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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Escola de Frankfurt, teoria crítica e o matriarcado

Por Brian44

Parece que a Escola de Frankfurt, a Teoria Crítica e o Marxismo cultural estão próximos de conseguir tudo o que eles ansiaram na longínqua década 30: a destruição da Civilização Ocidental através duma revolução cultural silenciosa e insidiosa fundamentada nos grupos "oprimidos", e não através duma revolução violenta fundamentada na classe. Este artigo é um bom ponto de partida para aqueles que ainda não ouviram falar na Teoria Crítica e na Escola de Frankfurt.

Dentro da cultura Ocidental, Teoria Crítica aplicada à psicologia de massas levou à desconstrução do género. Depois da Teoria Crítica, a distinção entre a masculinidade e a feminidade irão desaparecer. Os papéis tradicionais das mães e dos pais serão dissolvidos de modo a que o patriarcado possa ser derrubado.

As crianças não serão educadas segundo o seu género biológico e nem segundo os papéis de género associados às suas distinções biológicas. Isto reflecte a análise racional da Escola de Frankfurt que tinha em vista a desintegração da família tradicional. Desde logo, um dos pilares da Teoría Crítica era necessidade de destruir a família tradicional. Os académicos da Escola de Frankfurt pregaram:

Até o colapso parcial da autoridade paternal [isto é, especificamente do pai] dentro da família pode tender a aumentar a prontidão da geração seguinte em aceitar mudanças sociais.

A transformação da cultura Ocidental imaginada pelos Marxistas culturais vai mais além do que a busca pela igualdade de géneros. Incorporada na sua agenda está a "teoria matriarcal", segundo a qual eles tencionam transformar a cultura Ocidental para uma dominada pelo feminino.

Isto é um retrocesso directo até Wilhelm Reich, membro da Escola de Frankfurt que ponderava sobre a teoria matriarcal em termos psicanalíticos. No ano de 1933, ele escreveu no seu livro “The Mass Psychology of Fascism” que o matriarcado era o único tipo familiar genuíno da "sociedade natural".

Erich Fromm, outro membro fundador do Instituto, era um dos proponentes mais activos da teoria matriarcal. Fromm estava particularmente tomado pela ideia de que todo o amor e todos os sentimentos altruístas derivavam do amor maternal necessitados através do período ampliado da gravidez humana e dos cuidados pós-natais.

Desde logo, o amor não dependia da sexualidade, como havia suposto Freud. Pelo contrário, o sexo estava mais frequentemente associado ao ódio e à destruição. A masculinidade e a feminidade não eram o reflexo das distinções sexuais "essenciais", como os românticos haviam pensado. Em vez disso, elas derivavam das distinções nas funções humanas, que eram parcialmente socialmente determinadas.

Este dogma foi o precedente para os pronunciamentos actuais das feministas radicais que aparecem nos jornais e nos programas de TV, incluindo noticiários de TV. Para os promotores do dogma, os papéis masculinos e femininos resultam da indoutrinção cultural, uma indoutrinação levada a cabo pelo patriarcado masculino para detrimento das mulheres.

De facto, durante a década 90, os Marxistas culturais fundiram-se com o feminismo radical presente na elite da geração Boomer - esse retrocesso para os perigosos Transcendentalistas do início do século 19. Um caldeirão de descontentamento está a formar-se no nosso país, e este é um descontentamento que tem o potencial de destruir a civilização Ocidental.

A crítica destrutiva dos elementos primários da cultura Ocidental inspiraram a revolução contra-cultural dos anos 60. Os amadurecidos Boomers idealistas buscaram formas de transformar a cultura dominante no seu exacto oposto (bem no espírito da revolução social). Hoje em dia, os Boomers encontram-se em posições de poder, e eles estão a trabalhar para destruir as históricas instituições nacionais. Eles tencionam também destruir o património do que chamamos de "Civilização Ocidental".

O processo revolucionário Marxista que tem avançado nas últimas décadas nos Estados Unidos tem-se centrado na guerra racial e na guerra sexual, e não na guerra de classes como em tempos idos. Isto reflecte um esquema mais total que o económico, e o mesmo tem em vista a re-estruturação da América e da sociedade Ocidental.

Tal como os revolucionários sociais abertamente proclamam, o seu propósito é destruir a hegemonia dos homens brancos [heterossexuais]. Para levar isto a cabo, todas as barreiras que se encontram posicionadas contra a admissão de mais mulheres e mais minorias por todas as "estruturas de poder" têm que ser derrubadas de qualquer forma.

Leis, processos legais, intimidação, e a demonização dos homens brancos [heterossexuais] como racistas e sexistas são levados a cabo através dos média e das universidades. A psico-dinâmica do processo revolucionário tem em vista o desempoderamento e a decapitação psíquica de todos aqueles que são contra.

- http://goo.gl/OeEzCd



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Uma nação de sapos

Por William A. Borst, Ph.D.

Há pouco dias atrás falei do sistema fiscal com o meu advogado, que havia entretanto terminado a herança da minha mãe. Quando lhe falei nos fundamentos marxistas não só do assim-chamado "imposto da morte", mas também do imposto de renda gradual, ele ficou chocado. Ele não fazia ideia de que Karl Marx havia escrito os elementos mais importantes do código tributário com o qual ele havia trabalhado toda a sua vida profissional. Tudo o que é preciso fazer é ler o Manifesto Comunista, escrito por Karl Marx e Frederick Engels em 1848.

O facto dum homem com educação e sofisticado como o meu advogado não saber deste facto é bastante elucidativo sobre a larga maioria dos Americanos. Tal como o treinador dos Yankees Casey Stengel costumava dizer, "You could look it up!"

A maior parte dos Americanos acredita que quando o Muro de Berlim caiu estrondosamente em 1989, isso assinalou o fim do ogre sanguinário que havia escravizado metade da Europa durante mais de 40 anos. Eles acreditam que o país já não tem nada a temer do Comunismo, para além de terem sido levados a acreditar que a cruzada anti-Comunista dos anos 50 nada mais era que paranóia retórica de Senador Joseph McCarthy (Wisconsin).

A realidade dos factos é que o Comunismo está vivo e está a prosperar neste país, havendo apenas tomado uma forma mais subtil e destrutiva. A situação é semelhante a do sapo que é colocado num pote com água tépida. Se por acaso o cozinheiro aumentasse a temperatura rapidamente, o sapo saltaria de imediato para fora para sua segurança. Mas o cozinheiro inteligente aumenta a temperatura gradualmente de modo a que o sapo não se aperceba que está a ser lentamente cozido até à morte. Em certa ocasião William Lederer disse que a América é uma "nação de ovelhas", mas eu acredito que é mais uma nação de sapos.

Antonio Gramsci

Como foi que isto aconteceu? O lugar certo para se começar é nos escritos dum intelectual da Sardenha chamado Antonio Gramsci. Nascido em 1891 na aldeia de Ales na ilha da Sardenha, Gramsci tornou-se no mais bem sucedido interpretador do Marxismo. Ele deixou a Sardenha para o continente, onde estudou Filosofia e História na Universidade de Turim.

Em 1919, na Itália, ele fundou um jornal com o nome de "L'Ordinine Nuovo", ou a Nova Ordem. Em 1921, juntamente com Palmiro Togliatti, Gramsci fundou o Partido Comunista Italiano. Quando a Itália adoptou o Fascismo de Mussolini, Gramsci fugiu para a Rússia onde ele analisou a adaptação de Lenine do Comunismo.

Ele ficou profundamente perturbado com o facto da Rússia Comunista ter falhado em mostrar algum tipo de interesse por um "paraíso dos trabalhadores." Gramsci havia entendido de forma clara que a classe governante Russa mantinha o seu controle sobre os trabalhadores recorrendo ao puro terror e o extermínio em massa. O Comunismo nada mais havia feito que substituir um pelo outro.

Depois da morte de Lenine, e depois da luta pelo poder que se seguiu, a Rússia passou a ser um lugar perigoso para Gramsci. Estaline, sucessor de Lenine, eliminou todas as pessoas que ele suspeitava estarem-se a desviar das linhas orientados do partido. Gramsci regressou à Itália para lutar contra Mussolini, onde foi preso como potencial agente duma força estrangeira, e aprisionado em 1926.

Ele passou o resto da sua vida dissertando sobre a sua filosofia e foi por essa altura que ele escreveu os "Cadernos do Cárcere" e as "Cartas da Prisão", que se tornaram extremamente influentes nas universidades. Quando ele morreu em 1937, depois de ter sido colocado em liberdade, ele havia produzido um total de nove volumes falando de História, Sociologia, e para além de teoria Marxista.

Uma vez que o Marxismo económico foi um fracasso, Gramsci ponderou que a única forma de derrubar as repressivas instituições Ocidentais era através do que ele chamou de "longa marcha através da cultura". Ele reembalou o Marxismo em termos duma "guerra cultural" bona fide, e não em termos da sua doutrina da guerra de classes.

Ele estava bem ciente que a maior parte das pessoas não acreditava no sistema Comunista. A sua fé Cristã era um enorme obstáculo, impedindo o salto necessário para o Comunismo. Gramsci sabia que o mundo civilizado havia sido totalmente indoutrinado com o Cristianismo durante 2000 anos - tanto assim que a civilização e o Cristianismo estavam inexoravelmente unidos.

Era o carácter Cristão do Ocidente que havia disponibilizado uma barreira quase impenetrável para a infiltração. Mais do que ópio, a religião era a corda salva-vidas dos camponeses que os ajudava a suportar as duras condições do dia a dia. Segundo o livro de Pat Buchanan "The Death of the West", o Cristianismo era o "escudo-térmico do capitalismo." Para conquistar o Ocidente, os Marxistas "tinham primeiro que de-Cristianizar o Ocidente", isto é, destruir os seus fundamentos religiosos.

De-Cristianizar o Ocidente

Gramsci odiava o casamento e a família, os pilares fundamentais duma sociedade civilizada. Para ele, o casamento era um esquema, uma conspiração digamos assim, que visava perpetuar um sistema maligno que oprimia as mulheres e as crianças. O casamento era um instituição perigosa, caracterizada pela violência e pela exploração - os precursores do fascismo e da tirania.

O Patriarcado era o alvo principal dos Marxistas culturais. Eles batalharam para efeminizar a família com legiões de mães solteiras e legiões de mães e "pais" homossexuais, o que serviria para enfraquecer a estrutura da sociedade civilizada. Foi outro Marxista cultural que levou a estratégia Gramsciana para as escolas. George Lukacs era um abastado banqueiro Húngaro, e reputa-se que ele foi o mais brilhante teórico Marxista desde o próprio Marx.

Ecoando os sentimentos de Jesse Jackson, Lukacs clamou "quem nos livrará da civilização Ocidental?" Como Vice-Comissário para a Cultura na Hungria, sob Bela Kun, a sua primeira tarefa foi a de colocar nas escolas uma educação sexual radical, que ele considerava ser a melhor forma de destruir a moralidade sexual tradicional e enfraquecer a família.

As crianças Húngaras aprenderam nuances subtis de amor livre, relação sexual, e também nuances em torno da natureza arcaica dos códigos familiares da classe-média, o carácter obsoleto da monogamia, e a irrelevância da religião organizada [Cristianismo] visto que esta privava o homem do prazer. As crianças foram estimuladas a ridicularizar ou a ignorar a autoridade paternal, bem como os preceitos da moralidade tradicional.

Se por acaso isto soa de alguma forma familiar é porque é precisamente isto que está a acontecer nas nossas escolas públicas, e até em algumas escolas Católicas actuais. Lukacs foi o precursor da libidinosa Cirurgiã-Geral de Bill Clinton, Jocelyn Elders.

As ideias de Gramsci e de Lukacs vieram a ser concretizadas através da Escola de Frankfurt, ou Instituto de Pesquisa Social (como era originalmente conhecida), durante os anos 20. Eles traduziram o Marxismo da economia para termos culturais. Um dos pontos-chaves da Escola de Frankfurt era o de fundir a análise Marxista com a psico-análise Freudiana e o condicionamento psicológico.

Segundo a sua amálgama Freudiana e Marxista, tal como sob o capitalismo a classe operária era automaticamente oprimida, sob a cultura Ocidental os Negros, os homossexuais, os Hispânicos e as mulheres - isto é, todas as pessoas exceptuando os homens Brancos - eram automaticamente alvos colectivos da opressão Ocidental. A noção da solidariedade de grupo, ou a que é conhecida como "politica de identidade", foi criada para gerar nada mais que divisões, levando à violência e à anarquia social.

Como forma de minar a sociedade Ocidental, os Marxistas culturais iriam repetir constantemente as acusações de que o Ocidente era culpado de crimes genocidas contra todas as outras culturas com as quais se havia deparado durante a História, e que era também responsável por opressões históricas contra a humanidade.

Teoria Crítica

Esta ideia evoluiu para a "Teoria Crítica", que foi a arma principal da esquerda na luta pela alma da cultura Americana. Os "Crits" aplicaram um criticismo destrutivo aos principais pilares da civilização Ocidental, incluindo o Cristianismo, o capitalismo, a autoridade, a família, a moralidade, a tradição, a contenção sexual, a lealdade, o patriotismo, o nacionalismo, a hereditariedade, o etnocentrismo, a convenção, o Conservadorismo, e especialmente a língua.

A Teoria Crítica, que se encontra endémica nas maiores escolas legais do país, mantém que a estrutura social patriarcal tem que ser substituída pelo matriarcado. A crença de que os homens e as mulheres têm papéis distintos e propriamente definidos tem que ser substituída pela androginia e com isso, a crença heterodoxa de que o homossexualismo é normal. A diferença entre os géneros, não entre os sexos, tem que ser minimizada. Segundo as feministas Marxistas, os homens e as mulheres eram fungíveis, e eles poderiam ser facilmente intercambiáveis. As distinções de género nada mais eram que acidentes anatómicos.

Outro ingrediente-chave do Marxismo Cultural foi a ideia de Theodor Adorno com o nome de "Personalidade Autoritária". O seu livro, publicado em 1950 juntamente com Else Frenkel-Brunswick, Daniel J. Levinson, e R. Nevitt Sanford, teve como premissa o princípio único de que o Cristianismo, o Capitalismo, e a família patriarcal autoritária geravam um carácter susceptível ao preconceito racial e ao fascismo.

Para eles, qualquer pessoa que vivesse segundo padrões tradicionais tinha uma personalidade autoritária que era fascista por natureza. Se por acaso uma família aderisse aos princípios Cristãos e capitalistas, quase de certeza que os filhos se tornariam fascistas e racistas. Pat Buchanan qualificou o livro de Adorno de "o retábulo da Escola de Frankfurt."

Se o fascismo e o racismo eram endémicos na cultura, como defendia Adorno, então todas as pessoas que haviam sido educadas segundo a tradição Deus, maternidade e família precisavam de ajuda psicológica. Esta é a lógica Orwelliana que parece ter estabelecido uma praça de armas na consciência Americana. O determinismo cultural havia tomado o lugar do determinismo económico.

Isto corresponde com a ideia do "politicamente correcto", ideia que é a chave para se entender a situação em que a cultura Americana passou a estar desde o amanhecer dos anos 60. O PC representa o veículo principal com o qual a mente Marxista tem avançado as suas ideias cancerígenas na destruição do génio da política e da cultura Americana. Sob a rubrica da "diversidade", o seu propósito secreto é o de impor uma uniformidade de pensamento e de comportamento em todos os Americanos.

Os Marxistas Culturais, frequentemente professores e administradores universitários, produtores de TV, editores de jornais e por aí adiante, servem como porteiros ao manterem todas as ideias tradicionais positivas, especialmente as ideias religiosas [Cristãs] fora da esfera pública. Podemos facilmente ver isso a acontecer na nossa sociedade actual.

Herbert Marcuse

Provavelmente o membro mais importante da Escola de Frankfurt foi Herbert Marcuse, pessoa que foi largamente responsável por trazer o Marxismo Cultural para os Estados Unidos quando ele se mudou para New York City (para escapar à perseguição Nacional Socialista dos anos 30). Durante os anos 60 ele tornou-se no guru da Nova Esquerda durante o período em que era professor na Universidade da Califórnia, San Diego.

Marcuse era um acérrimo revolucionário social que contemplava a desintegração da sociedade Americana da mesma forma que Karl Marx e Georg Lukacs contemplavam a destruição da sociedade Alemã. No seu livro, "An Essay on Liberation", Marcuse proclamou os meios de transformar a sociedade Americana. Ele acreditava que todos os tabus, especialmente os sexuais, deveriam ser relaxados. "Make love, not war!" foi o seu grito de guerra e o mesmo ecoou por todas das universidades por toda a América. 

A sua metodologia para a rebelião incluía a desconstrução da linguagem, o famoso "o que é que 'é' significa?" que fomentou a destruição da cultura. Ao confundir e ao obliterar o significado das palavras, Marcuse ajudou a causar a destruição do conformismo social da nação, especialmente junto dos jovens Americanos menos informados. Ele deliberadamente exacerbou as relações raciais ao colocar ênfase na ideia de que o homem branco era culpado pela escravatura e que os negros não poderiam fazer mal algum.

Estes revolucionários culturais depararam-se com uma questão séria levantada pela mudança Gramsciana: se o proletariado não era a base para a revolução, então quem era? Marcuse disse que as mulheres deveriam ser o proletariado cultural que transformaria a sociedade Ocidental, e elas serviriam como catalisadoras para a Revolução Marxista. 

Se as mulheres pudessem ser persuadidas a abandonar os seus papéis tradicionais como transmissoras de cultura, então a cultura tradicional não poderia ser transmitida para a geração seguinte. A ideia de que "a mão que balança o berço governa o mundo" não é uma declaração vazia. Que melhor forma  de influenciar as gerações futuras do que através da subversão dos papéis tradicionais da mulher? Os Marxistas correctamente assumiram que a fragilização da mulher poderia ser um golpe fatal na cultura.

Uma das herdeiras desta estratégia cultural foi Betty Friedan (Naomi Goldstein). O seu livro "The Feminine Mystique" serviu como o livro escolar da acção de sabotagem da família Americana. Friedan descreveu a dona-de-casa tradicional como uma "parasita", que era forçada a negar a sua verdadeira natureza. Para Friedan, a mãe-doméstica era um robô sem inteligência. Embora ela não tenha sido membro da Escola de Frankfurt, o ódio e o desdém que Friedan nutria pelos homens e pelo patriarcado fizeram dela "a madrinha do feminismo radical."

A subversão da família e o declínio no respeito pelo patriarcado levou à uma maior feminização das instituições culturais da nação, incluindo igrejas, escolas, universidades, partidos políticos, e até mesmo das forças militares e das forças policiais. O "homem moderno" parece-se mais com a sensibilidade sacarina de Alan Alda do que com o bravado vigoroso dum John Wayne. Segundo o livro "Domestic Tranquility" de Carolyn Graglia, os "editores da Playboy não poderiam ter orquestrado melhor o movimento das mulheres."

Se as mulheres eram o alvo, então os Marxistas Culturais acertaram bem no centro do alvo. Hoje em dia as mulheres aspiram de modo irrealista fazer tudo o que os homens fazem, desde pilotos de caça, soldados de combate, polícias, bombeiros, padres, pugilistas, e muitos outros trabalhos que requerem força masculina ou disposição masculina (até presidência).

Elas rebaixaram-se dos seus pedestais elevados e sacrificaram a sua natural superioridade moral sobre os homens perante o altar da igualdade e da escolha. As mulheres trocaram a tranquilidade doméstica da família e da casa pela onda de poder da sala de reunião e pelo libertador e transpirado sexo casual. As estatísticas do divórcio, o abandono das mulheres e das crianças, o aborto e até o assassinato matrimonial podem ser, em larga medida, depositados aos pés de Betty Friedan.

Isto não aconteceu como o Bíblico "ladrão na noite" mas tem sido um processo gradual à medida que os Americanos se encontram descansados e gordos nos seus lírios, assistindo ao programa da Oprah ou o próximo jogo grande. Parafraseando T. S. Eliot, e se entretanto não fizermos nada em relação a isso, a nossa civilização não irá acabar com um estrondo, mas com um leve coaxar.

- http://bit.ly/SiKqPF



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Três homens que salvaram a Civilização Cristã

Por Robert Beckman

Nem sempre a Civilização Ocidental teve o poder militar e científico que tem tido nos últimos 500 anos. Isto só foi possível devido às acções de um grupo de elite de homens a lutar através das gerações. Isto só foi possível através da ponta dos machados, das espadas e dos rifles. Apresento-vos 3 homens assim, que definiram as fronteiras da Civilização Ocidental e demarcaram um futuro para que o Ocidente se tornasse próspero.

1. Charles Martel (O Martelo) e a Batalha de Tours.

A Europa de 732 AD , tal como a de hoje, encontrava-se sitiada por invasores islâmicos. Os Mouros haviam avançado através da Península Ibérica e tinham os seus olhos focados no coração da Europa. Charles não tinha um exército profissional ao seu comando, mas sim agricultores normalmente habituados a lutar entre o plantio a colheita.

O seu grupo-ralé de guerreiros-agricultores encontrava-se excedido em número na ordem de 3:1, e estavam a lutar contra soldados profissionais endurecidos pela guerra. Usando tácticas defensivas, formações unidas, e tendo o terreno como vantagem sua, Martel foi capaz de parar a invasão islâmica da Europa.

2. Jean De Valette e o Cerco de Malta

No ano de 1565 AD, o Império Otomano estava a expandir-se rapidamente para o oeste, havendo já tomado conta da maior parte da zona costeira do Norte de África e dos Balcãs. Tudo o que se encontrava no seu caminho, a impedir mais conquistas, era uma pequena ilha do Mediterrâneo ocupada por uma pequena ordem de 700 cavaleiros. Se os Otomanos tivessem conquistado a ilha, passariam a ter um trampolim para a Sicília, Itália e mais para dentro da Europa.

A Ordem dos Cavaleiros Hospitalários foi reforçada com nativos Malteses, um pequeno número de guerreiros Italianos, Gregos e Espanhóis, bem como os seus serventes. Mesmo com este reforço, as forças dos Cavaleiros encontrava-se excedida em número na ordem dos 8:1. No espaço de um mês, a força de 50,000 guerreiros Otomanos, juntamente com 70 canhões de cerco, capturaram o Forte de São Elmo.

Os corpos dos cavaleiros mortos foram decapitados, amarrados de modo a formar uma cruz, e colocados a flutuar rumo ao Forte São Angelo. De Valette respondeu ao insulto ordenando os seus homens que disparassem, com canhões, cabeças de soldados Otomanos em direcção aos acampamentos dos Otomanos.

O cerco continuou, e cerca de dois meses mais tarde, os Otomanos conseguiram fazer uma brecha nas paredes da ilha principal, e passaram a contar com uma vitória. Mas não foi isso que aconteceu. O próprio De Valette pegou no seu pique e avançou contra a brecha, inspirando os seus homens. Os Otomanos que entravam pela brecha foram cortados e abatidos ao mesmo tempo que eram empurrados para frente pela massa de corpos atrás deles.

Os homens de De Valette resistiram corajosamente durante mais um mês até que uma força de socorro de 28 barcos contendo 10,000 guerreiros provenientes de toda a Europa Cristã expulsou os Otomanos.

3. Jan III Sobieski e Cerco de Viena

No ano de 1683, o Turcos Otomanos estavam a preparar uma ofensiva gigantesca a Viena, um importante ponto estratégico que, se tomado, deixaria as portas da Europa abertas para ao domínio islâmico.

Mais uma vez, as forças Europeias encontravam-se numericamente severamente excedidas. Uma coligação de nobres Germânicos, o Santo Império Romano, e a Commonwealth Polaco-Lituana levantou-se contra 300,000 invasores islâmicos.

As fortificações de Viana era as mais fortes e as mais avançadas da altura, com centenas de canhões de ponta colocados estrategicamente por todas as paredes. Sapadores Turcos cavaram túneis por baixo das paredes e colocaram barris de pólvora em locais estratégicos. Durante dois meses, Viena viu-se isolada e passou fome.

As paredes estavam a ser destruídas em pedaços e os abastecimentos tinham acabado. No preciso momento em que a cidade estava quase a ser tomada, 80,000 dos melhores soldados da Europa, sob o comando do Rei Sobieski, vieram em defesa de Viena.

O Rei Sobieski, um génio da táctica, colocou cerca de 60,000 homens da infantaria a lutar logo no início do dia. Depois de horas de combate, os Turcos estavam desgastados e cansados. O Rei Sobieski liderou então o maior ataque de cavalaria da História; cerca de 20,000 cavaleiros avançaram ao mesmo tempo pela encosta abaixo rumo aos Turcos desgastados. À frente do ataque encontravam-se 3,000 Hussardos Polacos, a cavalaria pesada mais bem treinada, melhor equipada, mais implacável de sempre.

O resultado foi uma carnificina. Até à moderna política de imigração, nunca o mundo islâmico havia tentado invadir o Ocidente a esta escala.

Lições:

Estes três heróis do Ocidente demonstram os 4 traços da masculinidade listados por Jack Donovan: força, coragem, mestria e honra. Este homens não lutaram sozinhos mas eram líderes. Liderando por exemplo, eles lutaram na linha da frente ao lado dos seus homens, colocando-se a eles mesmos em perigo eminente.

Este método de liderança inspirou coragem dentro dos corações das suas tropas. Nos dias de hoje, muitos pensam que a liderança é simplesmente colocar uma cara autoritária e dizer aos outros o que fazer; estes três homens provam que esta noção está errada. Juntos, Martel, De Valette, e Sobieski deram ao Ocidente uma tradição de honra e um legado de valentia..

- http://goo.gl/RY8VNo
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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A Escola de Frankfurt e o Politicamente Correcto - Parte 4

Esta é a parte final dum artigo iniciado aqui.
IV. O Eros Aristotélico: Marcuse e a contracultura das Drogas do CIA

Em 1989, foi perguntado a Hans-Georg Gadamer, protegido de Martin Heidegger e o último da geração original da Escola de Frankfurt, que disponibilizasse uma apreciação ao seu próprio trabalho para o jornal Alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung. Ele escreveu:
Temos que olhar para a ética Aristotélica como a verdadeira realização do desafio Socrático, que Platão havia colocado no centro do seu diálogo em torno da questão Socrática do bem.... Platão descreveu a ideia do bom .... como a principal e a mais elevada ideia, que supostamente é o princípio de existência mais elevado para o univer5so, o estado, e a alma humana. Contra isto, Aristóteles lançou uma crítica decisiva sob a famosa fórmula: "Platão é meu amigo, mas a verdade é mais minha amiga".

Ele negou que seria possível considerar a ideia do bem como um princípio universal do ser, que é suposto ser igual não só para o conhecimento teórico mas também para o conhecimento práctico e para a actividade humana.
Esta declaração não só expressa de forma sucinta a filosofia subjacente da Escola de Frankfurt, como sugere também um ponto de inflexão em torno do qual podemos organizar a maior parte do combate filosófico dos últimos 2 mil anos. De maneira simplificada, a correcção Aristotélica de Platão rompe a física da metafísica, relegando o Bem para o lugar de objecto de mera especulação em relação ao qual, segundo Wilhelm Dilthey, o filósofo favorito da Escola de Frankfurt, "o nosso conhecimento permanece como uma hipótese".

O nosso conhecimento do "mundo real", como Dilthey, Nietzsche, e outros precursores da Escola de Frankfurt costumavam enfatizar, torna-se erótico, na mais forma mais generalizada do termo, como fixação por um objecto. O universo torna-se numa colecção de coisas que operam individualmente com base nas suas próprias naturezas (isto é, geneticamente), e através da interacção entre elas mesmas (isto é, mecanicamente). A ciência torna-se na dedução das categorias apropriadas destas naturezas e interacções.

Uma vez que a mente humana nada mais é que um sensório, esperando que a maçã Newtoniana a enquadre dentro duma dedução, a relação entre a humanidade e o mundo (e vice-versa) transforma-se numa ligação erótica entre objectos. O entendimento do que é universal - a mente que tenta ser uma imagem viva do Deus Vivo - é, portanto, uma ilusão. Esse universal ou não existe, ou existe duma forma incompreensível como um deus ex machina; isto é, o Divino existe como uma sobreposição ao universo físico - Deus, na verdade, é Zeus a disparar relãmpagos para o mundo a partir duma localização exterior. (Ou, e se calhar de uma forma mais apropriada, Deus é na verdade, o Cupido a deixar setas douradas um pouco por todo o lado como forma de causar a que os objectos se atraiam mutuamente, e setas de chumbo para causar a que os objectos se rejeitem mutuamente.)

A chave para a totalidade do programa da Escola de Frankfurt, começando no originador Lukacs em diante, é a "libertação" do eros Aristoteliano como forma de causar a que os estados sentimentais individuais se tornem psicologicamente primários. Quando os lideres do Instituto para Pesquisa Social chegaram aos Estados Unidos em meados dos anos 30, eles exultaram com o facto de estarem num lugar que não tinha defesas filosóficas contra a sua versão de Kulturpessimismus  [pessimismo cultural].

No entanto, embora a Escola de Frankfurt tenha feito grandes avanços na vida intelectual Americana antes da da Segunda Guerra Mundial, a sua influência limitava-se em larga escala ao mundo académico e à rádio; a rádio, embora importante, não tinha ainda a influência sobrepujante na vida social que iria adquirir durante a guerra. Para além disso, a mobilização Americana para a guerra, e a vitória contra o fascismo, marginalizou a agenda da Escola de Frankfurt; a América de 1945 era sublimemente optimista, com uma população firmemente convencida de que uma república mobilizada, apoiada pela ciência e pela tecnologia, poderia fazer quase tudo.

No entanto, os quinze anos que se seguiram à guerra viram o domínio da vida familiar pela rádio e pela televisão a moldada pela Escola de Frankfurt, num período de erosão política onde o enorme potencial positivo da América degenerou-se para uma postura puramente negativa contra a real, e muitas vezes manipulada, ameaça da União Soviética. Ao mesmo tempo, centenas de milhares da jovem geração - os assim conhecidos baby boomers - estavam a entrar nas universidades e a ser expostos ao veneno da Escola de Frankfurt - quer seja directamente ou indirectamente.

É bastante ilustrativo o facto de, por 1960, a sociologia se ter tornado no curso de estudo mais popular nas universidades Americanas. De facto, quando olhamos para os primeiros sinais de rebelião estudantil no início dos anos 60, tais como os discursos do Berkeley Free Speech Movement ou o Port Huron Statement que fundou o grupo "Estudantes Por Uma Sociedade Democrática", ficamos estupefactos com o quão vazios de conteúdo essas discussões eram. Há muita ansiedade em torno de ser forçado a conformar-se ao sistema - "Sou ser humano; não dobrar, fiar ou mutilar" dizia um slogan primitivo de Berkeley - mas é bem claro que os "problemas" citados derivam muito mais dos livros escolares de sociologia requeridos do que de alguma necessidade real da sociedade.

A Revolução Psicadélica da CIA

A inquietação latente dentro das universidades durante os anos 60 poderia muito bem ter passado, ou ter tido uma consequência positiva, se não fosse a traumática decapitação da nação através do assassinato de John F. Kennedy, acrescido à introdução simultânea do uso generalizado das drogas. As drogas sempre haviam sido uma "ferramenta analítica" para oos Românticos do século 19, tais como os Simbolistas Franceses, e eram muito populares entre os periféricos Boémios Europeus e Americanos bem para além do período do pós-Segunda Grande Guerra.

Mas na segunda metade dos anos 50, a CIA e os outros serviços secretos aliados, começaram com uma extensiva experimentação com o alucinogéno LSD como forma de investigar o seu potencial para o controle social. Já está amplamente documentado que milhões de doses do químico foram produzidos e disseminados sob a égide da operação MK-Ultra, levada a cabo pela CIA. O LSD tornou-se na droga de escolha dentro da própria agência, e foi disponibilizada livremente a amigos da família, incluindo um substancial número de veteranos da OSS.

Por exemplo, foi Gregory Bateson, veterano da OSS Research & Analysis Branch, que "chamou a atenção" do poeta Beat Allen Ginsberg  para uma experiência com o LSD levada a cabo pela Marinha Americana em Palo Alto, Califórnia. Não só Ginsberg, mas o novelista Ken Kesey e os membros originais do grupo de rock The Grateful Dead abriram as portas da percepção, cortesia da Marinha.

O guru da "revolução psicadélica", Timothy Leary, ouviu falar dos alucinogénos pela primeira vez em 1957 na revista Life (cujo editor Henry Luce frequentemente recebia acido governamental, tal como muitos outros formadores de opinião), e começou a sua carreira como um empregado contratado da CIA; numa "reunião" de pioneiros do ácido que decorreu em 1977, Leary admitiu abertamente:
Tudo o que eu sou, devo-o à visão da CIA.
Os alucinogénos têm o efeito singular de tornar a vítima associal, totalmente egocêntrica, e preocupada com objectos. Até o mais banal dos objectos podem assumir a "aura" da qual falava Benjamim, e torna-se atemporal e ilusoriamente profunda. Dito doutra forma, os alucinogénos atingem instantaneamente o estado mental idêntico ao prescrito pelas teorias da Escola de Frankfurt. E a popularização destes químicos gerou uma vasta instabilidade psicológica, perfeita para colocar em práctica essas teorias. Portanto, a situação da América no princípio dos anos 60 representou uma ponto de re-entrada brilhante para a Escola de Frankfurt, e ele foi explorado na sua plenitude.

Uma das maiores ironias da "Nova Geração" de 1964 em diante é que, apesar de todas as suas alegações em torno do seu modernismo total, nenhuma das suas ideias e artefactos tinha menos de 30 anos de existência. A teoria política veio por inteiro da Escola de Frankfurt; Lucien Goldmann, o radical Francês que era professor visitante na Universidade da Columbia em 1968, estava totalmente certo quando disse, sobre Herbert Marcuse em 1969, que "os movimentos estudantis .... encontraram nos seus trabalhos, e de forma geral apenas e só nos seus trabalhos, a formulação teórica dos seus problemas e aspirações.".

O cabelo longo e as sandálias, as comunas de amor-livre, a comida macrobiótica, os estilos de vida liberais, haviam sido construídos no virar do século e exaustivamente testados no vida real através de experiências sociais "Nova Era" com ligações à Escola de Frankfurt, tais como a comuna de Ascona antes de 1920. Até as desafiadoras palavras de Tom Hayden "Não confiem em pessoas com mais de trinta anos" nada mais era que uma versão menos urbana das palavras de Rupert Brooke, ditas em 1905, "Não vale a pena falar com alguém com mais de 30 anos."

Os engenheiros sociais que moldaram os anos 60 simplesmente basearam-se de material já disponível.

Eros e Civilização

O documento-fundador da contra-cultura dos anos 60, e aquele que trouxe até aos anos 60 o "messianismo revolucionário" dos anos 20 da Escola de Frankfurt, foi o livro de Marcuse com o título de Eros e Civilização, originalmente publicado em 1955 e financiado pela Fundação Rockefeller. Este documento resume de forma magistral a ideologia Kulturpessimismus da Escola de Frankfurt no conceito da "dimensionalidade".

Numa das mais bizarras perversões da filosofia, Marcuse alegou que derivou este conceito de Friedrich Schiller. Schiller, que Marcuse propositadamente e erradamente identifica como o herdeiro de Immanuel Kant, discerniu duas dimensões na humanidade: um instinto sensual e um impulso voltado para a forma. Schiller propôs a harmonização destes dois instintos dentro do homem sob a forma de dum criativo instinto brincalhão.

Para Marcuse, no entanto, a única forma de escapar a uni-dimensionalidade da moderna sociedade industrial era a libertação do lado erótico do homem - o instinto sensual - como forma de rebelião contra a "racionalidade tecnológica". Tal como diria Marcuse em 1964 no seu livro One-Dimensional Man:
Uma ausência de liberdade confortável, serena, razoável e democrática prevalece na civilização industrial avançada, símbolo do progresso técnico.
Esta emancipação erótica que ele erradamente identifica com "instinto brincalhão" de Schiller, em vez de ser erótica, é uma expressão de caridade, o mais elevado conceito de amor associado à criatividade. A teoria contrária de emancipação erótica de Marcuse é algo implícito em Sigmund Freud, mas não explicitamente enfatizada (excepto por parte de alguns renegados Freudianos tais como Wilhelm Reich e, de alguma forma, Carl Jung).

Marcuse afirma que todos os aspectos culturais do Ocidente, incluindo a própria razão, operam para reprimir isto:
O universo totalitário da racionalidade tecnológica é a mais recente transmutação da ideia da razão.
Ou:
[O campo da morte de] Auschwitz continua a assombrar não a memória mas os feitos do homem - os vôos espaciais, os foguetes e os mísseis, as bonitas fábricas electrónicas.
Esta emancipação erótica deveria assumir a forma da "Grande Recusa", a rejeição total do monstro "capitalista" e de todas as suas obras, incluindo a razão "tecnológica" e língua "ritualisticamente autoritária". Como parte da Grande Recusa, a humanidade deveria desenvolver um "ethos estético", transformando a vida num ritual estético, um "estilo de vida" (uma frase sem sentido que começou a fazer parte da língua nos anos 60 devido à influência de Marcuse).

Com Marcuse como representante da linha divisória, os anos 60 estavam cheios de justificativas intelectuais obtusas para as rebeliões sexuais adolescentes, vazias de conteúdo. O livro Eros e Civilização foi re-editado em 1961 como um pouco dispendioso paperback, e foi alvo de várias edições; no prefácio da edição de 1966, Marcuse acrescentou que o novo slogan "Make Love Not War" era exactamente do que ele falava:
A luta pelo eros é uma luta política.
Em 1969, ele ressalvou que até o excessivo uso de obscenidades por parte da Nova Esquerda nas suas manifestações fazia parte da Grande Recusa, identificando isso como "rebelião linguística sistemática, que esmaga o contexto ideológico dentro do qual as palavras são usadas e definidas."

Marcuse recebeu a ajuda do psicanalista Norman O. Brown, o seu protegido do OSS, que contribuiu com o livro Life Against Death em 1959, e Love's Body em 1966 - apelando ao homem que colocasse de lado o seu razoável e "blindado" ego,  substituindo-o com o "Ego corporal Dionisíaco" que iria incorporar a instintiva realidade da perversidade polimorfa, e levar o homem de volta para a sua "união com a natureza".

Os livros de Reich, que havia identificado a monogamia como causa do Nazismo [!], foram re-editados. Reich havia morrido numa prisão Americana, encarcerado por tomar para si dinheiro sob a alegação de que o cancro poderia ser curado re-canalizando a "energia orgone." A educação primária passou a estar dominada pelo principal seguidor de Reich, A.S. Neill, membro da seita Teosófica dos anos 30, e ateu militante cujas teorias educacionais exigiam que os estudantes fossem ensinados a rebelar-se contra os professores que são, por natureza, autoritários.

O livro de Neill Summerhill vendeu 24,000 cópias em 1960, número que subiu par 100,000 em 1968, e 2 milhões em 1970; por volta de 1970, o livro de Neill era leitura  obrigatória em mais de 600 cursos universitários, transformando-o num dos textos educacionais mais influentes da altura, sendo ainda um referência para escritores recentes focados nesse tópico.

Marcuse pavimentou o caminho para o revivalismo completo dos restantes teóricos da Escola de Frankfurt, re-introduzindo o há-muito-esquecido Lukacs na América. O próprio Marcuse tornou-se no pára-raios para os ataques na contra-cultura, e era regularmente atacado por fontes tais como o diário Soviético Pravda, e o então Governador da Califórnia Ronald Reagan.

No entanto, a única crítica contemporânea com algum mérito foi uma feita pelo Papa Paulo VI, que em 1969 acusou Marcuse (o que foi um passo extraordinário visto que, normalmente, o Vaticano abstém-se de denúncias formais a indivíduos ainda vivos), juntamente com Freud, pela sua justificação de "expressões nojentas e desenfreadas de erotismo", e qualificou a teoria de emancipação de Marcuse de "a teoria que abre a porta à licença camuflada de liberdade ... uma aberração do instinto."

O erotismo da contra-cultura significava muito mais que amor livre e um ataque violento à família nuclear. Ele significava também a legitimação do eros filosófico. As pessoas foram treinadas para se verem a elas mesmas com objectos determinados pelas suas "naturezas". A importância do indivíduo como pessoa dotada com a centelha divina da criatividade, e capaz de operar sobre toda a civilização humana, foi substituída pela ideia de que a pessoa é importante porque ela ou ele é negra, mulher, ou se sente impulsos homossexuais. Isto explica a deformação do movimento dos direitos civis para o movimento do "poder negro", e a transformação da legítima causa dos direitos civis das mulheres no feminismo.

A discussão em torno dos direitos civis das mulheres foi forçado a transformar-se em mais um "culto de emancipação", repleto de queima de sutiãs e outros, por vezes com rituais óbvios ao estilo da adoração a Astarte. Uma análise aos livros Sexual Politics de Kate Millet' (1970) e The Female Eunuch por Germaine Greer (1971), demonstra a sua total dependência em Marcuse, Fromm, Reich, e outros extremistas Freudianos.

A Má Viagem

Esta popularização da vida como um ritual erótico e pessimista não diminuiu com o passar do tempo, mas, em vez disso, aprofundou-se mais durante os 20 anos que entretanto se passaram até aos dias actuais; ele é a base para o horror que vemos actualmente. Os herdeiros de Marcuse e Adorno dominam por completo as universidades, ensinado aos seus estudantes que coloquem de parte a razão em favor do exercícios ritualísticos "Politicamente Correctos". Actualmente, existem muito poucos livros sobre artes, letras, ou línguas publicados nos EUA ou na Europa que reconheçam abertamente a sua dívida para com a Escola de Frankfurt.

A caça às bruxas que ocorre nas universidades modernas nada mais é que a implementação da "tolerância repressiva" de Marcuse - "tolerância para com os movimentos esquerdistas, mas intolerância para com os movimentos da direita" - colocada em práctica pelos estudantes da Escola de Frankfurt, que entretanto se tornaram professores de estudos femininos e estudos Afro-Americanos. Por exemplo, o mais erudito porta-voz dos estudos Afro-Americanos, o professor Cornell West de Princeton, admite publicamente que as suas teorias derivam do pensamento de Georg Lukacs.

Ao mesmo tempo. a feiúra cuidadosamente alimentada pelos pessimistas da Escola de Frankfurt corrompeu os nossas maiores empreendimentos culturais. É muito difícil encontrar uma performance duma ópera de Mozart que não foi totalmente deformada por um director que, seguindo o pensamento de Benjamim e do Instituto para Pesquisa Social, quer "colocar em liberdade o sub-texto erótico". Não dá para pedir a uma orquestra que execute Schönberg e Beethoven no mesmo programa, e manter a sua integridade para o último. E, quando a nossa mais elevada cultura se torna impotente, a cultura popular torna-se abertamente bestial.

Uma imagem final: As crianças Americanas e Europeias assistem diariamente filmes tais como Nightmare on Elm Street e Total Recall, ou programas de televisão comparáveis a estes. Uma cena típica num destes é ter uma figura que emerge da televisão; a sua face irá realisticamente descascar-se e revelar um homem terrivelmente deformado com lâminas no lugar dos dedos, dedos esses que irão crescer consideravelmente e - subitamente - a vítima é golpeada até se transformar em fitas ensanguentadas.

Isto não é entretenimento mas sim uma alucinação profundamente paranóica duma cabeça cheia do ácido do LSD. A pior coisa que ocorreu nos anos 60 é actualmente um lugar comum. Como consequência das teorias da Escola de Frankfurt e dos seus co-conspiradores, o Ocidente encontra-se numa "má viagem" da qual não tem permissão para sair.

Os princípios sobre os quais a civilização Judaico-Cristã foram estabelecidos já não se encontram dominantes na nossa sociedade, e eles existem como um tipo de resistência clandestina. Se tal resistência for, por fim, submergida, então a civilização não irá sobreviver - e, na nossa era de doenças pandêmicas incuráveis e armas nucleares, o colapso da civilização irá irá levar o resto do mundo para o Inferno.

A forma de escapar a isto é gerar um Renascimento. Se isto soa demasiado grandioso, não deixa de ser exactamente o que nós precisamos. Um renascimento significa um novo começo, a rejeição do mal, do desumano, e das coisas claramente estúpidas, e um regresso de centenas ou milhares de anos até às ideias que permitiram à humanidade crescer rodeada de beleza e bondade. Mal nós tenhamos identificado essas crenças cardinais, nós seremos capazes de reconstruir a civilização.

Essencialmente, um novo Renascimento irá depender de cientistas, artistas, e compositores, mas, acima de tudo, de pessoas aparentemente comuns que irão defender a centelha divina presente nelas mesmas, e não tolerar nada menos que isso. Dado o sucesso da Escola de Frankfurt e dos seus patrocinadores desta Nova Era das Trevas, estes indivíduos comuns, com a sua crença na razão e na diferença entre o certo e o errado, serão impopulares. Mas, nenhuma boa ideia foi popular desde o princípio.

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Parte 1 - http://bit.ly/ZgTGYF

Parte 2 - http://bit.ly/ZRRqYR

Parte 3 - http://bit.ly/1p5mE4d
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Escola de Frankfurt e o Politicamente Correcto - Parte 3

Esta é a 3ª Parte dum artigo iniciado aqui.

III. Criando a "Opinião Pública": O bicho-papão da "Personalidade Autoritária" e a OSS

Como forma de obter um controle maior dos métodos que estavam a desenvolver, os esforços dos conspiradores do "Radio Project" (para manipular a população) gerou a pseudo-ciência da sondagem de opinião.

Actualmente, as sondagens de opinião, tal como as notícias televisivas, tornaram-se parte integral da nossa sociedade. Uma "pesquisa científica" do que se diz que as pessoas pensam sobre um assunto pode ser produzido em menos de 24 horas. Algumas campanhas para lugares políticos de destaque são totalmente moldadas pelas sondagens; de facto, e como forma aumentarem a sua imagem "popular", muitos políticos tentam eles mesmos criar assuntos que eles sabem serem insignificantes, mas que eles sabem que irão ter uma aparência boa nas sondagens.

Decisões políticas importantes são tomadas devido aos resultados de sondagens, antes mesmo do voto dos cidadãos ou do voto do corpo legislativo. Ocasionalmente jornais irão escrever artigos piedosos, apelando às pessoas para que pensem pela sua própria cabeça. ao mesmo tempo que os agentes de negócios desse mesmo jornal enviam um cheque às organizações responsáveis pelas sondagens.

Claro que a ideia da "opinião pública" não é nova. Platão, há mais de 2 mil anos atrás, falou contra ela no seu livro "A República"; Alexis de Tocqueville escreveu bastante sobre a sua influência na América do início do século 19. No entanto, ninguém pensou em medir a opinião pública antes do século 20, e antes de 1930 ninguém pensou em usar essas medidas como algo a levar em conta na tomada de decisões.

É bastante útil parar e reflectir sobre todo o seu conceito. A crença de que a opinião pública pode ser um determinador de verdade é, filosoficamente, uma loucura, e uma crença que rejeita a ideia duma mente individual racional. Todas essas mentes individuais têm em si a divina chama da razão, e consequentemente são capazes de descobertas científicas e capazes de entender as descobertas alheias. A mente individual é, portanto, uma das poucas coisas que não pode ser reduzida a uma "média".

Tomemos como o exemplo o seguinte: é possível, senão mesmo provável, que o cientista que faz uma descoberta seja a única pessoa a ter essa opinião sobre a natureza, enquanto que as outras pessoas têm uma opinião diferente. Só podemos imaginar o que uma "pesquisa levada a cabo de um modo científico" em torno do modelo de Kepler sobre o sistema solar teria sido pouco depois dele ter publicado "Harmony of the World": 2% a favor, 48% contra, e 50% sem opinião.

Estas técnicas de pesquisa psicossomáticas tornaram-se o padrão não só para a Escola de Frankfurt, mas também através de todos os departamentos de ciência social Americanos, especialmente depois do Instituto para Pesquisa Social ter chegado aos Estados Unidos. A metodologia foi a base para o artigo de pesquisa pelo qual a Escola  de Frankfurt é mais conhecida, o projecto da "personalidade autoritária".

Em 1942, Max Horkheimer, director do Instituto para Pesquisa Social, entrou em contacto com o Comité Judaico Americano, que lhe pediu [a Horkheimer] para criar um Departamento para Pesquisa Científica dentro da sua organização. O Comité Judaico Americano providenciou também um donativo enorme para o estudo do anti-Semitismo dentro da população Americana. Na introdução do seu estudo, Horkheimer escreveu:
O nosso propósito não é só o de descrever o preconceito, mas explicá-lo como forma de ajudar à sua erradicação.... A erradicação significa a re-educação cientificamente planeada com base no entendimento científico da forma como ele [o preconceito] surgiu.
A Escala A-S

Em última análise, durante o final dos anos 40 cinco volumes foram produzidos para este estudo; o mais importante foi o último, A Personalidade Autoritária, por Adorno (com a ajuda de três psicólogos sociais de Berkley - Califórnia). Durante os anos 30 Erich Fromm havia inventado um questionário a ser usado como forma de analisar os trabalhadores Alemães psicanalicamente: "autoritários", "revolucionários", ou "ambivalentes". O cerne do estudo de Adorno foi, mais uma vez, a escala de Fromm, mas com o final positivo alterado de "personalidade revolucionária" para "personalidade democrática" como forma de tornar as coisas mais palatáveis para a audiência do pós-guerra.

Nove traços de personalidade foram testados e medidos, tais como:

Convencionalismo - Aderência rígida aos valores convencionais da classe média.

Agressão Autoritária - A tendência de estar alerta, condenar, rejeitar e punir as pessoas que violam os valores convencionais.

Projectividade - A tendência para acreditar que coisas incríveis e perigosas estão a ocorrer pelo mundo.

Sexo - Preocupação exagerada com o que sexualmente ocorre [na sociedade].

A partir destas medidas, foram construídas várias escalas:

* A Escala E (Etnocentrismo)

* A Escala PEC (Conservadorismo Económico e Político [em inglês: "political and economic conservatism"])

* A Escala A-S (anti-Semitismo)

* A Escala F (Fascismo)


Usando a metodologia de aferição de resultados de Rensis Lickerts, os autores foram capazes de construir uma definição empírica do que Adorno chamou de "um novo tipo antropológico", a personalidade autoritária. A prestidigitação aqui, tal como em todos os trabalhos de pesquisa psicanalíticos, é a pressuposição do "tipo" Weberiana. Mas o tipo está estatisticamente determinado, todo o seu comportamento pode ser explicado. Se uma personalidade anti-Semita não age duma forma anti-Semita, então ele ou ela têm um motivo oculto para tal, ou está a ser descontínuo. A ideia de que a mente humana é capaz de mudar é ignorada.

Os resultados deste estudo podem ser interpretados duma forma diametricamente oposta. É possível dizer que a população Americana era de forma geral conservadora, não queria abandonar a economia capitalista, acreditava numa família forte e olhava para a promiscuidade sexual como algo a ser punido, olhava para o mundo pós-guerra era um lugar perigoso, e ainda tinha fortes suspeitas dos Judeus (e dos Negros, dos Católicos Romanos, etc. - infelizmente, algo verídico mas passível de correcção dentro dum contexto de crescimento económico e optimismo cultural).

Por outro lado, é possível usar estes dados para provar que os progroms anti-Judaicos e que os comícios ao estilo de Nuremberga estavam eminentes, prestes a acontecer, esperando apenas que um novo Hitler desse início. Qualquer que seja a interpretação que se aceite, é onsequência duma decisão política e não duma decisão científica.

Horkheimer e Adorno acreditavam firmemente que todas as religiões, incluindo o Judaísmo, eram "o ópio das massas". O seu propósito não era proteger os Judeus do preconceito, mas sim criar uma definição de autoritarismo e anti-Semitismo que pudesse ser explorada como forma de forçar a "re-educação cientificamente planeada" dos Americanos e dos Europeus para longe dos princípios da civilização Judaico-Cristã, que os membros da Escola de Frankfurt tanto desprezavam.

Nos seus escritos teóricos deste período, Horkheimer e Adorno avançaram com esta tese para o seu nível mais paranóico: tal como o capitalismo era inerentemente fascista, a filosofia do Cristianismo era ela mesma uma fonte de anti-Semitismo. Tal como Horkheimer e Adorno escreveram em conjunto em 1947 no seu "Elements of Anti-Semitism":
Cristo, o Espírito que Se tornou Carne, é o feiticeiro deificado. A auto-reflexão do homem na humanização absoluta de Deus em Cristo, é o proton pseudos [falsidade original]. O progresso para além do Judaísmo está associado à crença de que o Homem Jesus Se tornou Deus. O aspecto reflectivo do Cristianismo, a intelectualização da magia, é a raiz do mal. [Capitalizado pelo tradutor]
Ao mesmo tempo, num artigo mais popularizado com o nome de "Anti-Semitism: A Social Disease", Horkheimer escreveu que "actualmente, o único pais do mundo onde não parece existir qualquer tipo de anti-Semitismo é na Rússia" [??!].

Esta conveniente tentativa de maximizar a paranóia recebeu a ajuda de Hannah Arendt, que popularizou a pesquisa em torno da personalidade autoritária no seu amplamente lido "Origins of Totalitarianism". Arendt acrescentou também o famoso floreio retórico em torno da "banalidade do mal" no seu livro "Eichmann in Jerusalem": sob as condições certas, até um simples dono duma loja como Eichmann se pode tornar num Nazi - psicoanaliticamente, todos os Gentios são suspeitos.

A versão extremista de Arendt (da tese da personalidade autoritária) é a filosofia operacional da actual Cult Awareness Network (CAN), grupo que, entre outros, opera juntamente com o U.S. Justice Department e a Anti-Defamation League da B'nai B'rith. Como forma de justificar medidas operacionais contra eles, e usando métodos-padrão da Escola de Frankfurt, a CAN identifica grupos religiosos e políticos que são seus inimigos políticos e depois classifica-os de "seitas".

A Explosão da Opinião Pública

Apesar da sua improvável tese dos "tipos psicanalíticos", a metodologia da pesquisa interpretativa da Escola de Frankfurt tornou-se dominante nas ciências sociais, e essencialmente, assim permanece até aos dias de hoje. De facto, a adopção destas novas técnicas supostamente científicas durante os anos 30 causou uma explosão do uso das das sondagens da opinião pública, a maior parte delas financiadas por Madison Avenue. Os maiores pesquisadores actuais - A.C. Neilsen, George Gallup, Elmo Roper - tiveram o seu início de actividade nos anos 30, e começaram usando os métodos do Instituto para Pesquisa Social, especialmente depois do sucesso do  Stanton-Lazersfeld Program Analyzer.

Por volta de 1936, a actividade de pesquisa havia-se tornado suficientemente propagada para justificar uma associação comercial, a American Academy of Public Opinion Research, sediada em Princeton e liderada por Lazersfeld; ao mesmo tempo, a Universidade de Chicago criou a National Opinion Research Center. Em 1949 o Office of Radio Research foi transformado no Bureau of Applied Social Research, uma divisão da Universidade de Columbia University, com o infatigável Lazersfeld como director.

Depois da Segunda Guerra Mundial, Lazersfeld tornou-se de modo especial pioneiro do uso de pesquisas como forma de psicanalisar o comportamento eleitoral dos Americanos, e por volta das eleições Presidenciais de 1952, as agências publicitárias de Madison Avenue estavam sob o controle firme da campanha eleitoral de Dwight Eisenhower, usando o trabalho de Lazersfeld. Mil noventos e cinquenta e dois foi também o ano em que decorreram as primeiras eleições sob a influência da televisão, que, tal como Adorno havia previsto 8 anos antes, havia crescido e passado a ter uma influência incrível num curto período de tempo.

A Batten, Barton, Durstine & Osborne - lendária agência publicitária "BBD&O" - construiu a totalidade das aparências eleitorais de Ike [Dwight Eisenhower] para as câmaras televisivas, e tão cuidadosamente como os comícios Nazis de Nuremberga; "spots" publicitários com a duração de um minuto foram feitos para satisfazer as necessidades pré-determinadas por sondagens dos eleitores.

Esta bola de neve nunca mais parou de rolar. Todo o desenvolvimento da televisão e da publicidade dos anos 50 e 60 foi iniciado por homens e mulheres que foram treinados pelas técnicas de alienação em massa da Escola de Frankfurt. Frank Stanton passou directamente do "Radio Project" para se tornar no mais importante líder individual da televisão moderna.

O principal rival de Stanton durante os anos formativos de TV foi Sylvester "Pat" Weaver, da NBC; depois de receber um Ph.D. em "comportamento auditivo", Weaver trabalhou junto do Program Analyzer nos finais dos anos 30 antes de se tornar num vice-presidente da Young & Rubicam, por essa altura o director de pregramação da NBC, e por fim se tornar presidente da rede. As histórias de Stanton e de Weaver são típicas.

Hoje em dia, os homens e mulheres que administram as redes televisivas, as agências de publicidade, e as organizações focadas em sondagens, mesmo que nunca tenham ouvido falar the Theodor Adonor, acreditam de modo firme na teoria de Adorno de que os média podem, e devem, transformar tudo em que tocam em "futebol". A cobertura da Guerra do Golfo (1991) demonstrou isto de forma bem clara.

A técnica dos meios de comunicação e das agências de publicidade desenvolvida pela Escola de Frankfurt controla de modo efectivo as campanhas eleitorais Americanas, que já não são baseadas em programas políticos mas sim na alienação.

Pesquisas psicanalíticas identificam queixas mesquinhas e medos irracionais, e convertem-nas em "questões" que têm que ser satisfeitas; o anúncio publicitário "Willy Horton", que foi emitido durante a campanha Presidencial de 1988, e as "emendas em torno da queima da bandeira", são os mais recentes exemplos.


Questões que irão determinar o futuro da nossa civilização são escrupulosamente reduzidas a oportunidades para aparecer numa foto e pequenos "spots" radiofónicos - tal como as reportagens de Ed Morrow dos anos 30 - onde o efeito dramático é maximizado, e o conteúdo intelectual é igual a zero.

Quem é o inimigo?

Parte da influência que a mentira da personalidade autoritária tem nos nossos dias deriva também do incrível facto da Escola de Frankfurt e das suas teorias terem sido oficialmente aceites pelo Governo Americano durante a Segunda Guerra Mundial, e estes Cominternaristas terem sido responsáveis pela determinação de quem eram os inimigos Americanos durante a guerra e durante o período pós-Guerra.

Em 1942, o Office of Strategic Services, a apressadamente construída unidade de espionagem e de operações ocultas Americana, pediu ao antigo presidente de Harvard, James Baxter, que formasse um Research and Analysis (R&A) Branch sujeita à Intelligence Division do grupo. Por volta de 1944, o R&A Branch havia recolhido tal quantidade de estudiosos emigrados que H. Stuart Hughes, por essa altura um jovem Ph.D., disse que trabalhar para ele era "uma segunda pós-graduação" às custas do governo,

A Central European Section era liderada pelo historiador Carl Schorske; sob ele, na bastante importante secção Alemã/Austríaca, encontrava-se Franz Neumann, como segundo chefe, juntamente com Herbert Marcuse, Paul Baran, e Otto Kirchheimer, todos veteranos do Instituto para Pesquisa Social [isto é, todos comunistas]. Leo Lowenthal liderou a secção de língua Alemã do Office of War Information; Sophie Marcuse, a esposa de Marcuse, trabalhou para p Office of Naval Intelligence.

Também no R&A Branch encontravam-se: Siegfried Kracauer, antigo instrutor de Kant de Adorno, agora um teórico do cinema; Norman O. Brown, que se tornaria famoso durante os anos 60 ao combinar a teoria hedonista de Marcuse com a orgonoterapia Wilhelm Reich como forma de popularizar a "perversidade polimorfa"; Barrington Moore, Jr., mais tarde professor de filosofia que escreveria um livro com Marcuse; Gregory Bateson, o esposo da antropóloga Margaret Mead (que escreveu para a revista da Escola de Frankfurt), e Arthur Schlesinger, o historiador que fez parte da Administração Kennedy.

A primeira tarefa de Marcuse foi a de liderar uma equipa que iria, ao mesmo tempo, identificar aqueles que seriam julgados como criminosos de guerra e aqueles que eram potenciais líderes da Alemanha do pós-Guerra. Em 1944, Marcuse, Neumann, e Kirchheimer escreveram o Denazification Guide, que foi mais tarde emitido para os oficiais das Forças Armadas Americanas que se encontravam a ocupar a Alemanha como forma de os ajudar a identificar e suprimir o comportamento pró-Nazi.

Depois do armistício, o R&A Branch enviou representantes que iriam trabalhar como contactos de espionagem com as várias forças ocupantes; foi atribuída a Marcuse a Zona Americana, Kirchheimer a Francesa, e Barrington Moore a Soviética. No Verão de 1945, Neumann abandonou esta posição para se tornar chefe de pesquisas para o Tribunal de Nuremberga. Marcuse ficou junto dos serviços secretos Americanos até os princípios de 1950, ascendendo para o lugar de chefe do Central European Branch do Office of Intelligence Research do Departamento do Estado, uma posição que tinha como tarefa "planear e implementar um programa de pesquisa de informação secreta   positiva .... para atingir os requerimentos dos serviços secretos da Central Intelligence Agency e de outras agências autorizadas."

Durante a sua estadia como oficial do governo Americano, Marcuse apoiou a divisão da Alemanha entre a Alemanha do Leste e a Alemanha do Oeste, ressalvando que isto iria prevenir uma aliança entre os recém-libertos partidos esquerdistas com as antigas e conservadoras camadas industriais e empresariais.

Em 1949, Marcuse escreveu um relatório com 523 páginas com o título de "The Potentials of World Communism" (só tornados públicos em 1978), onde ele sugeria que a estabilização económica da Europa levada a cabo pelo Plano Marshal iria limitar o potencial de recrutamento dos Partidos Comunistas da Europa Ocidental para níveis aceitáveis, causando um período de co-existência hostil com a União Soviética, caracterizado pelos confrontos só em locais distantes tais como a Indochina e a América Latina - essencialmente, uma previsão surpreendentemente correcta.

Marcuse deixou o Departamento do Estado com uma bolsa da Fundação Rockefeller para trabalhar com os vários departamentos de Estudos Soviéticos que foram instalados em muitas Americanas universidades de topo, largamente por parte de veteranos do R&A Branch.

Ao mesmo tempo, Max Horkheimer estava a causar ainda mais estragos. Como parte da desnazificação da Alemanha sugerida pelo R&A Branch, o Alto-Comissário Americano para a Alemanha, John J. McCloy, usando fundos discricionários pessoais, trouxe Horkheimer de volta para a Alemanha para reformar o sistema universitário Alemão. Na verdade, McCloy pediu ao Presidente Truman e ao Congresso Americano que aprovassem uma lei que conferia a Horkheimer, que se havia naturalizado Americano, cidadania dupla; portanto, por um breve período de tempo, Horkheimer foi a única pessoa no mundo a ter a nacionalidade Alemã bem como a Americana.

Na Alemanha, Horkheimer deu início ao trabalho preliminar de revitalização completa da Escola de Frankfurt nos finais dos anos 50, incluindo a formação duma nova geração inteira de estudiosos anti-Ocidente tais como Hans-Georg Gadamer e Jürgen Habermas, que teriam uma significativainfluência destruidora na Alemanha dos anos 60.

Num período da história Americana onde alguns indivíduos estavam a ser caçados e lançados no desemprego devido a mais pequena suspeita de tendências esquerdistas, os veteranos da Escola de Frankfurt - todos com soberbas credenciais do Comintern - viviam uma vida que só pode ser qualificada de vida encantada. De certa forma, a América havia entregue a função de identificar os inimigos dos Estados Unidos da América aos piores inimigos dos Estados Unidos da América.

Continua na 4ª e última Parte...




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Escola de Frankfurt e o Politicamente Correcto - Parte 2

Esta é a 2ª Parte dum artigo iniciado aqui.

II. O Establishment Torna-se Bolchevique: O "Entretenimento" Substitui a Arte

Antes do século 20, a distinção entre a arte e o "entretenimento" era muito mais vincada. Certamente que era possível ser-se entretido pela arte, mas a experiência era activa e não passiva. Antes de mais, era preciso, tinha que se tomar a decisão consciente de ir para um concerto, ver uma certa exibição de arte, comprar um livro ou um pedaço de folha de música.  Era muito pouco provável que mais que uma fracção infinitesimal da população tivesse a oportunidade de ver O Rei Lear ou ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven mais do que uma ou duas vezes durante uma vida.

A arte exigia que se trouxessem todos os poderes de concentração e de conhecimento para o assunto, como forma de poder desfrutar melhor da experiência; caso contrário a experiência era considerada desperdiçada. Estes eram os dias onde a memorização de poesia e de peças inteiras, e a reunião de amigos e familiares para um "concerto de salão", eram a norma (até nas zonas rurais). Estes eram também os dias da "apreciação musical"; quando alguém estudava música, como muitos faziam, eles aprendiam a tocá-la e não só a apreciá-la.

No entanto, as novas tecnologias da rádio, dos filmes e música gravada, representavam, e vou usar as palavras Marxistas apropriadas, um potencial dialéctico. Por um lado, estas tecnologias traziam consigo a possibilidade de trazer os melhores trabalhos de arte para milhões de pessoas que, de outro modo, não teriam acesso a ela. Por outro lado, o facto da experiência ser infinitamente reprodutível, poderia causar a que a mente da audiência de desligasse, fazendo da experiência algo menos sagrado, e aumentando desde logo a alienação. Adorno chamou a este processo de "desmitologização".

Num artigo crucial publicado em 1938, Adorno lançou a hipótese de que esta nova passividade poderia fragmentar a composição musical em partes de "entretenimento", que poderiam ser alvo dum "fetiche" na memória do ouvinte, e as partes difíceis, que seriam esquecidas. Adorno continua:
A contrapartida para o fetichismo é a regressão da audição. Isto não significa a recaída do ouvinte individual para uma fase anterior do seu desenvolvimento, nem um declínio no nível colectivo geral, visto que os milhões que actualmente são alcançados musicalmente pela primeira através dos meios de comunicação em massa não podem ser comparados com as audiências do passado.
Em vez disso, é a audição contemporânea que regrediu, presa numa fase infantil. Não só os sujeitos alvo de audição perdem, juntamente com a liberdade de escolher e a responsabilidade, a capacidade para a percepção consciente da música ..... eles flutuam entre o esquecimento compreensivo e mergulha rapidamente para o reconhecimento. Eles ouvem atomisticamente e dessassociam o que ouvem, mas precisamente nesta dessassociação eles desenvolvem certas capacidades que estão menos de acordo com os conceitos tradicionais de estética do que aqueles do futebol ou automobilismo. Eles não são parecidos a crianças.... mas eles são infantis; o seu primitivismo não é aquele dos subdesenvolvidos, mas o dos forçosamente retardados.
Esta retardação e este pré-condicionamento conceptual causado pelo ouvir, sugeriu que a programação poderia determinar a preferência. O próprio acto de colocar na rádio, por exemplo, algo de Benny Goodman a seguir a uma sonata de Mozart, tenderia a amalgamar ambos dentro da esfera de "música-da-rádio"  de entretenimento na mente do ouvinte. Isto significava que até ideias novas e repulsivas se poderiam tornar populares "dando-lhes um novo nome" através do homogeneizador universal da indústria cultural. Tal como disse Benjamim:
A reprodução mecânica da arte altera a reacção das massas em relação a mesma. A atitude reaccionária em relação a uma pintura de Picasso altera e passa a ser uma reacção progressiva em favor dum filme de Chaplin. E reacção progressiva caracteriza-se pela fusão directa e íntima da diversão visual e emocional com a orientação do perito.... Em relação ao ecrân, as atitudes críticas e receptivas do público coincidem. O motivo disto é o facto das reacções individuais serem pré-determinadas pela resposta que está em vias de ser produzida das audiências em massa, e isto em lugar algum é mais óbvio que nos filmes.
Ao mesmo tempo, o poder mágico dos média pode ser usado para redefinir as ideias anteriores. "Shakespeare, Rembrandt, Beethoven irão todos fazer filmes," concluiu Benjamim, citando o pioneiro cinematográfico Francês Abel Gance, "... todas as lendas, todas as mitologias, todos os mitos, todos os fundadores de religiões, e a próprias religiões ... esperam pela sua ansiada ressurreição."

Controle Social: O "Projecto Rádio"

Eis aí, então, algumas teorias potentes de controle social. As enormes possibilidades deste trabalho da Escola de Frankfurt em relação aos média foi provavelmente o factor mais importante que fez com que o Establishment desse o seu apoio ao Instituto logo depois do mesmo se ter transferido para a América em 1934. Em 1937 a Fundação Rockefeller começou a financiar as pesquisas em torno dos efeitos sociais destes novos meios de comunicação, particularmente da rádio.

Antes da Primeira Grande Guerra, a rádio havia sido um brinquedo para os amadores, com apenas 125,000 dispositivos instalados em todos os Estados Unidos; vinte anos mais tarde, a rádio havia-se tornado no meio de entretimento primário no país; das 32 milhões de famílias que existiam nos EUA, 27,5 tinham rádios - uma percentagem maior do que aquelas famílias que tinham telefones, automóveis, canalização e electricidade.

No entanto, até essa altura, numa pesquisa sistemática havia sido feita. A Fundação Rockefeller alistou várias universidades, e sediou este rede na "School of Public and International Affairs" na Universidade Princeton. Com o nome de "Office of Radio Research", o projecto ficou popularmente conhecido como "The Radio Project."

O director do projecto foi Paul Lazersfeld, filho adoptivo do economista Marxista Austríaco Rudolph Hilferding, e um colaborador de longa data do Instituto de Pesquisa Social durante o princípio dos anos 30. Abaixo de Lazersfeld encontrava-se Frank Stanton, recém doutorado em psicologia industrial através da Ohio State, que havia sido recentemente nomeado director de pesquisas da "Columbia Broadcasting System" - nome pomposo mas uma posição modesta.

Depois da Segunda Grande Guerra, Stanton tornou-se presidente da "CBS News Division", e por fim presidente da CBS no ponto mais elevado do poder desta emissora televisiva. Para além disso, ele tornou-se também Presidente do Conselho da "RAND Corporation", e membro do "gabinete da cozinha" do President Lyndon Johnson. Entre os pesquisadores do Projecto encontrava-se Herta Herzog, que se casou com Lazersfeld e torno-se directora de pesquisas para a "Voice of America"; e Hazel Gaudet, que se tornou numa das mais importantes pesquisadores políticas. Theodor Adorno foi nomeado chefe da secção musical do Projecto.

Apesar da lustro oficial, as actividades do "Radio Project" deixaram bem claro que o seu propósito era o de testar empiricamente a tese de Adorno e de Benjamim de que o efeito práctico meios de comunicação poderia ser o de atomizar e aumentar a labilidade - algo que mais tarde seria identificado pelas pessoas como "lavagem cerebral".

Novelas e a Invasão de Marte

Os estudos iniciais foram prometedores. Herta Herzog produziu "On Borrowed Experiences," a primeira pesquisa compreensiva em torno das telenovelas. O formato "drama radiofónico em série" foi inicialmente usado em 1929, sob inspiração do antigo filme em série com um final incerto "Perils of Pauline". Uma vez que estas pequenas peças de rádio eram fortemente melodramáticas, passaram a estar popularmente identificadas com a grande ópera Italiana; e uma vez que estas peças eram frequentemente patrocinadas por produtores de sabão, passaram a ser conhecidas com o nome genético de "soap opera."

Até ao trabalho de Herzog pensava-se que a imensa popularidade deste formato encontrava-se entre as mulheres de nível sócio-económico mais baixo, que, nas circunstâncias restritivas das suas vidas, precisavam dum escape útil rumo a lugares exóticos e circunstâncias românticas.

Um artigo típico desse período feito por duas psicólogos da Universidade de Chicago, "The Radio Day-Time Serial: Symbol Analysis", publicado no "Genetic Psychology Monographs", enfatizou solenemente a positiva, alegando que as radionovelas "funcionavam essencialmente como os contos populares, expressando as esperanças e os temores da audiência feminina, e, no seu todo, contribuíam para a integração da sua vida com o mundo onde viviam."

Herzog apurou que, na verdade, não havia qualquer correlação com o estatuto socioeconómico. E mais ainda, havia muito pouca correlação em relação ao conteúdo. O factor chave - tal como as teorias de Adorno e Benjamim sugeriram que seria -  era a forma da série em si; as mulheres estavam a ser efectivamente viciadas ao formato, não tanto para serem entretidas ou para usarem isso como um escape, mas sim "para saber o que acontece na semana seguinte." De facto, segundo apurou Herzog, era possível duplicar o número de ouvintes dividindo a peça em segmentos.

Os leitores modernos irão reconhecer imediatamente o facto desta lição não ter passado despercebido à indústria cinematográfica. Actualmente, este forma em série alastrou-se para a programação infantil, e até para programas com orçamentos elevados do horário nobre. Os programas mais vistos da história da televisão continuam a ser a parcela da série Dallas com o nome de "Who Killed JR?", e o episódio final da série M*A*S*H, ambos publicitados sob o formato "o que acontecerá a seguir?". Até filmes tais como as trilogias Star Wars e Back to the Future estão actualmente a ser produzidos como séries, de modo a  prender a audiência para futuros episódios.

Na era actual, as humildes novelas diurnas continuam a ter a suas qualidades viciantes: 70% de todas as mulheres Americanas com mais de 18 anos assistem a pelo menos duas destas novelas todos os dias, e há um rápido aumento de audiência entre os homens e entre estudantes universitários de ambos os sexos.

O estudo importante seguinte levado a cabo pelo "Radio Project" foi uma investigação dos efeitos da peça radiofónica de Orson Wells emitido durante o Halloween de 1938 "A Guerra dos Mundos", de H.G. Wells. Seis milhões de pessoas ouviram a emissão realisticamente, descrevendo a invasão por parte duma força de Marcianos na zona rural de New Jersey. Apesar das repetidas e claras declarações de que o programa era uma ficção, cerca de 25% dos ouvintes pensaram que o mesmo era real, entrando de seguida em pânico. Os pesquisadores do "Radio Project" apuraram mais tarde que a maioria das pessoas que entraram em pânico não pensavam que homens de Marte tinham invadido, mas sim que os Alemães haviam invadido os Estados Unidos.

Foi assim que as coisas aconteceram: os ouvintes haviam sido psicologicamente pré-condicionados pelas reportagens de rádio provenientes da crise de Munique do princípio desse ano. Durante essa crise, o repórter da CBS colocado na Europa, Edward R. Murrow, teve a ideia de interromper a programação regular para apresentar pequenos boletins noticiosos. Pela primeira vez na história da rádio as notícias eram apresentadas não em peças analíticas longas, mas em pequenos clips - o que actualmente nós chamamos de "audio bites."

No ponto mais alto desta crise, estes flashes noticiosos eram tão numerosos, que, nas palavras do produtor de Morrow, Fred Friendly, "os boletins noticiosos estavam a ser interrompidos por outros boletins noticiosos." À medida que os ouvintes foram assumindo que o mundo estava à beira duma guerra, a audiência da CBS aumentou dramaticamente.

Mais tarde, quando Wells levou a cabo a sua emissão de rádio fictícia, e já depois da crise ter retrocedido, ele usou a técnica dos boletins noticiosos para dar à peça uma aura de verosimilhança; Wells começou a emissão com um programa musical fictício, que foi constantemente interrompido com "reportagens no local" (em New Jersey) cada vez mais aterrorizantes. Os ouvintes que entraram em pânico, não reagiram ao conteúdo, mas ao formato dos boletins noticiosos; eles ouviram "Interrompemos este programa para um boletim noticioso urgente" e "invasão" e imediatamente concluíram que Hitler havia invadido.

A técnica das novelas, transposta para o mundo noticioso, havia funcionado numa escala vasta e inesperada.

"Little Annie" e o "sonho Wagneriano" da TV

Em 1939, uma das publicações do trimestral Journal of Applied Psychology foi dado a Adorno e ao "Radio Project" como forma de publicarem alguns dos seus achados. A conclusão foi a de que os Americanos, durante os últimos 20 anos, haviam-se tornado "radio-conscientes", e que a sua audição se havia tornado tão fragmentada que a repetição do formato era a chave para a popularidade. A lista de reprodução determinava os "hits" [ed: sucessos] - uma verdade sobejamente conhecida pelo crime organizado de então e o actual - e a repetição poderia transformar qualquer tipo de música ou qualquer artista, até um artista de música clássica, numa "estrela.Desde que o formato ou o contexto se mantivessem familiares, practicamente qualquer conteúdo se tornaria aceitável.

Alguns anos mais tarde, Adorno, e em jeito de resumo do material, afirmou:
Não só as músicas de sucesso e as novelas são ciclicamente recorrentes e tipos rigidamente invariáveis, mas o próprio conteúdo específico do entretenimento deriva deles, e só superficialmente parecem alterar. Os detalhes são intercambiáveis.
O sucesso mais elevado do "Radio Project" foi "Little Annie", que recebeu o título oficial de "Stanton-Lazersfeld Program Analyzer". A pesquisa do "Radio Project" havia demonstrado que todos os métodos prévios de averiguação das intenções populares eram ineficazes. Até essa altura, uma audiência escolhida para pré-visualizar ouvia um espectáculo ou via um filme, e era posteriormente questionada com perguntas gerais: "gostou do filme? O que achou da actuação de fulano?"

O "Radio Project" apercebeu-se que este método não levava em consideração a percepção atomizada da audiência de teste em torno do assunto, e exigiu que essa audiência fizesse uma análise racional sobre o que tinha como propósito ser uma experiência irracional. Devido a isto, o "Radio Project" criou um engenho onde cada membro da audiência de teste recebia um tipo de reóstato onde ele poderia registar a intensidade do que gostava e do que não gostava numa base momento-a-momento. Ao comparar os gráficos individuais produzidos pelo engenho, os operadores poderiam determinar, não se a audiência gostava do programa - que era irrelevante - mas quais as situações ou as personagens que produziam um estado positivo, mesmo que momentário.

Little Annie transformou a rádio, os filmes e, de maneira geral, a programação televisiva. A CBS ainda mantem instalações para analistas de programas em Hollywood e em New York; é dito que os resultados correlacionam-se 85% para as estimativas. As outras redes e os outros estúdios cinematográficos têm também operações semelhantes.

Este tipo de análise é responsável pelo inquietante sentimento que temos quando, ao assistirmos a programa de TV ou um filme, ficamos com a sensação de já o termos visto anteriormente.  De certa forma, já vimos muitas vezes. Por exemplo, se um analisador de programa indicar que as audiências ficaram particularmente e positivamente afectadas com um certo tipo de actor a beijar um certo tipo de actriz, o formato dessa cena será colocado em dúzias de roteiros - transposta da Idade Média, ao espaço, etc, etc..

O "Radio Project" também se apercebeu que a televisão tinha o potencial de intensificar todos os efeitos que haviam sido estudados. A tecnologia da TV já estava disponível há alguns anos, e ela havia sido exibida na Feira Mundial de 1936, mas a única pessoa que tentou fazer uma utilização séria deste meio de comunicação foi Adolf Hitler. Os Nazis transmitiram "ao vivo" eventos tais como os Jogos Olímpicos de 1936 em salões de exibição comunitários por toda a Alemanha; eles estavam a tentar expandir o sucesso que haviam tido com a rádio como forma de Nazificar todos os aspectos da cultura Alemã. Os outros planos que eles tinham para o desenvolvimento da TV Alemã foram colocados de parte devido aos preparativos para a guerra.

Escrevendo em 1944, Adorno entendia perfeitamente este potencial:
A televisão tem como propósito fazer a síntese entre a rádio e o cinema, e tem sido retida porque as partes interessadas ainda não chegaram a um acordo; mas as suas consequências serão enormes e elas prometem intensificar o empobrecimento da questão estética de maneira tão drástica, que amanhã, a levemente velada identidade de todos os produtos da indústria cultural podem sair para fora, triunfantes, cumprindo, com ironia, o sonho Wagneriano do Gesamtkunstwerk - a fusão de todas as artes numa só obra.
O ponto óbvio é este: as formas profundamente irracionais do entretenimento moderno - o conteúdo erotizado  e estúpido da maior parte da TV e dos filmes, o facto de que a tua estação de rádio de música Clássica programar Stravinsky a seguir a Mozart - não tinham que ser assim. Isto foi programa para ser assim e o design foi tão bem sucedido que actualmente ninguém coloca em causa os motivos ou as origens.

Continua na 3ª Parte.....





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