terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Ordem Mundial Andrógena - Parte 2

Continuação dum artigo iniciado aqui.

Apesar das objecções juvenis, é um facto médico inevitável que relações sexuais depravadas fazem-se acompanhar por certos riscos de saúde. No topo destas formas depravadas de relação sexual encontra-se o sexo anal, práctica exercida prolificamente no meio social homossexual e em certos quadrantes heterossexuais pouco convencionais. Independentemente da forma ruidosa como estes enclaves possam colocar objecções, o facto é que até muitas autoridades médicas seculares concordam que o sexo anal é prejudicial. Uma dessas autoridades é Robert I. Krasner, Professor Emérito no Departamento de Biologia no Providence College. Ele escreve:
Alguns comportamentos sexuais são considerados mais prejudicais e mais arriscados que outros. O sexo anal é o mais perigoso uma vez que o revestimento do  ânus está mais sujeito a rompimentos e lesões que o revestimento da vagina, o que permite que o vírus da SIDA, e outros micróbios, tenham uma passagem mais facilitada para o sangue. (416)
Claro que pesquisas objectivas raramente dissuadem aqueles que acreditam a realidade se irá re-ajustar como forma de acomodar o hedonismo. Esta mentalidade é exemplificada pela auto-declarada "professora do sexo" Debby Herbenick, que promove o sexo anal como "forma de se explorar e realizar as fantasias com o amante"  (11).

À luz dos óbvios riscos médicos inerentes a tal forma de relação sexual, tal promoção revela uma recusa infantil de comungar com a verdade segundo os seus próprios termos. Ao contornarem estes factos inconvenientes em relação a prácticas [sexuais] perigosas, os revolucionários conjuram uma disjunção fictícia entre o género e o sexo. O propósito final é o de racionalizar a rejeição da imutável ordem natural , e consagrar os seus próprios apetites.

A sustentar o divórcio entre o sexo e o género encontra-se uma pervasiva visão disteleológica. Através desta lente interpretativa, a biologia passa a ser um mero acidente do tempo. O facto de alguém ser macho ou fêmea é consequência de forças cegas e sem finalidade a se imporem a elas mesmas sobre máquinas compostas de carne. Ironicamente, os defensores de tal perspectiva dão a sua aprovação à teoria da evolução, que é irredutivelmente teleológica.

Independentemente do quanto que o evolucionista possa levantar objecções, o facto é que o processo evolutivo progride rumo a um telos. Tal progressão pressupõe a orientação dum agente racional. É terrivelmente complicado invocar forças cegas e sem propósito ao mesmo tempo que se postula um sistema com design intricado. Portanto, mesmo que a biologia seja o resultado duma evolução, as classificações biológicas de macho e fêmea dificilmente se qualificariam como acidentes.

Mais ainda, este retrato disteleológico do universo não tem qualquer significado, para além de ser auto-refutante. Aquele que alega que a existência não tem propósito ["meaningless"] tem primeiro que assumir que a sua proclamação disteleológica tem algum sentido. Se o universo realmente não tivesse algum tipo de significado, então ninguém poderia expressar tal ponto de vista de modo significativo.

Claramente, o universo tem um significado porque de outra forma até as argumentações disteleológicas não poderiam ser coerentemente transmitidas. Esta contradição interna da perspectiva disteleológica desmentem os verdadeiros motivos da pessoa que a invoca. Esses motivos são articulados de forma bastante cândida por parte de Aldous Huxley:
Eu tinha motivos para querer que o mundo não tivesse significado. Para mim, e sem dúvida para a maioria dos meus contemporâneos, a filosofia da insignificância era essencialmente um instrumento de libertação. A libertação que desejávamos era ao mesmo tempo a libertação dum sistema de moralidade. Nós éramos contra a moralidade porque ela interferia com a nossa liberdade sexual. Nós colocávamos objecções ao sistema político e económico porque o mesmo era injusto. Os defensores destes sistemas alegam que de alguma forma eles incorporavam o significado - significado Cristão, insistiram eles - do mundo. Havia um método  admirável de confundir estas pessoas e ao mesmo tempo justificar a nossa revolta política e erótica. Era negar que o mundo tivesse algum tipo de propósito. (270)
Os objectivos da "revolta política e erótica" são feitos ostensivamente sustentáveis através da “filosofia da insignificância.” A divisão entre o sexo e o género depende também de tal disteleologia. Essencialmente, "filosofia da insignificância" esconde os objectivos revolucionários. As variadas organizações feministas e lgbti que se encontram actualmente a re-esculpir a civilização Ocidental nutrem objectivos revolucionários semelhantes. Isto ressalva mais uma contradição endémica da dicotomia sexo/género.

A alegação de que o género é uma construção social é auto-refutante visto que ela é, essencialmente, o produto de movimentos (em particular as variadas organizações feministas e lgbti) que estão eles mesmos a avançar com o seu conjunto de construções sociais. Logo, a alegação é ela mesma uma construção social. Uma vez que as construções sociais são vistas, na melhor das hipóteses, como mutáveis, e na pior das hipóteses, falsas, somos levados a concluir que a caracterização do género como construção social é feita insustentável através do seu próprio critério de aceitabilidade.

Ao assumirmos que o género é uma construção social estamos a cometer a Falácia Genética ao pressupor a sua falsidade com base nisso. Ressalvar o possível ponto de origem duma crença não torna essa crença falsa. Podemos alegar que avisar as pessoas para evitar falar com estranhos é uma construção social, mas muito poucas pessoas iriam considerar ignorar tal admoestação paternal só porque a mesma se possa ter originado através da práctica social ou cultural. De facto, as categorias de género podem ter surgido através de prácticas culturais e sociais porque a dada altura a sociedade ou a cultura reconheceram certas verdades imutáveis. Uma dessas verdades imutáveis é que a natureza e a biologia não se re-ajustarão como forma de acomodar os desejos daqueles que tencionam redefinir os parâmetros da sanidade sexual.

Muitas pessoas de todo o espectro político já ressalvam o papel do feminismo como agente destrutivo para mudanças sociais. Fontes tão diversas como o comentarista de rádio direitista Rush Limbaugh e a dissidente feminista Camille Paglia já comentaram as formas através das quais o movimento feminista - em particular a segunda vaga feminista que teve início nos anos 60 - causou uma deserção da sanidade sexual e a erosão da estabilidade social. Poucos, no entanto, escreveram ou falaram das origens do  feminismo juntos das esferas ocultas da politica e dos serviços secretos.

O facto do feminismo moderno ter sido cultivado no invisível mundo das elites depravadas e dos serviços secretos criminalizados não pode ser rejeitado como fantasia paranóica. O Americano Aaron Russo, famoso e falecido produtor de filmes, pode ter aprendido uma porção da história oculta do feminismo durante uma entrevista com que ele teve com Nicholas Rockefeller, membro da infame dinastia Rockefeller. Alguns desmistificadores e cépticos patológicos afirmaram que Nicholas Rockefeller nada mais era que uma invenção da imaginação de Russo, no entanto, Nicholas Rockefeller é uma pessoa real, tal como evidenciado pela seguinte biografia disponibilizada pela  Bloomberg’s Businessweek:
O sr Nicholas Rockefeller tem sido Director da companhia desde 1999. O sr Rockefeller é um advogado na firma legal Troop Meisinger Steuber Pasich Reddick & Tobey, LLP, e tem estado com a firma desde 1997; antes disso, ele esteve envolvido durante 10 anos na práctica privada de Direito. O sr Rockefeller é também o Managing Principal do Rockvest Development Group e a sua afiliada, o Rockefeller International Fund, que susupervisionas investimentos em valores mobiliários negociados publicamente e empresas privadas, para além de manter uma carteira de activos de capital de risco. 
O sr Rockefeller é também Presidente da Rockefeller Asia, uma empresa de serviços financeiros. Ele é também Membro do Conselho Consultivo do RAND Center for Asia Pacific Policy. O sr Rockefeller é membro das barras legais da Califórnia e de Washington, D.C., e tem um J.D. da Yale Law School
O sr Rockefeller é o administrador do SHMNM Investment Trust, que é actualmente accionista da Companhia e que foi estabelecida nos termos dum acordo entre accionistas entre o sr Nicholas Matzorkis e a Kushner-Locke Company. O sr Rockefeller foi eleito director da Companhia, como director designado através da confiança de termos dum acordo entre os accionistas.(“Company Overview of RAND Center for Asia Pacific Policy: Nicholas Rockefeller”)
Para além de provar que Nicholas Rockefeller não é ficção, a biografia da Businessweek dá também aos leitores a ideia do estatuto e da posição que este membro particular da dinastia Rockefeller ocupa junto dos círculos da elite. Nicholas Rockefeller não é um homem de negócios de baixo estatuto ou alguém que é alimentado por último; tal como muitos membros da dinastia Rockefeller, Nicholas é alguém com voz de peso.

Segundo Russo, o Movimento de Emancipação das Mulheres surgiu como tópico durante uma das suas visitas à residência de Nicholas Rockefeller. Alegadamente, Nicholas perguntou a Russo "Qual é o propósito do Movimento das Mulheres?" (“Reflections and Warnings – An Interview with Aaron Russo”). Russo deu a resposta amplamente propagada, declarando que a Emancipação das Mulheres centrava-se "no facto das mulheres terem o direito a trabalhar, receber o mesmo que os homens, da mesma forma que elas ganharam o direito ao voto" (ibid). Russo alegou que Nicholas Rockefeller começou a rir e chamou a Russo de "idiota" (ibid).

Rockefeller disse então a Russo que a dinastia Rockefeller havia financiado a Emancipação das Mulheres com dois objectivos em mente (ibid). O primeiro objectivo era, segundo Russo, trazer as mulheres para o mercado de trabalho de modo a que uma maior percentagem a população pudesse ser tributada (ibid). O segundo objectivo, afirmou Russo, era o de desintegrar a família nuclear de modo a que as crianças começassem a olhar para o Estado como a sua família (ibid).

A comunidade dos Serviços Secretos parece ter desempenhado uma papel significativo na campanha de engenharia social que Rockefeller descreveu a Russo. Durante muitos anos. a dinastia Rockefeller tem estado imersa no mundo dos Serviços Secretos. Durante a Guerra Fria,foram estabelecidos laços íntimos entre a Fundação Rockefeller e os círculos dos Serviços Secretos Americanos. O autor Frances Stonor Saunders partilha alguns detalhes deste casamento profano: 
A convergência entre os milhares de milhões dos Rockefellers e o governo Americano excedeu até a que existia com a Fundação Ford. John Foster Dulles e mais tarde Dean Rusk passaram ambos de presidentes da Fundação Rockefeller para secretários de Estado. Outros nomes pesados da Guerra Fria tais como John J. McCloy e Robert A. Lovett emergiram de modo proeminente como pessoas de confiança dos Rockefellers. 
A posição central de Nelson Rockefeller nesta fundação garantia um relacionamento próximo com os círculos dos Serviços Secretos: ele havia sido o responsável por toda actividade dos Serviços Secretos na América Latina durante a Segunda Grande Guerra. Mais tarde, o seu sócio no Brasil, o Coronel J.C. King, tornou-se chefe da CIA em operações clandestinas no hemisfério Ocidental. 
Quando Nelson Rockefeller foi nomeado por Eisenhower para o National Security Council em 1954, a sua função era a de aprovar as várias operações secretas. Se por acaso ele precisasse de informação adicional em torno das actividades da CIA, ele pura e simplesmente poderia perguntar ao seu antigo e bom amigo Allen Dulles por um briefing directo. Uma das mais controversas destas operações foi o programa de pesquisa em torno do controle mental levado a cabo durante os anos 50 pela CIA com o nome de MK-ULTRA (ou "Candidato Machuriano"). Esta pesquisa recebeu financiamento por parte da Fundação Rockefeller. 
Operando o seu próprio departamento de Serviços Secretos durante a guerra, Nelson Rockefeller havia estado ausente das fileiras da OSS [Serviços Secretos Americanos], e de facto havia formado uma inimizade para toda a vida com William Donovan. Mas não havia qualquer tipo de preconceito contra os veteranos da OSS, que foram recrutados em massa pela Fundação Rockefeller. No ano de 1950, o antigo membro da OSS Charles B. Fahs tornou-se chefe da divisão de humanidades da fundação. O seu assistente era outro veterano a OSS, Chadbourne Gilpatric, que chegou à fundação directamente da CIA. (120-21)
A Central Intelligence Agency (CIA) não desempenhou um papel menor na ascenção duma das mais importantes vozes da segunda vaga do feminismo, Gloria Steinem. Steinem cruzou-se com a CIA durante o Outono de 1958, por uma altura em que a sua trajectória dificilmente sugeria algum tipo de grandiosidade.

Steinem havia regressado recentemente duma viagem de bolsa de estudos para a India (Wilford 141). Durante a sua estadia na Índia, Steinem “havia feito amizade com Indira Gandhi e a viúva do humanista revolucionário M.N. Roy (141).

A sua exposição à grandiosidade não havia, no entanto, resultado numa elevação social. Segundo o autor Hugh Wilford, Steinem “estava a ter dificuldade em encontrar um emprego gratificante” (141). Steinem “viu-se reduzida a dormir no chão dos apartamentos de amigos ao mesmo tempo que buscava um emprego em New York” (141).


(Continua na 3ª Parte)



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A Ordem Mundial Andrógena

Por Paul e Phillip Collins

O 144º Congress of Correction, que foi levado a cabo entre 15 e 20 de Agosto, em Salt Lake City, apresentou um workshop em torno do Prison Rape Elimination Act (PREA) e as suas ramificações para os presos que se identificam como lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e interssexuais (lgbti). O consenso entre os presentes durante este workshop foi o de que os presos com estas orientações particulares se encontravam em risco acrescido de vitimização sexual.

Durante o workshop ninguém levantou a possibilidade dos presos lgbti estarem eles mesmos a levar a cabo esta vitimização. Esta omissão revelou a implícita parcialidade em favor daqueles que abraçaram orientações sexuais inconvencionais. Talvez esta omissão seja, de alguma forma, atribuível à perspectiva global daqueles que se reuniram para o workshop.

A oradora principal foi Bernadette Brown, que, para além de ser uma Senior Program Specialist para o National Council on Crime and Delinquency, é uma lésbica assumida. Durante a apresentação, Brown corajosamente declarou, "O género é uma construção social".

Esta alegação radical, que depende duma alegada disjunção entre o sexo e género, certamente que não é nova. Durante os últimos anos, ela tem sido largamente popularizada por feministas politicamente e socialmente activas. Reconhecendo as igualmente vantajosas implicações da dicotomia sexo/género para o seu próprio movimento social, várias organizações em torno dos direitos dos lgbti adoptaram-na também como análise racional central para a sua plataforma.

Subjacente à alegação encontra-se a tácita promoção de que a androginia é normativa. Por sua vez, a promoção da androginia pode ser rastreada para trás no tempo até a mais pervasiva de todas as heresias: Gnosticismo. O pseudepigráfico Evangelho de Tomás exemplifica este ponto de vista normativo da androginia. No Ditado 11, a revisão Gnóstica de Cristo retrata a androginia como uma união salvadora:
Jesus disse-lhes: "Quando vocês fizerem dos dois, um, e quando fizerem do interior o mesmo que o exterior e o exterior como o interior, o superior como o inferior, e quando fizerem do macho e da fêmea um só, de modo a que o macho não seja macho e a fêmea não seja fêmea, quando fizerem olhos no lugar dum olho, a mão no lugar da mão, um pé no lugar dum pé, uma imagem no lugar duma imagem, então entrarão [no reino].”
Tal como todos os movimentos revolucionários que povoam a modernidade, o feminismo ajusta-se àquilo que Eric Voegelin chamou de religião política Gnóstica. O Gnosticismo ensinava que no princípio, existia uma singularidade espiritual (a “Pleroma”) dentro da qual a divindade funcionava como potência óptima. Esta unidade pura foi dividida em pluralidade devido ao erro dum intermediário deificado conhecido como Sofia (“Sabedoria”).

Emanando do próprio ser da Sofia estava uma consciência defeituosa que eventualmente assumiu a apelação Bíblica de YHWH, que os Gnósticos blasfemamente caricaturaram de “Arconte da Arrogância.” Este misoteísmo era atribuível à caracterização do estatuto ontológico do mal por parte dos Gnósticos. Com o mal não mais atribuído à vontade, a corrupção foi projectada para tudo o que era externo ao Gnóstico. Esta projecção incluía o mundo externo, que invariavelmente se tornou no recipiente de desprezo explícito ou implícito.

Visto que eles acreditavam que o mal possuía substância e forma, os Gnósticos encontravam-se pré-dispostos em favor de algumas variações do dualismo Docistista e Maniqueísta. Esta diminuição da condição humana, que o Cristianismo Bíblico identifica como a Queda dos pais da humanidade [Adão e Eva], foi associada com o próprio acto da criação. Afinal de contas, se o mal possuía forma e substância, só um Deus maligno iria associar a pureza do espírito com a corrupção da matéria.

A exoneração de Deus implicava uma bifurcação arbitrária dos Seus papéis como Criador e como Pai em duas divindades distintas. Deus Pai era docetisticamente caracterizado como totalmente transmudano, onticamente distante da ordem criada. Deus o Criador era caracterizado como um guardião genuíno a presidir sobre a prisão cósmica do mundo material. Portanto, os Gnósticos desprezavam o Deus Bíblico devido ao Seu papel criatológico.

A esfera palpável era um horrível acidente, resultante da divisão pré-cósmica da Pleroma. Como fragmentos corrompidos emanando da essência divina, os limites ontológicos do mundo material eram vistos com uma atitude cosmológica docetistica. Através desta lente interpretativa, o estatuto existencial  da personificação física era   equivalente a uma prisão.

Esta é a base da visão normativa da androginia. Uma vez que a possessão de órgãos sexuais é um traço definidor da personificação física, o Gnosticismo expressou um desprezo tácito pelas categorias genéticas de macho e fêmea. A partir deste pessimismo antropológico nasceu um pessimismo cosmológico mais abrangente.  A esfera temporal-espacial foi considerada uma colónia penal governada pelos agentes demoníacos do tempo e do espaço. A humanidade foi supostamente empurrada para esta prisão cósmica através do acto da criação.

Preso pelas leis físicas da natureza e pela moralidade objectiva codificada como a Lei Mosaica, o pneuma (espirito) do homem deu por si separado do pneuma divino e em perpétuo estado de alienação. Este estado só poderia ser superado através duma acção baseada na gnosis (isto é, sabedoria directa, reveladora da unidade humana com o divino) A Gnosis era considerada superior à pistis (fé).

A concepção Gnóstica da unidade com Deus não pode ser confundida com a concepção ortodoxa Cristã, que é ddestiladaem 2 Pedro 1:4. Nessa passagem, Pedro declara que os Cristãos desfrutam da promessa de se tornarem "participantes da natureza divina". O que Pedro estava a descrever era a theosis, a transformação do todo o ser do Cristão que coloca a sua imagem à Imagem do Cristo Ressurrecto. Em contradição,o Gnosticismo ensinava de facto que o ser humano era parte e parcela de Deus. Como tal, o homem era ontologicamente equivalente a Deus.

Portanto, a promessa de gnosis era a promessa da transfiguração do ser humano para um ser divino, ou apotheosis. No Grego original, o prefixo apo- transmite denotações espaciais tais como "longe", "fora" e "à parte". Este termos indicam uma distinção ou separação. E claro que theos significa “Deus”. Portanto, a apoteose significa uma transfiguração que ocorre totalmente à margem de Deus. A salvação, segundo os Gnósticos, não era a redenção humana das garras do pecado através do Senhor Jesus Cristo, mas a sua redenção da estupefacção do seu isolamento e da sua alienção dentro do cosmos material através da gnosis. O Gnosticismo divorciava o Criador do processo de salvação, opondo-se assim a soteriologia Teocêntria do Cristianismo e colocando em seu lugar uma soteriologia antropocêntrica.

Durante o Iluminismo do século 18, o Gnosticismo religioso tornou-se no Gnosticismo político. Da mesma forma que o Gnosticismo religioso havia-se modificado para o Gnosticismo político, o seu enquadramento político foi invertido. Enquanto que o Gnosticismo ancestral valorizava a transcendência, o novo Gnosticismo valorizava a   imanência. Em contradição aos objectos de experiência transcendental, os objectos de experiência imanente encontram-se dentro dos limites empíricos do homem. Como tal, eles permeiam constantemente o universo físico. A vontade, a consciência, e até o Divino, encontram-se ontologicamente ancorados em agentes materiais. Desta forma, o Gnosticismo imanentista sincroniza-se confortavelmente com o materialismo moderno, o que é irónico à luz da sua antiga atitude docetistica em relação à materialidade.

A codificação da antiga heresia Cristã do Gnosticismo para doutrina revolucionária resultou na secularização da própria escatologia Cristã que os pensadores do Iluminismo ridicularizavam. Para o Gnóstico moderno, o eschaton (isto é, o final dos tempos) habita na própria história. Esta escatologia secular, que assumiu uma míriade de formas entre os modernos movimentos revolucionários socialistas, ofereceu uma história do mundo redentora que culminava com uma imanente Parusia facilitada pela mão humana.

Por exemplo, o Marxismo mantinha que o proletariado iria redimir o mundo de milhares de anos de exploração de classe. Semelhantemente, o Arianismo de Hitler prometia redimir o mundo duma alegada corrupção da humanidade causada pelas assim-chamadas "raças inferiores". O feminismo cultural, que ganhou proeminência nos últimos anos, busca redimir o mundo de milhares de anos de alegado domínio masculino.

A variante Gnóstica que permeia a estrutura feminista é tornada evidente pelas experiências em engenharia religiosa por parte do movimento. Olhando para a religião através da mesma óptica pragmática do luminar do Iluminismo August Comte, as feministas tentam re-esculpir as confissões religiosas tradicionais segundo contornos sociais e políticos expedientes. A teóloga Rosemary Radford Ruether declara:

A teologia feminista não pode ser feita a partir da base existente da Bíblia Cristã (Ruether ix).

Qual é uma das fontes de inspiração mais importates da teologia feminista? A resposta é disponibilizada pela teóloga feminsita Chung Hyun Kyung, que declara candidamente: "As feministas são livres para usar os antigos textos Gnósticos - originalmente rejeitados como heréticos - visto que o cánone Cristão foi criado por homens" e que "as mulheres não são obrigadas a aceitar um livro... cujo enquadramento não as levou em consideração” (citado em Jones 82).

[ed: Seria interessante saber quantas mulheres tomaram parte na construção dos assim-chamados "antigos textos Gnósticos"]

Segundo Voegelin, a moderna soteriologia antropocêntrica Gnóstica só pode obter uma semelhança de sentido na ausência de Deus. Afinal de contas, antes de se criar uma nova ordem é preciso suplantar o criador da antiga ordem. Esta mudança cósmica de regime estipula o acto revolucionário por excelência: decídio. Voegelin reitera:
De modo... a que a tentativa de criar uma nova ordem possa fazer sentido, a naturalidade da ordem do ser tem que se obliterada; a ordem do ser tem que ser interpretada como estando, essencialmente, sob o controle do homem. E assumir o controle do ser requer mais ainda que a origem transcendente do ser seja obliterada: ela requer a decapitação do ser - o assassinato de Deus. (35-36)
O assassinato de Deus é precisamente o que a feminista tem em mente. Naomi Goldenberg, feminista, declarou:

O movimento feminista que se encontra presente na cultura Ocidental está envolvida na lenta execução de Cristo e de JEHOVAH, mas muitos poucas mulheres e poucos homens envolvidos na igualdade sexual dentro do Cristianismo e do Judaísmo se apercebem da extensão da heresia. (Jones 195).

Fazendo uma sinopse do objectivo feminista do deicídio, Goldenberg declara

Nós mulheres iremos levar a cabo o fim de Deus (180).

Onde os antigos Gnósticos reinvidicavam uma gnosis (isto é, sabedoria oculta) como o núcleo da sua soteriologia antropocêntrica, as feministas reinvidicam uma iluminada e fabulosa [de fábula] androginia. A ironia é que, embora a androginia ostensivamente combine traços masculinos e femininos, a feminista trabalha activamente para roubar da mulher a sua feminidade. Este roubo é efectuado através da separação do sexo com o género. Tal como os Gnósticos olhavam para o cosmos e para a sua ordem hierárquica como uma ilusão projectada por parte dum demiurgo malévolo, a feminista caracteriza a masculinidade e feminidade de construções sintéticas impostas à humanidade por parte duma tirania patriarcal quimérica.

A bifucarção do sexo e do género depende da permanentemente debatida dicotomia natureza e criação. Dentro do polarizador enquadramento da divisão sexo/género, o sexo é caracterizado como produto da natureza ao mesmo tempo que o género é classificado como consequência da criação. No entanto, os desenvolvimentos levados a cabo na neurociência estão a fazer da dicotomia natureza/criação algo insustentável. Darlene Francis e Daniela Kaufer declaram:
O enigma “natureza vs. criação” foi revigorado quando os genes foram identificados como as unidades da hereditariedade, contendo informação que direcciona e influencia o desenvolvimento. Quando o genoma humano foi sequenciado em 2001, a esperança era a de que todas estas questões fossem respondidas. Na década que entretanto passou, tornou-se aparente que existiam mais perguntas do que aquelas que previamente se pensava. 
Chegamos a um ponto onde a maior parte das pessoas é suficientemente experiente para saber que a resposta certa não é "natureza" versus "criação" mas sim uma combinação de ambas. No entanto, tanto os cientistas como leigos investem demasiado tempo e esforço em tentar quantificar a importância relativa da natureza e da criação. 
Avanços recentes da neurociência disponibilizam um argumento convincente para finalmente se abandonar o debate "natureza vs criação" como forma da atenção se focar no entendimento dos mecanismos através dos quais os genes e o meio ambiente se encontram perpétuamente entrelaçados através da vida do individuo. (“Beyond Nature vs. Nurture”)
Uma vez que os avanços na neurociência estão a banir rapidamente a dicotomia natureza/criação, é por demais óbvio que a divisão sexo/género está a ser igualmente banida. Se a natureza e a criação não estão dicotomiamente relacionadas, então também não o estão o sexo e o género. Logo, o sexo e o género não podem ser colocados em polaridades extremas num tipo de oposicionamento binário. Tal enquadramento binário oposicional resulta em confusão terminológica relativa tanto às disparidades gerais entre os dois sexos como também as nuances internas que surgem dentro de cada um. No livro Gender, Nature and Nurture, Richard Lippa chama a atenção para esta confusão terminológica:
Alguns pesquisadores alegaram que a palavra sexo deveria ser usada como referência para o estatuto biológico de se ser macho ou fêmea, ao mesmo tempo que a palavra género deveria ser usada como referência a todos os trajes definidos, aprendidos e construídos do sexo, tais como o estilo de cabelo, a vestimenta, os maneirismos não-verbais, e os interesses. 
No entanto, não é de todo claro até que ponto as distinções entre os machos e as fêmeas se devem aos factores biológicos versus os factores sociais. Para além disso, o uso indiscriminado da palavra género tende a obscurecer a distinção entre os dois tipos de tópicos: (a) diferenças entre os machos e as fêmeas, e (2) as diferenças individuais na masculinidade e feminidade que ocorre dentro de cada sexo. (3-4)
Lippa ressalva que "o próprio conceito do género é parcialmente definido através das distinções entre os sexos - diferenças nas roupas, aliciamento [inglês: "grooming"], escolhas ocupacionais, estilo de comunicação, agressão, e comportamentos não verbais dos homens e das mulheres" (4). Verdadeiramente, as diferenças definem o género. Estas diferenças incluem as distinções biológicas. Colocando de lado toda a ginástica semântica, sexo e género continuam a ser sinónimos. Esta sinonimidade axiomática desafia qualquer disjunção que o revolucionário sexual possa querer impor sobre esses termos.

A disjunção imposta ao género e ao sexo é uma disjunção arbitrária, e foi feita para dar ao revolucionário sexual um conveniente grau de elasticidade para a redefinição dos parâmetros da sanidade sexual. Se a identidade sexual da pessoa pode ser divorciada da biologia, então até as mais prejudiciais formas de relações sexuais podem ser justificadas. A forma como esta realidade ofende as delicadas sensibilidades dos politicamente correctos é irrelevante.

(Continua na 2ª Parte)



quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O feminismo preparou o caminho para o islão - Parte 2

Esta é a segunda parte dum artigo que começou aqui.

No seu livro A Room of One’s Own, Virginia Woolf louva o génio de William Shakespeare:

Se por acaso um ser humano conseguiu expressar o seu trabalho por completo, esse alguém foi Shakespeare. Se por acaso chegou a existir uma mente incandescente, desimpedida, pensei eu, voltando-me para a minha estante de livros, essa mente foi a de Shakespeare....

Imaginemos por alguns instantes, visto que é difícil chegar à verdade dos factos, o que aconteceria se Shakespeare tivesse tido uma irmã igualmente dotada chamada Judith, chamemos assim... Suponhamos que a sua irmã extraordinariamente dotada tenha ficado em casa.

Ela era igualmente aventureira, imaginativa, e igualmente curiosa para ver o mundo como o seu irmão, mas ela não foi enviada para a escola. Ela não teve a possibilidade de aprender a gramática e a lógica, e nem teve a chance de ler Horácio e Virgílio..... Numa noite de inverno, ela matou-se e encontra-se enterrada num cruzamento qualquer, onde actualmente alguns autocarros param, perto de Elephant and Castle.

As feministas alegam que o motivo pelo qual as mulheres não tenham sido igualmente numerosas na política e na ciência como os homens prende-se com a opressão das mulheres por parte dos homens. Algumas partes deste argumento são verídicas, mas isto não é a história completa. Ser homem significa ter que provar alguma coisa, alcançar algo, muito mais do que ocorre com as mulheres. 

Para além disso, a responsabilidade para a educação das crianças irá sempre recair mais sobre as mulheres do que sobre os homens. Uma sociedade moderna pode suavizar estas limitações, mas nunca as irá remover por completo. Devido a estes motivos prácticos, é muito pouco provável que as mulheres algum dia cheguem a ser tão numerosas como os homens nos pontos mais elevados das empresas.

Christina Hoff Sommers, a autora do livro The War Against Boys, ressalva que:

.....depois de mais de 40 anos de agitação feminista e pronomes genericamente neutros, os homens ainda são mais susceptíveis de enveredar por uma carreira política, mais susceptíveis de fundar uma empresa, de patentear invenções, e de explodir coisas. Os homens continuam a fazer a maior parte das anedotas e a escrever a maioria dos editoriais e cartas aos editores dos jornais. Para além disto - e isto é fatal para as feministas que anseiam por uma androginia social - os homens mal se mexeram da sua pouca-vontade de desempenhar uma parte igual das tarefas domésticas ou das tarefas relativas às crianças. Mais ainda, as mulheres parecem ter preferência por homens masculinos.

Ela ressalva também:

Um dos monumentos menos visitados em Washington é uma estátua à beira-mar que comemora os homens que morreram no Titanic. Setenta e quatro porcento das mulheres sobreviveram no dia 15 de Abril de 1912, ao mesmo tempo que 80 porcento dos homens morreram. E porquê? Porque os homens seguiram o princípio "mulheres e crianças primeiro". ... O monumento, uma figura masculina com 5 metros e com os seus braços estendidos para os lados, foi erigido em 1931 "pelas mulheres da América", como forma de gratidão. A inscrição diz:

Para os bravos homens que morreram no naufrágio do Titanic. [...] Eles deram as suas vidas de modo a que as mulheres e as crianças pudessem ser salvas.


Simone de Beauvoir famosamente afirmou, "Ninguém nasce mulher, mas torna-se numa mulher." O que ela queria dizer é que era importante rejeitar todos os induzimentos da natureza, da sociedade e da moralidade convencional. Beauvoir classificou o casamento e a família de "tragédia" para as mulheres, e comparou os actos de dar à luz e de cuidar de crianças de escravatura. Curiosamente, e após décadas de feminismo, muitas mulheres Ocidentais estão a lamentar o  facto dos homens Ocidentais hesitarem em casar. Eis aqui a colunista Molly Watson:

Nós temos informação suficiente para saber o porquê da nossa geração se atrasar para ter filhos - e isso de maneira nenhuma está relacionado com o facto de se ter sido desqualificada pelo patrão ou pelos planeadores de saúde. E apesar dos inúmeros editoriais de jornal em relação a este assunto, o facto das mulheres terem filhos mais tarde não está relacionado com o facto das mulheres de negócios colocarem a carreira acima dos filhos. Segundo a minha experiência, a causa principal para esta epidemia é a falta de vontade colectiva por parte dos homens da nossa era. [...]

Não conheço uma única mulher da minha idade cuja versão de "e viveu feliz para sempre" dependa de modo fundamental do facto de ser uma editora, uma parceira-sénior, uma cirurgiã, ou uma conselheira de renome. Mas deparadas com uma geração de homens emocionalmente imaturos, que parecem olhar para o casamento como a última coisa que farão antes de morrer, nós [mulheres] não temos outra opção a não ser esperar.

O que foi que aconteceu com o slogan "A mulher precisa dum homem tal como um peixe precisa duma bicicleta"?

Gostaria de lembrar à senhora Watson que foram as mulheres que começaram com esta cultura de "é melhor ficar solteira" que actualmente permeia a maior parte do Ocidente. Uma vez que as mulheres iniciam a maior parte dos divórcios e como os divórcios podem potencialmente arruinar financeiramente um homem, não pode ser surpresa para as pessoas o facto dos homens evitarem qualquer envolvimento com o casamento. Tal como disse um homem, "Acho que nunca mais vou voltar a casar. Vou  apenas encontrar uma mulher que não goste, e dar-lhe uma casa."

Para além disso, durante as últimas décadas as mulheres facilitaram o acto de ter uma namorada sem ter que se casar. Portanto, as mulheres fazem do casamento um risco maior ao mesmo tempo que facilitam o facto de ficar solteiro, e ainda se admiram com o facto dos homens "não estabelecerem um compromisso"? Se calhar muitas mulheres não pensarem bem nesta coisa do feminismo antes de se lançarem de cabeça?

A mais recente vaga do feminismo feriu de modo profundo a estrutura familiar do mundo Ocidental. É impossível elevar as taxas de natalidade para níveis de reposição antes das mulheres serem valorizadas devido ao facto de cuidarem de crianças, e antes dos homens e das mulheres estarem dispostos a casar. Os seres humanos são criaturas sociais, e não criaturas solitárias; nós fomos criados para viver com parceiros. O casamento não á uma "conspiração para oprimir as mulhere", mas sim o motivo pelo qual estamos cá. E isto não é algo religioso visto que segundo estrito Darwinismo ateísta, o propósito da vida é a reprodução.

Um estudo levado a cabo nos Estados Unidos identificou as principais barreiras que impedem os homens de avançar para o casamento. No topo da lista estava a sua habilidade de obter sexo sem casamento (mais facilmente que no passado). Logo após, estava o facto de poderem desfrutar dos benefícios de ter uma mulher no regime de coabitação e não dentro dum casamento.

O relatório dá mais peso às palavras de Ross Cameron, secretário parlamentar do Minister for Family and Community Services, que repreendeu os homens Australianos, culpando a aversão masculina pelo compromisso como causa do problema de fertilidade na Austrália:

A principal razão que leva a que as jovens mulheres digam não querer ter filhos é facto delas não encontrarem um homem de quem elas gostem e que esteja disposto a estabelecer um compromisso..... Esta aversão ao compromisso por parte dos homens Australianos é o verdadeiro problema.

Barbara Boyle Torrey e Nicholas Eberstadt escrevem sobre a divergência significativa na fertilidade do Canadá e dos Estados Unidos:

Os níveis Canadianos e Americanos em torno das tendências a longo prazo da idade do primeiro casamento, do primeiro filho, e das uniões de facto são consistentes com a divergência entre as taxas totais de fertilidade nos dois países. Mas em nenhuma destas variáveis próximas a divergência é suficientemente grande para explicar a muito maior divergência na fertilidade.... A alteração dos valores nos EUA e no Canadá pode contribuir para a divergência na fertilidade. 

O papel nocional [ed: de noção] mais forte dos homens nas famílias Americanas, bem como uma maior religiosidade dos Americanos, estão positivamente associados à fertilidade, e esta última (a religiosidade) é também um forte predicador de atitudes negativas em relação ao aborto. As mulheres no Canadá entram para as uniões de facto mais frequentemente, esperam mais tempo que as Americanas para casar, e têm menos filhos, e filhos mais tardiamente que as Americanas.

Na Europa, a Newsweek fala da forma como as alcateias de lobos estão a regressar para regiões do Centro da Europa:

Há 100 anos atrás, uma população crescente e sedenta de terras matou os últimos lobos da Alemanha. ... Afinal de contas, a nossa visão-postal da Europa é uma dum continente onde todas porções de terra foram há muito cultivadas, vedadas, e estabelecidas. Mas o continente do futuro pode ser muito diferente.

Reiner Klingholz, líder do Berlin Institute for Population Development diz que "Largas partes da Europa se irão re-naturalizar." Os ursos voltaram à Áustria. Nos vales dos Alpes Suíços, as quintas têm estado em recessão e as florestas estão a crescer de volta.

Em partes da França e da Alemanha, os gatos-selvagens e as águias-marinhas voltaram a reestabelecer a sua área. Na Itália, mais de 60 porcento dos 2,6 milhões de agricultores tem mais de 65 anos. Mal eles morram, muitas das suas quintas se juntarão aos 6 milhões de hectares (um terço das terras agrícolas da Itália) que já foram abandonadas. ... Com a União Europeia por si só a precisar anualmente de 1,6 milhões de imigrantes acima do nível actual para manter a população em idade laboral estável entre agora e 2050, uma muito provável fonte de imigrantes seriam os vizinhos muçulmanos da Europa, cuja população jovem duplicará durante o mesmo período de tempo.

São números como estes que induziram Phillip Longman a antever “o Regresso do Patriarcado” e proclamar que "os conservadores herdarão a Terra":

Entre os estados [Americanos] que votaram no Presidente George W. Bush em 2004, as taxas de fertilidade são 12 porcento mais elevadas que a que existe nos estados que votaram em John Kerry. ... Parece que os Europeus que são mais susceptíveis de se identificarem como "cidadãos do mundo" são também os mais susceptíveis de não terem filhos. ... A grande diferença nas taxas de fertilidade entre os individualistas seculares e os conservadores culturais ou religiosos augura uma vasta alteração demograficamente orientada nas sociedades modernas. ... As crianças do futuro, portanto, serão na sua maioria descendentes dum segmento da sociedade comparativamente estreito e culturalmente conservador.

Para além da maior fertilidade dos segmentos conservadores da sociedade, a reversão do estado-Providência, consequência do envelhecimento e do declínio da população, irá dar a estes elementos uma maior vantagem na sobrevivência. ... As pessoas irão descobrir que precisam de mais filhos para garantir os seus anos dourados, e irão buscar formas de vincular os seus filhos a eles através da inculcação de valores religiosos tradicionais.

Vale a pena divagar um bocado neste último ponto. O elaborado modelo de estado-Providência da Europa Ocidental é frequentemente chamado de "estado ama-seca", mas provavelmente poderia ser chamado de "estado marido". E porquê?

Bem, numa sociedade tradicional, o papel do homem e dos maridos é o de proteger fisicamente e providenciar financeiramente para as suas mulheres. Na nossa sociedade moderna, parte desta tarefa foi  "terceirizada" para o estado, o que explica o porquê das mulheres no geral darem um apoio desproporcional aos partidos que aumentam os impostos e prometem mais apoios sociais. O estado pura e simplesmente tornou-se num marido-substituto para as mulheres, e esse estado é suportado pelos impostos dos ex-maridos dessas mesmas mulheres.

É importante mencionar que se por acaso este estado-Providência por alguma razão deixar de funcionar, por exemplo, devido às pressões económicas e de segurança causadas pela imigração muçulmana, as mulheres Ocidentais irão descobrir subitamente que elas não são assim tão independentes dos homens como elas pensam que são. Neste caso, é concebível colocar a hipótese de voltarmos a ter a tradicional masculinidade "proteger e providenciar" à medida que as pessoas, as mulheres em particular, venham a precisar do apoio da família nuclear e estendida como forma de sobreviverem.

Outro assunto é que, embora países como a Noruega e a Suécia gostem de se apresentar como paraísos da igualdade de género, já ouvi visitantes que passaram por esses países comentar que os sexos provavelmente estão mais distantes um do outro nesses países do que em qualquer outra parte do mundo. E eu acredito neles. O feminismo radical fomentou suspeição e hostilidade, e não cooperação.

Mais ainda, o feminismo não erradicou a atracção sexual básica entre as mulheres femininas e os homens masculinos. Se as pessoas não encontram isso nos seus países, eles viajam para outro país ou cultura para encontrar; e com a era da globalização entre nós, isso é ainda mais fácil. Um surpreendente número de homens Escandinavos encontra esposas na Ásia Oriental, na América Latina ou em qualquer outra nação com uma visão mais tradicional da feminidade, e um certo número de mulheres encontra também parceiros que chegam de países mais conservadores. Claro que não são todos, obviamente, mas a tendência é inconfundível e significante. Os Escandinavos celebram a "igualdade de género", mas viajam para outras partes do mundo para encontrar pessoas com quem valha a pena casar

...

Resumidamente, tem que ser dito que o feminismo radical tem sido uma das causas mais importantes para a actual fragilidade da civilização Ocidental, tanto culturalmente como demograficamente. As feministas, frequentemente com uma visão do mundo Marxista, têm sido uma componente crucial no estabelecimento da sufocante censura pública do Politicamente Correcto nas nações Ocidentais. Elas também enfraqueceram de forma séria a estrutura familiar Ocidental, e contribuíram para o amolecimento e para o auto-ódio do Ocidente na sua luta contra a agressão levada a cabo pelos muçulmanos.

Embora o feminismo se tenha perdido rumo ao extremismo, isto não quer dizer que todas as suas ideias estão erradas. O movimento das mulheres irá fazer alterações permanentes. As mulheres ocupam agora posições que eram impensáveis há alguns anos atrás, e algumas coisas são irreversíveis.

As mulheres efectivamente controlam a vida dos homens. O casamento costumava ser uma troca: o carinho e o apoio feminino em troca da segurança financeira e social masculinas. No mundo moderno, as mulheres podem não precisar do apoio financeira tal como precisavam no passado, ao mesmo tempo que os homens continuam a precisar do apoio emocional feminino como sempre precisaram. O equilíbrio de poder mudou-se para o lado das mulheres, embora esta situação não dure para sempre. Isto não tem que ser uma coisa má. As mulheres ainda precisam dum parceiro, mas isto exige que os homens estejam mais focados em fazer o seu melhor. 

Um estudo levado a cabo por cientistas da University of Copenhagen concluiu que o divórcio está intimamente associado à má saúde, especialmente a dos homens. A pesquisa indica que a taxa de mortalidade ou de homens divorciados com idades entre os 40 e os 50 é duas vezes maior do que a de qualquer outro grupo.

A pesquisa levou em conta a existência de outros factores que poderiam causar uma morte prematura - tais como doenças mentais e ter crescido sob condições sociais pobres. "Levando em conta a elevada quantidade de crianças a crescer em lares desfeitos, somos de opinião de que este estudo é relevante.....Ele prova que o divórcio pode ser consequências sérias", e que precisamos duma estratégia de prevenção. John Aasted Halse, psicólogo e autor de inúmeros livros em torno do divórcio, concorda.

A aparente contradição entre o domínio feminino ao nível micro e o domínio masculino ao nível macro não pode ser explicado dentro do contexto do sexo "forte/fraco". Eu postulo que ser homem, acima de tudo, é algum tipo de energia nervosa, algo que tem que ser provado. Isto terá, ao mesmo tempo, resultados positivos e negativos. O domínio masculino na ciência e na política, bem como no crime e na guerra, está associado a isto. As mulheres não têm a necessidade de se provarem ao mundo da mesma maneira que os homens têm. De alguma forma, isto é uma fora.

Devido a isto, eu penso que termos tais como "O Sexo Inquieto" para os homens e "O Sexo Auto-Suficiente" para as mulheres é mais apropriado e explica melhor as diferenças.

Daniel Pipes persiste em dizer que a resposta ao islão radical é o islão moderado. Pode ser que nem exista um islão moderado, mas pode ser que existe um feminismo moderado, e uma masculinidade madura para o encarar.

No seu livro Manliness, Harvey C. Mansfield disponibiliza o que ele chama de uma defesa modesta da masculinidade. Ele diz, "A masculinidade parece ser 50% boa, 50% má."

A masculinidade pode ser heróica e nobre, tal como os homens do Titanic que se sacrificaram em prol da máxima "mulheres e crianças primeiro", mas também pode ser insensata, teimosa e violenta.

Muitos homens irão ficar ofendidos ao lerem que a violência islâmica e as matanças de honra estão relacionadas à masculinidade, mas isso é um facto. O islão é uma versão comprimida de todos os aspectos sombrios da masculinidade. Temos que rejeitar tudo isso. No islão, os homens, e não só as mulheres, também perdem a liberdade para dizer o que pensam e no que acreditam.

No entanto, até uma versão moderada do feminismo pode vir a ser letal para o islão visto que esta religião sobrevive através duma subjugação extrema das mulheres. Privados disto, o islão irá sufocar e morrer. É verdade que o Ocidente ainda não encontrou uma fórmula para equilibrar de forma perfeita os homens e as mulheres do século 21, mas pelo menos estamos a trabalhar nisso. O islão encontra~se preso ao século 7.

Alguns homens lamentam a perda dum sentido de masculinidade no mundo moderno. Talvez um sentido de masculinidade significativo possa ser garantir que as nossas irmãs e as nossas filhas possam crescer num mundo onde elas têm o direito à educação e a uma vida livre, e protegê-las do barbarismo islâmico. Isto vai ser necessário.

Fonte:  http://bit.ly/1DGvCMe



domingo, 4 de janeiro de 2015

Confissões dum relutante guerreiro cultural

Por Robert Tracinski

Até bem pouco tempo atrás estive a trabalhar nas principais histórias de 2014, o que me deu a possibilidade de olhar para trás, para as coisas que escrevi, e ter uma noção do que foi realmente importante este ano, e também ver se fiz um bom trabalho de resposta a essas histórias importantes.

O que me surpreendeu imenso este ano [2013] foi ver o que tomou um dos lugares principais - lá, bem entre o nojento regresso de políticas raciais e a ascenção do Estado Islâmico (durante o colapso da política externa de Obama). Foram: as "guerras culturais"," as actuais batalhas em torno do aborto, liberdade religiosa, e feminismo radical.

Durante a maior parte da minha carreira como escritor, estive relutante em tomar parte nas "guerras culturais" principalmente porque não me identificava com nenhum dos campos em guerra. Como ateu, não anseio pelo regresso da tradicional moralidade religiosa, mas como um individualista, nunca dei o meu apoio às estranhas cruzadas dos grupos-vítima da Esquerda.

Durante a maior parte do meu tempo, dediquei-me a argumentar em favor dum governo menor, apontando para o fracasso do Estado-Providência, e impedindo que os ambientalistas colocassem um ponto final na civilização industrializada - coisas menores como essas. Ah, sim, e a guerra - não a "guerra cultural", mas a guerra guerra, aquela onde as pessoas de facto estão a tentar matar-te.

Portanto, durante a maior parte, a minha posição em relação ao casamento [sic] homossexual pode ser resumida com algo do tipo, "Será que já podemos discutir outra coisa?" Isto deve-se, parcialmente, à minha visão minimalista do governo, que defende que algumas coisas - na verdade, a maior parte das coisas, e virtualmente todas as coisas que são realmente importantes - devem ser mantidas fora do âmbito da política. Isto claramente inclui a vida sexual das outras pessoas, algo que eu gostaria de saber muito menos do que é normalmente aceite hoje em dia.

Mas durante este ano, descobri que embora eu não estivesse interessado na guerra cultural, a guerra cultural estava interessada em mim. E não só em mim, mas em todos nós. Este foi o ano em que fomos avisados que não teremos permissão para observar as coisas de fora, visto que não teremos permissão para pensar de maneira diferente da forma como pensa a Esquerda.

E como foi que descobri isto? Primeiro, eles vieram buscar os Cristãos, em casos legais que tinham como propósito forçar os crentes conservadores a disponibilizar contraceptivos abortivos e a participar em cerimónias de casamento [sic] homossexual. Eu disponibilizei o argumento do porquê um ateu ter que batalhar até à morte em favor da liberdade religiosa dos Cristãos
A História já mostrou que a única forma de batalhar em favor da liberdade de pensamento é defendê-la cedo, quando ela se encontra ameaçada na vida  dos outros - mesmo em favor de pessoas com quem se discorde, e mesmo em favor de pessoas por quem se nutra um desprezo profundo. Devido a isto, estou disposto a lutar em favor de pessoas que são muito piores, segundo os meus padrões, que o Cristão comum. 
É como o antigo poema do Pastor Niemöller, excepto que desta vez é: "Primeiro, eles vieram buscar os Cristãos." Não olho para a ameaça de coação como algo a ser feito aos retrógrados Cristãos longe de mim. Eu olho para isso como algo que pode igualmente, e facilmente, ser feito a mim. 
E será feito, se levarmos em conta os princípios que foram estabelecidos durante a campanha contra e lei da liberdade religiosa no Arizona, e nas audiências d Tribunal Supremo em torno do caso Hobby Lobby. 
No único comentário que eu fui forçado a fazer no passado, em relação ao casamento [sic] homossexual - há tanto tempo atrás que nem posso disponibilizar um link para o mesmo - expliquei a minha ambivalência citando as minhas preocupações com o facto da Esquerda estar a usar este assunto para assegurar para si o imprimatur do Estado para os relacionamentos homossexuais de forma a que a Esquerda pudesse usar as leis em torno da anti-discriminação como cacete com o qual atacar as fortalezas religiosas.

Foi exactamente isto que aconteceu este ano com o início da inquisição secular que chegou até a exigir que os clérigos Cristãos oficializem casamentos [sic] homossexuais.
Isto pode ser difícil de lembrar agora, mas há não muito tempo atrás, ocorreram propostas tendo em vista a um acordo em torno das "uniões civis" entre pessoas do mesmo sexo que, legalmente, eram equivalentes a um casamento mas sob outro nome. Os activistas homossexuais conscientemente rejeitaram estas uniões como forma de exigir de modo específico o uso do termo "casamento", insistindo que o Estado reconheça e legalmente faça cumprir a igualdade destes casamentos com os antiquados e fora-de-moda casamentos heterossexuais.. 
Basicamente, a teoria por trás casamento [sic] homossexual era a teoria de toda a Esquerda secular: a sociedade e o Estado são as todas-poderosas forças sobre as quais a vida do indivíduo reside, e a tarefa política mais importante - na verdade, a mais importante tarefa da vida - é colocar este poder irresistível do nosso lado. Mas tu obtenhas poder social e político, agarras-te a ele fazendo com que os teus pontos de vista favoritos se tornem obrigatórios, uma espécie de catecismo que todas as pessoas têm que afirmar, ao mesmo tempo que suprimes todos os pontos de vista heréticos. 
Neste caso, como forma de obter a aceitação social do homossexualismo, fazes com que a oficialização de casamentos [sic] homossexuais seja obrigatória ao mesmo tempo que suprimes oficialmente qualquer ponto de vista religioso dissidente.
O problema básico da concepção esquerdista da liberdade é que eles não têm uma concepção da liberdade.
O conceito operacional de liberdade da Esquerda é que tu tens permissão para fazer o dizer o que quiseres, desde que fiques dentro dum determinado intervalo de desvios socialmente aceites. 
O propósito da campanha em favor do casamento [sic] homossexual nada mais é o de alterar os parâmetros desse intervalo, estendendo-o de modo a incluir os homossexuais, os queers, os transgéneros -  e excluir qualquer pessoa que pense que o homossexualismo é pecado ou qualquer pessoa que queira preservar o conceito tradicional de casamento. Estas pessoas são declaradas como pessoas vazias de protecção legal, e, de facto, terão todo o peso da lei sobre si até que eles por fim coloquem de parte os seus pontos de vista socialmente inaceitáveis. 
O ponto aqui não é se existe acordo sobre quais os pontos de vistas que devem ou não ser socialmente aceites. O ponto aqui é que isto não é um conceito de liberdade, mas sim um regime de ideias controladas pelo Estado, amaciadas através duma zona amorfa de tolerância oficial.

É por este motivo que estou interessado na controvérsia. O meu ponto de vista em relação ao casamento [sic] homossexual pode ser resumido desta forma "não me interessa". Eu não sentiria qualquer necessidade de dizer algo em torno disso, não fosse a insistência dos defensores do casamento [sic]
homossexual a declarar que todas as vozes contrárias devem forçadas a se submeter. 
Parece que tínhamos razão em ficarmos preocupados. O ano que passou testemunhou o início duma nova onda de "politicamente correcto", proclamada através dum incidente bizarro que ficou conhecido como “ShirtStorm.” Esta foi a breve controvérsia em torno dum cientista Britânico que foi atacado pela sua "misoginia" devido ao facto de ter supervisionado o pouso duma sonda espacial num cometa - um gigantesco sucesso científico - enquanto usava uma camisa que era ofensiva para as feministas.

Eu extraí algumas importantes lições em torno de caso, incluindo o facto d' "Elas não estarem a perseguir só os rapazes das fraternidades [universitárias]."
Para se ser acusado de misoginia, não é preciso ser um "irmão" bebedor de cerveja, que ocupa as férias de Primavera sendo juiz de concursos de t-shirt molhada. Agora, elas [as feministas] estão a perseguir os geeks, e até os hipsters.
Portanto, primeiro eles vieram atrás dos Cristãos, depois dos geeks, e depois os hipsters . Para além disso, "A nova ortodoxia é total."
Isto é o "politicamente correcto" na sua forma mais pura: "o pessoal é o político". Não existe área alguma da vida onde o comportamento próprio, e até o gosto estético, não pode ser ditado segundo preocupações políticas. É preciso que alguém te diga o que vestir, que músicas escutar, que jogos de vídeo podes jogar (que, segundo sei, é um dos assuntos em torno do GamerGate), o que tens permissão para dizer a uma mulher enquanto ela caminha pelas rus (se é que tens permissão para dizer alguma coisa), e assim por diante.
Incidentalmente, o GamerGate é uma historia que não comentei este ano visto que não sou um "gamer", e já não sou um desde os dias em que fiz download do jogo "Doom" a partir duma disquete de 3 polegadas e meia. Devido a isso, tenho olhado para o assunto como um estranho, tentando entender o que está a acontecer dentro da subcultura dos jogos de vídeo. Segundo aquilo que já consegui recolher, o GamerGate é uma revolta dos consumidores contra jornalistas e revisores de jogos de vídeo que tentam forçar nos leitores a agenda dos "guerreiros da justiça social".

Acho que é melhor eu inteirar-me mais com os pequenos detalhes porque o que se segue é o “MetalGate“ - um tentativa de domesticar a música Heavy Metal sob o jugo politicamente correcto.
E eles estão também a perseguir os nossos filhos, queixando-se dos “brinquedos de género”, o que nos leva até às insanas novas fronteiras do feminismo moderno, incluindo um novo, e puritano, código de conduta sexual imposto na Universidade da Califórnia, que "parece ter sido escrito por monges celibatários", tal como escrevi.
Tudo isto tem a aparência de puritanismo neo-Victoriano, onde o desejo sexual é olhado como algo suspeito e perigoso, mas com um toque feminista moderno: o desejo masculino é suspeito e perigoso.

A Revolução Sexual transformou-se numa estranha imagem reversa do Puritanismo. A contra-cultura reteve todas as premissas básicas - que o sexo é algo sujo, nojento, um acto puramente materialista sem qualquer significado psicológico ou espiritual - excepto que eles eram a favor disso. Devido a isto, eles acabaram com os antigos códigos de cavalheirismo, eliminaram o papel da universidade como um acompanhante in loco parentis, e criaram uma cultura universitária de encontros românticos embriagados com a duração duma noite.
 
Só que eles descobriram agora que esta cultura tem um lado sombrio, especialmente para as mulheres jovens, e consequentemente estão a criar um novo e modernizado sistema de puritanismo.
Durante este ano, não fui só eu que reparei nesta nova tendência. As feministas estão a saudar isto como "o ano em que as mulheres se vingaram", o que nos dá uma ideia do jogo de poder que está a ocorrer aqui.  Se este foi também o ano em que o jornalismo foi totalmente tomado de assalto pela mania de preservar a "narrativa" à custa dos factos - especialmente no amplamente publicitado caso da falsa alegação de violação da Universidade de Virginia - o feminismo frequentemente disponibilizou a narrativa que eles estavam a tentar preservar.

Portanto, este foi o ano em que aprendemos que não podemos evitar a "guerra cultural" porque eles [os Esquerdistas] estão a trazer essa guerra até nós, e que todos os aspectos da nossa vida serão reformulados de modo a que sejamos mais tracejáveis.

Mas este foi também o ano em que me apercebi que existem bons motivos para mergulhar de cabeça na guerra cultural. O próprio motivo que faz com que muitos de nós estejamos relutantes em entrar na batalha - o facto de não nos ajustarmos de forma perfeita em nenhum dos lados - é precisamente o motivo de sermos desesperadamente necessários.
 
Ao disponibilizar as ideias que eu gostaria que a maior parte dos leitores da Direita aprendessem com Ayn Rand, apercebi-me que um dos items mais importantes era "uma terceira alternativa dentro da guerra cultural."
O maior obstáculo para uma leitura justa aos livros de Ayn Rand é o facto dela não cooperar com muitas das categorias-padrão que nos são frequentemente oferecidas.… Provavelmente a categoria mais importante que ela colocou em causa encontra-se capturada na expressão, "Se Deus está Morto, então tudo é permitido." Que significa: se não existe uma base religiosa para a moral, então tudo é subjectivo.

Basicamente, a Esquerda cultural aceita esta alternativa, e junta-se ao subjectivismo (isto, claro, quando eles não estão a tomar medidas excessivas cambaleando de volta rumo ao seu código politicamente correcto neo-Puritano). Então, a Direita religiosa responde afirmando que a única forma de parar com a maré "tudo vale" é um regresso à aquela religião de tempos idos.
 
Isto faz com que muitas pessoas busquem uma terceira alternativa. Como defensor da moralidade secular, foi precisamente isto que Ayn Rand ofereceu.
Foi por isto que me esforcei de modo específico para reclamar a posição cultural elevada da ciência, que tem sido totalmente e imerecidamente reclamada pela Esquerda. Devido a isto, as minhas contribuições para a campanha do The Federalist como forma de expor Neil deGrasse Tyson, o guru oco da cultura geek falsa, que tem o hábito de ser bem liberal com os factos.
Falar ruidosamente em torno da fidelidade aos factos, ao mesmo tempo que usa o mantra jornalístico "falso mas genuíno", envia a mensagem de que os factos não contam para nada. O que realmente conta é o teatro de se ser pró-evidencia e pró-ciência, e olhar de cima para abaixo para os oponentes, qualificando-os de ignorantes e patetas anti-ciência.

Se Tyson parece estar estupefacto com as críticas feitas às suas fabricações, e não as leva a sério, então o que ele nos está a dizer é que ele é um director de circo. Não é suposto nós questionarmos se os eventos que ele menciona são reais, ficcionais, ou embelezados; é suposto nós apenas apreciarmos o espectáculo. É aquele princípio científico com o nome de suspensão da crença.
O propósito aqui é o de reclamar a ciência e o código da racionalidade em prol da liberdade e do individualismo, que é o único credo genuíno dos “geeks.”
Os geeks - os verdadeiros, e não os hipsters - passaram muito da sua vida marginalizados e ignorados. Eles não se sentem bem em parte alguma. Eles gostam de coisas diferentes, pensam e falam de maneira diferente, e olham para o mundo de forma diferente. E precisamente por isso é que eles inventam coisas novas que mais ninguém havia inventado antes deles.

O inventor excêntrico e pensador fora-de-ritmo é um dos arquétipos do individualismo Americano. Somos intrusos, não seguimos s regras normais, e temos como finalidade comportar-mo-nos mal. Devido a isso, porque é que não ficaríamos cépticos dum Estado paternalista?
 
Muitos de nós obviamente que estamos. Devido aos meus interesses, pelo menos metade dos meus amigos com sólidas credencias geek são também Objectivistas. Afinal de contas, Atlas Shrugged é mais um livro que apela aos jovens não-conformistas inteligentes. Mas temos a esperança de que um dia desses o resto dos nossos amigos se apercebam do lugar onde eles pertecem.
É por isso que durante este ano escrevi muito mais sobre a guerra cultural do que esperava (e os excertos de cima são apenas amostras). Tornou-se uma necessidade urgente empurrar para trás o ressurgimento do politicamente correcto totalizador, criar espaço para a liberdade para discordar - e estabelecer as linhas orientadoras do que tem a aparência duma terceira via dentro desta guerra cultural.

Porque depois de 2014, ninguém vai poder ficar à margem.

- http://goo.gl/d4TQZK


* * * * * * *

As palavras de Robert Tracinski  podem ser resumidas em algumas frases: não existem posições neutrais numa guerra contra o mal (e a guerra contra o Esquerdismo militante certamente que é uma guerra conta o mal). Em 2015, tal como descobriu Tracinski, quer se seja Cristão, ateu, agnóstico - quer se seja branco, vermelho, castanho, amarelo ou negro - não teremos permissão para ficar, confortavelmente, em cima do muro, fingido estar acima de tudo, porque a Esquerda totalitária não deixará.

Se ser moderado, tolerante, neutral e desinteressado não salvou os Judeus da Alemanha, e se não salvou os camponeses na China, e se também não salvou os agricultores da União Soviética, de maneira nenhuma isso te irá salvar durante o século 21.

Quando os Guerreiros da Justiça Social dizem que "não existe mais lugar" para várias formas de pensamento com o qual eles não concordam, o que eles querem dizer é que  tu, como portador inabalável desse pensamento, não tens lugar no Admirável Mundo Novo que eles estão a criar.

Fica ao critério de cada um determinar a forma através da qual os Esquerdistas tencionam acabar com tais pensamentos contrários à sua ideologia, junto de pessoas que não querem deixar de ter esse tipo de pensamentos. Se não é possível eliminar uma ideologia sem eliminar os portadores da mesma, a escolha do Esquerdista militante é clara. 



ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

PRINT