste no facto do emulador estar primariamente interessado no aumento do seu poder, enquanto que a inveja, que deseja reduzir a pessoa invejada e não elevar o invejoso, é uma característica negativa. O invejoso normalmente não admite isto de modo explícito, preferindo afirmar ter sido "enganado" - quer seja pela pessoa por quem sente inveja, quer seja pela sociedade em que ambos estão inseridos.

O invejoso esconde a sua inveja com um [falso] zelo por "justiça." Normalmente, o invejoso declara que quer "regras justas na competição" ao mesmo tempo alega que o sistema está "adulterado."

A inveja, no entanto, é um sentimento distinto da justiça uma vez que é fundamentalmente impossível satisfazer uma pessoa invejosa. A pessoa com uma indignação justa quer genuinamente chegar a um acordo final e avançar com a sua vida. Por contraste, se o invejado concede algo ao invejoso, isto apenas revela ainda mais a superioridade do invejado, causando assim ainda mais raiva e inveja por parte do invejoso.

Uma das razões por trás do avanço das exigências feministas deve-se ao facto dos homens não se perturbarem com a inveja. Estes homens não entendem a psicologia [de inveja] por trás das acções das feministas. O facto de genuinamente se preocuparem com as mulheres, e desejarem promover o seu bem estar, faz com que os homens não poupem esforços nas suas tentativas de se chegar a um acordo ou a um compromisso. Eles realmente pensam que algumas limitadas concessões podem persuadir as feministas, e mostrar que os homens não são assim tão maus como elas pensam.

Mas é metafisicamente impossível "conceder" aquilo que as feministas invejam: a performance bem sucedida do papel masculino, incluindo a superação dos riscos, a transposição dos obstáculos, e conquistas objectivamente verificáveis. O que os apaziguadores na verdade concedem às mulheres é parte das aparências externas e dos prémios dessa conquista. É isso que está por trás da admissão corporativa e das preferências promocionais.

Mas uma análise mais cuidada revela o porquê de tais concessões nunca poderem satisfazer uma mulher feminista uma vez que ela sente-se humilhada precisamente pela realização de que o seu avanço mais não é que um não-merecido acto de cavalheirismo por parte do odiado "patriarcado". É difícil imaginar um meio mais eficiente de agitar a sua frustração e exacerbar o seu ressentimento. (A situação das preferências rácicas, incidentalmente, é precisamente análoga. Devido a isto, um livro em torno dos beneficiários negros da "acção afirmativa" é correctamente intitulado de "A Raiva da Classe Privilegiada" - The Rage of a Privileged Class.)

De facto, as concessões são entendidas como sinal de fraqueza, gerando assim uma atmosfera para mais concessões - um ciclo que só pode ser terminado com a destruição total do invejado. Dito de outro modo, a alegação feminista de que elas são motivadas pelo amor à justiça é pura fantasia. O feminismo não é uma demonstração de indignação justa, mas sim um dos mais bem sucedidos movimentos baseados no ódio. [É importante ressalvar que todos os movimentos baseados no ódio - nazismo, comunismo, supremacismo branco, supremacismo negro, etc - alegam sempre estar a lutar motivados pelo "amor à justiça"]

Na prática, como uma feminista nunca pode ser igual ao homem no papel masculino, ela concentra os seus esforços na sabotagem desse papel. Ou seja, como ela não consegue o nivelamento por cima. ela contenta-se com o nivelamento por baixo. [O que também demonstra o porquê das mães feministas fazerem todos os possíveis para que os seus filhos - machos - cresçam o menos másculos possível - "gender neutral"]

A consequência práctica do poder político feminista é a elevação máxima de barreiras aos homens que tentam "fazer o que sabem" (cumprir o seu papel). Por exemplo, as mulheres podem não ter as carreiras profissionais glamorosas e bem sucedidas que imaginaram, mas basta uma acusação de "assédio" para destruir a carreira dum homem cujo sucesso ela nunca poderia imitar. Não há qualquer dúvida que muitas mulheres obtém algum tipo de gratificação sádica ao exercerem tal poder sobre os homens. Eu mesmo já ouvi uma mulher a gabar-se de ter causado o despedimento de 3 homens.

Uma completa indústria legal, fortemente baseada em crimes recentemente inventados - onde só os homens podem ser culpados e só as mulheres podem ser vítimas - germinou no espaço duma geração. Perante a propagação de tal comportamento, obviamente que a tradição ocidental de nutrir uma estima elevada pela mulher não irá sobreviver indefinidamente. As mulheres que se questionam do porquê os homens não as "respeitarem como antigamente" podem muito bem procurar a resposta no espelho mais próximo.

A inveja do papel masculino tem, também. consequências devastadoras para a performance da mulher no seu próprio papel. Embora o seu papel possa ser secundário ou de apoio em relação ao papel do homem, ele é igualmente importante. A mulher dá à luz, cuida, e, em larga parte, educa a próxima geração. De forma geral, a feminista recusa-se levar a cabo o seu papel natural, ou então exerce-o de um modo ressentido, fraco e pobre. Devido a isto, o feminismo não pode de maneira nenhuma ser tratado como uma folia pessoal por parte de mulheres mimadas, mas sim como inimigo mortal da sociedade onde essa ideologia parasita.

Os inimigos da cooperação heterossexual, e os inimigos da procriação, são inimigos da raça humana.

* * * * * * *

A primeira parte deste artigo pode ser lida aqui.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Duas concepções conflituosas da dignidade feminina


Um dos baluartes da civilização ocidental é o anormal estatuto elevado que ela conferiu à mulher. Esse facto é normalmente atribuído ao Cristianismo, que valoriza algumas virtudes tipicamente femininas (misericórdia, humildade) mais do que as sociedades pagãs haviam feito. No entanto. Tácito havia já ressalvado o respeito que era conferido às opiniões femininas nas tribos pagãs Germânicas do seu tempo. Alguns defendem que o respeito conferido às mulheres era um reflexo das condições do Norte da Europa durante o mundo antigo, onde a familiar nuclear - e não a família alargada - era a unidade económica mais importante.

Mas onde quer que se tenha originado, a posição da mulher na nossa civilização tem sido recentemente corroída pelos desenvolvimentos económicos e pelo movimento feminista. O ensaio que se segue tem como propósito explicar como é que isto aconteceu, e demonstrar a necessidade de se reverter o processo.

Existe alguma confusão em torno do ataque feminista ao estatuto da mulher uma vez que o movimento feminista apresentou-se ao mundo . com algum sucesso - como um esforço para melhorar esse mesmo estatuto. Como todos sabemos, as feministas alegam que as mulheres são, em pleno direito, "iguais" aos homens e como tal merecem "condições de concorrência equitativas" como forma de competir com os homens.

Nos dias de hoje, é rara a pessoa cuja noção em torno das alegações das mulheres não tenha sido de todo influenciada por estes slogans; isto é verdade mesmo entre muitos que se julgam "inimigos do feminismo". Por exemplo, alguns pseudo-defensores da Civilização Ocidental acreditam que o islão é um perigo para nós principalmente porque não aceita a "igualdade entre os sexos". Esses mesmos defensores do Ocidente parecem transmitir a ideia de que não teriam problemas com o islão se as raparigas muçulmanas fossem livres para usar mini-saias, alistarem-se no exército e divorciar o marido. Muitos homens que fazem parte do crescente movimento dos Pais (inglês "Father's Movement") descrevem o seu objectivo como a implementação da "genuína igualdade", e não a recuperação do seu tradicional papel de líderes da família.

Eu cheguei a conhecer conservadores que asseguraram perante as suas jovens audiências que a ideia da igualdade sexual provém do Cristianismo - uma ofensa mais grave do que aquelas que Voltaire ou Nietzsche alguma vez poderiam ter feito.

Um caso extremo desta confusão pode ser encontrado em conservadores "mainstream" tais como William Kristol, que alega ser contra o feminismo porque as suas mais exóticas manifestações "ameaçam aquilo que as mulheres já conquistaram". Ou seja, o problema com o feminismo é que ele coloca em perigo o feminismo. É difícil combater um movimento quando se aceitam as premissas fundamentais.

Na realidade, o elevado estatuto da mulher no ocidente não só é anterior ao feminismo como é logicamente incompatível com o mesmo. Para se entender o porquê, é preciso manter dois pontos em mente:

1. O estatuto tradicional da mulher estava conectado a certas expectativas comportamentais - cumprir os deveres da sua condição;

2. O mesmo estatuto assumiu diferenças qualitativas e complementares entre os sexos (e não competição "justa").

Em relação ao primeiro ponto: falando de forma clara, nunca foram as mulheres em si que desfrutaram de elevado estatuto mas sim os papéis sociais associados a elas - primordialmente, os papéis de mãe e de esposa. Nascer fêmea (ou macho) é meramente um facto natural sem qualquer valor moral intrínseco; mas levar a cabo papéis sociais envolve esforço e, muitas vezes, sacrifício.

Consequentemente, o respeito conferido às mulheres não era um direito de nascença, mas sim algo reservado às mulheres que realizavam as suas obrigações femininas. Entre estas obrigações, a fidelidade matrimonial era de importância suprema - tanto assim que na nossa língua, termos gerais como a virtude e a moralidade têm sido especificamente usados para se referirem à fidelidade sexual nas mulheres. Isto não se deve a puritanismo irracional, como os apóstolos da emancipação imaginavam, mas sim ao reconhecimento de que tudo o que é preciso para destruir uma raça e uma civilização é a recusa feminina em ser uma fiel mãe e esposa.

A tradição ocidental inclui também a forte presunção de que as mulheres querem cumprir o seu papel; dito de outra forma, assume-se que as mulheres são "virtuosas" até prova em contrário. Em algumas épocas, se alguém não tivesse evidências confirmatórias, era perigoso sugerir que uma mulher poderia não ser o paradigma da contenção sexual. Uma alegação em torno da honra duma mulher era suficiente para que fosse levado a cabo um duelo.

Claro que isto não faz sentido nenhum se as mulheres não têm honra. Os actuais proponentes da igualdade e da emancipação abertamente repudiam esta ideia e qualificam-na de "construção social opressora." Mas, dito de modo franco, eu suspeito que a honra nunca foi o determinador primário do comportamento feminino. O bom exemplo (especialmente das mães), hábitos, falta de oportunidade, instruções religiosas, e, em último caso. a possibilidade de desgraça social e ruína financeira foram provavelmente muito mais eficazes junto das mulheres.

Os homens, por outro lado, foram frequentemente encorajados a acreditar que as mulheres eram naturalmente monogâmicas, sem qualquer tipo de comportamento baseado em algo tão básico como a atracção sexual, e que apenas buscam "bons maridos" com quem elas desinteressadamente se casam apenas e só por amor. Esta agradável e edificante visão da feminidade é a base das expressões culturais ocidentais em torno dos relacionamentos entre os sexos: galanteio, cavalheirismo, corte e casamento. Isto é o que coloca o amor, usando a frase de Edmund Burke, "senão entre as virtudes, pelo menos entre os ornamentos da vida."

Existem também considerações mais prácticas, embora menos delicadas: se o marido confia na esposa, ele pode evitar vir apressadamente para casa - sem avisar - como forma de ter a certeza de que ela não está na cama com o jardineiro. Isto faz com que ele dedique mais tempo ao seu papel de ganha-pão para os filhos que ele tem a certeza serem seus.

A socialmente benéfica visão cavalheira em torno da feminidade é totalmente independente da sua veracidade. Não existe qualquer harmonia pré-estabelecida entre o que é verdade e o que é útil que os homens acreditem. Talvez seja melhor que o homem não saiba toda a verdade em torno das mulheres - mesmo, ou especialmente, a sua esposa. No entanto, a maior parte das mulheres coopera de modo entusiástico na promoção da visão cavalheiresca, mesmo que elas não tenham sido sujeitas a mesma. Isto deve-se em parte ao facto delas terem sido sagazes o suficiente para se aperceberem das vantagens em manter uma elevada reputação entre os homens, e parcialmente porque elas são naturalmente mais reticentes que os homens no que toca os seus desejos sexuais ("modéstia").

Mas quer tenha sido com base no conhecimento ou numa ilusão, o valor que a nossa civilização conferiu à mulher depende de forma fundamental na sua monogamia, e não faz qualquer sentido separada dela. Enquanto os casos de adultério feminino foram poucos, os mesmos foram considerados aberrações da natureza - análogo a bebés com duas cabeças. Quando, no entanto, milhões de mulheres agem de acordo com o plano feminista de "emancipação", deixando os maridos, separando-os dos filhos, levando-os à ruína com divórcios, e vivendo com outros homens, o sistema vai abaixo. [Exactamente o que os engenheiros do feminismo tinham em vista]

É aqui que nos encontramos hoje em dia. Para mim, a característica mais notável da revolução que nós atravessamos é o atraso temporal entre o comportamento da mulher e a mudança da atitude masculina em relação às mulheres. Muitas vezes os homens culpam membros do seu próprio sexo quando algo corre mal, embora a desvantagem natural da posição masculina torne a sua responsabilidade primária muito improvável à priori. Uma vez que as mulheres possuem mais controlo que os homens no processo de acasalamento, elas são inerentemente as responsáveis mais prováveis pelo desmoronar da formação e estabilidade familiar.

Parece que muitos homens possuem uma necessidade emocional de acreditar na virtude ou inocência inerente da mulher, algo sentimentalmente parecido com o culto Romântico da infância. Mesmo hoje, perante um Estado-polícia feminista, os comentadores frequentemente atacam o seu próprio sexo por uma alegada insuficiente apreciação das alegações da feminidade. A coisa mais simpática que se pode dizer desses homens é que eles se estão a condenar à irrelevância. Um julgamento menos gentil é o de qualificá-los de colaboradores.

Numa sociedade substancialmente monogâmica, a visão cavalheira da mulher é útil para ncontrolar os naturalmente agressivos desejos dos jovens maridos. No entanto, Numa sociedade controlada por mulheres mimadas e tiranas - que se "emanciparam" para longe das obrigações domésticas - o cavalheirismo é inútil ou prejudicial. Como é normal, os conservadores estão ocupados a tentar fechar a porta do estábulo quando o cavalo já fugiu.

A nossa tarefa hoje em dia não é "proteger" o casamento mas sim reconstruí-lo do nada. A estratégia para levar isto a cabo necessariamente tem que ser distinta da estratégia levada a cabo quando a instituição do casamento estava apenas sob ameaça.

* * * * * * *

Segunda parte pode ser lida aqui.


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