Por Nick Paton Walsh (25 de Janeiro de 2003)
Alexander Solzhenitsyn, que revelou ao mundo os horrores dos gulags Estalinistas, está, agora, a tentar lidar com um dos tópicos mais sensíveis da sua carreira como escritor: o papel dos Judeus dentro da revolução Bolchevique e dentro das purgas Soviéticas.
No seu livro mais recente, Solzhenitsyn, de 84 anos [ed: morreu em 2008], lida com um dos últimos tabus da revolução comunista: que os Judeus foram, ao mesmo tempo, os perpetradores da repressão, como foram as vítimas.
Alexander Solzhenitsyn, que revelou ao mundo os horrores dos gulags Estalinistas, está, agora, a tentar lidar com um dos tópicos mais sensíveis da sua carreira como escritor: o papel dos Judeus dentro da revolução Bolchevique e dentro das purgas Soviéticas.
No seu livro mais recente, Solzhenitsyn, de 84 anos [ed: morreu em 2008], lida com um dos últimos tabus da revolução comunista: que os Judeus foram, ao mesmo tempo, os perpetradores da repressão, como foram as vítimas.
O livro "Two Hundred Years Together" ["Duzentos Anos
Juntos"] - referência à anexação parcial da Polónia e da Rússia em 1772
que aumentou de modo considerável a população judaica na Rússia -
contém três capítulos que discutem o papel dos Judeus no genocídio
revolucionário e nas purgas da Rússia Soviética.
Mas os líderes Judeus e alguns historiadores reagiram de modo furioso ao livro, e colocaram em causa os motivos que levaram Solzhenitsyn a escrever este livro, acusando-o de imprecisões factuais e de atiçar as labaredas do anti-semitismo na Rússia.
Solzhenitsyn alega que alguma da sátira Judaica do período revolucionário "conscientemente ou inconscientemente ataca os Russos" como estando por trás do genocídio. Mas ele declara que todos os grupos étnicos têm que partilhar da culpa, e que as pessoas evitam falar a verdade em relação à experiência Judaica.
Numa declaração sua, que enfureceu os Judeus russos, ele escreve:
Mas os líderes Judeus e alguns historiadores reagiram de modo furioso ao livro, e colocaram em causa os motivos que levaram Solzhenitsyn a escrever este livro, acusando-o de imprecisões factuais e de atiçar as labaredas do anti-semitismo na Rússia.
Solzhenitsyn alega que alguma da sátira Judaica do período revolucionário "conscientemente ou inconscientemente ataca os Russos" como estando por trás do genocídio. Mas ele declara que todos os grupos étnicos têm que partilhar da culpa, e que as pessoas evitam falar a verdade em relação à experiência Judaica.
Numa declaração sua, que enfureceu os Judeus russos, ele escreve:
Se
eu quisesse generalizar, e dissesse que a vida dos Judeus nos campos
[gulags] era especialmente difícil, eu poderia generalizar, e não
enfrentaria repreensão devido a uma generalização nacional injusta. Mas
nos campos onde estive, as coisas eram diferentes. Os Judeus cuja
experiência eu testemunhei tinham uma vida mais facilitada que os
demais.
No entanto, ele acrescentou:
No
entanto, é impossível encontrar a resposta a essa questão eterna: quem
é o culpado, quem nos levou à morte? Explicar as acções da Tcheka de
Kiev [polícia secreta] apenas através do facto de dois terços da mesma
ser composta por Judeus está certamente incorrecto.
Solzhenitsyn, que recebeu o prémio Nobel da Literatura em 1970, passou a maior parte da sua vida nos campos-prisão Soviéticos, sofrendo perseguição sempre que escrevia sobre as suas experiências.
Actualmente, ele está com saúde frágil, mas numa entrevista dada
durante o mês passado, ele disse que a Rússia tem que resolver a
questão do Estalinismo e dos genocídios revolucionários, e que a
população Judaica tem que se ofender do seu papel nas purgas tal como
eles estão ofendidos com o poder Soviético que também os perseguiu.
O
meu livro tem como objectivo gerar empatia com os pensamentos, os
sentimentos e a psicologia dos Judeus - a sua componente espiritual.
Nunca fiz conclusões gerais em torno dum povo. Eu irei sempre
distinguir entre as várias camadas de Judeus. Uma camada rumou directo
à revolução, mas outra, pelo contrário, tentou ficar à margem das
coisas.
Há já muito tempo que o tópico Judaico tem sido proibido: Zhabotinsky [escritor judeu] disse a dada altura que 'a melhor coisa que os amigos Russos poderiam fazer por nós é nunca falar em voz alta sobre nós.'
Há já muito tempo que o tópico Judaico tem sido proibido: Zhabotinsky [escritor judeu] disse a dada altura que 'a melhor coisa que os amigos Russos poderiam fazer por nós é nunca falar em voz alta sobre nós.'
(...)
O Professor Robert Service da
Universidade de Oxford, perito na história Russa do século 20, disse
que, em relação ao que ele já tinha lido sobre o livro, Solzhenitsyn
está "absolutamente correcto".
Pesquisando um livro sobre Lenine, o
Prof. Service deparou-se com detalhes sobre a forma como Trotsky, que
era de origem Judaica, pediu ao politburo em 1919 para garantir que
Judeus eram alistados ao exército Vermelho. Trotsky disse que os Judeus
estavam desproporcionalmente representados na burocracia civil
Soviética, incluindo na Tchecka
A
ideia de Trotsky era de que a propagação do anti-semitismo era
[parcialmente] devido às objecções em torno da sua entrada no serviço
civil. Há alguma verdade nisto, nomeadamente, de que eles não foram
apenas espectadores passivos da revolução. Eles foram parte-vítimas e
parte perpetradores.
Esta não é um questão que alguém pode escrever sem te consigo uma enorme quantidade de bravura, e isto tem que ser feito na Rússia visto que os Judeus são frequentemente alvo de escrita por parte de fanáticos. O livro de Solzhenitsyn parece muito mais equilibrado que isso
Esta não é um questão que alguém pode escrever sem te consigo uma enorme quantidade de bravura, e isto tem que ser feito na Rússia visto que os Judeus são frequentemente alvo de escrita por parte de fanáticos. O livro de Solzhenitsyn parece muito mais equilibrado que isso
(...)
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