Do local onde estávamos conseguíamos ver o lago gelado a apenas algumas jardas da estrada. Enquanto curvávamos a estrada principal não havia qualquer som excepto a trituração sonora causada pelas nossas botas.
Um grito cortou o silêncio e nós instintivamente olhamos para o lago. Parecia que duas patinadoras haviam caído no gelo. O meu avô deixou a minha mão e imediatamente começou a correr em direcção ao lago. Nunca deixei de ficar surpreendida do quão rápido ele podia correr levando em conta que ele havia perdido um pé na guerra.
Eu corri atrás do avô o mais rápido que podia, mas fomos superados por um grupo de jovens soldados que já estavam a rastejar sobre as suas barrigas através do gelo, numa fila única rumo às duas mulheres se agitavam dentro da água gelada. Os soldados receberam a ajuda de outros homens que haviam corrido para o local, provenientes de uma das cafetarias. Eles trouxeram algumas escadas para colocar sobre o gelo como forma de distribuir o peso dos homens. As mulheres foram retiradas em segurança e arrastadas para a margem do lago, sendo passadas de homem para homem, até que elas estavam seguras. As mulheres, uma mãe e a sua filha, foram enroladas em mantas, alimentadas com sopa quente e levadas para o hospital por via das dúvidas.
Lembro-me de estar ao lado do meu avô com o meu coração aos pulos à medida que o último jovem se arrastou tentativamente sobre o lago. Lembro-me de desejar todo o bem para ele, aterrorizada ante a perspectiva de outra racha no gelo o enviar para a morte. Por esta altura, a neve havia começado a agitar-se sobre o lago. A nevasca havia começado e era difícil de ver as coisas. Lembro-me de ver os seus camaradas a formar uma corrente com os seus corpos como forma de o alcançar, e ânimo exaltado quando eles finalmente conseguiram trazê-lo para a segurança.
A multidão dispersou-se. Os soldados e os outros homens voltaram para dentro das cafetarias para retornarem às suas refeições, e mais tarde, o avô e eu estávamos sentados com os meus pais, aquecendo os nossos corpos em frente ao enorme fogão. O avô começou a contar histórias da guerra; narrativas de resistência estóica, determinação ilimitada e feitos heróicos. Ele sempre me avisou para nunca me esquecer que as bênçãos da minha confortável infância foram pagas por todos aqueles homens que nunca regressaram a casa. O meu irmão uma vez perguntou ao meu avô o porquê deles terem combatido por Estaline. "Ah, não" respondeu o meu avô. "Nós não lutamos por Estaline mas pelas mulheres e pelas crianças da Rússia."
O meu avô regressou cedo nessa noite e marchou de volta para a povoação - enfrentando uma das famosas neves - como forma de chegar ao hospital onde a sua esposa, a minha avó, estava a recuperar duma operação dolorosa aos olhos. Normalmente, ele sentava-se e lia para ela pela noite a dentro à medida que ela adormecia e acordava, até que finalmente ele era convidado por uma das enfermeiras a ir descansar.
Eu já vi muitos actos de coragem nas notícias: homens que não hesitaram em correr em direcção aos subterrâneos infernais como forma de arrastar pessoas para fora destroços depois dos horríveis ataques bombistas dentro dos metros de Moscovo; homens que invadiram o avião em Perm quando os sequestradores ameaçaram disparar sobre os reféns; homens que se atiraram para dentro das águas geladas do Volga como forma de salvar as pessoas que se encontravam dentro do ferry que se afundava.
Eu sei que a coragem e a determinação que testemunhei naquela dia não é uma característica Russa, mas sim uma força partilhada pelos homens das outras nações também. Lembro-me também dum jovem Gendarme francês que se atirou para dentro dum rio furioso como forma de salvar um casal idoso de dentro do carro; o homem desarmado que perseguiu e subjugou um perturbado atirador num cinema Espanhol; os dois Irlandeses que correram para dentro duma fábrica química em chamas para retirar de lá os operários e colocá-los em segurança; homens Americanos que não levaram em conta o perigo na sua determinação de salvar o maior número de pessoas durante o ataque terrorista em Nova York; os homens Britânicos que semelhantemente colocaram as suas vidas em risco em Londres, como forma de salvar os outros.
Sempre que há um terremoto, uma avalanche, um tsunami ou um furacão, são os homens de todas as nações que instintivamente se apressam para ajudar. São os homens que colocam as suas vidas em risco (se assim for preciso) para salvar os outros. Quando o incidente termina, são os homens que limpam as ruas, reparam as pontes, restauram as linhas de electricidade, e dão início ao processo de reconstrução. Eu às vezes pergunto-me se a Germaine Greer alguma vez fez algo remotamente tão valioso como os homens que ela ridicularizou durante toda a sua vida.
Mas existem também os heróis comuns - milhares de milhões de homens que trabalham duramente e muitas vezes em empregos perigosos como forma de providenciar para as esposas e para os filhos, e de forma a manter as mulheres e as crianças seguras, alojadas e alimentadas.
Portanto, a Germaine Greer pode vomitar a sua paranóia infantil o quanto que ela quiser. Ela pode-se convencer a ela mesma, e as mulheres crédulas, de que o mundo não precisa destas qualidades masculinas, mas ela está a enganar-se a ela mesma. A nossa civilização foi construída por homens. As nossas comunidades são mantidas por homens. Nós somos mantidas seguras pelos homens. Não seria gentil se as feministas parassem de ridicularizar os homens e de tempos a tempos passassem a expressar gratidão a eles?
Os homens são nossos pais, avôs, irmãos, filhos, amigos e colegas. São as suas qualidades masculinas que fazem deles o que são. Os homens são construtores e inventores, exploradores e protectores, pioneiros e descobridores. Nós precisamos dos homens, e se a Germaine Greer e as suas colegas feministas não se preocupam com o mal que estão a fazer aos homens, talvez elas devessem pensar na igual quantidade de mal que estão a fazer às mulheres.
Greer não entende nada do assunto. Os homens não odeiam as mulheres; os homens valorizam as mulheres e as crianças mais do que qualquer outra coisa. O "patriarcado" contra o qual Greer luta foi inicialmente e principalmente erigido para proteger as mulheres e as crianças. As feministas têm que pensar seriamente sobre a sua constante depreciação da masculinidade uma vez que os homens levam isso em consideração, e se eles começam a mostrar pelas mulheres o mesmo tipo de desprezo que as feministas mostram pelos homens, então nós mulheres teremos problemas sérios.
No mundo ocidental já estamos a observar um endurecimento dos homens em relação às mulheres em geral. Décadas de feminismo ensinaram aos homens que as mulheres não sentem nada mais que desprezo por eles. Eles começam a acordar. As feministas que afirmam querer a igualdade de sexual têm que ter cuidado com o que desejam.



