À medida que forem lendo as passagens listadas a seguir, lembrem-se que isto são cartas que algumas mulheres dirigiram a um homem que foi condenado por ter que violado, torturado e morto pelo menos 6 mulheres e atacado outras 9 durante o ano de 1998:
O jornalista Gilmar Rodrigues publicou em 2009 o livro “Loucas de Amor – mulheres que amam serial killers e criminosos sexuais” onde tenta entender o porquê do maníaco ser desejado por tantas mulheres.
Eu não sei o que fazer para te distrair. Mas eu tenho uma ideia: primeiro quero dizer que te desejo todas as noites. É muito bom. Te acho gostoso, meu fogoso. Você está juntinho comigo, dentro do meu coração.
Depois que chego em casa, queria você de corpo e alma, te amando. Te quero de qualquer jeito. Eu te amo do fundo do meu coração. Não perca a esperança, acredite em Deus, porque algum dia a gente vai se encontrar. Sei de seu comportamento doentio, por isso quero que fique calmo...
Por enquanto, nossos beijos são assim. Mas quero te beijar de verdade. Acho que tens saudades. Eu te amo, te amo, te amo etc, te desejo, te quero de corpo e alma. E me perdoe por tudo que estou sofrendo. Sabe Francis, eu não me conformo, e choro. E eu preciso ser forte (...) — (Rita, 27 anos)
Quero te dizer que estou morrendo de saudade, querendo você... Aih meu Deus como te desejo todas as noites. Eu durmo sozinha e querendo você aqui. Mas sei que é impossível. O certo é eu ir te ver. E como posso sentir. Que é meu?
Francisco, não deixe a tristeza tomar conta de você e acabar com o brilho do seu olhar. Acredite em Deus, você não está e nunca ficará sozinho. Jesus te ama, sua mãe e seu pai também e, principalmente, eu... — (Adriana, 22 anos)
Depois que tudo aconteceu, tentei dar um fim a minha vida, mais uma coisa super interessante teve que acontecer, eu pensei muito e tive esperanças, acredite o mundo dá voltas, quando a gente menos espera algo de bom sempre acontece. — (Márcia, 18 anos – suposta ex)
Ele ficou impressionado com as cerca de mil cartas de amor que o criminoso recebeu um mês após ter sido preso, em 1998.
Quando um serial killer recebe mil cartas femininas em menos de um mês, seria de esperar que a esquerdalha que controla os centros de estudo mundiais notasse algum tipo de padrão na psicologia feminina. Mas não.
Atenção que isto não é um fenómeno localizado: em TODO o mundo as mulheres sentem-se atraídas por vilões do calibre do maníaco do parque.
Este artigo fala-nos de mais exemplos onde mulheres tentam entrar em contacto com homens que se encontram encarcerados. Infelizmente as razões que o artigo sugere para este fenómeno são no mínimo ridículas. Mike Aamodt, psicólogo forense na Radford University diz:
Quando te associas a alguém mau, isso dá-te a hipótese de te considerares uma rebelde. Nós observamos este padrão na escola secundária onde os "mauzões" atraem raparigas.Exacto. As mulheres enviam cartas a assassinos em série para se considerarem umas "rebeldes". Claro que se isto fosse verdade, os homens também enviariam dezenas de cartas a mulheres presas por matarem outras pessoas.
Não acontece, e portanto não é por questões de "rebeldia" que as mulheres enviam tais cartas.
Se tu tens uma vida aborrecida, isto dá-te um propósito.Claro que o Mike não mostrou que só as mulheres "aborrecidas" é que enviam cartas aos assassinos e outros presidiários. Como dito em cima, se isto é verdade, porque é que os homens que estão aborrecidos não enviam cartas em igual número às presidiárias? Ou será que só as mulheres é que estão "aborrecidas"?
Diane Fanning, escritora de livros em torno do crime, não está surpresa. Ela diz que já viu milhares de cartas de amor a inundarem as caixas de correio dos criminosos sobre os quais ela escreve.
Muitas mulheres sabem que nunca hão-de ter uma hipótese com um uma estrela do cinema ou um estrela desportiva. Mas contacta um assassínio em série, e pode ser que ele responda.As mulheres que entram em contacto com os criminosos também não sabem se ele vai ou não responder.
Fanning diz que é uma questão de "auto-estima".
Elas acreditam que não merecem alguém melhor que um rejeitado social. Elas olham para alguém que é odiado pelo mundo, e podem simpatizar.
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Refutando a noção da "auto-estima" ou a noção de que "nunca irão ter uma hipótese com uma estrela de cinema" (e todas as outras desculpas esfarradas) a editora da Publishers Weekly, Bridget Kinsella, apaixonou-se por um presidiário depois de ler o seu livro de memórias ainda por publicar.
Será que Bridget Kinsella não tinha outras formas de se considerar uma rebelde? Será que ela tinha uma vida aborrecida? Será que ela não tinha hipóteses de conhecer estrelas desportivas ou vedetas do cinema? Ou será que ela achava que ela não merecia ninguém melhor que um assassino em série?
Oh, antes que alguém diga que só as mulheres sem chances de obter um homem de outra forma é que se dedicam a enviar cartas a homens condenados por crimes graves, eis uma foto da Bridget Kinsella:
Não é uma beleza por aí além, mas, a julgar pela sua aparência, não parece ser uma mulher com dificuldades em arranjar parceiros românticos em liberdade. Porque é que ela se apaixonou precisamente por um presidiário? Como é que as feministas explicam esta tendência universal das mulheres se sentirem atraídas por presidiários?