Uma agência de pesquisa australiana apurou que 42% das mulheres locais
colocam a família como o objectivo mais elevado das suas vidas, à
frente da segurança, prosperidade ou uma vida importante. Este
resultado é disconcertante para a feminista Clementine Ford. Mas porquê? A essência da sua resposta é:
não há de mal em querer uma família, desde que ela seja construída à
volta da mulher e não como objectivo de vida. Se a família é o teu
objectivo de vida, então isso é algo que te define como pessoa e retira
a tua autonomia. Os homens, segundo Clementine Ford, não têm a família
como objectivo de vida e como tal, são livres para viver vidas
excitantes, importantes e prósperas.
Ela diz:
Não há nada de mal em querer uma família ou considerar a formação duma família como algo integral para a felicidade. Certamente que não querer mais nada que ter filhos e um ambiente familiar é um objectivo tão admirável como outro qualquer. Mas primeiro é preciso ver que, de modo geral, a "família" é algo que acontece à volta do homem, e não algo que eles buscam como propósito de vida. Os valores sociais permitem que os homens persigam vidas "importantes", excitantes e prósperas, vidas essas que as mulheres naturalmente estão a perder visto que é entendido que, para os homens, estas escolhas não são incompatíveis com a formação duma família.
Sem dúvida que este é um sistema de crenças curioso, que assenta de modo parcial na equivocada inveja direccionada ao estilo de vida que os homens levam.
Aparentemente, Clementine olha para os homens como seres livres para
levar vidas excitantes e prósperas. (Isto é o mesmo que um homem olhar
para um grupo de mulheres jovens, bonitas e alegres, e assumir que as
suas vidas estão perfeitas. Felizmente, o bom senso entrará em acção e
esse pensamento sera banido da mente, mas a Clementine parece
agarrar-se ao seu momento de inveja. Note-se que, embora tenha um
emprego confortável como escritora autónoma ("freelance writter"), ela
persiste em acreditar que o mediano homem trabalhador, quando comparado
com ela, tem carta branca.
Para além disso, Clementine não parece entender o quão importante a família é para os homens. Casar e fazer filhos é um objectivo de vida para a maioria dos homens, objectivo esse que os homens conscientemente tentam atingir.
Clementine adoptou também a teoria esquerdista da autonomia, que
defende que nós não podemos ser definidos por factores prédeterminados
tais como a biologia e os costumes (e, desde logo, a maternidade), mas
sim pelas coisas que nós mesmos escolhemos (tal como a carreira
profissional).
Ela lamenta:
As crianças, e o acto de as ter, ainda é visto como algo que eleva as mulheres para o patamar da pessoalidade. As suas vidas sem filhos são precurssores para o propósito real - ter filhos e descobrir O Que Era Suposto Fazerem Com os Seus Corpos . . . Também as mães sofrem a indignidade de se assumir que houve perda de parte essencial da sua identidade autónoma como mulher.
Sinceramente, as mulheres deveriam fazer da família parte central das suas vidas, se essa é a sua escolha. Mas é perigoso olhar para a família como um objectivo de vida, como um acto que irá garantir a felicidade, à custa das buscas que irão garantir a liberdade, a independência e a autonomia.
Reparem na forma clara como ela revela as coisas: o objectivo de vida da mulher tem que ser a liberdade, a independência e a autonomia. E isso não é algo que se obtenha através duma família.
Ela aceitou de tal forma a ideia da autonomia individual que se recusa
a reconhecer os propósitos partilhados entre os maridos e as mulheres.
Devido a isso, somos surpreendidos com ideias curiosas como as que se
seguem:
Posteriormente, o custo de criar os filhos ainda é suficientemente elevado para as mulheres e devido a isso, encorajá-las a olhar para tal como um objectivo de vida - algo que elas buscam e atinjem, e não algo que é construído e gerido à sua volta - tem potenciais consequências prejudiciais. Infelizmente para as mulheres, o peso financeiro de cuidar de crianças ainda cai na sua maioria sobre elas.
Deixando de lado as diferenças salariais por sexo que afecta a maioria das mulheres a trabalhar em posições remuneradas, as suas perspectivas de reforma são ínfimas. A aposentadoria feminina, já de si estimada como cerca de metade da aposentadoria dos homens, é estragada ainda mais pelo facto dela ficar longe do emprego por longos períodos de tempo.
Aqui a Clementine repete a ideia de que a família deveria ser algo
"construído e gerido" à volta das mulheres, e não algo que elas tentem
atingir. Ela acredita também que, quando comparada com os homens, a
mulher casada será prejudicada pela perda da aposentadoria. Mas de que
forma? Será que ela pensa que o marido reserva a aposentadoria para si,
deixando a mulher financiar-se a ela mesma?
Parece que a Clementine Ford tenta encontrar uma forma de dar às
mulheres permissão para ter uma família, ao mesmo tempo que retém a
liberdade, a independência e a autonomia como objectivo de vida. Mas
se tu fosses sincero na tua busca da liberdade, independência e
autonomia, então nunca te casarias, independentemente de seres um homem
ou uma mulher. Tu ficarias solteiro/a.
O que a Clementine Ford tem que entender é que nem todas as pessoas
olham para a autonomia como o único e primordial objectivo de vida. Ela
não tem nada que assumir que os homens olham para a autonomia como o
bem maior, e trabalham para a obter.
Ela deveria reconhecer também o quão estranho é 1) olhar para os
maridos e para as mulheres como pessoas que não partilham os recursos
financeiros, e 2) pensar que a família pode ser "construída e gerida" à
volta das pessoas e não como o objectivo de vida.
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| Foto pública: https://twitter.com/clementine_ford |


