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sábado, 8 de setembro de 2012

Estudo revela que as mulheres portuguesas divorciam-se mais por "falta de comunicação" do que por infidelidade ou violência

Mais do que falta de amor, infidelidade ou violência física, as mulheres apontam a ausência de comunicação no casal como o principal motivo para pedirem o divórcio, revela um estudo da Universidade do Minho.

Segundo o estudo, sustentado no testemunho de 56 pessoas divorciadas, já os homens esgrimem a falta de amor como principal razão para a separação.

Quarenta e quatro por cento das mulheres entrevistadas apontam a insatisfação face à comunicação no casal como a principal causa para o divórcio, seguindo-se a ausência de amor (32 por cento), a infidelidade (26,5 por cento) e a violência física (21 por cento).

Para eles, os motivos mais referidos são a falta de amor (32 por cento), os problemas de comunicação (18 por cento) e a violência doméstica, sobretudo de ordem psicológica (4,5 por cento).

Os homens sublinham ainda um aspecto nunca indicado pelas ex-companheiras, com 9,5 por cento dos inquiridos a afirmarem que optaram pelo divórcio para legalizar outra relação já existente.

Outro aspecto mencionado exclusivamente por 17 por cento do sexo masculino é o facto de o divórcio gerar perdas económicas e financeiras.

Elas são as únicas a referir a falta de independência (15 por cento) como explicação para a ruptura conjugal.

"Apesar destas assimetrias de género na tomada de decisão, a verdade é que as pessoas divorciadas vêem a separação como um alívio e uma forma de escapar de uma 'situação intolerável'", explica Manuel Carlos Silva, coordenador do estudo.

Para além dos 56 inquéritos, o trabalho, intitulado "Divórcio e Assimetrias de Género: Processos, Negociações e Impactos", incluiu também a recolha e análise de 400 processos de divórcio.

Segundo Manuel Carlos Silva, permitiu concluir que "a mulher é o elemento mais prejudicado e, por vezes, vítima não só durante o casamento, mas também nos próprios processos de divórcio".

O investigador sublinha que se regista uma evolução do número de divórcios, com preponderância nos grupos de empregados, profissionais liberais e nos quadros médios e superiores.

Acrescenta que o impacto da comunicação social na mudança de mentalidades e costumes, os movimentos de emancipação feminina e o aumento exponencial de mulheres diplomadas são alguns dos factores que explicam a evolução do número de divórcios.

Fonte

* * * * * * *

Conclusões:

1. As mulheres entrevistadas valorizam mais a "comunicação" do que o amor.

2. A violência doméstica não é um dos motivos principais para o divórcio.

3. Os homens valorizam mais o amor do que as mulheres (?).

4. Aparentemente só os homens é que listaram perdas financeiras aquando do divórcio.

5. A mulher é a única a listar a "falta de independência" (seja lá o que isso for) como motivo para o divórcio.

6. O coordenador do estudo afirma que a mulher é o elemento mais prejudicado no processo de divórcio (e até durante os casamentos), mas não explica bem como. Esta posição não deixa de ser curiosa se levarmos em conta que, em Portugal, a esmagadora maioria dos divórcios são iniciados pelas mulheres:

Só em Portugal temos 20 000 divórcios por ano. 80% destes são pedidos pelas mulheres, a quem os tribunais atribuem a casa, o recheio, e uma pensão de alimentos. Uma pensão de alimentos a ser paga pelo abandonado e humilhado homem. Este é obrigado a esta carga financeira ao mesmo tempo que é espoliado de todos os seus bens e do contacto dos seus filhos. As crianças vêm assim partir o pai, o seu herói de quantos serões a fazer "cavalinho" no seu colo. 30% das nossas crianças crescem assim.


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